Outra vez
12 Capítulo 12
I.
Quando se refez daquela comoção, Arya tentou tirá-lo dali.
—Vamos sair daqui, Jon. Por favor...
—Não, eu preciso ver Sansa. Agora. -disse teimosamente.
Arya olhou-o. Tinha uma expressão penalizada. Não suportava vê-lo sofrendo.
—Lady Brienne não vai deixar você passar, pode acreditar.
Jon pareceu desnorteado. Não entendia o que estava acontecendo. Naquela hora nem pensou que era o Rei do Norte e que poderia fazer valer a sua vontade. Queria entrar, mas ao mesmo tempo temia encontrar Sansa moribunda ou até mesmo morta.
—Por quê?
—Sansa a fez jurar.
Ele pareceu aliviado.
—Então ela... não está tão mal?
Arya olhou-o com uma expressão desconsolada.
—Isso foi no começo, quando ela ainda estava acordada. Mas só piorou cada vez mais. Começou a passar mal no navio, quando chegamos não conseguia nem se manter de pé. Não comia, tinha febre e depois entrou em delírio. Nosso Meistre a desenganou. Lord Manderly trouxe o seu Meistre, mas não houve melhora. Foi por isso que eu escrevi a Sam Tarly. Ele curou Sor Jorah Mormont, parece saber muito de doenças.
Jon ficou ainda mais sentido. Até mesmo Sam ficara calado. Seu grande amigo Sam. Parecia uma conspiração para puni-lo. Ele ficou interiormente indignado. Não entendia a razão de tantas mentiras e segredos. Elas ainda estavam com raiva dele. Ou melhor, ao que parecia todos em Winterfell estivam descontentes com ele.
—Então, a mensagem não era de Gilly?
—Não, ela continua na Campina, com a mãe e a irmã de Sam.
—Por que me excluíram? Eu me importo com Sansa. E muito. Posso ter cometido erros, mas, jamais imaginei...jamais quis que isso acontecesse.
—Nós sabemos, Jon. Na verdade, Sansa não queria incomodá-lo. Não queria que você a visse nesse estado. Ninguém queria. Você precisa de tempo e espaço. Os dois precisam. Há muita pressão sobre vocês.
Ele mal ouvia. Jon estava ficando nervoso. Queria entrar, apesar de temer o que poderia encontrar. Sua atitude corporal era a de quem iria passar por cima de qualquer obstáculo.
—Eu vou entrar de qualquer jeito. Espero não ter que machucar ninguém.
Arya hesitou.
—Espere um minuto, por favor. Não faça nada precipitado.
Ela entrou no quarto de Sansa. Ele não conseguiu escutar nada, pois falavam baixo e a porta era de madeira maciça.
A porta se abriu algum tempo depois. Brienne de Tarth saiu sem ao menos olhá-lo. Ele entrou com o coração apertado.
II.
De início não a viu, pois Sam estava debruçado sobre o leito, aplicando uma compressa. Quando ele se afastou Jon levou um choque. Sansa jazia inerte e inconsciente sobre o leito. A suntuosa cabeleira ruiva espalhada sobre os travesseiros. Estava pálida, com olheiras profundas e as faces encovadas. Tinha perdido peso. Os braços nus sobre as cobertas pareciam muito finos e longos. Havia em cheiro forte de ervas no aposento, pois uma tisana fervia num fogareiro sobre a mesa. Jon ajoelhou-se e pegou uma das mãos de Sansa. As mãos de Sansa eram lindas, brancas, macias, com dedos afilados, mesmo na doença. Notou que ela estava quente. Ela ainda vivia. Ele beijou o dorso de sua mão, como ela fizera com ele, ali mesmo, naquele quarto, há pouco tempo atrás. Parecia que o destino estava zombando dele.
Nem percebeu que as lágrimas estavam correndo de seus olhos. Continuou com a mão dela entre as suas. Sam Tarly fez sinal para Arya, e os dois saíram para dar-lhe um tempo. Poderia ser talvez a despedida de Jon.
—Sansa... querida Sansa... Linda Sansa...espero que você esteja me escutando. Sou eu, Jon. Estou aqui... perto de você. Não vou deixá-la ir. Não vou aceitar que você morra. Você é tão jovem e sofreu tanto. Merece ser feliz, merece uma segunda chance.
Aquela imobilidade o atormentava. Chegou perto do rosto e sentiu a respiração muito suave. Ela ainda estava viva.
Quando Sam e Arya voltaram, ele ergueu-se.
—Vou me lavar e comer alguma coisa. Depois quero falar com você, Sam.
Sam assentiu.
III.
—O que ela tem, afinal?
Sam parecia ressabiado. Arya também esperava para ouvir a sua explicação.
—Eu não sei ao certo. Fui informado de que começou com uma dor na cabeça, e depois náuseas e vômitos. Parece uma febre cerebral, mas não se pode ter certeza...mas acredito que haja algum distúrbio nervoso envolvido.
—Você precisa salvá-la, Sam. Não posso perdê-la. É minha culpa.
Arya interveio.
—Não é sua culpa, Jon. Você até pode ter culpa de outras coisas, mas não foi você que provocou a doença.
Ele olhou-a com incredulidade.
—Vocês todos acham que a culpa é minha. Até eu mesmo acho.
Arya ia replicar, mas Sam interrompeu a discussão.
—Vamos esquecer a causa e nos concentrar na cura. Fiz uma tisana. Agora temos que tentar alimentá-la. Eu criei um tipo de tubo para que ela possa ingerir além da beberagem, algum tipo de caldo. A fraqueza contribui para o agravamento da doença. Vou precisar que alguém me ajude a erguê-la.
—Não se preocupe, eu faço isso. Eu vou dormir aqui, já mandei arranjarem tudo.
—Que absurdo, Jon... Eu e Brienne...
—Não, faço questão. Depois vocês poderão nos render. Vá providenciar para que a cozinha faça o caldo que Sam determinou. Precisamos alimentá-la. Ela está tão magrinha...tão abatida...
Ela resolveu não discutir. Saiu para resolver as coisas. Previa antecipadamente a descrença de Brienne quanto à dedicação de Jon.
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