Outono

1 Falling Leaves


Notas iniciais
Espero que gostem da One, ficou simples, mas também achei que ficou super fofinha. Presente para uma amiga Esteffany Carneirinho :3 Boa Leitura.

Outono

Only Chapter — Falling Leaves

Era tarde, da área do jardim de minha casa eu poderia ver o Sol se pondo no horizonte, era uma cena linda de se ver, principalmente no início do Outono.

Não morava sozinha naquele lugar afastado da cidade, naquela casa nada grande, mas também não muito pequena. Parecia um chalé, mas sem estar nas montanhas. Haviam poucas árvores que o rodeavam, pinheiros a maioria, e no jardim mais algumas plantas fora o pequeno lago que havia ali. Ele cortava o caminho que dava do portão, direto a porta da casa, então sempre tínhamos que contorná-lo.

Escutei uma melodia, e cada dia que passava-se eu tentava descrever o quanto aquela voz era bonita. Já havia se passado um tempo desde que eu a havia conhecido, seu sorriso aconchegante, assim como sua risada sempre faziam com que o meu dia fosse melhor que os outros. Eu a conheci de uma maneira inusitada, duas garotas que escreviam, uma poemas e a outra que procurava os sentimentos nas palavras. Um começo de amizade belo e difícil pela distância, quilômetros na verdade. Porém isso não impedia que o afeto entre nós cresce-se um pouco cada dia.

Morar em uma capital não era tão bom assim, logo que terminei a faculdade de letras não conseguia manter meus projetos, nada saía das páginas, eu precisava de concentração. Realmente dinheiro não era tudo, o que eu penso e queria, era que, tendo leitores para os meus livros era o que importava, ver o quanto as pessoas se importam e suas reações ao ver o que você escreveu, a trama, os personagens, não tinha preço para mim.

Eu sempre mantinha contato com os meus amigos, principalmente os que viviam mais longe. Logo tive a ideia louca de me mudar, ir para um lugar longe e calmo, sem dores de cabeça, tomada por um sentimento louco e insano fui para a cidade dela, que ficava em outro estado. Não era diferente de uma capital, porém era tranquila, ou talvez eu só estivesse arranjando desculpas para ficar perto daquela mulher.

Eu não tinha nada a perder, era uma escritora sem rumo, procurando um lugar onde minhas ideias fluíssem e as palavras surgissem nos papéis.

Toda mudança é difícil, você percebe o que ficou para trás e passa a se arrepender, mas sem as mudanças o que seriamos dos nossos ideais? Sempre seriamos os mesmos, nunca conheceríamos pessoas novas, não viveríamos coisas novas... E eu queria conhecer pessoalmente alguém....

Passei a seguir o som, a escutar aquela voz macia, perfeita, realmente era mais que uma música para os meus ouvidos, se eu tinha dom com as palavras ela tinha o dom com a sua voz. A voz dela poderia mudar as pessoas, poderia fazer com que o tudo de ruim fosse embora e nada mais importasse, somente o que ela cantava.

“.... Era manhã
Três da tarde
Quando ela chegou
Foi eu quem subi
Eu disse "oi! fica a vontade"
Eu é que disse "oi" mas ela não ouviu...”

Claro que ela não era a autora da música, mas sabia o quanto eu a adorava ouvi-la tocar. Era um dueto, e nós duas o adaptava a nossa vida, no dia e no mês que nos conhecemos. Aquela música fora a primeira que ela havia cantado para mim, era única.

Foram muitas mensagens e cartas trocadas, descobri aos poucos a sua personalidade. Natasha era esperta, divertida, e além de tudo sensível, já tivemos nossos momentos ruins, mas eu nunca que iria deixar que aquilo atrapalha-se o que nós tínhamos. Ainda mais que eu não queria apenas mudar-me para achar minhas ideias, eu queria me mudar para encontrá-la, para tê-la por perto. Parecia loucura quando pensamos que o sentimento não pode ser retribuído, mas ali estava a surpresa.

Ela também gostava de mim, escutar a sua voz pelo telefone ou por alguma gravação virou algo essencial em meu dia, eu me sentia triste e deslocada se não a ouvia, e ainda mais com saudades.

