Outro Segredo

1 Hit and Stay


Notas iniciais
O ÚLTIMO, GALERA! TRILOGIA SEGREDO ENFIM TEM O SEU FINAL

Por algum motivo ainda desconhecido para Damian, Kara o chamou para a ajudar em uma missão — Bruce estava ocupado com a Liga, Dick tinha viajado para Atenas com Barbara e Tim estava em Jump City ocupado com os Novos Titãs. Damian considera Supergirl... Satisfatória. Como parceira, é claro.

Portanto, pensou sobre o pedido por alguns minutos até por fim ceder.

O Batmóvel não poderia ser usado, já que estava na posse de Bruce, o que lhe restava era apenas os inúmeros porshes do pai. Ele rapidamente vestiu suas roupas de civil e pegou a habilitação falsa que ele mesmo criou — por mais que soubesse dirigir desde os 8 anos, Bruce ainda se recusava a deixa-lo tirar a carteira de motorista.

Mas antes mesmo que ele chegasse perto da garagem da Mansão Wayne, seu celular tocou. Com um suspiro impaciente, o atendeu.

— Damian? Você está aí?

— Sim, Wilkes, caso contrário, você não estaria falando comigo.

Colin o ignorou.

— Irey disse que daria uma festa em Central City e nos convidou! Vamos?

— Não.

— Mas... Por quê? Você sabe que a Irmã Mary só permite eu sair se você for comigo.

— Desculpe, Wilkes, mas estou indo para Metrópolis agora.

— ...

— Wilkes? Colin? Ainda está aí?

— Hã? Ah, sim, Damian, desculpe. Ligaram o noticiário aqui e parece que vem uma tempestade das grandes.

— Droga. Adeus, Wilkes.

— Tchau, Damian.

Logo após o telefonema, Damian já estava na entrada. O limpador de para-brisa estava ligado desde que havia saído da garagem e a chuva não parecia acabar tão cedo.

Ele já havia pego no mínimo três engarrafamentos até finalmente chegar a rodovia. Amaldiçoando a alienígena imbecil, ele pode ver uma fila de carros, parado no mesmo lugar. Indignado, buzinou até avistar um guarda rechonchudo com um colete laranja berrante e um bastão também laranja.

— Desculpe, senhor. — O homem foi obrigado a gritar graças ao barulho da potente chuva. — Essa rodovia está interditada até a tempestade se acalmar.

— O quê?! Eu preciso chegar em Metrópolis o mais rápido possível!

— O senhor pode pegar a rota de Nova York, mas é bem mais extensa.

— Oh, maravilha. — Resmungou para si mesmo. E sem nem mesmo agradecer, Damian fechou a janela e acelerou para a outra pista.

~~*~~

A rodovia de Nova York estava consideravelmente vazia, mas quando Damian pegou a rota direta para a interestadual, viu tantos carros que ficou imediatamente mais mal-humorado.

Como paciência nunca foi uma de suas virtudes, deu a ré, resolvendo pegar a outra rota de Nova York, assim, logo já estava dentro da cidade.

A chuva estava forte demais para se conseguir ler alguma placa, a única coisa que conseguiu ver foi uma placa escrita “Queens” completamente pichada com coisas obscenas e rudes.

Ele encostou rapidamente e saiu do carro para conseguir ler uma placa decentemente.

Foi quando ouviu o barulho irritante de contagem regressiva. Olhou alarmado para os lados, tentando distinguir de onde vinha o barulho, que estava mais abafado graças a violenta chuva.

Em questão de segundos, conseguiu reparar que o escapamento do seu carro piscava em vermelho, apenas se jogou para dentro do beco bem a tempo do carro explodir.

Felizmente, a explosão não causou muitos danos – além do carro de seu pai, é claro. – Então esperou o fogo abaixar para conseguir se aproximar do carro e ver se algo podia ser salvo — ter uma pista sobre o quê fez isto. Não demorou para encontrar um símbolo do Capuz Vermelho em brasa, no escapamento.

— Todd! — Grunhiu.

Amaldiçoou Supergirl tanto, aos berros, que chegou a perder o fôlego. Resolveu andar pelas ruas sob a chuva, já que não tinha guarda-chuva. A chuva fazia o seu serviço, e logo todo o fogo se extinguiu do carro destruído.

Respirou fundo, tentando controlar sua raiva e andou em frente, sem ter a mínima ideia de onde estava.

~~*~~

Não demorou muito para aparecerem pessoas dos becos com aspectos ruins e sorrisos que significam encrenca. Damian os ignorou. O primeiro que se metesse com ele, arcaria com as consequências e ele garantia que não seriam bonitas.

O tal Queens lembrava um dos bairros mais calmos de Gotham, e se aquelas pessoas eram espertas, iam ficar longe dele.

O problema era que eles não eram espertos.

— Hey, bonequinha. O que faz aqui tão tarde da noite?

— Lindinho, você parece com frio, vem cá que eu te esquento.

Continuou os ignorando, incomodado. Só queria achar um hotel ou motel qualquer e dormir enquanto amaldiçoava a alienígena estúpida.

Mas um homem que chegava aproximadamente a altura de Jason o pegou pelo braço.

