Out Of Order (Em hiatus)
4 Minha nova vida em Miror Town - Parte 2
Notas iniciais
Visão da Crys.
Depois da minha festa de boas vindas, eu me senti mais encorajada a me acostumar com minha nova vida aqui. A primeira semana depois da minha chegada se passou rapidamente. Eu não perdi tempo em organizar a baderna daquela casa: instituí um quadro de tarefas e algumas regras, além de fazer uma lista dos suprimentos que precisaríamos comprar mensalmente. Os garotos não gostaram muito de ter que reeducar seus hábitos, mas todos concordaram que já estava na hora de dar um basta naquela situação, antes que as aulas começassem.
Mas a mudança não trouxe apenas protestos, todos vibraram ao saber que comeriam refeições decentes e feitas em casa. Se seria eu a cozinhar para todo mundo? Claro que não, né? Eu não me mudei para ser babá de todos esses garotos crescidos. Nós fizemos uma votação e entramos num consenso. Ficou resolvido que cada um cuidaria de seus afazeres pessoais como lavar suas roupas e sua louça, e os afazeres coletivos seriam distribuídos entre todos. Nós criamos algumas "divisões". Eu e o Dia seríamos da Divisão Alimentícia, já que nós éramos os que mais tínhamos jeito para isso. Red, Pearl e Gold ficaram na Divisão Área Externa e seriam responsáveis por cuidar da área externa da casa; isso incluía capinar e controlar a entrada de pragas. Ruby, Silver e Green, da Divisão Área Interna, ficaram responsáveis pela manutenção interna da casa, eles cuidariam desde o problema de uma lâmpada queimada, até a limpeza e disposição da mobília. Bill ficou encarregado dos mantimentos, ou seja, da Divisão administrativa.
A segunda semana foi uma espécie de teste para essa nova organização. Nos primeiros dias os meninos ainda estavam bem acomodados, mas eu fiz questão de supervisionar as tarefas deles. E eles se tornaram bem mais produtivos quando eu avisei que a quantidade e a qualidade da refeição deles seria proporcional ao seu trabalho. Ao final da semana, eu pude notar que tinham criado certa disciplina. Nada que um bom estímulo (ou ameaça) não resolva. Eu sorri satisfeita. Agora eu poderia me concentrar em outro assunto: a volta às aulas.
O tempo passou rapidamente até que fevereiro chegou, e, com ele, nosso retorno às salas de aula também. Eu acordei cedo naquela manhã de segunda-feira. Como será minha nova turma? Será que os professores são bons? Será que me enturmarei facilmente? Eu não podia evitar de me perguntar isso.
-Vai dar tudo certo, Srta. Crystal. – a voz do Dia me tirou dos meus pensamentos.
-Ah, Dia... – eu o percebi no canto da cozinha. Ele sorriu gentilmente, colocando um bolo sobre a mesa. – Eu já te disse para não me tratar com tanta formalidade.
-Mas a Srta. Crystal é a Srta. Crystal. – ele me olhou humildemente.
Eu suspirei, mas era impossível ficar chateada com o Dia.
-Você pode me chamar apenas de Crys.
-... – ele olhou para mim, um tanto incerto.
-Ora, vamos. Não é tão difícil. Eu vou te deixar me chamar assim por enquanto, mas prometa que vai se esforçar para me chamar apenas de Crys. – eu sorri para ele, colocando o último prato na mesa.
-Tá! – ele sorriu de volta.
Eu olhei para a mesa feita. O Dia me ajudara a preparar um café-da-manhã bem reforçado.
-A mesa está pronta! – gritei no corredor. No mesmo instante, os garotos colocaram a cabeça para fora de seus quartos. Eu ri um pouco com aquilo. Eles pareciam até um bando de suricates.
Depois de terminar a refeição e sair de casa, andamos até a estação de metrô mais próxima. Fiquei um pouco sem jeito de ir para escola cercada por sete garotos; aquilo chamava muita atenção e algumas pessoas na rua cochichavam quando nos viam, mas, o que eu podia fazer?
