Outra Duplicata Gilbert? (HIATUS)
6 Desconfiança.
Notas iniciais
O dia seguiu normalmente, tentei dar o meu melhor e ser o mais educada possível para que no dia seguinte tivesse uma resposta positiva do responsável pelo Grill. Elena ficou um bom tempo ali com seus amigos e namorado, em nenhum momento falou comigo, e eu muito menos com ela.
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Cheguei em casa já ia dar 15hrs, estava cansada e precisava urgentemente de um banho e de comida, afinal, não é só de maçã e água que se vive um ser humano. Deixei meu carro estacionado ao lado da casa, e adentrei na mesma, subi lentamente as escadas para que em seguida fosse ao quarto de Jeremy pegar uma muda de roupa, planejava ficar o resto do dia jogada no sofá, quem sabe ver um filme e comer uma pipoquinha? Qualquer dia desses irei desaparecer, preciso me alimentar melhor.
Quando entrei no quarto, o corvo estava dormindo calmamente em sua pequena caixa, quase havia me esquecido da existência daquele bicho. Me esforcei para não sentar na cama, pois sei que se o fizesse, não conseguiria mais levantar. Fui até a minha mala — que por sinal eu ainda não havia desfeito, em breve roubarei algumas gavetas da cômoda de Jeremy -, peguei um pijama, que consistia em uma blusa e um short curto combinando, e uma calcinha. Logo fui para o banheiro, para enfim tomar um longo e quentinho banho.
A água morna descia por todo o meu corpo, relaxando cada músculo que antes estava tenso, o sonho da madrugada anterior ainda vinha em flashes na minha mente, um sonho que eu não conseguia compreender e que fazia com que me sentisse indefesa e totalmente exposta, tentei espantar aqueles pensamento deixando que eles fossem levados pela água morna em direção ao ralo. Depois do que pareceram uns 20 minutos, desliguei o chuveiro — pensando que num futuro próximo, as pesquisas apontariam a falta d'água para aquele banheiro -, e me enrolei na toalha enquanto secava meus cabelos com o secador. Assim que terminei, me vesti calmamente e sai do banheiro, retornei ao quarto de meu primo para pegar o corvo com sua pequena caixa, logo descendo as escadas e indo para cozinha preparar uma pipoca com manteiga e quem sabe um chocolate bem quentinho com marshmallows.
Coloquei o bichinho em cima da bancada da cozinha, no caminho até aqui ele acabou acordando e neste exato momento me encarava com seus olhos cor de ônix.
— Está com fome, bichinho? — ele soltou um guincho alto, o que me fez ter um sobressalto e soltar uma leve risada — Às vezes penso que você pode me entender.
Me virei e fui até a geladeira, peguei um pequeno pedaço de carne crua e dei para ele, o mesmo comeu no mesmo segundo, fazendo com que eu soltasse outra risada.
Estava pondo o milho na panela quando a porta da sala se abriu, entrando por ela minha querida priminha e seu namorado da cabeleira loira, fingi não notar a presença deles e permaneci preparando minha pipoca. Coloquei uma generosa colherada de manteiga na panela, quando Elena disse da sua já conhecida forma irritante:
— Isso é hora de estar de pijama, Melanie?
— Isso é hora de encher o meu saco, Elena? — respondi de forma irônica enquanto revirava os olhos, podia jurar que enxerguei até o meu cérebro de tanto que eles reviraram. Permaneci virada de costas, não quis me dar o trabalho de olhar para o meu clone.
— Sempre tão educada... — murmurou — Então, o que você estava conversando com Damon antes de Stefan chegar?
Me virei para ela com uma sobrancelha arqueada.
— E desde quando meus assuntos são da sua conta, priminha? — cruzei os braços contra o peito. Stefan se mantinha calado ao lado de Elena.
— Pare de ser tão grossa, Melanie. — respondeu em tom ofendido — Só estou preocupada, ele não é boa pessoa.
Não consegui segurar a risada exagerada e falsa que tentou se prender em minha garganta, mantive meu braços cruzados e minha sobrancelha erguida enquanto dizia:
— Pelo amor, Eleninha. Eu sei me cuidar, sou mais velha que você, lembra? Aquele papo de ter mais experiência e blábláblá, não precisa se meter em minha vida, eu faço o que eu quiser e quando eu quiser, realmente não preciso de guarda-costas.
— Eu não estou me metendo em sua vida, eu só... — a cortei antes que ela conseguisse terminar a frase.
— Se você não está se metendo, porque permanece fazendo perguntas? — sorri falsamente para ela.
— Ok, Melanie. Tudo bem, esquece.
— Muito obrigada. — respondi de forma irônica enquanto mantinha meu sorriso falso nos lábios, quando estava prestes a retornar para a minha panela, meu milho e minha manteiga, Stefan deu o ar de sua graça.
— Que corvo é esse?
Me fiz de desentendida:
— Que corvo? Não estou vendo corvo nenhum aqui.
Elena revirou os olhos e disse:
— Pare de ser boba, Melanie. O corvo, dentro da caixa, em cima da bancada. — falou esta última frase pausadamente.
— Ah! Esse corvo. — respondi como se tivesse acabado de notar a presença do bicho — Então, não que seja da conta de vocês ou que eu deva alguma explicação, mas o encontrei ontem no quintal com a asa quebrada. E como sou uma pessoa incrível e adorável, estou cuidando dele.
Elena e Stefan se olharam de forma cúmplice, e foi o loiro que respondeu:
— Não devia ter ficado com essa ave, caso queira eu posso cuidar de... — o cortei assim como fiz com minha priminha.
— Eu que o achei, eu que vou cuidar dele. — disse de forma grosseira — Quer dizer, ele até gosta de mim. — tentei me recompor, afinal, não entendi o motivo de eu ter sido tão grossa com Stefan. O mesmo me olhava de forma desconfiada e apenas assentiu para mim sem nada dizer.
— Nossa, Melanie. — soltou Elena — Você só é sensível quando se trata de bichos.
Ri falsamente para ela enquanto revirava os olhos e voltava minha atenção, novamente, para a panela.
O corvo se manteve quieto e permaneceu me encarando de forma quase hipnotizada com aqueles olhos cor de ônix, consegui notar pelo canto do olho que Stefan ainda olhava de mim para o animal de forma desconfiada.
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