— Quem você pensa que é, vadia?

A força da chuva era tão forte que Damian tinha que apertar os olhos para poder enxergar um palmo a sua frente, mas tudo que ele via eram vultos disformes.

Dois armados. Dez com canivetes e variados. Cinco desarmados. Levantou o capuz da jaqueta com um meio sorriso e antes mesmo do homem que o segurava reagir, pegou o braço invasor e o torceu até o homem ficar de joelhos, chorando.

Não enxergava nada, mas isso nunca foi um problema para ele, já que a Liga dos Assassinos o ensinou a lutar cegamente antes mesmo dele aprender a dirigir.

Sentiu movimentos atrás de si e largou o braço do homem, chutou para trás, ainda concentrado na cegueira. Sentiu seus tênis colidir com carne e se virou rapidamente, apoiando o pé no estômago da pessoa que tentou ataca-lo por trás, impulsionou a perna, dando um salto para trás e chutando o pescoço de alguém com força o suficiente para o nocautear.

~~*~~

Mindy estava em patrulha naquela noite. Andava pelos prédios, atenta ao menor dos gritos. Qualquer barulho suspeito descobriria o pior lado de sua lâmina.

A noite estava estranhamente calma e Hit-Girl não sabia se achava isso uma coisa boa ou ruim. Passando pelo Queens, a chuva que apenas incomodava ficou muito mais forte, como se estivesse caindo granizo. Pegando os óculos de visão noturna, se escondeu onde a chuva não a castigaria tanto, olhando em volta, mas não via nada de relevante.

A chuva ficou cada vez mais forte a ponto de Hit-Girl não conseguir enxergar mais nada, independente dos binóculos de visão noturna.

Enquanto resmungava sobre como a chuva a atrapalha em seu trabalho, descansou a cabeça contra a parede de uma loja qualquer. Sua peruca estava pesada, assim como todo o seu uniforme. Não que isso seria algum tipo de impedimento, não, mas não deixava de ponderar em tirar a peruca pelo menos por alguns minutos... Mentalmente se deu um tapa. Ela não poderia cometer esse tipo de deslize. E se alguém a visse?

Suspirou chateada. Sentia saudades de patrulhar com Dave – não que ela admitiria isso em voz alta, nem mesmo sob tortura. Só que agora ele só ficava tagarelando sobre “Valerie isso! Valerie aquilo!”; fez uma careta, a enfermeira ruiva podia deixar ele feliz o quanto ele dissesse, mas ela ainda não conseguia confiar plenamente nela.

Estava prestes a fechar os olhos quando ouviu uma explosão que conseguiu fazer um barulho ainda mais alto que a chuva. Arregalando os olhos, Hit-Girl correu em direção a fumaça, o mais rápido que conseguia, antes que a chuva a extinguisse.

A força da chuva atrapalhou-a diversas vezes a chegar ao seu objetivo. Estava difícil enxergar e se mover, mas ela não desistiu. Desde que a polícia deu a ordem de prender todos os fantasiados, estava cada vez mais complicado sair nas ruas.

Estava próxima de um carro – ou algo que um dia fora um carro, julgando pelo estado atual. Ele era a fonte de toda aquela fumaça.

Analisou o local em busca de suspeitos que poderiam ter causado aquele estrago, mas acabou por não encontrar ninguém. Aquela chuva infernal não ajudava em nada.

Felizmente, ela não teve que procurar muito, já que um homem de por volta de uns 20 anos literalmente voou em sua direção. Ela defendeu-se dando uma cotovelada na nuca do homem. Intrigada, ela foi em direção de onde ele veio.

— Que porra... O que diabos aconteceu aqui?!

Praticamente todos os traficantes e gângsters do Queens estavam inconscientes no chão do beco. Só havia uma silhueta em pé, mas ele – tinha porte de um garoto de 16/17 anos, estava encapuzado e as gotas pesadas de chuva não ajudava em nada na identificação de Hit-Girl.

— Agora o quê? Estou curioso para ver se o repertório de insultos de vocês vai aumentar ou é só isso.

Ela mal conseguiu ouvir o que ele dizia, muito menos identificar a voz. Mas havia alguma coisa familiar nele... Alguma coisa que a deixava incomodada.

— Ei, cuzão! — Ela quase teve que gritar para conseguir ouvir a própria voz. — Quem é você? Quem te deu o direito para limpar a minha área?

Mas ela nunca ouviu a resposta, já que um relâmpago iluminou todo o local, juntamente com um poderoso trovão que fez todos os pelos da nuca de Hit-Girl se arrepiarem.

O raio caiu não muito longe dali, atingindo alguma árvore. Ela precisava encerrar a patrulha naquele momento, mas sem chances que ela voltaria para casa enquanto esse cuzão qualquer pegava toda a diversão pra ele.

— Hit-Girl? — Ele perguntou.

Mas ela o respondeu com um chute giratório na cara.

— Só vou acabar com a sua raça, depois eu vou dormir. — Ela o informou enquanto o socava no estômago.

Enquanto ele se dobrava para frente, Hit-Girl mal percebeu que o rapaz a agarrou pelo pulso e o torceu com força, o forçando contra as costas dela.