Chegamos ao colégio. Era realmente enorme, dois prédios acoplados abrigavam os ensinos fundamentais, e, vizinho a eles, o havia o enorme prédio do ensino médio. Ao nos aproximarmos do terceiro prédio, nosso grupo rapidamente se dispersou. Percebi um aglomerado de pessoas que, a julgar pelas aparências, deviam estar conferindo suas classes. Eu me aproximei cautelosamente.
-2-C? — Consegui vislumbrar meu nome em uma das listas. E, procurando nomes conhecidos pela lista, encontrei os do Green e do Red. Que bom! Ao menos eu teria meus senpais para me dar apoio.
Apesar de ser mais nova, eu tinha pulado um ano pelo meu desempenho excepcional na escola. É verdade que ser a mais nova da sala me deixaria um pouco nervosa, mas, ao menos, ter o Red e o Green como colegas de turma seria melhor do que ter o Gold como um...
-Legal, -disse o Dia — estou na sala do Pearl e do Ruby! – ele correu para perto deles.
-Mais um ano, sem dupla... — resmungou o Ruby. Tentei imaginar o porquê daquilo, mas não cheguei a nenhuma conclusão.
Uma sirene tocou e todos os alunos começaram a caminhar na direção da quadra do colégio. Eu segui o fluxo.
Na quadra, havia sido preparada uma apresentação sobre o colégio, seu histórico, sua parceria com a universidade e seu destaque na região. Eu fiquei surpresa com alguns dados. É claro que eu sabia da fama dessa escola, esse tinha sido um dos motivos por eu ter me matriculado. Mas eu não sabia que a escola/universidade oferecia tantas oportunidades de bolsas, iniciação científica e intercâmbios. Posso apostar que meus olhos brilharam quando eu vi as fotos dos laboratórios de pesquisa.
Eu tinha feito uma decisão acertada em vir estudar aqui! Agora era só manter minhas notas altas e eu já estaria a meio caminho andado de ter uma boa vida profissional!
-Hã? – fui tirada dos meus pensamentos quando alguém esbarrou em mim.
-Me desculpa! – uma garota que parecia ter uma idade parecida com a minha se desculpou. Seu uniforme estava visivelmente fora de ordem; ela dobrara as mangas e não usava a gravata de forma alinhada.
-Tudo bem. – eu respondi
-Heh! – ela deu uma batidinha no meu ombro e abriu um largo sorriso e correu para um lugar na frente da quadra, de onde outra garota acenava para ela.
A cerimônia de boas vindas prosseguiu calmamente. Ao menos até convidarem o representante estudantil ao palco. Um monte de saudações ecoaram quando a figura do Red apareceu ali. A julgar por aquela reação, ele devia ser popular.
-Cahan! – ele limpou a garganta, um pouco sem jeito. Estava visivelmente pouco à vontade no palco. – E, então, o Miror High dá por iniciado mais um ano letivo. Sejam bem vindos!
Uma salva de palmas ecoou e uma voz que reconheci como a do Gold gritou um "É isso aí!" do meio da multidão. Os alunos pareciam bem animados.
Após a cerimônia de abertura, os alunos começaram a se levantar e ir em direção a suas classes. Eu os acompanhei e entrei no prédio do ensino médio. As salas do segundo ano ficavam no primeiro andar. Avistei a 2-C: era a penúltima sala do corredor. Entrei na sala, que ainda não estava completamente cheia, e pude avistar o Green sentado próximo à janela, no fundo da classe. Ele acenou com a cabeça e eu acenei de volta. Sentei na mesma fileira que ele, mas na primeira banca. Era bom sentar o mais próximo possível do professor.
-Olá, turma! – uma mulher muito bonita e com um ar elegante entrou na sala.
Ou, no caso, professora.
-Eu sou Cynthia, e serei a professora de física e a responsável pela classe de vocês. Aos novatos, é um prazer conhecê-los. Espero que se sintam acolhidos! E, aos veteranos, bem-vindos de volta! – ela sorriu radiantemente.
