Our Song
8 Resolvendo e Complicando
Notas iniciais
Se fosse para eu descrever minha vida em uma palavra, seria: Complicada. Aonde eu estava com a cabeça de que conseguiria escrever uma música ? Uma mú- si- ca! Eu provavelmente devo ter esquecido de tomar meus remédios diários ontem. É, provavelmente. Se considerarmos meus acontecimentos com o Cebola, eu vou ter certeza disso. Tomei um café quente lembrando da noite passada. Será que os lábios dele são quentes como esse café ? O que droga eu to pensando ?!
Coloquei um blusão escrito: " I love Las Vegas baby " e um short jeans curto. Me sentei no sofá da sala, peguei um caderno, um lápis e meu violão. Tudo bem, o violão foi inútil já que eu só tive umas três aulas.
Passei 30 minutos pensando em alguma palavra que rimasse com a outra. Nada. Mordi o lápis frustrada e olhei para o meu celular. Será que eu ligava para o Cê me ajudar ? Ele tem bem mais experiência do que eu... Mas e se eu tiver aqueles pensamentos de novo ? Eu não posso. Eu amo o Do Contra. Eu sei disso. Não posso jogar tudo fora... Não posso. Mas vou arriscar um pouco. Peguei meu celular e disquei o número rapidamente antes de me arrepender.
_ Alô?... -- ele murmurou--
_ Oi Cê. Você pode me ajudar a escrever uma música ?
Primeiramente, ele falou mil palavrões, todos em línguas diferentes, pelo fato de eu ter acordado ele " tão" cedo. E depois ele veio com uma de: " Uma música ? Você fumou fudido depois que eu te deixei aí né ?" . Eu sinceramente, devo ter jogado pedra na cruz pra ouvir isso em plena manhã de um Sábado.
_ Para de choramingar! Vem logo! -- eu disse irritada--
_ Não.
_ Vem.
_ Não.
_ Vem.
_ Não.
_ Vem.
Depois de um milhão de " Vem " e " Não "...
_ Por favor! Eu faço qualquer coisa! -- eu disse quase chorando--
A linha ficou silenciosa e eu pude sentir um sorriso maligno se formando em seus lábios. Que merda.
_ Qualquer coisa ?
Fiquei calada me mexendo nervosamente e revirei os olhos com raiva.
_ É. -- murmurei baixo--
_ Estou correndo pra aí então!
A ligação terminou é a minha raiva chegou. Como eu posso ser tão burra ? Sério ? Qualquer coisa ? Eu sou uma idiota. Eu estava destraidamente vendo alguns filmes antigos, quando a campainha tocou.
_ Oi Mô...
_Magá ? -- eu disse surpresa--
_ Me desculpa!
Ela me abraçou e começou a chorar. Fiquei parada por um tempo sem saber o que dizer e depois a abracei forte também. Nos sentamos em silêncio no sofá da sala, eu peguei um copo d' água para ela e esperei que ela se recuperasse do seu ataque de choro repentino.
_ Não se preocupa com isso... -- eu disse passando a mão de leve no seu braço--
_Não. Eu sou a pior amiga que alguém pode ter. Porque você não deixou de ser minha amiga ? Meu Deus! -- ela disse tomando um gole de água --
_Não vou fazer isso porque te amo. -- afirmei--
_ É, tem que me amar muito mesmo pra me aguentar. -- ela disse séria e eu soltei um riso sem graça --
_Eu não queria ter passado da conta aquela noite. Sério. Mas muitas pessoas ficaram me induzindo a fazer o que elas faziam. Desculpa mesmo.
Fiquei com pena, pois sabia como era difícil ter a vida dela, mesmo parecendo ser perfeita.
_ Vamos combinar assim... Das próximas vezes eu vou ficar do seu lado sempre. Até você parar com isso.
_ Combinado. -- ela disse me abraçando--
De repente minha cabeça me alertou que o Cebola já devia estar chegando aqui.
_ Magá linda do meu coração... -- eu comecei mas ela me interrompeu --
_ Tem alguém vindo aqui né ? E não é seu namorado. Eu te conheço moça.
Ri com o seu jeito de falar e nos despedimos. Esperei nervosamente o Cebola chegar, até que ele deu o ar das graças.
_ Finalmente!! -- eu disse assim que abri a porta-- Por que demorou tanto ?
_ Você acha que esse cabelo leva quanto tempo pra ficar tão lindo assim ? -- ele disse fazendo uma pose gay, só de graça--
Ficamos algum tempo no sofá esperando sair alguma criatividade. Ele ficou tocando algumas notas no violão, olhando para algum ponto fixo e depois se virou para mim.