— M-maldito! — Ela gemeu antes de o chutar por trás.

Infelizmente, ela só conseguiu o afastar rapidamente, sem que ele soltasse o seu pulso.

Os intervalos entre os relâmpagos estavam cada vez menores, dando uma visibilidade melhor para ela. Tanto é que quando ela finalmente estava perto o bastante para conseguir ver o rosto do rapaz encapuzado, um relâmpago caiu naquele minuto, iluminando todo o local.

Por um minuto inteiro Mindy não se mexeu, mal ousando respirar. Não, não podia ser ele. Devia ser a chuva que estava castigando os seus olhos, fazendo-a ver coisas—pessoas irreais. Mas aquele sorriso arrogante... Só havia uma pessoa que sorria daquele jeito, que fazia seu coração ter essa maldita parada simplesmente por um meio-sorriso.

Então, sem aviso prévio, o rapaz a puxou pelo pulso, colando o corpo ao dela, se inclinando para falar bem em seu ouvido.

— Sentiu minha falta?

Maldito seja!

Que direito ele tinha por ficar aparecendo aleatoriamente desse jeito, sem avisar, sem dar uma chance a ela para se preparar psicologicamente? Mil vezes maldito seja!

Saiu de seu estupor completamente irada. Ah, ela não iria deixar ele brincar com seus sentimentos de novo, não dessa vez.

Deu uma cabeçada nele, apesar de ter atingido apenas o seu peitoral, mas pelo menos o surpreendeu o bastante para ele afrouxar o aperto em seu pulso.

Com o braço completamente livre, Hit-Girl se posicionou para dar o maior soco de sua vida bem no meio da cara daquele filho da puta, quando ele parou o seu ataque a pegando de volta pelo pulso e torcendo para que ela fique de costas para ele. Estava prestes a chutá-lo novamente quando ele a puxou para colar seus corpos de novo.

Ela estava encharcada até os ossos, praticamente congelando. Mas no minuto que ele a agarrou desse jeito, Mindy nunca se sentiu tão quente.

— Vamos ficar nessa a noite toda? Podemos continuar com essa briguinha idiota em um lugar seco, ao menos?

Filho da puta, cuzão, babaca--!

Sem chances que ela ia parar de lutar! Não antes de deixar uma bela cicatriz no maldito para ele nunca a esquecer.

Rapidamente ela sacou seu canivete da bota e a fincou em algum lugar na área das coxas dele. Infelizmente, Hit-Girl não podia ver onde o atingiu, já que estava de costas, mas o grasnado de dor dele foi a melhor coisa que ela ouviu em anos.

— Idiota... — Gemeu ele enquanto arrancava o canivete de sua coxa direita e atirava em sua direção.

Mas nem foi um bom tiro. Não havia força, velocidade e muito menos mira, como se o cuzão nem tivesse o mínimo de intenção em machuca-la.

Pois ele podia parar com essa baboseira agora mesmo, porque ela tinha muitas intenções de machuca-lo. Só que o ferimento feito fora muito mais profundo do que deveria, fazendo com que o chão logo estivesse empapado de sangue.

E o maldito não fazia absolutamente nada! Apenas tentava inutilmente estancar o sangramento com as mãos enquanto a olhava. Só... a olhava.

Por que os relâmpagos tinham que fazer com que os olhos dele ficassem tão brilhantes? E que sentimento horrível é esse que ela está sentindo agora? Será... culpa? Não, não! Ele merece! O maldito merece todo o sofrimento do mundo porquê...

... Porquê...

Porque ele partiu o seu coração ao ir embora e nunca mais dar notícias...

Mas agora ele está aqui. E Mindy não estava nem um pouco a fim de passar por toda aquela dor de novo.

Não, não, não! Ele não devia olhar pra ela desse jeito! Devia estar furioso e lutar com ela! Devia aparecer com aquelas espadas e lutar com ela como da vez em que se conheceram.

Um trovão ressoou alto, alto demais para o gosto dela. Mindy não gostava de tempestades, a fazia se lembrar do seu pai. Um calafrio a percorreu enquanto ela fechava os olhos rapidamente.

— Não gosta de tempestades? — Ela ouviu ele perguntando.

Que raios havia de errado com esse cara por perguntar uma coisa dessas enquanto tinha uma hemorragia?

— O que está fazendo aqui? — Ela retrucou, ignorando a pergunta dele.

— A rodovia estava lotada, peguei um atalho... — O coração de Mindy pulava cheio de esperança para ele dizer que estava vindo vê-la, enquanto sua cabeça a mandava parar de ser uma garotinha patética e apaixonada. — Mas meu carro acabou explodindo, então estou preso aqui. — Todas as suas esperanças murcharam enquanto ela brigava consigo mesma, dizendo que ela não deveria alimentar expectativas, pro começo de conversa.

— Por que caralhos o seu carro... Quer saber? Eu não vou nem perguntar. Tem onde ficar? Ou pretende dormir na emergência? — Adicionou ácida, apontando para o seu ferimento.