Tive a impressão de ter visto alguns garotos suspirarem.
-Agora, deixem-me dar alguns avisos: Alguns de vocês já sabem que a nossa escola tem uma didática diferenciada de pedir trabalhos em dupla. Algumas pesquisas realizadas na Miror University demonstram que a divisão de tarefas entre uma dupla estimula uma maior responsabilidade, solidariedade e confiança entre os alunos. – ela tentava explicar para nós, novatos, a razão por trás da escolha desse método de ensino.
- A novidade deste ano é que nós, professores, escolheremos os alunos que formarão as duplas. Também haverá rotatividade de duplas. Ou seja, as duplas serão trocadas de períodos em períodos.
Pude ouvir um protesto geral na classe.
-Isso foi decidido pela direção para promover uma integração maior entre os alunos. Tentem aceitar isso como uma coisa boa, garotos. Vocês vão sair um pouco da sua zona de conforto, mas serão capazes de ficar mais próximos de outras pessoas e de descobrir muitas coisas interessantes. – a turma ainda resmungava — Além disso, na vida, nós teremos que lidar com todos os tipos de pessoa. Então, não custa nada, desde já, colocar isso em prática.
A sala tinha um ar mal-humorado, mas havia relaxado um pouco. Eu, sinceramente, estava satisfeita. Para mim, era o primeiro dia de aula e dificilmente eu conseguiria uma dupla com facilidade, então, aquilo caiu como uma luva.
-Inicialmente, eu decidi fazer um sorteio para determinar as duplas. – ela voltou a falar — Durante o festival cultural, será aberta uma exceção e vocês poderão escolher seus parceiros. — ela fez uma pausa, e pegou uma pequena urna que trouxera consigo — Agora, faremos o sorteio.
Deixei minha mente desligar um pouco enquanto a professora chamava nomes desconhecidos.
-A srta. Crystal Starly...
Inconscientemente, corrigi a minha postura enquanto assisti ansiosa a profa. tirar a outra ficha da caixa.
-Fará dupla com a srta. Blue Birch.
Blue Birch, anotei mentalmente. Que bom ter ficado junto com outra garota! Será bem mais fácil de conversar e de marcar os trabalhos dessa forma.
Após terminar o sorteio, a profa. Cynthia começou a sua aula. Depois dela, tivemos aulas com a profa. Lorelei.
Assim que a sirene indicando o intervalo tocou, mais da metade da sala se levantou rapidamente e saiu apressada pelo corredor. Eu fiquei surpresa com aquilo e perguntei à garota sentada ao meu lado o que estava acontecendo. Ela sorriu, dizendo que era normal isso acontecer porque os pudins da cantina eram realmente deliciosos e vinham em edição limitada. (N/A: referência a My Boss My Hero) É, esse pessoal da cidade grande realmente era mais excêntrico do que eu pensava...
Enquanto guardava o meu livro na mochila, percebi a aproximação de alguém.
-Hey! –uma garota alta, com longos cabelos castanhos e olhos azuis, sorria simpaticamente para mim — Você deve ser a Crystal, não? Eu sou Blue, sua dupla neste semestre. — Ela era tão linda! Parecia uma modelo.
Aliás, eu podia jurar que eu já tinha visto aquele rosto antes em algum lugar. Onde será que foi?
-Sou sim. Prazer em conhecê-la, Blue. – eu sorri de volta. Diferentemente do Gold, eu prezava as primeiras impressões.
-Prazer!
Alguém entrou bruscamente na sala e nós viramos o rosto para olhar.
-Bluu! – a menina que trombara em mim mais cedo gritou da porta. – Vamos almoçar!
-Ah, oi, Sapph! – ela acenou para a garota e fez um sinal para que ela se aproximasse.
-Ah, você é a garota em que eu esbarrei! — ela apontou para mim, alarmada. – Desculpa! – ela juntou as mãos e baixou a cabeça, num pedido um tanto espalhafatoso de desculpas.
