Outbreak
5 Volume 1 - Ato Final
Notas iniciais
—----- Peter ------
Agora não era só um deles, eram dois, eu sabia que as chances de eu sair dali vivo eram baixas, e eu precisaria de ou uma sorte muito grande ou invocar uma espécie de espirito de guerreiro que eu não sabia que tinha.
Os dois então correm na minha direção ao mesmo tempo e tudo que eu tive tempo de fazer foi deslizar por baixo das pernas de um deles, que já se vira utilizando as garras em um ataque horizontal que cortaria a minha cabeça, mas eu abaixo bem a tempo.
Revezo as ações entre atirar e desviar, porém aquilo era inútil, só evitaria o que viria de um jeito ou de outro, já que as minhas balas não causavam quase nada de efeito nas duas criaturas na minha frente.
Me aproximo dos carros parados e utilizo eles como um tipo de barricada que atrasava um pouco os ataques dos monstros que facilmente os empurravam para o lado como se fossem de brinquedo.
Olho para a minha direita e vejo um carro que ainda tinha as chaves dentro, abro a porta e dou partida no motor, sem saber como dirigir tudo que eu faço é acelerar e bater o carro em um monstro, que empurra ele até quebrar uma parede do estacionamento e o joga longe, agora só restaria um deles.
Me viro de costas e aquele mesmo monstro que restava se aproxima do carro e o levanta pela parte de trás, sem pensar muito eu só abro a porta e pulo do carro antes do monstro capotar ele.
Corro de volta para os carros e entro em outro, eu começo a procurar as chaves, mas não acho em lugar algum, mas antes que eu pudesse ao menos pensar em fazer outra coisa, o monstro empala suas garras no motor do carro, e ele começa a pegar fogo.
Pulo do carro e apenas tenho tempo de correr por dois segundos antes do carro explodir, me viro de costas já sorrindo imaginando o monstro explodido, mas ele estava inteiro.
Ele arranca algumas partes de metal presas nas garras e corre em minha direção e dá um ataque utilizando o próprio corpo, não esperando aquilo ele consegue me atingir e eu caio no chão, ainda vivo.
O monstro se aproxima lentamente e utiliza a perna dele para segurar a minha perna, ele levanta as garras, mas eu consigo virar a cabeça para o lado então ele erra, mas minha perna ainda estava presa.
Pego minha pistola e começo a acertar tiros no joelho dele, e depois do que parecia ter sido meu pente inteiro ele recua um pouco e eu consigo fugir novamente, o que me assusta é que aquele monstro deveria ter tornado a minha perna em nada, mas ela estava inteira e eu não sentia dor, mesmo que tenha sido a mesma perna ferida.
Me viro para disparar mais algumas balas nele, mas que nem todas as outras, não foi muito efetivo, ele se aproxima mais e mais a cada tiro que eu dou.
A criatura estava prestes a me dar um soco com o seu outro braço, a primeira reação que eu tive foi tentar segurar mesmo que eu soubesse que não adiantaria, o que me surpreendeu é que funcionou, eu estava segurando o ataque dele com as duas mãos.
Botei mais esforço e ele usou as garras para tentar me furar, mas eu desvio e utilizo o próprio ataque dele contra ele mesmo.
Ele da um rugido alto e arranca as garras do seu peito, ele estava visivelmente mais irritado, e eu ainda estava surpreso com a força que eu havia ganhado do nada.
Utilizando as garras mais uma vez, eu seguro a sua mão e seguro uma de suas garras e começo a puxar, depois do que parecia uma eternidade fazendo esforço eu arranquei a garra dele e cortei as outras fora.
Se tinha alguém que não estava entendendo o que havia acabado de acontecer, era eu, de um cara que fugia da educação física e não era nem um pouco forte, eu havia virado um cara que arrancou as garras de um monstro com as duas mãos.
O monstro ruge novamente e estava completamente frustrado, eu também estaria na situação dele.
Ele me encara por alguns segundos e corre novamente em minha direção, eu percebo que agora ele estaria usando toda a força e não iria querer mais brincar.
