Outra História Sobre Nós
4 Cap. 3 - Então, mais um cigarro
Notas iniciais
Os dias iam se arrastando, como se já não bastasse eu estava ficando esgotada. Não do serviço e sim da minha casa. Fazia duas semanas que eu estava frequentando o curso, ontem ele tinha acabado e hoje, com influência do meu padrasto foi resolvido que eu trabalharia na casa verde, que ocasionalmente fica o governador do estado, eu não sabia o que era pior ter que lidar com minha família ao chegar em casa, ou trabalhar com bandidos de terno. Que eu tanto odiava. Por pura sorte do destino eu não fui sozinha a garota de gostava de rock também ficou no mesmo lugar que eu. Apenas em andares diferentes.
O telefone tocou eloquente em cima da mesinha ao lado da cama, me joguei da cama para pegá-lo quando vi o número conhecido do Danillo.
– Fala? — atendi ríspida.
– Mau-humor, ainda melhor... — a voz dele denunciava algum indício de que ele já tinha ingerido drogas. — Enfim... Tá rolando uma festa aqui na nossa casa.
– Apareço aí em meia hora. — desliguei o telefone com certo divertimento.
Vesti minha blusa de frio, calcei o all star vermelho, e coloquei a calça jeans. Em menos de dez minutos estava pronta pra sai pra festa. Peguei o carro do meu irmão e sai noite a fora, o caminho eu já sabia, então acelerei o carro sem me importar com nada. As ruas eram como barões passando pela minha visão.
Fechei os olhos um instante, e foi nesse momento que senti que minha vida estava uma bagunça absoluta. Uma grande merda, Eleonor estava morando em um apartamento com um cara super estranho. Joseph estava morando com a tal Amanda, e que por puro egoísmo eu a odiava, simplesmente por ter roubado meu irmão de mim, eu nunca reclamava ou pedia alguma coisa, então porque eu perdia tudo?
Continuei dirigindo para o lugar onde eu sabia que seria bem vinda. O movimento dos carros já estava distante quando ouvir o barulho da música pop. Parei perto e me apressei em sair do carro caminhando em direção ao portão branco. Bati uma vez bem forte, e esperei. Poucos minutos o portão se abriu e eu pude sentir o cheiro da fumaça intoxicante, o odor de bebida barata. As pessoas que vi pelo breve momento, eu as conhecia. Gustavo estava com uma blusa branca, ele mostrava sinais de alteração, mesmo estando com uma garota bastante bonita, ele não parecia ele mesmo. O cheio do cigarro de maconha dava pra sentir de longe, e por mais que meu sangue quisesse algo estimulante, eu não estava preparada.
Quando Danillo me viu ele tinha uma garrafa de vodca nas mãos e me ofereceu, eu poderia imaginar que a geladeira deveria estar cheia de cerveja e na mesa algumas paçocas a carne sendo assada no canto do muro e sem ninguém perceber que o fogo já não servia daquele jeito. Sentei na mureta e cheirei a bebida e logo em seguida tomei um gole. O ardor atravessou minha garganta e o quente atingiu meu estômago acendendo-o. Minha dor ainda estava ali me cercando, e, me empurrando para fora de mim, isso era o que eu queria que a dor me sumisse. E nada que eu fizesse resolveria essa bagunça. A área já estava lotada, e tinha que admitir Danillo tinha feito um ótimo trabalho colocando aquela pista de dança no escuro, a cada minuto alguém batia no portão e alguém ia abrir mostrando o quanto aquilo valia a pena. Adolescentes e pré-adultos ali curtindo a mesma droga de festa porque estávamos ferrados demais pra se importar. Uma garota sentou ao meu lado e eu não vi nada demais que ela sentasse ao meu lado, no momento em que ela começou a passar a mão nas minhas pernas, me aterrorizou, mas continuei na mesma posição.
– Não se preocupe, não vai nem se lembrar disso pela manhã, esse é o motivo de estarmos aqui, não é?! — ela tentou me dissuadir.