-A-Ah! Não se preocupe com aquilo! – eu tentei tranquilizá-la – Eu não me machuquei, nem nada. Pode ficar tranquila.
-Se é assim, então tudo bem. – ela voltou à sua postura normal e me mostrou um grande sorriso.
-Hm... – Blue olhou de mim para ela – Vocês parecem já se conhecer, mas irei apresenta-las mesmo assim. Sapph, esta é a Crystal, minha nova dupla. Crys, esta é a Sapphire, ela é estudante do primeiro ano.
-Prazer, Sapphire! – eu sorri simpaticamente.
-Prazer, Crys! – ela retribuiu o sorriso.
-Então, Crys, podemos te chamar assim de agora em diante, certo?! – Blue perguntou.
Acenei positivamente com a cabeça.
-Ótimo! – ela sorriu satisfeita — Crys, você não quer lanchar conosco? Tem um lugar fora do prédio, perto do jardim, super bacana. Nós sempre vamos até lá nos intervalos.
-Hm... Tudo bem. – seria bom tentar me enturmar. E elas pareciam pessoas legais também.
Quando saímos da sala, eu pude notar que algumas pessoas nos seguiam com o olhar.
-Oi, Blue. –um garoto a cumprimentou timidamente.
-Olá, darling! – ela deu uma piscadela na direção dele e eu notei que o garoto ficou tão emocionado que seu olho se encheu d'água.
-A-Ahn... Blue, eu acho que aquele garoto gosta de você. – falei ainda olhando para o garoto que agora tinha uma expressão de êxtase, como se tivesse encontrado o nirvana.
-Eu sei, baby. Ele e metade da escola. – ela sorriu confiante.
Eu pisquei os olhos, surpresa com a descoberta. Puxa, realmente ser popular era outra realidade... Eu estava me sentindo em um desses animes colegiais.
-Olá, Sapphire! – um garoto se curvou à nossa frente de forma tão respeitosa que eu fiquei pasma.
-Yo! – ela deu um tapinha nas costas do garoto. O garoto se levantou com uma expressão lisonjeada.
-Eu vou treinar bastante até ser digno de uma batalha com você, senpai! – ele saiu entusiasmado, após se curvar mais uma vez, em despedida.
-S-Senpai? – eu perguntei confusa – Ele não parecia mais novo que você...
- É. Na verdade, ele é mais velho do que eu. Hehe – ela ria sem jeito, uma mão coçando a cabeça – Mas ele é meu kouhai no dojo.
-Você faz artes marciais? – perguntei surpresa. Ela parecia tão delicada... É verdade que tinha maneiras meio bruscas, mas eu nunca presumiria que ela seria veterana em um dojo.
-Sim, um pouco de tudo. – ela sorriu largamente – Minha meta atual é ser forte o suficiente para derrubar um urso só com as mãos.
E-Eu não sabia o que responder àquilo. Sério, eu nunca tinha pensado que alguém no mundo pudesse ter uma meta como essa. ...E eu acho que eu nunca ia querer entrar numa briga com a Sapphire.
Ela continuou a me olhar, então me senti obrigada a dizer algo.
-Boa sorte com sua meta! – eu fiz um sinal de positivo e sorri para ela. Espero que o sorriso não tenha saído muito estranho.
-Ahah, muito obrigada! – ela encolheu os ombros e se contorceu de uma maneira que era meiga demais para alguém que tinha acabado de falar que queria derrubar um urso com as mãos.
Quando chegamos ao campado livre que rodeava a parte traseira do prédio, Sapphire saiu correndo na direção de uma enorme árvore.
-O que estão esperando? Venham! – ela chamava, animada – Aqui tá ótimo!
Blue sorriu para mim e eu entendi o que ela estava pensando. Nós corremos até lá e nos sentamos sob a árvore. Estava realmente agradável ali, a sombra e a brisa daquela árvore davam o plano de fundo perfeito para relaxar enquanto lanchávamos.
