Notas iniciais
Olá leitores, Mais um capitulo para vocês. Uma boa leitura.

278 D.D. — Ponta Tempestade

A Baia dos Naufrágios é uma grande baía que se localiza ao longo da costa de Stormlands que fica na parte oriental de Westeros. Havia várias lendas que contavam como um antepassado da família Baratheon havia irritado os deuses na Era dos Heróis, algo sobre casar-se com uma deusa e fazê-la sua rainha o que irritou seus pais divinos. A verdade era que aquele lugar eram raros os dias de sol e era vitima de frequentes tempestades que davam o nome a aquele reino.

E aquela baia era nomeada após o grande número de navios que foram destruídas em suas águas quando o tempo destruía as embarcações contra as rochas pontiagudas. Muitas carcaças de antigas naus encontravam-se nas profundezas de suas águas e naquele fatídico dia fora que o Orgulho do Vento, o mais belo e imponente navio construído em Ponta Tempestade, encontrara o mesmo trágico fim.

Os céus tempestuosos haviam se aberto e as águas furiosas tinham encontrado a calmaria, porém ainda era um dia cinza como era típico das Stormlands. Mas para Stannis era como se ele ainda tivesse a visão angustiante daquela manhã infeliz e de como o céu iluminado pelos relâmpagos e o som dos trovões tinham sido a sinfonia para a cena mais devastadora de sua vida.

A tempestade chegara de repente, como muitas em Stormlands. A Baía dos Naufrágios fez honra seu nome. A galé de dois mastros de seu pai, Orgulho do Vento, quebrou-se no horizonte cerca de duas milhas do porto e a uma distancia o suficiente para que fosse vista do castelo.

Da varanda de sua torre, Stannis tinha observado o navio de seu pai ser esmagado de encontro aos rochedos e engolido pelas águas. Fora a última vez que rezara aos Sete e sua fé foi destruída quando seu pedido não foi acatado. Perderam mais de cem homens, remadores e marinheiros afundaram nas águas furiosas ao lado de Lorde Steífon Baratheon, a senhora sua esposa e seu herdeiro.

E ao longo de vários dias cada maré deixava uma nova colheita de cadáveres inchados na costa de Ponta Tempestade. Quando os corpos de seus pais e irmão não vieram foi que Stannis enviou homens para buscarem por eles nos destroços antes que o navio afundasse até encontrar seu repouso no fundo da baia. Eles os encontraram e com uma postura séria de um homem que tivera de amadurecer naqueles últimos dias foi que as cerimonias funerárias foram realizadas.

O período de luto tinha sido chegado e ido e Stannis não tivera tempo de chorar em momento algum pela perda que sofrera. Ele estava tão estarrecido pelo trauma da tragédia que presenciara e depois as funções de lorde o ocupavam que não tivera chance em aproveitar seu sofrimento e coloca-lo para fora. Ele podia ver nos olhos de seu tio-avô Harbert e nos de Meistre Cressen principalmente o quanto pareciam preocupados com suas atitudes.

Mas Stannis não iria fraquejar, ele seria forte frente ao seu novo posto como Lorde de Ponta Tempestade. Ele não seria o primeiro a assumir tal posição na idade de quatorze anos, Lorde Steffon tinha assumido seus deveres como senhor após a queda de Lorde Ormund cair na Guerra do Rei das Nove Moedas.

Então eram preocupações tolas com ele quando a verdade era que ele se sairia muito bem. Era fato de que Stannis estava confiante, não estava em condições para parecer fraco ou seria devorado por todos os lordes que esperavam que ele falhasse.

Ele acompanhava Meistre Cressen que lhe auxiliava em suas funções como Lorde de Ponta Tempestade. Foi quando um assunto foi tocado pelo ancião algo que até então Stannis não havia pensado a respeito.

— Milorde, recebemos uma carta vinda de Winterfell – disse Meistre Cressen – Lorde Rickard Stark presta suas condolências frente a vossa perda, porém pergunta sobre como o tratado firmado entre o senhor seu pai e ele referente a aliança de casamento entre as duas Casas. Se tal virá a ser mantido ou... – Naquele momento Stannis parara sua caminhada pelo corredor para encarar o velho Meistre.

— O corpo de Robert mal esfriou embaixo da terra e este homem tem a audácia em oferece-me a noiva que era para ser de meu irmão? – disse Stannis com aspereza – Inaceitável no descabimento desse Lorde Stark. Não sei se me agrada a ideia de casar-me com uma garota que nem ao menos conheço.

— Se o senhor permitir-me – disse Meistre Cressen – Eu poderia dar minha opinião frente a tal fato e o senhor pode ter a graça em avaliar minhas palavras como bem entender. Sei que sua decisão será sabia.