— Não faço a mínima ideia de onde estou. Nem onde fica o hotel mais próximo. E não, eu não vou em hospitais, posso cuidar de mim mesmo.

— É claro que pode. — Retrucou sarcástica.

Mais um momento de silêncio se passou entre eles, interrompido apenas pelos trovões.

— Vou me arrepender disso, mas... Pode dormir na minha casa. — Na verdade, Mindy se arrependeu no minuto que as malditas palavras saíram de sua boca. Apesar que a cara dele, completamente chocada, foi bem reconfortante.

— Isso vai contra toda a nossa política de “sem sobrenomes”, Hit-Girl. — É claro que ele tinha que substituir por um sorriso arrogante.

— Eu duvido que você vai conseguir ler minha caixa de correio com essa chuva. — Ela já estava andando para fora do beco quando parou apenas para encará-lo. — Você vem ou não? Ande antes que eu mude de ideia.

Com um discreto gemido de dor, ele desgrudou da parede e veio atrás dela.

— E então? Vamos a pé ou você tem algum veículo por aí?

— Só cale a boca antes que eu me arrependa. — Tarde demais, ela acrescentou mentalmente.

~~*~~

Damian não se lembra do trajeto até a casa de Hit-Girl. Não se lembra se andaram ou se foram por algum veículo. Em algum momento ele deve ter perdido a consciência pela falta de sangue, algo que ele não se orgulhava nem um pouco.

A última coisa que ele se lembrava era de tropeçar em algumas pessoas inconscientes no beco e andar atrás da garota e então tudo escureceu.

A próxima coisa que ele se lembrava era de acordar em um tapete completamente coberto de plástico. Olhou para os lados atrás da garota mas não a achou. Tentou se levantar, mas sua coxa logo protestou. Olhou para o ferimento, que estava enfaixado – e olha que surpresa, ele estava sem calças.

Heh? Normalmente as garotas tiram suas roupas enquanto ele ainda está consciente.

— Hit-Girl? Está aí? — Chamou, começando a se preocupar. Viu uma calça moletom um pouco grande dobrada em cima do sofá e a vestiu, chiando levemente pelo ferimento em sua coxa.

— O que você está fazendo aqui? — A voz dela surgiu bem ao lado dele, na curva do corredor.

Ela estava sem a peruca e máscara, vestindo-se casualmente. O cabelo loiro estava bem molhado e uma toalha repousava em seus ombros.

— Já disse, peguei um atalho e meu carro explodiu.

— Mas pra onde era seu destino inicial, seu idiota? — Ela cruzou os braços, o encarando bastante irritada.

E oras, ela tinha todo o direito em estar irritada! O maldito aparece praticamente apenas uma vez a cada dois anos e age como se fosse nada demais! Por que diabos ele nunca se incomodou em aparecer de vez em quando? Tudo bem que ele não morava em Nova York, mas para o filho da mãe aparecer tantas vezes, ele não pode morar tão longe!

Damian a analisou durante alguns segundos, escolhendo as palavras com cuidado:

— Kara me chamou para a ajudar em uma coisa. Ela mora em outra cidade, então tive que pegar o atalho, já que a chuva interditou todas as rodovias.

Damian pode perceber quando a postura de Hit-Girl pareceu endurecer quando teve sua resposta. Não entendia o que havia dito de errado, mas a expressão no rosto dela não era nada contente quando se encararam por alguns breves instantes.

Já Mindy teve o suficiente. Havia encontrado-o enquanto ele estva a caminho para se encontrar com outra garota. Com a tal de Kara. Porque aparentemente os dois tinham planos importantes de mais juntos. Um nó duro e apertado em sua garganta apareceu, mas Mindy o engoliu conforme pensava o quão idiota era.

Ele nunca viria para vê-la, nunca. Já tinha outros compromissos, com outras pessoas.

— Saia daqui! Vá embora! Vaza daqui seu cuzão! — Ela começou a soca-lo por todo o corpo. Damian apenas se defendeu, sem fazer contra-ataques, chocado demais para dizer alguma coisa. — Vá ficar naquela maldita chuva! Tomara que morra! Por que você não morre, seu filho de uma puta?!

— O que há de errado com você?!

— “O que há de errado comigo?”! Você! Você é o que há de errado na minha vida! Que porra, Damian! Que merda! Vá embora da minha casa! Maldito seja o dia que eu te conheci!

Agora ele estava realmente irritado. Segurou os pulsos dela, a obrigando parar com seu espancamento completamente gratuito.

Mas aparentemente Mindy ainda não teve o suficiente, já que se afastou completamente dele; pegou o abajur que ficava ao lado do sofá e jogou em sua direção. É claro que Damian desviou, mas isso não diminui a perplexidade dele pelo surto da garota.

— Maldito seja você! Mauricinho cuzão, filho da puta! Imprestável! Saia da minha casa! SAIA AGORA!

— Dá pra parar de surtar, sua louca?! Você que me convidou pra sua casa, se lembra? Logo depois de você enfiar um maldito canivete em minha coxa!

O olhar dela endureceu.

