Sakura estava treinando com os garotos quando foi avisada de que Botsuma requisitava sua presença. Ao ouvir aquilo, o pequeno Itama, que enfim tinha conseguido arrastá-la para um treinamento, resmungou em contrariedade. Ele só se acalmou quando prometeu que recomeçariam assim que seu pai a dispensasse.

Mas, assim que se aproximou do escritório do avô, temeu não poder empenhar a promessa. Sentiu dois chakras muito familiares e um sorriso largo já iluminava seu rosto quando a porta foi aberta revelando as figuras que a aguardavam.

— Naruto, Hinata…

Os dois retribuíram o sorriso imediatamente ao vê-la.

— Vejo que já se conhecem – resmungou o líder, chamando sua atenção.

— Ashina Uzumaki e os outros nos encontraram inconscientes uma semana atrás nos arredores de Uzushio – esclareceu Hinata, séria, com certeza haviam combinado assim para que Naruto não acabasse falando demais. – Levou algum tempo para que pudéssemos esclarecer tudo o que tinha acontecido, mas ajudou o fato do Naruto ser um Uzumaki, mesmo mestiço.

A rosada assentiu.

— E quanto aos pergaminhos que eu pedi?

— Eles não tinham muita coisa a respeito – respondeu a Hyuuga, estendendo o cone. – Encontraram apenas um sobre esse tipo de portal, mas ele não é muito especifico sobre como algo assim poderia ser feito com êxito.

— Quer dizer que ainda não foi inventado um jutsu desses – supôs o líder Senju, apoiando o queixo nas mãos cruzadas. – Era o que eu temia.

Os três jovens simplesmente se entreolharam.

— Meus batedores não encontraram nem sinal de seu outro amigo, mas algo me diz que isso não os surpreende – disse, franzindo o cenho ao mesmo tempo em que os jovens ficavam tensos.

— Como eu já disse, ele sabe se cuidar. Foi treinado por alguns dos nossos melhores instrutores desde bem jovem – disse Sakura, suspirando, certamente não querendo entrar em muitos detalhes. – Quero permissão para sair junto com meus companheiros em busca dos responsáveis pelo que está acontecendo.

O homem sorriu de canto.

— Sugiro amanhã cedo. Já está anoitecendo se não percebeu, mocinha! – disse, chamando o serviçal. – Arrume acomodações para nossos novos hospedes.

A mulher idosa assentiu.

— Acompanhem-me, jovens!

Naruto e Hinata saíram sem discutir, mas Botsuma tornou a chamar Sakura.

— Quando nos conhecemos, você hesitou em me dizer algumas coisas, mas, como tenho a impressão de que não terei outra oportunidade de questioná-la, gostaria que me esclarecesse… Você é filha de Tobirama, certo?

A jovem voltou-se.

— Trisaneta…

— Então, um dos filhos de Tobirama casou-se com um dos filhos de Sakura – disse, mas a expressão nos olhos da mulher o fez duvidar. – Tobirama e Sakura, é sério?

— O destino pode ser irônico às vezes.

Mas o velho homem lembrou-se de outro comentário que ela fez ao chegar e a interrompeu antes que atravessasse a porta:

— Mas meu filho jamais desonraria uma mulher…

— Em sua defesa, devo confessar que ele nunca soube. Morreu em batalha antes que ela pudesse lhe dar a noticia e, sem a proteção de uma viuvez legitima, Sakura foi obrigada a abandonar a Aldeia da Folha com um filho nos braços. Apenas quando meu avô era jovem a família retornou a Aldeia, mas então tanto ela quanto seu filho Daisuke já estavam mortos. Meu avô também morreu sem fazer a mínima ideia do segredo.

— Hashirama não poderia tê-la protegido?

— Ele também já tinha morrido, assim como Itama, e tudo o que seus filhos puderam fazer foi permitir que ela e o filho vivessem – disse ela, voltando-se e encarando o avô com tristeza. – Tente entender… Os primeiros anos da Aldeia não foram fáceis, os irmãos Senju colecionaram muitos inimigos não somente pelos seus feitos nos campos de batalha, mas também por suas habilidades. Acredito piamente que, ao não assumir um relacionamento oficial, seu filho estava tentando protege-la. Ele só não podia calcular que iria morrer deixando-a tão desprotegida quanto deixou.

De alguma forma, o homem sabia que ela tinha razão. Apesar do exterior frio e aparentemente impenetrável, sempre desconfiara que Tobirama fosse quase tão sensível quanto o irmão mais velho, somente sabia esconder melhor, e a perda da mãe e do irmão o abalara muito mais do que ele deixara transparecer.

A menina abandonou o escritório deixando-o pensativo.

Na manhã seguinte, os três amigos voltaram a se reunir no pátio juntamente com os guardas que haviam acompanhado Hinata e Naruto. Na verdade os três Uzumakis já estavam a espera deles antes do sol nascer.

— O quê? Estão nos seguindo por acaso? – irritou-se Naruto, rosnando.

— Ashina-sama nos ordenou que não os perdesse de vista – disse uma menina que não devia ter mais de doze anos.

— Ah, fala sério, Mito, não precisa seguir ao pé da letra.

Sakura arregalou os olhos pela primeira vez ouvindo o nome da garota.

— Mito? Você é Mito Uzumaki?

A garota assentiu, encarando-a.

— O que foi, Sakura-chan? – perguntou Naruto, percebendo que Hinata também parecia espantada.