Também corro na direção dele e desvio do golpe enquanto faço um corte superficial na barriga dele, ele se vira de costas e tenta me dar outro golpe, mas eu enfio uma das garras que eu havia segurado e enfio na mão dele.
Antes que eu pudesse reagir, e mesmo com uma garra no meio da mão dele, ele me segura pelo pescoço e me levanta e me joga longe.
Bato minhas costas no vidro de um carro, e normalmente numa situação dessas me faria no mínimo apagar, mas eu não estava sentindo dor nenhuma, adrenalina talvez?
Ignoro isso no momento e entro no veículo que eu havia acabado de destruir a janela, por sorte esse tinha a chave no porta-luvas. Eu encaixo a chave e giro, dando a partida, acelero na mesma hora e vou em direção ao monstro, mas ele utiliza a mão que ainda lhe estava e uma parte do braço que não tinha mão para segurar o carro.
Ainda acelerando, ele estava sendo arrastado para trás, mas logo consegue manter a frente do carro em suas mãos, percebo que deveria utilizar a minha força para fazê-lo parar de segurar, mas quando eu dou um soco nele era como se eu não tivesse feito nada.
O que?
Sinto a minha mão doer muito e quando olho para a minha perna, estava sangrando novamente.
Logo agora? Sério?
Tento ignorar a imensa dor que eu estava sentindo e pulo do carro enquanto puxo a pistola e dou um tiro no tanque de gasolina do carro, fazendo ele explodir.
Achando que havia apenas ganhado tempo eu me afasto, mas quando a fumaça some o monstro havia sido explodido no meio.
Aliviado, mas ainda sentindo muita dor, eu começo a me questionar sobre aquela força repentina, aquilo não era natural com toda certeza.
Infelizmente, antes que eu pudesse terminar de pensar, aquele outro monstro passa pela parede que havia destruído antes e me vê, irritado.
—- AQUI! USA ISSO! — Ouço antes de uma pistola cair ao meu lado.
Sem pensar direito, eu só pego a pistola e miro no monstro que estava correndo em minha direção, quando eu dou o tiro eu vejo a cabeça dele explodir.
Me levanto com um pouco de dificuldade e começo a analisar o corpo do monstro, como aquela pistolinha tinha feito aquilo?
Olho para a minha direita e vejo aquela mesma agente de antes se aproximando.
—- Bom trabalho garoto, agora devolve isso.
—- Sem problema, obrigado pela ajuda.
—- Você podia ter se virado sozinho, me diga, você ficou imune a dor e com uma força extrema por um tempo?
—- Sim, como você sabe? — Digo entregando a pistola, mas curioso.
—- Garoto, veja, tem muitas coisas que você não sabe e não tem a necessidade de saber.
—- Tipo?
—- Tipo tudo isso, minhas ordens eram pra te eliminar.
—- Como? — Pergunto irritado, enquanto me afasto dela.
—- Mas, agora é pra te levar vivo, então eu já peço desculpas por agora.
—- Desculpas pelo qu... — Antes que eu pudesse terminar ela saca a pistola, mexe em algum botão na lateral dela, e antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa ela dispara.
20 MINUTOS DEPOIS
Acordo ainda atordoado e com uma dor enorme na cabeça, eu tento mover os braços, mas não consigo, então eu movo a cabeça para a direita e pela janela vejo uma explosão no centro da cidade, e do nada ela começa a cair dentro de um buraco.
—- Acordou, bem rápido, você realmente é compatível.
—- O que?
—- Já disse garoto, muitas coisas que você não precisa saber.
A agente diz enquanto eu olho para as minhas mãos e vejo um tipo de algema branca, eu tento botar força pra arrancar ela, mas nada.
—- Não tenta, você não vai conseguir, só aceita que isso tudo é pelo seu bem.
—- Você me dá um TIRO, e me fala que é pelo meu bem?
—- Não foi bem um tiro, mas tudo bem, acredite no que quiser. — Ela diz encostando um fuzil numa parede e fechando a porta, quando percebo que estamos num helicóptero.
