Notas iniciais
Obrigado pela primeira leitora estar acompanhando e já ter comentado! Aqui vai outro capitulo!!!

2009 – 8 de dezembro

Damon

Lembro-me como se fosse ontem, Amber fazendo mil e uma pergunta sobre como era ser vampiro, se sangue era gostoso, se tínhamos veneno e como se transformava um humano. Eu, Lexi e Stefan havia esperando ela fazer 12 anos para contar, sua reação não foi de medo, mas de curiosidade. Os anos foram terríveis, ela começou a entrar na fase em que qualquer um a pedia em namoro, ou coisas que eu sei muito bem como são. Lexi a ajudou na parte em que Stefan e eu éramos incapazes de conversar. Tudo nela havia mudado, o rosto, as roupas, o andar, ela havia adquirido toda a minha sagacidade, sarcasmo e ironia, ela debochava puramente daqueles que não gostava. Com os seus 19 anos, havia se tornado uma linda mulher, talvez a mulher que eu um dia havia pedido para Deus...

Stefan havia ido e voltado de Mystic Fall’s e quando voltou, voltou e se instalou em uma escola do colegial, onde conheceu Elena o que fez Amber ter uma histeria de ciúmes e praticamente não dar a mínima para a garota.

— Alguém nessa casa? — gritei.

— Mas que porra é essa, Damon? — a voz dela invadiu meus ouvidos, não havia mais a palavra Tio, não depois que ela percebeu que eu seria jovem pra sempre e ela iria ficar velha demais para que isso continuasse.

— Fala direito comigo!

— Que se dane! O que você quer? — estava bebendo um copo de água, vestia um short jeans, uma regata vermelha e um rabo de cavalo.

— Você anda muito mal educada, sabia? — falei olhando firme para ela que deu de ombros — Você viu o Stefan?

— Ele deve estar com aquela sem sal da Elena, trágico. — comentou ela que continuou me encarando.

— Sente ciúmes? — tentei jogar verde com ela.

— É claro que não, Amber Salvatore não sente ciúmes, alias, eu não sinto nada. — deu um sorriso cínico.

Pude sentir que ela havia se tornado uma pessoa meio receosa depois de ter tido uma frustração com um namorado no qual eu e Stefan odiávamos, ele a traiu com a ex e que por obra do destino, era inimiga do colégio dela. Depois disso a garota se fechou para Deus e o mundo e só pensa em fazer qualquer homem sofrer. Se fosse antes, eu diria um belo parabéns, mas não consigo parabenizar-la por querer isso.

— Isso é visível, não? — dei a volta no móvel e fiquei de frente para ela — Acho que eu criei uma monstrinha...

— Jura? Papai monstro não anda muito atrás. — se referiu ao fato de mim ter andado fora da linha e ter mordido algumas pessoas ao longo do caminho, eu fui embora de Mystic Fall’s quando ela tinha feito 14 anos, voltei apenas quando a mesma completou 18, nossa relação ficou balançada demais e ela se afastou e acabou que se apegando muito mais ao Stefan. Isso tudo me decepcionou um pouco, a minha menininha tinha crescido, não era mais aquela que ia atrás de mim para todo o canto.

— Nunca vai me perdoar por ter ido embora, não é? — foi o que saiu, era aquilo que estava me atormentando, e o que havia nos afastado tanto.

— E você chegou a ir embora? Não me lembro... — olhou para as unhas se fingindo de esquecida.

— Para de ser infantil, eu sei que lembra.

— Não me julgue por mim ainda ser uma mulher jovem, e no entanto você ter mais de 100 anos, não é por isso que pode dizer se sou ou não Infantil.

— Você tem que me perdoar, por Deus!

— E porque te perdoaria? Você jurou que estaria comigo, jurou assim que me contou sobre você, Stefan e Lexi serem vampiros, para toda eternidade, lembra? — sua voz estava embargada. — Mas não... fugiu assim que se sentiu pressionado a cuidar de uma pré-adolescente, me deixou com Stefan e agora quer perdão? As coisas não funciona ao seu modo, Damon.

— Eu ainda te amo, você ainda é a minha menina! — falei quase que para mim mesmo e ela abaixou a cabeça.

— A sua menina cresceu... e eu não sou sua, me entendeu? — saiu dali assim que disse aquilo, deu meia volta e partiu para o outro cômodo da casa.

Amber

Ser achada, criada por três vampiros, considerando-os como a minha família, é... essa foi a minha vida desde então. Mas com Damon era diferente, era uma relação profunda, onde ele ia eu estava atrás, não desgrudávamos um do outro por nenhum segundo, até ele decidi ir embora e me deixar somente com Stefan e Lexi, me lembro como se fosse hoje...