— Ela é a avó da Tsunade-sama.

— A vovó Tsunade?

Ela assentiu enquanto que a jovem olhava de um para o outro com o rosto franzido.

— Estamos conhecendo todos os nossos ídolos – animou-se Sakura, os olhos brilhando como estrelas.

— Espera, espera – disse a jovem ruiva, dando dois passos atrás. – Minha missão aqui é protege-los.

— Cara, primeiro Hashirama, agora Mito Uzumaki, a lendária kinoichi – empolgou-se Sakura, mas quase imediatamente Hinata tapou sua boca ao ver que a menina parecia totalmente em choque sem entender o que acontecia.

— Menos Sakura…

Felizmente, o grupo foi salvo da situação constrangedora pela chegada dos três irmãos Senju e a pequena Sakura.

— Não estão planejando ir sem a gente, não é? – disse Hashirama, sorrindo.

— Ferrou – disse Sakura, massageando a testa. Se já não bastasse os problemas que já provocaram falando mais do que deveriam, estavam correndo o risco de provocar mais danos irreparáveis na história.

— Essa festa não é para crianças – ironizou Mito, fazendo com que Hashirama assumisse uma aura depressiva. A garota imediatamente o encarou sem entender nada. – Desculpa, não tive a intenção de ofender.

— Sério? – exclamou o garoto, novamente animado, saindo saltitando na frente deles. – Então, vamos, quanto mais cedo formos, mais cedo voltamos.

— Ei, espere aí – quase gritou Mito, fazendo com que todos estancassem. – Eu só a mais graduada aqui, então eu comando.

— E quem a pôs no comando? – perguntou o garoto grisalho, sem alterar a expressão. – Certamente, não fui eu.

O grupo continuou a discutir, esquecendo momentaneamente dos três viajantes.

— Tem certeza que eles serão um casal? Olhando daqui, parece que vão se matar a qualquer momento – murmurou Naruto, balançando a cabeça.

— Foi uma união politica não sentimental. Eles não precisam necessariamente se suportar – respondeu Hinata, balançando a cabeça.

— Não segundo Tsunade-sama. Ela costumava dizer que nunca viu um casal mais apaixonado. As aparências podem enganar – disse Sakura, rindo. – Vamos aproveitar que eles estão distraídos e dar o fora daqui.

Os três sumiram em um piscar de olhos.

Naruto assumiu o modo Senin assim que tomaram uma distância da Aldeia e não demorou a encontrar a assinatura de chakra do companheiro. Mas, quando o visualizaram, Sakura não entendeu quando seus olhos assumiram um tom avermelhado e o homem lançou uma Bola de Fogo em sua direção.

Eles conseguiram desviar, mas sabiam que o companheiro tinha uma pontaria melhor do que aquela. Então imediatamente se voltaram bem a tempo de ver o jutsu se colidir com um jutsu Suiton fazendo com que uma nuvem espessa de fumaça se erguesse.

— Tobi, não! É nosso amigo – disse Sakura, colocando-se entre os dois.

— Um Uchiha? – disse o jovem de cabelos brancos, espantado, olhando muito sério para o rapaz a sua frente. – Não me admira que tenha sido tão reticente em nos dar detalhes sobre ele.

— A nossa Aldeia é um pouco… bem, muito mais flexível com relação aos nossos habitantes.

— Meu irmão não se rebaixaria tanto se aliando a assassinos como esse aí.

— Olha como fala!

— Ei, ei, Sasuke, não é uma boa ideia – disse Sakura, empurrando-o. – Não estamos aqui para fazer mais estrago do que já fizemos.

Sasuke imediatamente desativou seu Sharingan, suspirando.

— Fala para o seu avô voltar para Aldeia que logo iremos embora.

— Avô? Como é que é?

A jovem suspirou, balançando a cabeça.

— Pois é! Você e a Sakura são dois dos meus trisavôs – resmungou ela, voltando-se se arrependendo no instante seguinte ao ver a garota em questão parada a poucos metros de distância. Ela imediatamente encarou Tobirama e corou violentamente.

Só então compreendeu porque Tobirama fez aquele ataque tão precipitado. Ele estava tentando proteger a companheira.

— Voltem para casa! Isso não é com vocês, é conosco.

— De jeito nenhum a deixarei com um Uchiha.

— É um pouco tarde demais para dar uma de pai super-protetor – ironizou o Uchiha, fazendo-o rosnar.

— Já chega, Sasuke!

— Ele nem me conhece e já me julga. Sério mesmo? Com esse nível de energia, não duraria nem cinco minutos contra mim.

Hinata e Naruto balançavam a cabeça, entediados. O que dera no Uchiha?

— Oh, teme, por mais que eu concorde que ele é um idiota presunçoso e arrogante não estamos aqui para provocar uma guerra.

Isso só serviu para deixar o rapaz ainda mais irritado.

— Tobi-kun, não! Eles não são nosso problema.

Ele voltou-se para a pequena Sakura e finalmente pareceu perceber que aquilo era totalmente desnecessário.

— Se tudo correr bem, não nos veremos mais – disse Sakura, sorrindo levemente para os dois. – Sejam felizes e sigam seus corações.

O grupo dispersou, deixando Tobirama irritado.

— Por que me impediu?

— Por duas coisas! Primeiro, eles iriam de qualquer forma e somos dois contra quatro.

— E depois?

— Uma coisa ele tem razão! Ele é muito mais forte do que você.