Outra Pessoa

1 Chat Noir & Marinette Dupain-Cheng


Notas iniciais
Pra começar, essa fic era inicialmente uma oneshot escrita para o Marichat May de 2016 no tumblr, com o tema 'outra pessoa', daí o título. Mas depois eu fui tendo ideia, e escrevi outra história ligada, que acabou ganhando continuação. Então amarrem os cintos que lá vem... Boa leitura.

Ele não sabia como havia começado.

Uma noite ele simplesmente se encontrou na varanda de Marinette Dupain-Cheng. Ele estava cansado devido à mais recente luta contra um akuma, mas não estava pronto para ir pra casa no momento. Sua mente ainda estava completamente acordada, e qualquer tentativa de ter uma boa noite de sono acabaria em lençóis desarrumados e pensamentos agitados. Então, uma patrulha noturna não programada era provavelmente a melhor maneira de passar uma noite de insônia.

É claro, ele teria que lidar com as reclamações de Plagg quando chegasse em casa, e com a equipe do ensaio fotográfico pela manhã, quando eles vissem as olheiras em seu rosto, mas ele estava disposto a fazer alguns sacríficos em troca de um tempo maior de liberdade.

E foi assim que ele chegou até ela pela primeira vez.

Ele estava pulando pelos telhados, desfrutando seu tempo enquanto corria pela Paris iluminada pela luz da lua, quando ele a viu, de pé do lado de fora do seu quarto, um lençol sobre seus ombros e uma caneca de chocolate quente nas mãos, assistindo o céu noturno.

Talvez ele só precisasse de alguém pra conversar. Talvez ele só quisesse fazer companhia a ela, já que ela parecia tão inquieta quanto ele. Talvez ele só estivesse se sentindo corajoso, se aproximando de uma civil daquela maneira. Ele não sabia porque, mas ainda assim ele se empoleirou na antena do prédio dela e falou.

— Não consegue dormir, princesa?

Então ele se xingou internamente por chamá-la tão repentinamente, assustando-a, fazendo com que ela derrubasse sua caneca, espalhando sua bebida no piso.

— Desculpa. Desculpa mesmo. Eu não devia…

— Chat Noir? O que você…

— Desculpa, eu só vi você aí e…

— Tem um Akuma ou...

— Você parecia solitária, ou, eu não sei...

— Por que Ladybug não está com você?

— Eu só queria conversar.

Eles congelaram então, olhando um para o outro com olhos arregalados e uma expressão de choque antes que eles caíssem na risada.

— Desculpa, — ele desceu até ela e pegou sua caneca do chão, — Não quis te assustar. Você parecia um pouco perturbada.

— Tudo bem. — Ela pegou a caneca das suas mãos e tentou se cobrir um pouco mais com o lençol, — O chocolate já estava frio mesmo.

— E por que você não está na cama? Eu pensei que todo mundo gostava de dormir um pouco mais em noites frias.

— Eu gosto, muito, mas… Eu só não consigo dormir, sabe?

— É, eu sei, — ele suspirou, — Acho que nós dois temos muita coisa na cabeça para ter uma noite de descanso.

— É um saco, — ela concordou.

— Gostaria de companhia, princesa? Nós podemos compartilhar uma noite insone e conversar sobre nossos pensamentos agitados. Talvez ajude nós dois.

Ela pareceu um pouco assustada, e puxou o lençol mais um pouco sobre seus ombros. Ele se arrependeu de ter ido muito longe e estava prestes a verter suas mais sinceras desculpas antes que ela finalmente falasse.

— Acho que um pouco de companhia não faz mal, — ela sorriu, — Espere aqui, deixa eu pegar mais bebidas.

Ela desceu rapidamente e ele suspirou aliviado. Alguns minutos depois ela retornou, o lençol deixado para trás e duas canecas com líquido fumegante nas mãos. Ele sorriu, feliz por ter falado com ela em primeiro lugar, aliviado por ter alguém com quem conversar em uma noite tão perturbada.