— Diga – falou Stannis dando permissão para o velho expor seus pensamentos. Meistre Cressen servia a Ponta Tempestade por muito tempo, fora ele que trouxera Lorde Steffon a este mundo e cada um de seus filhos. Era um homem a quem Stannis estava disposto a ouvir seus conselhos.

— Alianças entre grandes casas é algo bastante valioso, milorde. – falou Meistre Cressen — O senhor não pode deixar-se em descartar tal oferta assim, uma aliança entre Stormlands e Norte é algo bastante interessante a ser pensado e avaliado. E se permite que seja sincero, milorde... – ele fez uma pausa — É necessário que pense em desposar uma donzela como esposa.

— Compreendo, mas tem de acreditar que eu possa ser mal visto ainda mais por tomar por esposa Lyanna Stark – falou Stannis com um tom de voz pensativo – Não que eu me importe, na verdade.

— Eu entendo, milorde. – respondeu Meistre Cressen – Mas pense bem sobre o quanto essa união seria proveitosa. Senão como um desejo pessoal veja como um dever a ser cumprido. Uma Lady iria auxilia-lo na administração do castelo e novos aliados que viriam com tal aliança sendo feita.

— Cogitarei a proposta – disse Stannis pondo um fim aquela conversa – Escreva ao Lorde Rickard Stark lhe agradecendo por suas condolências e dizendo que a aliança entre nossas casas ainda será cogitada. – O Meistre Cressen assentiu – E diga que iremos visita-lo sem muito tardar em Winterfell...

— Milorde deseja visitar o Norte? – questionou Meistre Cressen.

— Não, mas se estamos caminhando para nos tornarmos aliados e honrar a palavra de meu pai é meu dever conhece-los – disse Stannis – E eu não vou casar-me com alguém que não conheço ou formar laços com pessoas que não sei se são dignas ou não.

— É uma boa decisão, milorde. – falou Meistre Cressen – Providenciarei a carta e despacharei então um corvo para Winterfell. Podemos iniciar os preparativos para a viagem a partir de amanhã.

— Sim, como achar melhor – disse Stannis – Eu irei retirar-me e encontrar meu irmão Renly. – então fez uma rígida reverência ao velho — Com sua licença, Meistre Cressen. – E seguiu pelas escadarias.

Não demorou muito para Stannis chegasse ao quarto de seu irmão bebê que naquele momento era amamentado por sua ama de leite. O jovem lorde aproximou-se e observou Renly enquanto o via sugando o seio daquela mulher tão avido e faminto.

Ainda era estranho encarar outra mulher fazendo o que antes era feito pela mãe dele, diferente de muitas nobres que preferiam o uso de amas de leite não era esse o caso de Cassana Baratheon. A falecida Lady de Ponta Tempestade era a única a amamentar e cuidar de seus filhos, nas palavras dela isso fortalecia o laço das crianças com as mães. Um laço que Renly não iria ter.

Aquela moça tinha sido apenas aceita como uma ama de leite para o tempo em que Lady Baratheon passaria em viagem com o marido. Frente a tragédia que se sucedeu acabou que a moça foi mantida.

Stannis ficou o observando em silêncio até que a amamentação terminasse e a mulher depois de coloca-lo para arrotar foi que começou a nina-lo, foi então que Stannis interveio. Ele aproximou-se dela e esticou as mãos e soou na sua voz seria demais para um garoto de quatorze anos.

— Eu posso fazer isso – disse Stannis – Vamos, dê-me o meu irmão.

— Como desejar, meu lorde – disse a moça enquanto entregava o bebê cuidadosamente nos braços do garoto – Renly é um bebê tão tranquilo. O senhor não precisava se incomodar, eu estou aqui para cuidar do seu pequeno irmão.

— Eu entendo, mas eu gostaria de ter um pequeno tempo com ele se não se importa – disse Stannis e com uma reverencia foi que a criada retirou-se deixando os dois irmãos sozinhos.

Ele então começou a ninar o bebê como sua mãe tinha lhe ensinado. Ele tinha feito isso algumas vezes, Lady Baratheon mesmo elogiara o filho do meio pelo cuidado e carinho que ele tinha com o pequeno Renly. Ainda doía um pouco pensar nela, mas era inevitável quando estava com o pequeno em seus braços, seu irmãozinho lhe era um lembrete da última conversa que tivera com a mãe e de como prometera cuidar dele.

— Você sabe, Renly? – disse Stannis – Aquela mulher não é nossa mãe, não sei se você sentiu a diferença é bem provável que sim. Você ainda não compreende isso que estou te dizendo só que mesmo assim preciso te dizer.

A voz dele era praticamente um sussurro de tão baixa porém em um tom morno, as palavras simplesmente vinham. A verdade é que Stannis precisava conversar e abrir seu coração para alguém que não compreende suas palavras era algo que parecia bom. Renly não iria critica-lo, ele não compreendia o que naquele momento o jovem lorde lhe dizia. E Stannis queria estar com o irmão e senti-lo junto dele, era algo que lhe fazia bem. Diferente do que as pessoas poderiam esperar dele, o novo senhor de Ponta Tempestade tinha um bom coração para o que se dizia crianças.