Minha visão estava bem turva, então eu não conseguia ver muita coisa.
—- Onde vocês tão me levando?
—- Isso você vai ver em breve, que droga, eu tenho que aumentar a potência dessa coisa.
—- O que vão fazer comigo?
—- Meu Deus, eu não lembrava que você falava tanto.
Ela diz enquanto se levanta segurando aquela pistola, e tudo que eu consigo pensar é na escolha de palavras dela, "lembrava"? Ela estava se referindo a essa noite ou o que?
A agente mexe novamente naquele botão lateral da pistola e aponta ela na minha cabeça, antes que eu pudesse falar qualquer coisa ela dispara.
—----- Mason ------
Abro a porta da casa e sinto aquele cheiro de lar, um cheiro que eu já estava bem acostumado.
Emma vem logo atrás de mim, ela estava visivelmente abalada e eu não sabia o que falar pra ajudar ela.
Que droga Mason, que droga!
Penso enquanto pego as armas que ela estava carregando e guardo no meu armário.
—- Você quer comer alguma coisa? Beber alguma coisa?
Ela não me responde, mas mesmo assim eu peço para ela sentar na cadeira e pego um cereal e leite, e boto em uma tigela.
—- Emma, eu sei que é difícil, mas você tem que superar tudo isso, não precisa ser agora, mas por favor tente.
Quando termino de falar ela me encara com aqueles olhos vazios, e mesmo sem falar nada eu sei tudo que ela quer dizer com aquilo, eu sei que não posso pressionar ela, mas eu tenho que tentar.
Pego uma colher e boto na tigela, e boto na mesa logo na frente da Emma.
Ela pega a colher e fica girando-a dentro da tigela, sem comer.
—- Sério, você tem que comer um pouco.
Novamente ela me encara, e começa a comer o cereal, eu não sabia o que fazer nessa situação, nunca me preparei pra um tipo de coisa assim, no máximo alguma besteira de adolescente, mas isso era demais.
—- Você pode me falar o que aconteceu?
—- Não.
Essa foi a única palavra que ela disse pelo resto do dia, e eu não sabia como ajudar ela.
—----- Elizabeth -------
Sala de cirurgias
Localização Desconhecida
—- O que vão fazer com ele?
—- Estudar.
—- Acha que ainda dá pra extrair os anticorpos?
—- Claro que dá, mas achamos um uso melhor.
—- O que? O que vão fazer?
—- Ordem do Diretor, ele vai virar o nosso novo soldadinho.
—- É só um garoto!
—- Já disse, ordem do Diretor, não foi escolha minha.
Saio da sala irritada e começo a caminhar pelos corredores sentindo o peso da culpa, eu o salvei das feridas ou condenei ele? Eu sei que eu preciso proteger ele, mas... Esse tipo de coisa é tão difícil, e agora que ele vai virar a marionete do Diretor eu talvez nem veria mais ele, e se visse seria em uma missão.
—- Agente Navarro, está ocupada? — A voz de um homem que eu reconhecia muito bem se dirige a mim, me causando arrepios.
—- Não, senhor.
—- Ótimo, preciso lhe agradecer pessoalmente por cumprir a ordem de forma tão perfeita, e ainda não deixou rastros.
—- Nada mais que a minha obrigação, senhor.
—- Deixe disso, se elogie mais, você merece.
Aquele homem me deixava arrepiada, eu sentia um medo único na presença dele, é como se o diabo em pessoa estivesse conversando comigo.
Eu precisava visitar o Mason, já que não tem mais nada que eu possa fazer aqui.
—----- Peter ------
9 ANOS DEPOIS
—- Walker, você recebeu um chamado.
É a primeira coisa que ouço quando acordo, e já não era boa notícia, mas eu tinha ordens a cumprir.
Me levanto da minha cama e faço a minha rotina normal da manhã, e já me dirijo para o escritório do Diretor.
—- Ah! Walker! Pode entrar meu garoto!
—- Senhor, qual é o meu chamado?
—- Esse é especial, você vai gostar.
—- Onde eu irei, senhor?
—- Rússia garoto, Rússia!
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