Eu acabava de acordar e ouvia uns gritos vindo da sala, desci correndo para ver o que tinha acontecido, ainda de pijama, por pouco não cai tropeçando em meus próprios pés. Fiquei atrás da parede apenas ouvindo, Stefan e Damon discutindo.

— Eu preciso ir, ela tem que viver um pouco sem a minha presença... ela não precisa de mim. — ouvi Damon dizer e nesse momento meu coração congelou, tudo se escureceu e comecei a chorar baixinho.

— Você ficou louco? Você criou ela desde pequena, deu amor e carinho e agora pretende ir embora? Agora você cometerá esse erro? Onde está com a cabeça Damon?

— Sou detestável, Stefan. O que ela vai pensar ao me ver devorando pessoas? Preciso me manter longe, preciso ir, é a única saída... — falava com a aparência atordoada.

— Não é a única saída, ela sabe da sua necessidade e te ama assim mesmo, não machuque ela, por favor!

— Eu lamento, mas essa decisão já está tomada.”

E depois disso, fiquei 1 mês sem querer sair, mas Stefan me trouxe a vida novamente, e parece que algo nasci dentro de mim ao vê-lo tão perto e tentando ocupar o lugar que Damon havia deixado. Quando eu tinha 17 anos, algo meio que aconteceu entre nós...

Estava na cozinha, sentada na mesa fazendo meu dever de casa de biologia. Stefan chega e sorri se escorando no batente da porta, a dor que Damon me fez passar estava sendo curada pela presença dele.

— Estudando, é? — perguntou se aproximando e se sentando ao meu lado.

— É, estou. Alias, sempre fui uma ótima aluna, não? — ele assentiu e eu sorri — Onde está Lexi?

— Foi da um passeio, você sabe, caçar esquilos ou qualquer outro animal. — falou normalmente, já tinha me acostumado com todo aquele mundo novo.

— Okay, né. — fiz uma careta e ri voltando a escrever.

— Quero dizer que, bem, ainda parece que sente falta do Damon!

Respirei fundo e larguei a caneta o encarando.

— Não... não há mais nada do Damon comigo, ele me deixou e eu o deixei, assim são as coisas e bem, nada acontece por acaso, a eternidade não existe como ele um dia disse... — tentei sorrir — Você me ajudou, você se tornou tudo e mais um pouco do que ele foi um dia para mim, não sei o que faria se não tivesse você ao meu lado durante esses 3 anos, obrigada. — passei a mão em seu rosto e ele segurou-a e a beijou.

— Não vou te deixar sozinha, pelo menos até você saber lidar com isso.

— Acho que não sei lidar muito bem, não é? — rimos em sincronia e ele assentiu, estava estranho aquele momento, aquele clima todo, tirei meus olhos do dele e arrumei meu caderno me levantando, ele fez o mesmo que eu e ainda me olhava. — É...

Ele se aproximou de mim depois de alguns segundos me encarando, beijou minha testa e baixou os olhos até os meus, estávamos perto demais, então ele, com toda sua calma me beijou na boca, nunca pensei que iria receber um beijo dele, da pessoa que me criou, mas não consegui me segurar e correspondi.”

Depois disso, a gente se falava meio por cima e eu começava a me sentir sozinha, ele havia sido o único que tinha me tirado do buraco. No ano seguinte Damon voltou e foi a vez dele partir, já estava me acostumando em ficar sozinha naquele lugar, ainda mais depois de perder meu namorado para a minha inimiga no colégio, tudo estava acontecendo rápido demais, a volta de Damon, a ida de Stefan, foi então que parei de acreditar nas pessoas, de voltar a me apaixonar, naquela época foi mais difícil me separar dele, eu já era mais velha e tive que encarar aquilo sozinha, já que quem havia voltado não tinha mais tanta intimidade para me ajudar, só permaneci nessa casa por causa que Lexi estava comigo. Stefan voltou no final do ano passado, bem no final mesmo, e esse ano conheceu Elena, o que me deu uma raiva tremenda, já que ele e ela estão namorando firmemente e nem se quer me nota como antes, até Damon ficou fissurado nela, agora me sinto abandonada mais do que nunca. Jurei que jamais voltaria a chorar por alguém ou por qualquer coisa, mas não era fácil, nesse exato momento adoraria desligar a minha humanidade e esquecer de tudo. Ser abandonada está no meu sangue desde nova, é esse o meu destino. Fechei os olhos e me deitei sobre a mesa de mármore do jardim, escondi meu rosto entre meus braços...

— Amber? — Lexi apareceu ali — Hey, o que houve?

— Nada! — suspirei e a encarei.

— Você está chorando? Oh Deus, porque? Nunca te vi assim.

— Não é nada. — solucei limpei meu rosto.

— Como nada, Amber? Anda logo e me diz, ou serei obrigada a te hipnotizar!