Meu gênio também não era lá essas coisas, eu poderia ser paciente, mas ignorante e avoada demais, vivia dizendo coisas sem pensar, quando se tratava de algumas pessoas eu pensava de menos e mal via quando magoava alguém, realmente, me sentia o homem da relação, quando ela vinha pra cima de mim com aquele bico emburrada, e me tratando com respostas rápidas. Eu sabia que algo eu tinha feito, o porém era “o quê?”. Claro que a orgulhosa não me dizia, mas o bom era quando o orgulho dela caia junto com o meu, eu não conseguia viver sem ela e eu poderia não estar sendo humilde, mas sei que ela não viveria sem mim.

Aquele deixar acontecer, existe em partes, demorou até nos acertamos, tivemos alguns problemas, ainda mais com a família dela que não aceitava esse tipo de relação. A filha, o tesouro da família, namorando e agora casada com outra mulher. Eu a vi chorar muitas vezes, e aquilo cortava o meu coração, eu queria ser o máximo possível o pilar dela, ou muito mais que isso, eu queria poder ajudar de todas as formas, mas era difícil. Como já foi diferente, assim que resolvi mudar de cidade, minha mãe aposentou-se e voltou para a cidade natal dela, e vive alegremente em seu apartamento na praia, aproveitando a vida como sempre fazia e meu pai, só “Jah” sabe por onde ele anda. “Jah”, isso era coisa de Natasha, eu vivia pegando as suas maneiras de falar as coisas.

Claro que toda a pressão familiar que ela teve, aconteceram impactos em nosso relacionamento, às vezes deixávamos a raiva tomar conta, e fico feliz em saber que o tempo que demos serviu para mostrar que realmente, nos amávamos. Não importasse o que acontecesse, mesmo com todas as proibições, eu estaria com ela. Sempre.

“... E foi assim que eu vi que a vida colocou
Ela pra mim
Ali naquela quarta-feira de novembro
Por isso eu sei de cada luz de cada cor de cor
Pode me perguntar de cada coisa
Que eu me lembro...”

Completei o verso abraçando-a por detrás, colocando meus braços envoltos de seu pescoço, assim pude beijar o canto de seus lábios, a vi sorrir e pude sentir o seu aroma doce dos seus longos cabelos castanhos claros. Natasha estava sentada no jardim compondo alguma nova canção, que ela sempre mantinha em segredo até terminar e só tocava para mim, depois de tudo pronto. Para ela, eu era como sua juíza e ela a minha, eu com suas músicas e ela com meus textos.

Não tenho palavras certas para descrevê-la, só sei que não ficaria feliz com outra pessoa que não fosse ela.

— Parabéns... — sussurrei em seu ouvido escutando sua risada, colando sua bochecha com a minha, sentindo sua pele morena e macia, delicada, até demais.

— Achei que tinha esquecido.

— Como iria esquecer?

— Já esqueceu uma vez — ela me sorriu marota, aquela minha morena de olhos chocolates, tinha uma incrível memória.

— Bom, mas já faz muito tempo. Venha tenho algo que te espera na cozinha.

Segurei em sua mão a fazendo levantar do banco que estava naquele jardim, ela deixou sobre a mesa um livrinho com umas partituras, e eu sorri pensando que logo escutaria aquelas notas virarem uma linda canção no piano que tínhamos, Natasha cantava e também dava aulas de piano. Sempre que podia eu ia ver as suas aulas, e ela sempre que poderia viajar comigo para alguma publicação ou sessão de autógrafos, ela ia comigo.

— Dependendo se for um bolo de morango ou um brigadeirão, posso tocar a minha nova música para você, Jess. — toda vez que ela falava o meu nome naquele tom de voz eu acabava por arrepiar-me.

— Ah, já terminou é?

— Mais ou menos, posso abrir uma exceção.

— Então pode ir se aquecendo, amor. — abracei a sua cintura, depositando os meus lábios em seu pescoço a escutando rir.

Eu não a via mais chorar, na verdade se ela ainda chorava era de alegria, durante os dias em que estamos juntas sempre a faço rir, ou ela mesma se diverte com o meu jeito e eu com o dela, seu jeito meigo me conquistou, assim como o seu aroma natural de chocolate me intoxicava. Só teria certeza que naquela noite, iria fazer um poema como presente para o seu aniversário.

Notas finais
Então o que acharam? Obrigada para quem leu. Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!