Outra vez.

2 Talvez... Amigas?


Notas iniciais
Desculpem a demora, mas em compensação o capítulo saiu BEM grande. Era para ter mais coisas mas era pouco tempo e muitas coisas então aqui está, boa leitura!

~Hanako~

Por que será que aqueles dois saíram correndo quando me viram?Será que eu sou tão feia assim?

—Mestre, por que eles saíram correndo?

—Não foi nada. –Ele me respondeu sorrindo. –Provavelmente lembraram que tinham alguma coisa para fazer. Mas depois falamos nisso, você está com fome?

—E como!Eu não comi nada hoje.

—Então, como está muito tarde para o café-da-manhã, vamos almoçar.

—Sim senhor!

Nós entramos na casa, enquanto o meu mestre foi para a cozinha eu fui para o meu quarto tomar um banho. O meu quarto era simples: Tinha as paredes azuis, uma cama de solteiro, um guarda-roupa, um banheiro e uma janela que tinha vista para grande parte do santuário. Tomei um banho gelado, afinal estávamos em pleno verão e o calor estava insuportável, eu sempre preferi o frio ou temperaturas mais amenas.

Sai do banheiro e levei um susto. Minha mala estava jogada e aberta no chão com minhas roupas todas espalhadas!E acredite NÃO fui eu que a deixei assim, tudo bem que eu sou meio desorganizada, mas nem tanto a ponto de jogar minha mala no chão!

O quarto estava em um silêncio que eu até cheguei a pensar que um pedófilo tinha entrado no meu quarto e me visto tomar banho sem que eu notasse. Eu ouvi um barulho que vinha de dentro do guarda-roupa, fui até lá mais silenciosa que um rato e abri a porta de uma vez, só que ao invés de um homem ou qualquer coisa do tipo tinha nada mais nada menos que um gatinho bem pequenininho, branco e bem magrinho.

—Ai meu Zeus!Que fofo!Vem aqui gatinho.

Eu o peguei no colo e ele era tão fofinho!Ele provavelmente tinha entrado pela janela e derrubado a mala. Ele provavelmente devia ser um gato ninja porque a minha janela era muito alta. Eu o coloquei na cama e vesti a minha roupa porque não dava para cuidar dele só de toalha e aproveitei para arrumar o guarda-roupa de uma vez. Vesti uma blusa branca e uma saia preta.

Eu peguei o gato em meu colo novamente e fiz carinho nele, ele era tão mansinho, e estava tão magro. Tive até medo que ele se quebrasse quando eu o levantei, ele provavelmente era um gato de rua.

—Você é tão fofinho!Nem dá para acreditar que alguém teria coragem de te deixar na rua!

Ouvi batidas na porta e me assustei, estava tão concentrada no meu gatinho que nem percebi o tempo passar. Corri e escondi o gato de volta dentro do guarda-roupa de novo e abri a porta do quarto.

—Ah!Oi mestre!—Eu respondi com um sorriso meio sem graça.

—Se esqueceu do almoço foi?

—Não tinha como. Minha barriga não para de roncar.

—Então venha. Já está pronto.

—Já vou.

Eu fui atrás dele, mas antes eu fechei a porta do quarto por um motivo que vocês sabem. Fui com ele até a cozinha e fiquei reparando no mestre: Ele já não usava mais a armadura, usava uma camisa azul e uma calça. Quando cheguei à cozinha vi uma enorme travessa de macarronada.

—Macarronada!Que delícia!

—Você gosta?

—Adoro!Acertou em cheio!—Eu acho que eu não podia estar mais animada com uma macarronada.

—Então vamos comer. —Ele respondeu e se sentou.

Me servi de um prato bem cheio e comecei a comer, pelo visto o mestre era um ótimo cozinheiro e assim eu acabaria ganhando uns quilinhos.Eu estava tão concentrada comendo que nem percebi como meu mestre me olhava, parecia um olhar cheio de dúvida, no mínimo seria curiosidade.Ele havia me olhado da mesma maneira quando cheguei no santuário.

—O que foi?—Eu tive que parar de comer, aquele olhar não me deixava com muito apetite.

—Não é nada. —Ele deu um breve sorriso que logo sumiu e voltou a me olhar com aquela mesma curiosidade, ou dúvida. Era difícil decifrar. —Eu só estava pensando em...

—Em?

—Você é muito parecida com uma menina que morava em Rodório, realmente muito parecida...