Tomei a vodca para me deixar mais relaxada, o que foi o remédio certo, em poucos segundos vi todas as coisas deixarem de fazer parte de mim, a dor ela não morava mais em mim. Havia outra coisa, algo em que eu podia seguir em frente. Quanto ela tentou um novo contato com as minhas pernas eu a afastei, ela me olhou tão confusa e perdida, mais não havia nada dentro de mim, a não ser vazio. E nele eu podia confiar.
– Sinto muito garota! — disse soltando um sorriso infame.
Fui até a cozinha e não me importei em ver dois caras quase sem roupas se tocando, peguei outra garrafa e misturei a bebida incolor com a azul, ao ingerir apenas dois goles vi o quanto precisava me distanciar de mim. Com pouco tempo a garrafa já estava pela metade, e a festa tinha começado a ficar interessante. Meu corpo estava em chamas de excitação, poucos segundos depois Danillo apareceu na minha frente enquanto dançava a música pop que tocava.
Dançamos a música que começou, se eu me lembro bem era alguma da Rihanna aquilo era muito, muito intenso. Quando chegamos ao fim Danillo me puxou pra fora da multidão e sorriu ao pegar o cigarro de alguém que estava encostada na pilastra, eu não a reconheci.
– Não é aquele seu favorito, mas é dos amigos! — ele me entregou o cigarro e sorriu pra mim.
Quando o coloquei na boca, foi como se a escuridão sumisse e me deixasse sã. Puxei duas vezes seguidas e a dor, a dor tinha ido, não pra sempre mais ali, eu não conseguia explicar. A dor a opressão tudo estava exatamente me sufocando. Mesmo com o cigarro na mão eu me sentia uma verdadeira merda.
As lembranças ainda me consumiam, o isolamento era a melhor chance para a minha sobrevivência, nada mais fazia sentido, eu odiava admitir, eu estava perdida. Eu não pertencia a lugar nenhum, e essa inteligência indulgente era tão insuportável, como eu viveria com essa insuficiência de amor, de carinho? Todos me compreendiam como a garota fria inteligente que não precisava sentir. Tolos estavam todos enganados. Eu precisava de algo pra alcançar, caso contrário eu estaria morrendo a cada segundo que passasse. Minha cabeça girava, mas eu não podia deixar isso me afetar.
– Ei? — a chamei. — Me dá essa carteira de cigarros, eu te dou 10 dólares nela.
Ela recusou meu dinheiro e me deu a carteira como um amigo faria, isso me fez sentir mais péssima do que antes, a dor estava ali na minha frente e eu podia escolher deixar ir ou continuar na miséria. Era minha escolha.
Alcancei a garrafa pequena e a angústia tomou um rumo deferente. A partir daí eu apenas lembro-me de beijar algum cara que eu nem sabia quem era. O cigarro e a vodca já era meu corpo. O cara me empurrou pra a pilastra e me apertou firme, me beijava e eu nem ligava, o meu corpo adorava aquilo e eu não conseguia raciocinar, era assim que eu queria.
A luz que entrava pela janela me fez querer morrer, mexi por dois segundos a cabeça e resolvi que não mexeria com ela. Olhei para o lado e vi o mesmo cara que me agarrou na noite anterior, desesperada olhei pra minhas roupas e graças a Deus estavam no mesmo lugar. Levantei a coberta e ele estava apenas de cueca, respirei fundo e não achei razão para continuar ali, abri a porta e vi copos jogados para todo lado, alguns pessoas dormindo na sala, Guto era um deles com uma garota entrelaçada. Fui até o quarto de Danillo e vi meu celular perto do dele no chão, e como sempre ninguém da minha casa tinha ligado, porque nunca notavam minha ausência. As chaves do carro do meu irmão estavam junto com o celular, mesmo sabendo que o Danillo deveria estar mal resolvi chamá-lo.