Eles conversaram até o anel dele começar a apitar. Então ele partiu com uma saudação e uma promessa de visitá-la novamente e conversar um pouco mais num futuro próximo. Ela sorriu e acenou em despedida, dizendo que ele podia aparecer sempre que não conseguisse dormir.

Duas noites depois ele estava de volta.

Então três noites depois dessa.

E então se tornou uma espécie de rotina visitar Marinette constantemente (mesmo se ele estivesse muito cansado e não pudesse esperar até desabar na sua cama) e ter uma conversa agradável com ela, com uma bebida quente ou croissants e sobras da padaria. Ele esperaria com impaciência pela oportunidade de vê-la novamente, e durante o dia ele iria se controlar para não agir tão íntimo dela — ela ainda não parecia se sentir à vontade com Adrien. Ele se contentava nas conversas noturnas que eles tinham, algo reservado para apenas os dois.

Não demorou muito para que Ladybug começasse a perceber que havia algo diferente com ele. Ele começava a perder o foco durante suas conversas no meio das patrulhas, e ele constantemente ficava olhando para o nada, sua mente perdida em pensamentos.

— O que está acontecendo, Chaton? — A voz dela estava cheia de preocupação.

Ele deu de ombros, pela primeira vez não se aproveitando da oportunidade para flertar com ela.

— Nada, my Lady.

Quando Marinette perguntou a mesma coisa a ele mais tarde naquela noite, no entanto, ele sorriu e disse para ela não se preocupar.

Toda noite ele descobria um pouco mais sobre ela. Toda noite ele ficava mais próximo da garota que sentava atrás dele na classe. Toda noite ele dividia uma bebida ou um lanche e oferecia a ela mais uma parte do seu coração, que sempre estivera escondida por debaixo de maquiagens e couro preto.

Então uma noite ele simplesmente olhou para ela e chegou a uma conclusão: ele realmente gostava daquela garota.

Ele não sabia como havia começado, mas ele havia se apaixonado pela sua colega de classe (o que deixaria sua situação com Ladybug bem mais complicada, mas ele estava tentando não pensar muito nisso).

Ainda assim, ele não sabia o que dera nele quando uma noite, depois de agir particularmente pensativo o dia inteiro, ponderando e organizando seus sentimentos, ele trouxe o rosto dela para perto e tocou os lábios dela com os seus.

Não foi um beijo apaixonado. Não houveram mãos deambulantes e línguas exploradoras, e quando ele chegou ao fim eles não se separaram ofegantes, nem confessaram seus sentimentos em sussurros amorosos. Houve apenas um breve contato que não pareceu durar mais do que cinco segundos, e o silêncio quando ele acabou; as mãos dele envolvendo suas bochechas, os olhos dela fechados. Um leve rubor cobrindo seus rostos.

Marinette quebrou o silêncio primeiro.

— Eu gosto de outra pessoa, — ela disse, mas não o afastou.

— Eu também, — ele respondeu, a imagem das mechas escuras de Ladybug combinando com as de Marinette

Ela olhou para ele então. Seus olhos estavam confusos, mas ela ainda ergueu uma mão para cobrir a dele.

— Então o que estamos fazendo? — Ela sorriu amargamente.

— Eu não sei, — a voz dele era sincera quando ele carinhosamente roçou seu polegar pela sua maçã do rosto, — Mas eu estou disposto a descobrir, se você nos deixar tentar.

Então foi a vez dela se aproximar e beijá-lo.

Ele não sabia como havia começado. Mas ele não queria que acabasse nunca.

Notas finais
Miraculous deixou meu sangue cor-de-rosa e cheio de purpurina, preciso de um transfusão com urgência se quiser voltar a ser como era... Opiniões são bem-vindas. Elogios sempre aceitos. Críticas apreciadas. :)