—E... Isso é ruim? —Que menina era essa?

—Não. —Ele sorriu e isso me aliviou. —Ela era uma boa menina embora eu só a tenha visto algumas vezes. Agora coma se não vai esfriar.

—Sim senhor! —Eu já havia melhorado o meu humor, e automaticamente meu apetite voltou.

Nós terminamos de comer e eu recolhi os pratos e nós começamos a limpar tudo.

—Mestre, não precisa me ajudar.

—Eu faço questão de te ajudar. —Ele sorriu novamente.

—Sabe mestre...

—O que foi?

—São aqueles seus dois amigos.

—O Albafica e o Manigold?Qual o problema com eles?

—Não sei. Acho que eles não gostaram muito de mim. O senhor não viu como eles saíram correndo?

—Vi sim, mas às vezes eles fazem coisas que só eles entendem. Então não fique preocupada.

—Sim senhor.

Nós continuamos a limpeza até terminarmos, o mestre Dégel já estava saindo, provavelmente indo para a sua biblioteca, quando eu me aproximei e perguntei:

—Mestre, será que eu posso dar uma voltinha pelo Santuário?Sabe, para conhecer o lugar, já que eu vou morar aqui por um bom tempo.

—É claro. Só não volte tarde.

—Obrigada.

Eu esperei que ele saísse e corri para pegar uma vasilha, coloquei leite e fui correndo para o meu quarto. Cheguei lá, fechei a porta do quarto e abri o guarda-roupa, fiquei tão aliviada em ver que o gatinho ainda estava lá. Embora ele estivesse dormindo em cima da minha saia favorita.

Peguei-o de novo e coloquei ele e o leite no chão, e pelo jeito que ele tomou estava morrendo de fome.

—Você é tão fofinho. —Eu estava boba no quão fofo que aquele gatinho era.

Ele olhou pra mim com aqueles olhos preto e miou. A questão é que o miado dele não pareceu um “miau” e sim um “nyu”. Eu realmente faltei babar nessa hora.

—AI MEUS ZEUS!COMO VOCÊ É FOFINHO!AINDA BEM QUE EU TE ENCONTREI! —Eu me assustei como minha voz saiu alta.

E como eu sou muito escandalosa, meu mestre ouviu.

—Aconteceu alguma coisa Hanako? —Ele falou.

—Não foi nada mestre!

—Então tudo bem. —Ele respondeu.

Respirei aliviada, muito bonito Hanako, queria ver como eu iria explicar esse gato para o seu mestre. Coloquei o gatinho no guarda-roupa de novo e disse:

—Agora fique aqui. E eu acho que vou te chamar... De Nyu!

Fechei a porta do guarda-roupa e fui até a biblioteca onde o mestre estava lendo um livro que não prestei muita atenção para ver qual era.

—Eu já estou indo mestre.

—Sim, e quando passar por algum cavaleiro que ainda não te conheça cumprimente-o, se apresente e peça licença para passar.

—Sim senhor. Até logo.

Fui descendo as casas e fazendo como meu mestre disse: Cumprimente-o, se apresente e peça licença para passar. Bem, a parte de se apresentar não foi muito necessária, pois pelo menos o senhor El Cid (que eu achei meio rabugento) e o senhor Sísifo (que eu achei bem simpático) me conheciam como “a nova discípula de Dégel”. Tive a impressão de que essa seria a frase que eu mais ouviria durante toda a semana.

Pelo menos eu conhecia um cavaleiro que já podia se considerar meu amigo, o senhor Kárdia (que eu achei muito LINDO), e fiquei meio aliviada quando cheguei a casa dele.

—Olá senhor Kárdia. —Eu sorri.

—Ah, olá Hanako. —Ele retribuiu o sorriso. —O que faz aqui?

—Bem, eu vou dar uma voltinha para conhecer o Santuário. Como eu cheguei há pouco tempo não deu tempo para conhecer bem o lugar.

—Então tudo bem. Já que você está saindo pode me fazer um favor?

—Claro.

—Então eu não sei se você sabe, mas eu também treinarei uma discípula.

—Que legal!

—É mesmo, o problema é que ela ainda não chegou, e eu já estou começando a ficar preocupado. Então, será que você podia procurar ela para mim?

—Claro.

—Obrigada. A pele é clara, os olhos e cabelos pretos e ela se chama Momoko.