-É um lugar bem tranquilo. – eu disse depois de terminar minha refeição. Um vento suave acariciava meu rosto, me fazendo relaxar. – Acho que até quase consigo esquecer das dores-de-cabeça que os garotos me causam... – falei mais para mim mesma.
-Que garotos? – perguntou Sapphire, enfiando um onigiri na boca.
-Ah. Sobre isso... – eu sorri sem graça, ao perceber que elas tinham ouvido o que eu disse — É que eu moro com o meu irmão, e ele meio que cuida de uma "república". Ele tem sete inquilinos e eles são todos garotos que estudam aqui. Talvez vocês conheçam alguns deles. – eu olhei para Blue — O Green e o Red estão na mesma turma que nós, Blue. E talvez a Sapphire conheça o Diamond, o Pearl, o Silver, o Gold ou o -
-Eu conheço o Silver! Nós somos amigos muito próximos. – Blue me interrompeu — E conheço o Red e o Green também! Os conheço desde criança. O Red é um pouco bobo, mas é uma pessoa bem legal e honesta; já o Green é uma pessoa bem incomum, eu diria que ele é... Hm...– ela mordeu o lábio, pensativa — ...um tanto difícil.
-Eu conheço todos eles! – Sapphire sorriu – Green e Red não são da minha turma, mas são meus senpais do dojo. Eu os respeito muito! – seu rosto então assumiu uma expressão de curiosidade — Mas eu acho que você não mencionou o sétimo garoto, quem é? – ela perguntou, mordendo uma maçã.
-Ah, ele é um tipo bem peculiar... – me lembrei do único garoto que eu ainda não havia mencionado — É o Ruby.
Tchak!
Tudo aconteceu tão rápido que eu só consegui capturar a visão de uma Sapphire muito irritada, com a mão completamente suja. Pedaços da maçã jaziam no chão.
-Ruby? Aquele idiota da minha sala..? – ela tinha uma feição um tanto obscura.
-Bem, ele é do primeiro ano, é possível que seja da sua sala... – falei um pouco assustada com a atitude dela.
-Aquela pessoa desprezível..! – ela parecia imersa em pensamentos.
-Por que tanta raiva, Sapph? – Blue perguntou, curiosa. Ela não se assustara com a atitude da outra. Provavelmente estava acostumada com a personalidade forte da amiga?
-A professora nos obrigou a fazer dupla juntos e, quando eu me aproximei dele, ele me mandou tomar um banho e "de preferência, demorado". – ela fez uma careta, imitando o garoto — O idiota ainda teve a audácia de me indicar uma marca de shampoo! – ela se levantou revoltada. — Quem ele acha que é para falar assim comigo? Aquele grande imbecil arrogante!
Fiquei um pouco pasma com aquilo tudo. Agora podia imaginar o porquê do Ruby ter dito aquilo de não conseguir ter uma dupla...
Imaginação da Crys
Primário:
-Ruby, o Joey gostaria de ser sua dupla. – disse a professora, se aproximando ao lado de um garotinho de boné.
-Eu não quero! Ele vive enfiando o dedo no nariz e pegando no lanche sem lavar as mãos. Eca! E ainda tem aquele rato de estimação feio dele...
Assim, o pequeno Joey abandonou a sala, ainda com o dedo no nariz, com o coração ofendido e lágrimas no rosto.
-Meu rato é diferente dos outros ratos. Ele é top de linha!
(N/A: Alguém sacou a piada? Joey? Rato? Rattata? xD)
Secundário:
-Ruby, que tal nós dois formarmos uma dupla? – perguntou uma garota de longos cabelos timidamente.
-Eu não quero fazer dupla com você! Você não penteia o cabelo para vir à escola e vive coçando a cabeça. Qual é a garantia de que não tem piolhos?
A garota começou a chorar e saiu desconsolada. No outro dia, apareceu com o cabelo bem curto.
Fim da imaginação da Crys
Ruby, seu malvado! Pobre Sapphire! Me uni à Blue, que acariciava a cabeça da garota para tranquilizá-la. Ao me aproximar mais, senti um cheiro forte e enjoativo. Eu tinha certeza que Blue deveria ter sentido isso também e, quando meu olhar cruzou com o dela, eu tive certeza que compartilhávamos o mesmo pensamento. Ela realmente precisava lavar a cabeça!
