Outono Em Paris
7 Capítulo 7
Notas iniciais
O despertador soou ás 4:30 da manhã.Me levantei,me vesti,peguei o caderno que estava sobre a Cama e sai.
Segurava uma foto na mão, que havia pegado em um dos porta retratos.
Na foto, nós duas, curtindo a branca neve do Rio Grande do Sul.
‘’De mãos dadas, contávamos ‘’um, dois e três’’ e, juntas, deixávamos cair para trás, bem soltas. Eu lhe dizia ‘’agora faça um anjo’’ e ela, deitada na neve, movia os braços para cima e para baixo e,quando tornava a se levantar e olhava a sua silhueta marcada no manto branco ,via o que ela realmente era, a sombra de um anjo’’
_são lindas – disse a senhora que se sentou ao meu lado no avião.
Confesso que na hora não percebi que ela elogiava a foto que se encontrava entre meus dedos. Estava tão mergulhada relembrando a viajem que fiz ao Rio Grande do Sul, que, na hora, nem percebi o elogio.
_São realmente lindas, é sua amiga? – Falava a senhora querendo puxar assunto
_obrigada-disse eu — sim, é uma amiga muito especial – completei
_Você tem medo de avião?-perguntou, ao me ver com a mão firme e ao mesmo tempo tremula entre o divisor de bancos.
_sim, confesso que tenho um pouco de medo
Já viajei de avião varias vezes, mas, todas às vezes era a mesma coisa, sempre aquele medo ao decolar.
‘’_vai ficar tudo bem-disse ela
_Por que não vamos de carro?
_Porque não vou ficar horas na estrada –disse ela- é perigoso!
Eu então entrei no avião relutante.
_Querida, não vai acontecer nada
_Eu não entendo essa mania sua, de sempre irmos de avião. -disse á ela.
_É mais rápido, não tem trânsito e não tem ladrão
_Tudo bem, você esta certa — disse – como sempre!
Sentadas no avião, a decolagem foi anunciada.
De imediato ela percebeu meu pânico.
_hei,já disse que vai ficar tudo bem – disse ela – eu estou aqui – completou,segurando a minha mão.
Eu então me acalmei. ’’
Imóvel na poltrona do avião me punha em pensamentos e me desligava da realidade.
_hei moça, a senhora deseja algo? – perguntou a aeromoça.
Não respondi, aliás, nem ouvi.
_moça? –Falou agora um pouco mais alto.
Eu então, me desliguei dos pensamentos e me religuei a realidade. E em um ato involuntário virei diretamente á aeromoça que me chamava.
_A senhora deseja algo? – perguntou simpática.
_não, obrigada – disse.
A aeromoça, então, dirigiu-se a outro compartimento.
A senhora que estava ao meu lado se encontrava dormindo.
E eu, novamente, retomei as minhas velhas lembranças
‘’depois de dez minutos, que anunciaram a decolagem, ela já se encontrava dormindo.
Ela ainda segurava a minha mão, e com os olhos fechados se encontrava debruçada em meus ombros.
Dormia tão serenamente, que me acalmava a alma ao vê-la dormir. ’’
Era muito difícil ela dormir antes de mim.
Eu sempre dormia antes e acordava na hora que ela sussurrava algo em meu ouvido para me despertar.
Vê-la dormir era raro e ao mesmo tempo mágico e precioso.
Já anunciavam que havia apenas 15 minutos para pousarmos em solo Europeu.
Aproveitei aquele tempo para ver o caderno que ainda não havia lido.
.
‘’sexta-feira
Velhos amores só são curados com novos amores.
Eu te amo’’
E ela novamente batia na mesma ‘’tecla’’, me dizendo nas entre linhas, que eu deveria arranjar outra paixão.
Mas, como?Como eu poderia amar novamente?Como eu poderia encontrar o amor?Se o único amor que eu queria era o amor dela.
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