— Pra alguém que tem doze cicatrizes em apenas uma das coxas, uma a mais nem fez diferença. — Ela conseguiu disfarçar a amargura em sua voz ao constatar isso. Queria fazer uma cicatriz nele para ele não a esquecer, mas ela seria apenas uma aventura ocasional para ele, assim como todas aquelas outras cicatrizes. Não se deixando entristecer pelos pensamentos deprimentes, continuou: — Treze, se contar com a que eu acabei de fazer em você. Mas é uma donzela em perigo mesmo, nem eu devo ter tantas assim.

— E quantas você tem? – Damian perguntou por fim, a desafiando numa resposta dura, como todas as outras que tivera até aquele momento. – Quantas? – Repetiu, erguendo um pouco o queixo, a postura rígida.

— Hã... Bem...

— O mais interessante é que você se incomodou em contar cada uma. — O sorriso de Damian estava igualmente malicioso e zombeteiro, vendo-a sem reação.

— Cala boca! Eu estava enfaixando seu maldito machucado já que o viado aí desmaiou que nem uma bicha!

— -Tt-, seu vocabulário me machuca internamente, Mindy. E você não respondeu minha pergunta: quantas cicatrizes você tem? – Repetiu a pergunta.

— Argh! Por que está tão interessado em saber?

— Pelo mesmo motivo que você contou as minhas. – E por um momento, Damian se encontrou mergulhado num silêncio constrangedor com Mindy a sua frente, pensativa.

Ela não respondeu quanto a isso, apenas o encarou parecendo extremamente irritada, para o grande agrado de Damian. Pelo menos dessa vez ela não estava atirando outro abajur nele. Então, sem aviso prévio, ela abaixou a calça que usava revelando uma calcinha branca com morangos.

— Conte. — Ela exigiu.

— Hã? — Damian nunca foi um cara de gaguejar ou não sabe o que dizer. Mas nessa situação, ele fez ambos.

Não que ele nunca tivesse visto mulheres sem roupas. Todd começou a lhe dar revistas bastante sugestivas quando ele completou treze anos, sem falar das incontáveis vezes que ele já viu as conquistas de seu pai desfilando pela Mansão Wayne com camisolas.

Mas isso é uma situação completamente diferente. Damian ainda se lembrava perfeitamente do beijo que eles compartilharam, anos atrás. Um beijo que até hoje o assombrava em seus sonhos mais constrangedores.

Respirou fundo e voltou a ficar com expressão neutra.

— Está bem. — Se ajoelhou devagar ao lado dela, franzindo as sobrancelhas ao sentir a perna reclamando, deixando sangue brotar no curativo feito. Segurou as pernas de Mindy, um ato desnecessário, mas naquele momento, ele não poderia se importar menos. Começou a contar baixinho, fazendo questão de traçar o dedo em cada uma das cicatrizes que avistava.

As cicatrizes de Mindy em grande maioria eram bem finas, o que significava que havia muitos anos que ela as tinha. Isso não era um bom sinal. Será que Hit-Girl também teve uma infância semelhante a dele?

— Q-quem te deu permissão para me tocar, seu imbecil?

— Você — retrucou, sorrindo de lado —, quando exigiu para eu contar. O que, aliás, você tem doze cicatrizes nesta coxa, 27 na perna inteira.

Ela não o respondeu, já que não sabia o que dizer. E Damian parecia bem à vontade com as mãos nela, já que não fazia nenhuma questão de soltar-lhe. Estava tão envergonhada por ele estar lhe tocando, mas era uma sensação tão gostosa e diferente; fazia o seu ventre formigar, sedento por mais. Sua pele parecia estar em chamas em todos os lugares que o dedo dele passeava de forma despreocupada nela. Suas pernas estavam bambas, mas Mindy se recusava a demonstrar fraqueza! Isso não!

Só que se a situação se estendesse, ela não saberia quanto tempo iria aguentar...

— Mindy? — Uma leve rouquidão na voz dele se fez presente quando a chamou. Um sorriso malandro se estendia em seu rosto. A zombaria escorria pela sua boca — Você está tremendo... Está vermelha também. Qual o problema?

Ele estava a provocando, como sempre. Tentando a deixar mais vulnerável ainda! Mas dessa vez estava sem uma resposta afiada no estoque, ocupada demais com as sensações que estava sentindo.

Damian estranhou a falta de reação dela e olhou para cima, a encarando. Ela até sustentou o olhar dele por um tempo, até desviar o olhar para o lado, ficando mais vermelha ainda.

Levantou-se do chão para olhar diretamente pra ela, mas a garota novamente desviou o olhar do dele. Impaciente, a segurou pelo rosto, a obrigando olhar para ele.

Perto demais, perto demais, perto demais!

— O que você ainda está fazendo aqui? — Esbravejou ela nervosa. — Vai logo embora encontrar com essa tal de Kara!

Ciúmes? Então era sobre isso que Mindy tanto surtava? O sorriso de Damian se alargou ainda mais. Ela era tão idiota! Tão idiota e tão linda...

A garota ainda resmungava e o xingava, mas ele mal a ouvia. Tomando uma decisão, a calou com um beijo.

Foi tão inesperado que Mindy nem reagiu de primeira. Mas ela não demorou pra se recuperar.

