Outras estações

2 Como vender a alma


Notas iniciais
Ei amorecos! Não vou enrolar muito, prometo. Passando só para agradecer pelos views e que logo responderei todos com muito amor e carinho ♥ Espero que vocês gostem do capítulo e, por favor, não deixem de comentar. Boa leitura ^^

Depois do choque inicial, enquanto eu me preparava psicologicamente para o que viria a seguir, notei duas coisas muito importantes:

1° Aquele cantorzinho de funk não era feio. Ele não era nada feio, se é que vocês me entendem.

2° Além de bonito e de ter um sorriso maravilhoso, aquele garoto era um babaca. E com babaca eu quero dizer babaca mesmo. Porque, depois de me lançar um sorrisinho que, creio eu, teria deixado muitas garotas de pernas bambas, Biel abriu a boca e pronunciou a seguinte frase mega importante:

— Colé gatinha.

Isso mesmo.

CO-LÉ GA-TI-NHA.

Senhor, quem é que fala uma coisa dessas na primeira vez que conhece alguém? Ah é, o Biel.

Franzi o cenho, encarando-o por um tempo bem significante, fazendo a diretora pigarrear e me lançar um olhar fuzilador do tipo “ou você para de fazer papel de idiota ou eu te arremesso pela janela”. E isso me mostrou que ela realmente não estava de brincadeira. Aquele era mesmo o Mc Biel!

— Algumas garotas ficam assim depois de conhecer alguém tão famoso — Sílvia comentou, passando as mãos pelos meus ombros.

Reprimir a vontade de gargalhar.

Qual é. “Tão famoso”? Digamos que a atual fama daquele garoto era uma cota de prints de twites antigos que estavam lhe rendendo a maior fama.

Fama de retardado mental.

Me afastei dos braços de Sílvia e voltei minha atenção a diretora.

— Será que a gente podia, hm, conversar a sós? — Perguntei me aproximando da mesa.

Ela concordou com um aceno, esperando um ou dois segundos para que todos se retirassem, mas depois de perceber que além de “tão famoso”, Biel também era meio idiotinha, porque não havia notado que era para ele vazar da sala.

— Acho melhor nós duas darmos uma volta — Respondeu e se voltou para o resto da sala, sorrindo amavelmente (Fátima sorriu amavelmente! Caramba!) — Fiquem a vontade.

O dia estava frio e, embora a diretoria e toda a área em volta ficasse coberta, eu tinha quase certeza que iria chover.

Apertei a alça da mochila que até então eu não havia soltado — O que me lembrava que eu não havia entrado na sala de aula e, consequentemente, não havia apresentado meu trabalho. Maravilha.

— Ana — Começou Fátima, seus saltos fazendo um clack-clack irritante sobre o piso — Antes do Mc Biel se firmar nos projetos da escola, precisamos que você assine alguns papéis.

— Eu não vou assinar papel nenhum — Retruquei totalmente convicta de minha decisão.

Qual é, não é só porque eu chego quase sempre atrasada e que vivo discutindo com aquela brucutu da coordenadora que eu tenho a obrigação de bancar a babá de cantorzinho metido. Eu hein!

— Como assim não vai? — A diretora parou tão bruscamente, que eu tive que cambalear para o lado, afim de não atropela-la, levando nós duas ao chão.

— Diretora, não me leve a mal, mas eu não sou a pessoa mais indicada para tomar conta daquele garoto. Eu não tomo conta nem de mim mesma.

— Você não tem que bancar a babá do Biel — Retorquiu enquanto piscava ceticamente em minha direção — Só precisa escrever relatórios.

— Mas eu não quero escrever relatórios — Bati na mesma tecla. Escrever relatórios? Eu nem faço as tarefas de casa direito, imagina passar o dia fazendo o relatório da vida super tediante de um cantor? Nem com reza! — Por que não pode, sei lá, ser outra pessoa?

— Ana — Fátima colocou as mãos em meus ombros, depois me fitou pacientemente — Não tem outra pessoa. Pensamos em Arthur, que é o presidente do grêmio, mas você é a única que é membro efetivo dos projetos da escola.

— Diretora, eu conheço uma série de meninas que dariam um braço — Esbocei uma careta antes de continuar — Para ficar perto do Biel, acho que participar de projetos sociais não é nenhum sacrifício.