Respirei fundo e revirei os olhos.

— Okay, mas só te conto se me prometer não contar sobre esse meu ataque de choro para ninguém, muito menos para Stefan ou Damon, combinado?

— Combinado. Agora fale pra mim, o que foi que aconteceu para você, alguém tão forte, estar desmoronando agora?

— É que me sinto abandonada por todos, pelo Stefan e Damon principalmente. Você é a única que sobrou daquela família que eu costumava achar que era real aos 8 anos, eles foram e voltaram como se nada tivesse acontecido, mas sou humana e infelizmente me lembro de tudo... não sou o monstro que todos pensam, é que tenho medo de sofrer de novo. — comecei a chorar novamente e ela me abraçou.

— Então é por isso? Eu sinto muito, mas eles não te abandonaram, hipoteticamente, só tiveram que ir embora por motivos reais...

— Stefan nem se quer me olha direito, só vive pela Elena. Damon só se aproxima para me perguntar se o perdoei, e eu sempre digo que não! Está doendo, as duas pessoas que me criaram não me amam mais, não como antes.

— Você se engana, Amber. — ela passou a mão em meu braço — Eles te amam e realmente, não como amavam antes... — a encarei sem entender — O tempo vai te mostrar o real fato por trás disso tudo, conheço Stefan como a palma de minha mão, e Damon infelizmente — fez uma careta —, e sei do que estou falando!

— Sinto falta deles, dos abraços, das risadas que dávamos, tudo parecia estar tão perfeito até os meus 13 anos, eles me amavam de verdade, não sei se isso que você disse é real, não consigo acreditar.

— Eu sei e compreendo, não é fácil acreditar quando pensamos que tudo está indo contra a nossa vontade, mas é verdade, sua tia nunca mentiu para você!

Assenti e a abracei de novo.

Stefan

Já não sabia como lidar com todas essas idas e vindas. Conhecer Elena foi realmente bom, ela me deu paz, me tirou dos problemas completamente, estou sendo extremamente feliz ao lado dela, mas sinto que há algo de errado. Quando voltei para cá, nunca imaginei que iria encontrar Amber da forma que ela está, fria, dura e parece que esqueceu-se de tudo, a gente se fala muito pouco, ela não se aproxima e nem eu tento algo, no máximo são apenas bom dia e boa noite. A gente se distanciou dela, porém mesmo ela se fazendo de fria, eu sentia que nada estava bem em seu interior, no fundo daqueles olhos havia dor, saudade, medo e por fora, toda aquela mascara era fachada, uma total mentira. Adentrei na mansão e vi ela passar pela sala limpando o rosto e de cabeça baixa, provavelmente não tinha me visto chegar.

— Será que podemos conversar? — foi só o que eu consegui dizer ao vê-la subindo as escadas, a mesma parou e se virou lentamente com a cara fechado e desceu os degraus, me aproximei um pouco — Acho que te devo explicações...

— Explicações? Do que exatamente? — perguntou cruzando os braços e com um pouco de indiferença.

— Da minha partida... da minha volta e do meu namoro com Elena, acho que te devo isso.

— Na verdade você não me deve nada, eu estou bem desse jeito, me acostumar sem a presença de Damon com a sua, foi como tampar uma ferida com um imenso curativo, curativo esse que não deixasse se quer cicatriz depois, mas ai, você decidiu me deixar, precisamente me abandonar como Damon fez, mas ninguém conseguiu tampar a ferida que você me deixou, seu irmão e eu já estávamos afastados e então resolvi me alto curar sozinha, e fim, não tem o porque de você querer se explicar! — falou tudo de uma maneira que parecia que estava guardando o momento exato pra dizer.

— Eu sei que errei, te deixar como Damon havia feito — dei mais um passo pra frente e a encarei depois de erguer o rosto — Mas não consegui pensar direito depois que...

— Depois daquele beijo que você me deu? — fez uma cara de indignação. — Qualquer coisa... qualquer coisa bastaria, um pedido de desculpa, sei lá, mas ir embora? Como que Stefan Salvatore deixou um beijo quebrar um carinho que tínhamos um pelo o outro? E outra, eu tinha 17 anos quando você me beijou, mas só foi embora um ano depois e essa continuou sendo a sua desculpa! Sabe quantas noites eu fui dormir chorando, querendo somente um abraço seu?

— Não fiz daquele beijo a única desculpa, não sou tão baixo a esse ponto, Amber. — me expliquei.

— Então foi o que? Repulsa? Raiva? Fala! Agora temos todo o tempo de mundo... — pude perceber que ela estava se alterando.

— Foi, foi amor! — falei de uma vez, e nisso Damon aparece ali e fica nos olhando.

Amber começa a se suavizar e meu irmão nos entreolha sem entender muito do que estava acontecendo por ali.