— Seu--!

Damian não estava com saco para lidar com os palavrões sem nexo dela. Suas mãos foram para a cintura dela enquanto as dela foram para o peito dele. Por um segundo, ele ficou tenso, receoso por ela o empurrar. Mas ela deve ter mudado de ideia já que as mãos femininas resolveram ir para a nuca dele e brincar por lá.

A situação era bem familiar com a de dois anos atrás, quando os dois trocaram carícias naquela festa chique. Mas a parte mais excitante é que ambos estavam bem conscientes de não haver ninguém ali para interrompê-los.

Nenhum dos dois tinha certeza de quem abriu a boca primeiro, muito menos de quem enfiou a língua no meio do beijo primeiro, mas quando Mindy deu por si, ela estava distribuindo mordidas por toda a extensão do pescoço de Damian. Ela lambia e sugava com brutalidade a pele. O calor em seu ventre parecia lentamente se transformar em um grande incêndio, queimando tudo à vista.

Damian deve ter se sentido bastante confiante, já que suas mãos logo subiram para os seios dela. E ele não poderia ter tido uma surpresa mais agradável do que ter descoberto que ela não estava usando sutiã. Desceu seus lábios do lóbulo da orelha dela para o colo, distribuindo chupões gratuitos por toda a área exposta que conseguiu pela camisa duas vezes maior que ela.

Mais, mais, mais, mais, mais, mais, MAIS!

Num súbito momento de coragem, Mindy agarrou a barra da camiseta de Damian ficou brincando, as vezes passando as unhas nas costas dele, por dentro da camisa, as vezes subia para o peitoral, enlouquecendo-o cada vez mais.

O pobre garoto quase rasgou a própria camisa quando parou de chupá-la o suficiente para completar a ação. Agarrou-a pela cintura e a apertou contra si, embriagado pelo gosto dela. Deus, como ele precisava dela.

As sensações que o corpo de Mindy junto ao seu faziam-no sentir eram novas, mas quentes o suficiente para deixa-lo sem fôlego por alguns instantes, querendo novamente beija-la, mergulhar no gosto e no calor de Hit-Girl o máximo que podia. Conseguia sentir as pequenas mãos lhe acariciando, transmitindo arrepios que tentavam ser contidos da parte dele, mas que obrigavam Damian a apertar Mindy mais contra si, sedento.

Mas sua ferida resolveu que aquele era o melhor momento para abrir-se, fazendo com que o sangue escorresse do curativo para a calça emprestada.

E é claro que Mindy resolveu que aquele era o melhor momento para zombar dele.

— A bichinha não consegue nem dar uns amassos sem começar a sangrar.

Damian nem dignou esse comentário com uma resposta, apenas a olhando feio, sem tirar as mãos dela. Ele podia lidar com a dor depois.

— Deixa que eu te ajudo. — Ela sorriu marota, o empurrando em direção ao sofá, o obrigando a se sentar.

Totalmente alheia ao sangue que saia da perna dele, ela sentou-se em seu colo, o enlaçando com os braços enquanto voltava a beija-lo com fervor.

Aquela posição não fazia bem para a sanidade de Damian, nem um pouco. Ele pode sentir ficar cada vez mais animado, mas o ferimento em sua coxa o impedia de movimentar a perna como gostaria, para disfarçar sua “empolgação”.

Mas acabou que foi uma coisa boa seus hormônios terem levado a melhor, já que de repente, ficou bem consciente de que Mindy estava apenas com a calcinha e a camisa gigante.

E que coisa interessante ele sentir a peça úmida.

— Você... não acha que... estamos indo... rápido demais? — Perguntou com a respiração entrecortada.

— Eu juro que... se você não calar a boca...

Era tudo que ele precisava ouvir.

De uma vez, tirou a camisa que Mindy usava e parou, observando os seios dela expostos. Eles não eram grandes, mas também não eram pequenos. Era simplesmente do tamanho certo.

Sem hesitação, mergulhou os lábios para um dos mamilos, se deliciando com o gritinho que ela soltou para logo depois o substituir por curtos gemidos que ela tentava a todo custo esconder.

Ela não queria demonstrar fraqueza. Nem agora, nem nunca. Ela não podia demonstrar o quanto de prazer estava sentindo, o quanto seu corpo estava adorando ter os toques de Damian em si como se estivesse esperando por aquele momento a vida inteira. A boca molhada dele em seu seio fazia com que Mindy suspirasse alto e, com isso em mente, cravou os dentes na curva do pescoço dele, sugando e lambendo, fazendo questão de deixar marcado.

As mãos dele foram de encontro com as coxas dela, apertando-as com força o suficiente para ficar todos os seus dedos ficarem marcados na pele dela.

A essa altura, era praticamente impossível Mindy não ter notado que havia algo a roçando em uma região constrangedora, mas ela nada fez quanto a isso, no que Damian considerou como um sinal verde. Começou a se remexer abaixo dela, sentindo-a cada vez mais, notando que ela ficava cada vez mais molhada.

Começou a descer os beijos para o estômago e o ventre dela, os dedos bravamente brincando com o elástico da calcinha dela.