– Danillo? — ele nem se mexeu. — Danillo?!
O meu tom de voz impaciente o fez mexer na cama. Que só agora eu vi que ele a dividia com um garoto. Peguei meu celular e olhei à hora. Ainda era seis da manhã, empurrei-o um pouco e só então ele percebeu que eu o estava chamando.
– Emily! — reclamou.
– Eu preciso ir embora! — olhei ele colocar a mão na cabeça.
– Acho que ainda estou chapado! — levantou cambaleante, e então olhou pra cama. — Cara, ele dormiu aqui?
– Eu também não me lembro de porra nenhuma de ontem. — revirei os olhos. — Eu dormi com um cara também.
– Também, você já estava bêbada, quando o Richard te agarrou. — ele sorriu brincalhão. — Não sei a sua, mas minha cabeça vai explodir...
– Vá abrir o portão pra mim. — peguei tudo o que estava no chão e fui rumo à porta. — A minha eu vou esperar pra ela doer quando chegar em casa. Aí dói só uma vez.
Rimos e depois ele abriu a porta da cozinha e passamos por toda a bagunça da área, ele girou a chave e abriu o portão, fui até o carro e entrei, olhei pra trás e vi ele acenar um leve tchau, um sorrisinho contente surgiu, virei a cabeça pra frente quando ele bateu porta do lado no vidro, e eu abri.
– Acho que vai precisar disso! — jogou a carteira de cigarros. — Nos vemos depois.
Liguei o carro e sai de lá, as ruas não tinham tanto movimento porque era sábado, eu imaginava o aconteceria quando eu realmente voltasse para o mundo real de dor e sofrimento, sem o Danillo, sem o Gustavo. E eu nem ao menos tinha ido conversar com o Guto na noite anterior. Estava me sentindo péssima amiga, Gustavo sempre dizia que eu os deixaria, mas eu não estava preparada pra encarar a realidade.
Quando dei por mim estava dentro da garagem de casa, o silêncio era o de sempre. Eu sabia que ninguém notaria minha falta, ou qualquer coisa. Quando entrei minha mãe estava na cozinha, eu sabia que ela sabia que eu tinha saído, mas continuei olhando para ela, até que ela me percebeu lá. Mesmo sendo ela, a aparência estava tão cansada que era inevitável pensar que ela passou a noite inteira acordada.
– Bom dia! — foi o que ela disse sem mostrar muito entusiasmo. — Tem aspirina na segunda gaveta e o café está pronto.
Ela saiu, simplesmente saiu. Eu fiquei imaginando qual era a minha cara naquela hora, porque eu deveria ter entregado que estava de ressaca. Deixei as chaves no balcão de madeira que dividia a sala da cozinha.
Abri a gaveta e tinha alguns remédios lá, e não foi muito difícil achar as aspirinas. Tomei o café e deitei minha cabeça na pedra da bancada. Era simples. Eu estava deprimida, mesmo tendo indo pra festa me distanciado da dor, ela ainda continuava ali, me matando. Uma lágrima escorreu dos meus olhos e a vi cair no chão. Silenciosamente.
– Levante garota. — a voz de Paulo me fez limpar apressadamente o rosto e o encarar.
Ele me olhou como se estivesse doente, e eu realmente não sabia o que dizer. Ele me olhava como se visse um fantasma. Por quê?
– Já estou indo para o meu quarto. — ele nem se importou, apenas me olhou com descrença e saiu.
Porque eu sentia uma intrusa na minha própria casa? Com Joseph e Eleonor eu me sentia menos um trapo, mas agora eu sentia como se me violassem. Não era junto, quanto tempo mais eu iria me sentir tão descartável.
Subi pro quarto em questão de segundos, olhei para o celular e mesmo que eu quisesse que o dia terminasse, seria impossível às sete da manhã. Deitei na cama e fechei os olhos.