-Hm, que interessante... A Sapph preocupada com algo que não sejam ursos ou o dojo... Você gostou dele, não é? – ela sorriu maliciosamente.
Sapphire imediatamente ergueu os olhos, sua face estava vermelha e ela tinha uma expressão indignada. Ela ia protestar, mas a sirene soou repentinamente, sinalizando o fim do intervalo.
-Bem, parece que está na nossa hora. – Falei, levantando. Elas fizeram o mesmo; Sapphire ainda contrariada e Blue rindo.
Nós voltamos ao prédio, nos despedimos da Sapphire e caminhamos até nossa sala. Quando entramos na turma, eu pude notar alguns olhares fazerem seu percurso até nós. Mas eu não tive muito tempo para pensar sobre isso, porque, pouco tempo depois, um homem alto e mal-encarado entrou na sala, fazendo com que toda a turma se aquietasse.
-Para quem não sabe ainda, eu sou Surge. LT Surge. Serei o professor de inglês de vocês esse ano. – ele dizia, enquanto circulava pela sala, analisando cada aluno. – Meu lema é: aluno bom é aluno disciplinado. Não tolerarei conversas paralelas e piadinhas na minha classe. E, se eu fosse um de vocês, não pensaria em me contrariar: eu posso ser bem persistente quando desafiado, e não digo não a uma batalha. As consequências para aquele que se colocar no meu caminho podem ser bem severas...
Nossa, do jeito que ele fala, parece até que está num campo de guerra... Ele se aproximou de dois alunos na primeira fila que estavam cochichando, olhando no fundo de seus olhos.
-Quando estiverem nos corredores, eu estarei de olho. Quando estiverem lanchando, eu estarei de olho. Quando estiverem indo para casa, eu estarei de olho. Até mesmo nos seus sonhos, eu estarei de olho. (N/A: referência a Todo mundo odeia o Chris)
Eu podia jurar que vi os garotos ficarem completamente brancos.
-Saibam que sou influente, de um jeito que vocês não compreenderiam. – ele continuou, voltando ao centro da sala. – Agora, começaremos nossa aula. – ele bateu no quadro.
Depois daquele discurso de guerra, ele começou sua aula e, eu não sei se por causa da tensão ou se por causa do seu método de ensino, eu fiquei um pouco perdida. Quando faltavam quinze minutos para o fim da aula, ele nos dispensou com a justificativa de que precisava resolver um problema. Eu fiquei feliz por ele não ter dado detalhes sobre esse "problema", porque, do jeito que ele falou, não parecia que era boa coisa...
Arrumei meu material e acompanhei Blue até o andar de baixo. Red passou por nós, dizendo que esperaria por mim e pelos meninos no pátio da escola. Eu não vi sinal do Green, talvez ele já tivesse ido.
Enquanto esperávamos Sapphire e os meninos saírem, um grupo de garotos da nossa sala passou comentando:
-Você viu aquele professor? – um deles falava sombriamente — Segundo fontes seguras, ele já esteve no maior presídio do país, e não foi como policial...
-Não! Sério, cara?- disse outro, impressionado.
-É... E, segundo minhas fontes, sabe por que ele foi parar lá?
-Por quê? – o outro perguntou com uma voz tensa.
-Ninguém sabe ao certo. – o menino respondeu, trollando o outro – Mas ele sempre conta uma história diferente toda vez que perguntam. Há quem diga que ele pertence a um grupo de mafiosos, há quem diga que ele faz parte de uma seita... Mas todos concordam num ponto: é ele quem faz o serviço "braçal".
-E por que ele seria professor numa escola como essa?
-Talvez seja um tipo de disfarce, talvez seja uma forma de obter informações... – o garoto tinha uma expressão sombria.
-Ugh! Então, vou tentar não me encrencar com ele. Ninguém sabe do que ele é capaz...