_ Quer escrever uma música sobre o que ?
Fingi que pensei sobre o assunto, para não parecer que eu já tinha tudo planejado mas não sabia por onde começar.
_ Amor. -- respondi--
_ Tá. Então vai querer escrever uma pro seu namorado ?
_ Não. É aleatória. -- eu disse envergonhada--
_ Tá. -- ele soltou um riso abafado--
Ficamos trabalhando na música durante duas horas, até que fizemos uma pausa. Estávamos com fome.
_ Vou preparar alguma coisa. -- eu disse me levantando--
_ Não. Não precisa. Tem chocolate em pó aqui ? -- ele perguntou--
_ Bem... Não.
_ Eu sabia que não iria ter, por isso eu trouxe. -- ele disse levantando uma sacola que eu só havia reparado agora--
Ele foi para o meu fogão e começou a preparar alguma coisa que eu não sabia o que era. Sentei na bancada que dividia a cozinha da sala. Senti o cheiro de chocolate.
_ Porque toda vez que eu te vejo você me faz comer essas coisas ? -- perguntei sorrindo--
_ Porque você não sabe apreciar as coisas boas da vida. -- ele disse colocando o chocolate quente nos copos--
Peguei meu copo e nos sentamos no sofá novamente. Fiquei tomando o chocolate sentindo aquele gosto doce que não sentia faz tempo. Quando olhei para o Cê, seus lábios ficaram vermelhos por causa do chocolate quente. Fiquei olhando para ele — não que eu estivesse afim de beijá-lo — e para seus lábios. Ele me olhou de relance e eu desviei o olhar.
_ Nós somos amigos ? -- perguntei impulsivamente--
Ele ficou calado me olhando sem expressão e depois me respondeu.
_ Podemos ser até algo mais se quiser. -- ele disse levantando uma sobrancelha de modo brincalhão --
Peguei uma almofada e joguei na cara dele. O que não foi uma boa ideia, já que o copo virou todo em cima dele e ele gritou porque estava quente. É, acho que não devia ter jogado a almofada. Só acho.
_ Desculpa! -- eu disse me levantando --
O guiei até a cozinha e disse para ele tirar a camisa para molhar o peito. Não foi uma boa ideia. Eu ficava boba com ele de roupa ? Me imagina sem. Olhei para baixo, pousando o olhar em seus tênis.
_ E o que eu faço com a camisa agora ? -- ele me perguntou--
Levantei a cabeça de vagar parando o olhar por cinco segundos no seus músculos definidos. Só depois tive coragem de olhar em seus olhos.
_ É- é... Pode deixar aqui na máquina lavando, depois eu... Ponho na máquina que seca aqui. -- eu disse com todas as palavras soando em som de retardamento--
Entrelacei meus dedos nervosa e evitei olhar para ele. Ele percebeu e acho que só para eu ficar sem graça ele pôs os dedos no meu queixo e levantou minha cabeça levemente. Meu olhar foi de encontro ao seu.
_ Gosto quando olha para mim. -- ele disse sorrindo--
Corei e voltei para o sofá. Ele veio atrás de mim e se sentou ao meu lado. Essa tortura não acaba nunca ?
_ Acha que ficou boa a música ? -- perguntei insegura --
_ É claro.
_Tenho certeza que o James vai adorar. -- ele disse com o violão no colo--
_ Tomara. Afinal, ele que me pediu, a opinião dele é importante.
Ficamos calados nos entreolhando, enquanto ele tocava uma música qualquer com o violão.
_ Somos.
_ O que ? -- perguntei confusa--
_ Amigos. -- esclareceu --
Sorri olhando para baixo e tentei não ficar tão feliz por sermos amigos. Ele se aproximou de mim e eu paralisei com a sua proximidade e pelo fato de ele estar sem camisa.
_ Quer que eu te ensine a tocar ? -- ele perguntou--
_ Claro.
Ele colocou o violão em mim e me abraçou por trás me ensinando como o segurar. Tentei afastar os pensamentos que estavam me invadindo enquanto aqueles braços me envolviam e seu calor me dominava. Ele foi me mostrando algumas notas até eu aprender todas elas.
_ Isso foi ótimo! -- ele disse sorrindo --
_ Obrigada! -- eu disse devolvendo um sorriso --
Estávamos nos encarando com intensidade e mal percebi que o tempo passava. Ele havia parado. Senti um frio na barriga e um pouco de falta de ar. Eu tentava não olhar em seus olhos, mas eu sou completamente apaixonada por olhos mel. Antes de nos afastarmos ou nos darmos conta da realidade, a porta se abriu.
_ O que é isso ?!
_ Mãe ?! -- eu perguntei assustada--
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