— A pessoa tem que ter pelo menos dois anos de efetividade. Você é a única que tem isso. Pelo menos a única dessa escola — Fátima fez um pedido silencioso com os olhos, como se estivesse desesperada que eu dissesse sim — Não podemos te forçar a nada, Ana. Mas pense bem. Ter um cantor famoso como membro de seus projetos ajudará bastante na arrecadação de verbas.

Aquilo era um golpe baixo. Muito baixo.

Fazia três anos que eu participava de serviços voluntários e era bem complicado arrecadar verbas suficientes para suprir todas as necessidades. Trabalhávamos com crianças, incentivando a pintura, escrita, dança e uma série de esportes. Os garotos do time da escola se esforçavam para nos ajudar, mas faltavam muitas coisas. Faltava dinheiro. E uma coisa Fátima tinha razão: ter um cantor — mesmo não tão famoso e com um nível elevado de babaquice — atrairia os olhos de muitas pessoas.

Suspirei pesadamente, sustentando o peso do corpo em uma perna.

— Será que eu posso dar a resposta amanhã?

— Não, tem que ser agora.

“Não podemos te forçar a nada”, sei.

— Então, só espero que ele tenha jeito com crianças — Murmurei de cara fechada. A diretora abriu um sorriso enorme, me envolveu em um abraço apertado e me arrastou de volta para a sala da direção.

—*—

Quando Fátima disse “alguns papéis”, na verdade ela queria dizer “passe a manhã inteira assinando seu nome em uma quantidade exagerada de folhas” — Consideração com as árvores desperdiçadas? Nenhuma. O que estava escrito nelas eu não faço a mínima ideia. Na metade da primeira folha eu desisti de tentar entender com o que exatamente estava concordando. Digamos que eu poderia ter vendido minha alma para o capeta e nem saberia (não que o capeta iria se interessar por uma alma tão badalada e evoluída quanto a minha, né).

Larguei a caneta sobre a mesa, fechando e abrindo a mão para ver se ainda sentia meus dedos. Tudo culpa do Mc Biel. Nem conheço ele direito e já o odeio mortalmente.

— Pronto — Sílvia bateu palmas. Ela ficou encarregada de me ajudar (vulgo: vigiar para ver se eu assinava tudo), enquanto a diretora entretia nosso cantorzinho com sei lá o que.

— Será que eu já posso me matar? — Choraminguei, escorando a testa na mesa fria.

— Ainda não. Primeiro você precisa mostrar a escola ao Biel, depois pode fazer o que quiser.

Concordei, cansada demais para jogar na cara daquelazinha o quanto ela era uma vaca insensível (não que eu realmente fosse fazer isso, afinal, eu ainda estudava ali, e ganhar uma suspensão não estava nos meus planos para hoje).

— Onde nossa queridíssima diretora está?

Sílvia sorriu, levantando os olhos sob os óculos de grau que conferiam toda a papelada que eu havia assinado:

— Na secretaria.

Deixei minha mochila sobre a mesa, saindo rapidamente dali, antes que ela me mandasse pegar a mochila e levar até a sala de aula.

Já era o segundo horário. Um ou outro aluno vagava pelo pátio, enrolando para voltar para a sala. Apressei o passo, atravessando o pátio até chegar à área coberta da secretaria, com a plaquinha de “entre sem bater” pendurada de forma torta na porta.

Agarrei a maçaneta e a girei.

Do lado de dentro havia três mesas, pilhas de documentos espalhados e Biel e Fátima sentados no fundo, em uma conversa tão interessante que até os mosquitos pareciam cochilar.

— Diretora, já terminei com os papéis.

Fátima pareceu mega aliviada por se livrar da função de anfitriã. Abriu um sorriso enorme enquanto caminhava em minha direção.

— Ótimo, agora mostre ao Mc Biel nossa escola.

Notas finais
E então? A Ana, como sempre, sendo super dramática. Amo ela shuhs Pessoal, sei que rola um preconceito por causa da categoria da fanfic, mas o enredo é todo originalzinho, minha personagem é super fofa e o Biel, ah, ele tem que aparecer né ahah Por favor, comentem o que estão achando ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.