[...] Os olhos castanhos estavam arregalados mostrando medo, a escuridão a abraçava e os segundos se passavam lentos demais, os dias estavam tão escurecidos o ar parecia ter sumido. E ela ficava lá sozinha, como em uma prisão. Ela não se permitia chorar, nem reclamar. Mesmo que tudo aquilo já estivesse passado de normal ela estava acostumada a ser deixada pra trás. Ela se encolheu e abraçou as próprias pernas. [...]
Alguém batia na porta incansável, a vida desse indivíduo não dependia disso, dependia? Mesmo com o barulho incessante alcancei meu celular perto de mim em cima da cama 11:37. A minha cabeça ainda doía, isso não me impediu de levantar e encarar ela na minha porta. Minha mãe tinha uma cara nada boa, e isso sempre me destruía.
– Tem comida na mesa... — ela saiu isso não era surpresa.
O que eu tinha feito de errado, porque todos me tratavam dessa forma fria e sem importância. Eu queria tanto o Joseph aqui, ele nunca me tratou com diferença.
Peguei o celular, vesti uma blusa de frio com bolsos na frente. Ao chegar na cozinha vi Eleonor empoleirada na cadeira, conversando animadamente com Cayla sobre alguma nova moda de sua loja e já engatando meninos na conversa. A única que me viu assim que entrei na cozinha foi Raiely, que se manteve entretida no celular, fingindo que eu não existia.
Sentei na cadeira que eu sempre sentava e comecei a jogar um joguinho bobo de montar pares de três doces e estourá-los.
– A esquisita resolveu sair do quarto! – provocou Eleonor.
Tirei minha atenção do jogo e a encarei, abri um sorriso.
– Sabe como é... Não se pode viver pra sempre dentro de um lugar só! – devolvi a provocação.
– Creio que você pode viver! – ela sorriu.
– Eleonor! – minha mãe a repreendeu, mas ela apenas virou e começou a conversar com as meninas.
O almoço foi servido dez minutos depois, porque eles tinham suas agendas lotadas para o resto do dia, Eleonor iria assinar alguns papeis para a compra da nova loja e depois ia para seu apartamento com o namorado. Cayla e Raiely voltariam para o curso de informática e minha mãe ia pra algum lugar que ela ocultou, para não dizer na minha frente. Paulo não deu as caras e eu já imaginava onde ele estava.
Quando todos já tinham desaparecido como fumaça, eu peguei todos os pratos e levei pra cozinha, depois que a mesa estava limpa voltei na cozinha pra lavar os pratos. Coloquei os fones no último volume.
Senti o celular vibrar algumas vezes seguidas, corri para pegar o pano que estava perto da pia, enxuguei as mãos e alcancei o celular no bolso. Se eu tentasse colocar a senha com as mãos molhadas isso seria um desastre. A mensagem que tinha chegado dizia: “Vire-se”. O pânico me inundou, mas calmamente coloquei o celular de volta no bolso desligando a música.
– A sua cara foi hilária! – Guto riu descaradamente.
– O que diabos esta fazendo aqui? – me desesperei.
– Relaxa. – ele mostrou a garrafa de vodca. – Eles não vão voltar... Eu fiquei vendo quando eles saiam.
Isso me acalmou um pouco, mas meus instintos ainda ficaram em alerta. Eu fui até ele e o abracei como amigos comuns fazem. Ao nos separar ele correu para o armário e pegou os copos com agilidade. Colocou uma dose pra ele e duas para mim e me entregou.
– Desculpe... – bebi tudo de uma vez.
– O que? – ele fez o mesmo depois me encarou. – Por eu não ter falado com você? Porque eu estava com raiva de você... Quando você e o Danillo me excluíram todas essas semanas?
Ele estava com raiva de mim. Droga. Mais uma pessoa que eu amo me odiando isso era insuportável. Como eu era tão tóxica, tão destrutiva. Fiquei em silêncio e virei de costas, ele aparentemente não disse nada, voltei a lavar as últimas vasilhas restantes. Quando terminei era impossível não ver que eu estava tentando adiar o inadiável.
