Ouvir-te dizer
1 Como você sabe que gosta de alguém?
— Então, a que devo esta sua... visita? – indagou Japão, fitando o europeu com olhos inteligentes e cheios de segredos.
— Eu, bom... Acho que só queria alguém com quem conversar. – parado ali, a mão penteando desajeitadamente os cabelos loiros, Alemanha não parecia uma grande potência.
— Por que não procurou o Itália-kun, então?
— Esse é o problema. Eu poderia conversar com ele, mas não me sinto à vontade para isso. Acho que seria mais correto dizer que ele não é exatamente o interlocutor que procuro, mas o assunto que quero discutir. Eu... – Alemanha encarou o amigo, a expressão confusa e quase agoniada.
— Deveria procurar um psicólogo. – Japão voltou sua atenção para as miniaturas na mesa da sala de estar.
— Ficar deitado em um divã enquanto uma pessoa escuta o que eu tenho a dizer e diz coisas sobre mim que eu supostamente não sei? – o loiro indagou, sarcástico – Não. – ele balançou a cabeça – Não, obrigado.
— Por que não procurou pelo Inglaterra, pelo América...?
— Está de brincadeira? Eles não fariam nada senão me deixar ainda mais confuso. Você parece um pouco mais sensato e... Bom, ao menos sei que posso confiar em você para guardar um segredo.
— Fico lisonjeado. – Japão pegou uma das miniaturas para examinar mais de perto.
— Japão... – Alemanha arrastou um pé no piso de madeira.
— Sim?
— Como você sabe que... – ele engoliu em seco – Gosta de alguém?
A miniatura de youkai caiu no chão, perdendo a cabeça e uma das caudas. Japão empurrou-a com o pé para debaixo da mesa.
— Que tipo de pergunta é essa, Alemanha san?
— Agora entende por que eu não podia conversar com o Inglaterra ou o América?
— Imagino as respostas que eles lhe dariam... – Japão trincou os dentes e desviou os olhos para um canto distante da sala.
— Então... O que me diz?
— Ora, eu... Não sei se sou a melhor pessoa para lhe explicar...
— Japão, eu preciso de um conselho. E não pode vir de qualquer um. Eu sou o Alemanha, não se esqueça! A última coisa que poderia admitir é que zombassem de mim!
— Mas falar em gostar... Não me sinto muito à vontade com esse tema...
— Você soa tão frio, Japão. – Alemanha fitou-o com olhos apertados.
— E-eu... O amor próprio é uma coisa que todos precisam aprender a cultivar... – o oriental começou a falar, ainda nitidamente inseguro.
— Amor próprio?
— Claro. Deve, antes de tudo, amar a si mesmo e ao lugar a que pertence.
Alemanha ergueu uma sobrancelha. Aquele assunto soava como um nacionalismo disfarçado. Não era o que ele queria de fato discutir.
— Não quero causar novos problemas, Japão. Bem, obrigado pela ajuda. Se me der licença, eu vou...
— Espere! – em sua pressa, o país quase derrubou a mesa de centro – O Grécia! Procure pelo Grécia. Ele está sempre filosofando. Deve saber a resposta para a sua pergunta.
Alemanha refletiu por um momento.
— É uma boa ideia. Farei isso. Obrigado, Japão.
— Não foi nada. Até logo. – disse o oriental, agachando-se para pegar a miniatura desfigurada.
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