—Entendi. Então posso passar?

—Fique a vontade e bom passeio.

E eu novamente fui descendo as casas, sempre ouvindo a mesma frase: “Ah, você deve ser a nova discípula de Dégel”. Pois é, eu disse que seria a frase que eu mais ouviria a semana toda. Como eu disse, eu ia descendo tranquilamente. Até chegar à casa de Câncer, pelo que eu sabia, o cavaleiro de Câncer era um daqueles homens que estavam lá hoje cedo. Entrei e procurei por ele, mas pelo visto não estava então continuei a descer.

Quando eu finalmente terminei de descer todas aquelas escadarias eu fui andando e reparando bem o lugar, vários lugares perfeitos para treino, e o céu estava incrivelmente azul, sem uma nuvem no céu. E com isso o calor também estava insuportável, me sentei em baixo de uma grande árvore para descansar um pouco eu estava realmente longe, mas pelo menos sabia o caminho de volta, mas meu descanso não durou muito porque eu só ouvi uma voz vinda de cima gritando:

—CUIDADO AI EM BAIXO!

Sabe aquela horrível sensação de quando algo realmente pesado cai em cima de você? Ou então quando alguém te da um soco no estomago? Foi mais ou menos isso aí que eu senti. Por uns dois segundos eu não consegui respirar.

—Sai... De cima... De mim!

—Ai me desculpe! —Pela voz era uma menina e logo ela se levantou, não sabe como me senti aliviada. —Eu estava lá em cima para ver se eu encontrava o caminho para o Santuário, quer dizer não que eu não esteja vendo ele é que eu queria encontrar um atalho porque é muito longe então eu...

Por Zeus! Como ela falava rápido! Se fosse comigo eu já teria mordido a minha língua, mas eu parei e reparei nela. Pele a: Confere. Cabelo e olhos pretos: Confere.

—Espera um pouco. —Foi só ai que ela parou de falar. —Por acaso seu nome é Momoko?

—É sim, por que?

Nome: Confere

—Então você é a discípula do senhor Kárdia não é?

—Sou sim.

—Bem eu me chamo Hanako e sou discípula de Dégel.

—Ufa! E eu achando que seria a única menina a ser discípula de cavaleiros.

—Vai por mim eu também pensei isso.

—Mas por que você não está usando mascara? —Ela me olhou com os olhos grandes e pretos cheios de curiosidade.

—Eu? Usar aquela coisa? Nem que ela fosse feita de ouro! Não sabe como aquilo é abafado, e eu também não quero me aplicar a regra de “se um homem ver o seu rosto você deverá escolher entre amá-lo ou matá-lo”.

—Mas se você não usa a mascara, os homens tecnicamente vêem seu rosto então você tecnicamente tem que decidir entre os amar ou os matar.

—Momoko!Não me faça confundir as coisas! —Eu me levantei e a ajudei a se levantar. —Agora vamos o senhor Kárdia está preocupado.

—Tudo bem,vamos. Mas será que não tem nenhum caminho mais rápido?

—Mas que menina preguiçosa!

Nós fomos andando e conversando até chegar de novo nas escadarias das Doze Casas. A cara que a Momoko fez quando viu todos aqueles degraus foi hilária.

—Isso tudo?!

—Pois é agora vamos subir porque a casa de Escorpião é a 8° casa e as escadas são muitas. —Eu a empurrei em direção aos degraus.

E eu novamente subi aqueles degraus e nós duas ouvimos a mesma frase, só que dessa vez para a Momoko. E quando finalmente nós chegamos a Escorpião, o senhor Kárdia estava na entrada com uma cara nada boa.

—Senhorita Momoko!

—Oi mestre! Tudo bem? —Ela falou sorrindo como se nada tivesse acontecido.

—Onde você estava?

—Eu me perdi.

—Como alguém consegue se perder no caminho pro Santuário? E nem venha dizer que não o viu porque eu sei que é mentira.

—Tudo bem a questão é a seguinte...

—Antes que você comece Momoko. —Eu disse antes de começar o falatório. —Eu vou indo, com licença senhor Kárdia, tchau Momoko.

—Tchau Hanako.

Eu ia subindo, mas a Momoko me chamou.

—Hanako!

—O que foi?

—Amigas? —Ela sorriu.

Retribui o sorriso e disse:

—Sim, amigas. —E continuei subindo.

Continua...

Notas finais
Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.