– Vamos lá pra cima! – esse era o único jeito de pedir, por favor, que me perdoasse.
Ele balançou a cabeça e agarrou a garrafa me acompanhando para o meu quarto. Abri a porta e suspirei conversar, com ele era difícil, ele nunca tinha um lado de chegar e se ele estivesse chateado, ele só me atacaria. Deitei na cama desnorteada, deixando toda a minha insegurança de lado para ter uma conversa menos calorosa que o necessário.
Liguei a TV e conectei com o notebook, para assistir alguma série online depois, quando voltei pra cama apenas com o mouse e o teclado sem fio pra escolher a série Guto entrou no quarto com a guitarra de plástico da minha irmã, ele sorriu mostrando a covinha do lado esquerdo do rosto. Fingiu estar tocando alguma música de rock e se jogou na cama, como se estivesse se jogando em cima de uma platéia calorosa.
– Onde você conseguiu isso? – apontei para a guitarra de plástico do “Guitar Hero” da Cayla.
– Em algum lugar! – ele deu os ombros. – Então o que vamos ver? E que não seja aquela porcaria que você vê com o Danillo.
– “How I Met Your Mother” não é porcaria! – defendi.
– Tá, ta... Coloca aí “Supernatural” – ele jogou a guitarra de lado e subiu para tentar tomar o teclado das minhas mãos.
– Nem pensar! Sem Supernatural. – argumentei deixando o teclado longe dele.
Pesquisei as últimas que tínhamos assistido juntos e lá estava “Breaking Bad”. Nós dois éramos apaixonados nela, mas como as coisas estavam difíceis, fazia um tempão que não assistíamos juntos, paramos no episódio 10 da quarta temporada. Quando coloquei o episódio 11, ele apenas olhou pra mim com deboche.
– Se acha que colocando essa série vai conseguir se desculpar está enganada. – foi tudo o que ele disse.
Ficamos calados vendo o começo ao som de buzinas com as vidas de Mike e Gus em jogo. Gus dá o tapa de luva naquele que disparou o gatilho contra seu primeiro parceiro. Ele vai até Hector e lista todos os nomes dos homens importantes do cartel que morreu de seu veneno. E assim Gus retorna a sua imagem original de sanguinário e cruel. Não bastasse dar o troco em Hector, Gus manda buscar Walter e fala as piores frases de “demissão” possíveis. Gus deixa Walter com a certeza de que vai acabar com seus familiares, quando na verdade Gus quer, desde o início, que Walter se mantenha distante de tudo, esqueça que já trabalhou pra ele. Sem o apoio de Jesse que o escurraça de sua casa, sem a confiança em Skyler que entrega grande parte do seu dinheiro ao antigo amante, rodeado de pessoas que sabem muito mais do que deviam sobre suas atividades ilegais, Walter surta completamente. A risada enlouquecida parece ter sido só o começo. Walter finge ter domínio das situações e é justamente isso que o faz mais fraco.
Quando o episódio terminou, não havia palavras tínhamos acabado de assistir o melhor episódio de nossas vidas, o final foi pra sacudir todas as minhas entranhas. Guto estava perplexo, ele olhou pra mim e disse:
– Com um episódio desses está perdoada. – eu sabia que no fundo ele nunca esteve chateado comigo. – Me passa a vodca.
Bebemos para comemorar o grande episódio, colocamos o próximo, e depois o outro. Acordei com minha cabeça explodindo, olhei para o lado e Guto já tinha ido e levado a garrafa de vodca e também a guitarra de plástico, a única coisa que sobrou foi uma carteira de cigarros com um bilhete.
“Depois nos vemos, um pequeno lembrete da nossa tarde, aproveite!”
Guardei o bilhete no caderno que ficava na estante e joguei a carteira dentro da gaveta de calcinhas.
– O que significa isso? – ela apontou para a caixinha vermelha.
Droga.
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