-É, é bom manter distância de pessoas desse tipo.
Eles se distanciaram e viraram o corredor. Eu olhei pasmada para Blue, tinha certeza que ela também escutara aquilo tudo.
-Você ouviu aquilo, Blue?
-Ouvi, mas não esquenta com isso, não, Crys. Boatos como esse surgem sempre que um novo professor entra na escola... Você sabia que fizeram o mesmo com a Profa. Cynthia? Diziam que ela era uma agente secreta do governo. Mas, francamente, eu não acredito nesses boatos...
-Ah – suspirei – Se é assim com todo professor, então fico mais tranquila. — Mas que ele é assustador, é.
A sirene que anunciava o fim das aulas soou estridente entre nós.
-Vamos, Crys! O pessoal já tá saindo. – Blue me puxou para dentro da sala do primeiro ano, quando viu o professor sair pelo corredor – Hey, Sapph!
-Bluu! — ela respondeu animada. – E Crys! – ela sorriu ao me notar.
-Oi, Sapph! – meus olhos cruzaram a sala ao ver o Ruby sair de sala, calado, sem se despedir de ninguém. Achei aquilo estranho, mas minha atenção foi tomada quando vi o Dia sentado ali perto — Oi, Dia!
Ele estava distraído, olhando para o nada. ...Ou seria para uma garota que estava na primeira fileira? Como ele não pareceu me ouvir, eu o chamei de novo.
-Dia?
Ele lentamente virou o rosto para mim, um tanto confuso. Eu o tirei de seus pensamentos?
-Olá, Srta. Crystal. – ele respondeu.
-Blue, deixa eu te apresentar o Diamond. Blue, Dia. – fiz menção a cada um, enquanto falava — Dia, Blue.
-Hello, Dia! I'm Blue. – disse Blue com um típico sorriso de comercial de pasta de dente, o que o fez corar um pouco.
-P-prazer. G-Glad to meet you. – Tive que conter um sorriso, ele ficava muito fofo tentando falar inglês.
-Cadê o Pearl, Dia? Eu pensei que vocês estivessem sempre juntos. – perguntei procurando o outro garoto pela sala.
-Ah, ele deve ter saído na frente... – ele tinha uma expressão que não sinalizava muita certeza.
-Dia! O que você ainda está fazendo aqui? – Pearl surgiu na porta da sala – Eu estava quase na saída quando me dei conta de que você não estava respondendo às minhas perguntas. Se esqueceu de que combinamos ensaiar depois da aula?
-A-Ah, eu já vou! Tchau, meninas! Até mais, Srta. Crystal. – ele se levantou, enfiando o material na bolsa e se apressando até o amigo.
- Ah, oi, Crystal, Sapphire... – ele mudou um pouco de tom quando percebeu nossa presença, mas logo voltou a repreender o amigo quando este se aproximou — Francamente, você é muito distraído... – ele dizia quando os dois sumiram pelo corredor.
-Acho que já podemos ir, não é? – disse Blue.
-Sim, vamos. Os meninos devem estar todos no pátio também. – respondi.
Eu voltei para casa na companhia dos meninos, eles conversavam sem parar sobre os mais diversos assuntos. Aquilo era bom. Aquele sentimento de juventude que eles exalavam era contagiante e eu não podia deixar de sorrir.
Ao final do dia, eu olhei para o céu pela janela do meu quarto. As estrelas brilhavam timidamente. Hoje tinha sido, sem dúvidas, um dia incomum. Mas eu até que gostava disso, de ser surpreendida pela vida.
- Oh! – soltei uma exclamação.
Outra surpresa! Uma estrela cadente cruzou o céu.
-Já que é assim, eu tenho um desejo: doe-nos um pouco do seu poder para que todos as páginas de nossas vidas sejam preenchidas de surpresas!
E, sorrindo satisfeita, eu fui dormir.
Notas finais
Próximo capítulo estrelará a Sapphire. Vocês descobrirão mais sobre ela e a Blue. Está bem divertido, eu prometo. :D
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