— Posso... saber porque apenas eu... está seminua aqui?

— Posso cuidar disso. — Prometeu Damian sorrindo, ele não podia ver a expressão dela do ângulo que estava, e descobriu que realmente queria vê-la vulnerável por ele.

Sem cuidado algum, a jogou no sofá e parou por um segundo para apreciar o que via.

Os cabelos loiros estavam revoltosos, apontando para todos os lugares. O rosto redondo estava vermelho, com os olhos meio fechados, respirando pesadamente. Os lábios estavam vermelhos e inchados, uma pequena faixa de sangue escorria de um dos lábios dela e ele supôs que veio de uma das mordidas que ela deu nele. Os seios subiam e desciam de forma harmônica a cada respiração. Desceu o olhar para as pernas dela e não pode deixar de sorrir malandro. Havia marcas vermelhas por todo lado, com a promessa de arroxear pela manhã. A calcinha infantil estava completamente molhada enquanto ela esfregava disfarçadamente as coxas uma na outra, provavelmente para tentar se acalmar.

E era tudo por ele.

O peito se estufou em orgulho quando ele se abaixou e mordeu a parte interna da coxa de Mindy, sugando com tanta força que ela imediatamente começou a se remexer, em busca de mais fricção em sua área sensível. Olhou para ela mais uma vez, a garota mordia o próprio braço para não evitar os gemidos descontrolados que escapavam de seus lábios sem permissão.

Se levantou apenas para poder tirar a calça e chiou quando ao tirar o boxer, o ferimento se abriu novamente. O sofá estava todo manchado com o sangue dele, apesar dos cuidados de Mindy ao estofar o tapete com plástico.

Ele estava nu na frente de uma garota. Tudo bem que ele e Irey já tiveram seus momentos de aventura quando Damian estava solitário e necessitado depois de tantos sonhos com a loira a sua frente, mas ele nunca tinha chegado a esse ponto. E muito menos Mindy, pela cara que ela vazia enquanto o encarava em sua total glória. Damian só esperava não estar tão vermelho quanto achava que era.

— Nós... Podemos parar... Se quiser... — Sugeriu lentamente, internamente torcendo para ela lhe dar o sinal verde.

Ela subiu o olhar para o rosto dele, impaciente. Sua resposta foi se levantar do sofá apenas para descer a calcinha, que escorregou pelas pernas esguias dela.

— Se eu quisesse parar, você não teria esse amiguinho por muito mais tempo.

— Não tem nada de “inho” aqui.

“E não tinha mesmo”, Mindy pensou descendo o olhar novamente.

— Cale a boca e me beije, seu idiota.

Damian não precisava ouvir duas vezes.

E por mais delicioso que fosse beijá-la e senti-la nua em seus braços, o seu cérebro virgem parecia não querer deixar esse tópico em específico de lado. “Eu vou dormir com ela; Pai não me preparou pra isso; eu vou transar com ela; Grayson me deu A Conversa mas eu não me lembro de mais nada; eu vou fazer sexo com ela; maldito Todd me deu uma camisinha que está na minha carteira mas eu não me lembro se eu a trouxe.”.

Ao contrário dele, Mindy parecia bem mais relaxada, apesar dela ser severamente mais inexperiente que ele. Ela começou a se abaixar, distribuindo beijos pelo peitoral dele, passando a língua em cada uma de suas cicatrizes de batalhas passadas. Damian achou que ia ficar louco ali mesmo.

Totalmente alheio ao seu ferimento, Damian jogou a garota no tapete com cuidado suficiente apenas para ela não bater a cabeça. Ela pareceu surpresa com o ato súbito, mas não disse nada. Havia uma névoa quente entorpecendo seus pensamentos, Mindy estava tão concentrada no que estava sentindo que estava completamente alheia ao fato de que estava prestes a realmente transar com alguém. Ainda mais com ele. O cara que quase nunca aparece.

Isso fez os ombros de Damian caírem. Se inclinou sobre ela, olhando diretamente em seus olhos azuis, antes celeste e agora tão escuro.

— Mindy. — Chamou.

Ela não reagiu de primeira, mas piscou, demonstrando apenas que estava ouvindo.

Mas isso não era o suficiente.

— McCready!

Isso fez ela o olhar com atenção.

— Você sabe o meu sobrenome! — Acusou.

Sério? Nessa situação, essa foi a sua primeira preocupação?

— É claro que eu sei. Filtrei todas as Mindys de Nova York antes mesmo de botar os pés em casa, naquele dia.

A indignação dela não poderia ser maior.

— E você me descobriu?! Isso é impossível!

Nada é impossível comigo. — Rebatou sorrindo torto.

Sentiu vontade de dar um soco na cara dele apenas pra tirar esse sorriso presunçoso do rosto, que parecia aquecer o seu ventre de forma nada segura.

— Isso não é nada justo! Eu não descobri o seu sobrenome!

Mas se Mindy fosse realmente sincera consigo mesma, diria que ela nunca se deu o trabalho de procurar por todos os Damians do mundo. Desde aquele dia, tudo o que ela queria era esquecê-lo, porque as lembranças, por mais maravilhosas que tenham sido, vinham com os machucados de que nada daquilo iria se repetir.