Ao menos com bebês, nunca esteve em contato com outras crianças mais velhas e ele não era muito popular com os garotos da sua idade mesmo com os filhos dos vassalos de seu pai, por mais que eles se esforçassem para se tornar amigos de Stannis. Eu não preciso da amizade deles, eram suas respostas para seus pais.

Ele não era uma pessoa fácil, era um fato e agir como um pequeno adulto no lugar de um jovem da sua idade era prova de que não se importava. Porém, Renly era diferente. Ele era seu irmão e o amava. O pequeno Renly Baratheon, o agora herdeiro de Ponta Tempestade.

Era crueldade dos deuses, deixa-los órfãos e coloca-los numa posição tão delicada. Caso alguém acontecesse com ele seria aquele bebê em seus braços que representaria a casa deles, até ele ter idade para tomar as decisões de um lorde quem provavelmente tomaria as decisões seria o tio-avô deles Sor Harbert Baratheon, isso é se ele não fosse antes.

Stannis pensara o quanto ele naqueles últimos tempos estivera a refletir sobre morte. A dos pais, a dele e das pessoas ao seu redor. O que seria de sua casa? Seu irmão se algo acontecesse com ele. Não, Renly precisava dele com a cabeça no lugar. Os pais podiam ter ido, mas Stannis ainda estava ali e assim permaneceria.

— Mamãe se foi para não mais voltar... – continuou Stannis — Papai e Robert foram com ela. – ele continuou a ninar o bebê enquanto sentia os dedinhos dele pegarem em seu indicador com força — E nós estamos aqui. Estamos sozinhos, eu e você. É tudo que me resta, Renly.

— Meistre Cressen contou-me sobre a noiva de Robert – continuou Stannis – Os Starks questionaram-me sobre aliança de casamento, se eu irei honra-la no lugar de nosso irmão ou se será desfeita. A verdade é que eu não sei, uma parte de mim deseja aceita-la, porém outra diz que as pessoas dirão que eu estou vivendo a vida que era para ser dele.

— Eu sei que é egoísmo pensar assim, porém eu não posso deixar de pensar – continuou Stannis – Mas antes de tudo eu preciso pensar melhor nisso, a verdade é que seria um bom jogo para nossa casa uma aliança com o Lorde de Winterfell. – ele olhou para Renly vendo-o que estava quase adormecendo então resolvendo sentar-se em uma cadeira ao lado do berço — Sua filha, Lady Lyanna, segundo as palavras de Robert é uma garota perfeita. Seja o que for que nosso irmão pensava que é perfeição...

— A verdade é que, eu penso que deva me casar – disse Stannis – Não para ter herdeiros, não penso em ser pai agora já tenho você para ocupar-me. Porém, seria uma ajuda ter uma senhora ao meu lado para ajudar-me a governar sem falar que... – ele interrompeu-se.

Sem falar que ela poderia ser a figura feminina para você, pensou Stannis. Feminina sim, porque nada poderia substituir a mãe deles por mais que ainda fosse um bebê nenhuma outra mulher iria fazer esse papel.

Stannis faria o melhor para ser uma figura masculina forte para Renly, sabia que nunca seria um pai mesmo que agisse feito um. Ele era seu irmão e ele iria cria-lo, porém não tinha de fazê-lo sozinho. Isso era apenas uma opção.

Renly não chamaria Lyanna ou quem quer que fosse de mãe nem a Stannis de pai, o irmão garantiria que o garoto soubesse quem foram Cassana e Steffon Baratheon. Ele tentaria manter viva a memória do casal que se fora. Sabia que isso poderia não ser o suficiente, mas ele tinha de tentar.

— Mas eu irei conhecê-la primeiro – disse Stannis – Veremos se Lady Lyanna é tudo o que ouvimos sair da boca de Robert. Se aquela garota é digna de ser chamada de Lady Baratheon de Ponta Tempestade.

Notas finais
Curiosidade desse capitulo: ~ O Rei que se casou com uma deusa foi Durran Desgosto-Divino e sua esposa era chamada Elenei. Ele foi o primeiro Rei da Tempestade e é da Era dos Heróis, porém a historia dele será contada futuramente por algum personagem porque é algo bem legal. Pensamentos de vocês nesse momento: Nem parece que anos depois Stannis enviaria uma sombra demoníaca para apunhalar o Renly. Enfim, eu tenho planos para fazê-los próximos agora, sem o Robert por perto será mais fácil. No próximo capitulo teremos o primeiro encontro entre Lyanna e Stannis. Deixem comentários aqui embaixo. Até mais.