— Eu... Venho pra Nova York duas vezes por mês. — Ele confessou, evitando contato visual. — Fiquei te observando, te seguindo, e cuidando da sua retaguarda enquanto ninguém notava. Posso até ter dado um soco em algum dos seus colegas de classe, mas eu não me lembro muito bem. — Mentira. O nome dele era Todd Haynes e Damian quase o deixou em coma por ter se atrevido a chama-la pra sair. — Nunca falei com você ou te dei um sinal que estava por perto porque... Bem... Eu tinha medo. Eu gosto de você, Mindy, mas eu tenho minhas próprias responsabilidades. Se eu me envolver com você... Eu posso acabar trocando minhas prioridades, e eu não posso fazer isso.

Ele tinha um dever com seu pai e sua família. Ele tinha que se tornar o novo Batman, mas ela não precisava saber disso.

— Por isso... Se você quiser continuar... Preciso que saiba que eu não sei se poderei...

Verdade seja dita, Mindy parou de escutar depois do “eu gosto de você, Mindy”.

— Meu Deus, só cale a boca.

~~*~~

Damian se levantou do chão lentamente. A chuva havia cessado temporariamente, o que era um bom sinal. Ele poderia pegar um táxi facilmente agora. Ou roubar um carro, ninguém iria saber. Analisou o cômodo em que estava. Como ele foi parar no quarto da Mindy?

Ah, sim. Depois que eles terminaram no tapete, eles continuaram no banheiro, depois na cozinha, e acabaram ali. De alguma forma eles conseguiram destruir todas os travesseiros do quarto dela.

Quanto tempo havia se passado? Damian não sabia com precisão, mas poderia adivinhar, julgando pelos raios que começaram a iluminar o céu lá fora.

Olhou para a garota nua ao seu lado. Teria ele coragem de voltar pra casa e fingir que nada daquilo aconteceu? Não saberia responder.

Por um lado, ele realmente queria ficar com ela. Por outro, ele sabia que não teria tempo, por morar em outra cidade, por ela saber seu nome – mesmo que ainda não tenha adivinhado o seu sobrenome -, seu pai nunca iria aprova-la. Maldição.

Quando estava cogitando voltar a dormir, recebeu uma mensagem de Kara pelo comunicador que praticamente exigia saber onde diabos ele estava. Aparentemente, ela deve ter contado que ele não tinha aparecido para Jason e ela estava muito preocupada, pensando que seu irmão adotivo idiota deve ter explodido-o.

Ele deveria fazer a namorada de Jason o torturar mais um pouco, sem dar notícias por uns dias... Ah sim, então ele podia ficar com Mindy enquanto isso... O plano perfeito.

Mas seu pai não iria aprovar esse comportamento, o que iria comprometer todo aquele papo de responsabilidade e “Posso começar a treiná-lo para ser o novo Batman, filho”. Será que valia a pena jogar fora o motivo de sua existência por uma garota que ele mal conhece?

Sua mãe sempre lhe disse, desde que nasceu, que ele nasceu para se tornar o novo Batman. Que ele poderia governar o mundo se quisesse. Sempre foi treinado para isso, era o seu futuro, seu destino. Ele não poderia abrir mão disso nem se quisesse – e ele definitivamente queria.

Suspirou chateado. Estava confuso, mas suas responsabilidades continuavam as mesmas.

Resolveu ir de uma vez para Metrópoles se encontrar com a maldita Supergirl, mas não iria dar notícias até de fato estar lá. Todd merecia a bronca que estava levando por explodir o carro do Pai.

Ele já estava qual a mão na maçaneta quando:

— Você está tentando sair de fininho que nem uma bicha, não é? — A voz dela o pegou desprevenido. Não teve coragem de se virar para encará-la, mas também não tirou a sua mão dali.

Damian tinha responsabilidades em Gotham, com seu pai, com Grayson. Até mesmo com a estúpida Supergirl que deixou esperando, droga!

— Eu tenho que ir. — Foi a única coisa que ele disse.

— É claro que tem. — Mindy resmungou. — E qual é o seu plano? Daqui dois anos você aparece e o quê? Isso tem que parar.

Isso fez ele se virar.

— E o que você sugere? Nós nunca mais nos vermos de novo? — Ele estava tão irritado que imediatamente abriu a porta.

— Não... — Ela sussurrou tão baixo que ele mal a ouviu. — Que você fique. Por favor, fique.

Mindy se odiou profundamente por estar tão sentimental, implorando para ele não a deixar. Ela sabia que não aguentaria nunca mais o ver, depois do que eles passaram juntos, mas odiava ter se tornado tão dependente de um cara que ela mal conhece.

Damian fechou os olhos e respirou fundo, expirando lentamente. Reviu suas opções: Ele poderia dar um passo para frente e ir para Metrópolis e nunca mais voltar, ou, dar um passo para trás e ficar com Mindy e nunca mais sair.

Um passo foi dado. E a porta foi fechada.

Notas finais
... E esse final filho da puta, hein? HAHAHACalma gente, é o seguinte: Tem o epílogo!