Our Song
21 Our Song
Notas iniciais
Acordei sorrindo bobamente e soltei um falso suspiro. Sentei na ponta da cama e coloquei meus chinelos rosas que o Cê já havia usado apenas para fazer graça. Me lembro de como ficaram pequenos nele e reparei que sobravam em mim. Sorri mais uma vez e fiz um pequeno impulso para levantar.
Avistei minha mãe cozinhando ovos mexidos na cozinha e peguei a chave do meu carro na mesa da sala.
_ Bom dia...Não vai tomar café ?! -- ela perguntou --
_ Não posso! Marquei de encontrar o Cê agora mãe! -- eu disse indo até ela e dando um beijo em sua bochecha --
_ Não demore, volte cedo! Bom passeio! -- ela gritou --
_ Um dia volto! -- gritei de volta --
Entrei dentro do meu carro e liguei o rádio. Cantarolei algumas partes da música " Because of you " do Ne-yo quando meu celular tocou.
_ Oi Magá!
_ Oi amiga! E aí ? O que vai fazer essa tarde ?
_ Vou sair com o Cê um pouco e depois acho que vou pra casa.
_ Mas vai na festa né ?
_ Claro que vou! Não se preocupe.
_ Espero mesmo! Passa aqui em casa depois para a gente falar sobre as fantasias.
_ Ok! Tchau!
_ Tchau gata!
A Magali sempre desesperava achando que eu não apareceria em alguma festa, o que eu nunca entendi, já que eu sempre vou.
Desci do automóvel um pouco nervosa. Não sei porque, mas os últimos dias dos anos me deixam nervosa. Normalmente, acho que tenho dificuldade para me desapegar a coisas antigas. E esse ano vai ser difícil deixar tudo para trás.
Cebola estava na fonte de frente ao nosso estúdio. Ele me viu e sorriu.
_ Oi Mô! Ele me beijou e eu retribui.
_ Oi...
Acho que ele percebeu a minha expressão preocupada e logo perguntou:
_ Está tudo bem ?
_ Sim, sim... É só que... -- suspirei -- Eu não sei se estou pronta para o fim.
_ O " fim " ? -- Cebola perguntou confuso --
_ O fim desse ano.
Cebola riu e depois passou uma mão de leve no meu rosto.
_ Não precisa se preocupar com isso. Pois de qualquer forma eu vou estar com você.
_ Eu sei disso... Mas o que a gente viveu está tudo nesse ano. Você está pronto para deixar para trás ?
Ele fez uma cara de pensativo e me envolveu em seus braços encostando na fonte de costas comigo.
_ Estou, porque sei que vamos viver mais coisas esse ano. E pode ser que esteja cada vez mais difícil de passar os anos para deixar o que vivemos, mas sempre vamos ter mais no futuro. O que eu tenho para me desesperar ?
Parei por um segundo para colocar suas palavras em minha mente. Ele estava certo. Eu não tenho o que achar ruim. Olhei em seus olhos e passei a mão esquerda em seu cabelo.
_ O que eu faria sem você ? -- perguntei sorrindo --
_ Nada. -- ele respondeu devolvendo o ato --
Nos beijamos mais uma vez. O seu beijo me fazia querer ficar ao seu lado para sempre. Por que ele era tão diferente dos outros ? Me separei dele e com muito custo olhei em seus olhos e disse:
_ Tenho que ir na Magá.
_ Mas já ?
_ Sim, ela está me esperando agora. Tchau. -- eu disse lhe dando um selinho --
_ Tchau linda.
Fui direto para a casa da Magali, imaginando que ela estaria um pouco nervosa pelo meu atraso. É, eu estava certa.
_ Trouxe sua fantasia ? -- ela me perguntou pegando a sua --
_ Ai, não... -- eu disse colocando a mão na testa --
_ Eu não acredito Mô! -- ela disse frustrada --
_ Espera! Eu tenho uma foto minha com ela no meu celular! -- eu disse pegando meu IPhone e rezando para não ter apagado a foto --
Procurei em todos os lugares no celular pela foto já me desesperando, enquanto a Magá estava sentada em sua cama me olhando entediada.
_ Achei!! -- gritei --
_ Deixa eu ver!
Magali chegou por trás e pegou o celular.
_ Vadia!! Você vai estar mais linda do que eu!
Ri do seu desespero e perguntei pela sua fantasia. Ela correu para colocá-la em cima da sua cama.
_ Aqui.
Abri a boca em um perfeito O. Sua fantasia era de chapeuzinho vermelho, mas não qualquer uma. O vestido era curto e bem rodado sem contar que era tomara que caia, havia um corpete lindo junto com a capa que era um vermelho sangue.
_ Você vai estar perfeita! -- eu disse -- O Cas vai querer te levar de brinde pra casa.
Observei suas bochechas ficarem rosadas e ela pegou sua fantasia e antes de se virar disse:
_ Não sei do que está falando.
Saí da casa da Magali com algumas coisas circulando minha cabeça. Voltei para casa na hora do almoço e vi que tinha um bilhete da minha mãe na mesa. " Tive que sair para resolver algumas coisas do trabalho. Prometo que volto para o Ano Novo. Beijos, te amo. Mãe "
O almoço estava na mesa da cozinha. Porém apenas peguei uma salada e comi devagar. Uma sensação estranha me invadiu no momento. Estava muito ansiosa para a noite. Por algum motivo eu sabia que tudo seria diferente agora. Só que isso me acalmava, mesmo sem saber o porquê.
Esperei a noite chegar e aguardei a hora de me arrumar. Tomei um banho quente e depois fiz minha maquiagem e arrumei o cabelo. Por último, pus um salto alto e depois a fantasia. Me olhei no espelho e pensei: " Será que o Cebola vai gostar ? ".
Sacudi a cabeça com esse pensamento infantil e dirigi até a festa. Nós dois tínhamos combinado de descobrirmos nossas fantasias apenas quando chegássemos. Desci do carro nervosa e com medo. Respirei fundo e fui direto para a porta de entrada. Encontrei o Estevan e fomos pegar alguma bebida.
_ Acha que estou bem ? -- perguntei insegura --
_ Querida, quando você está feia ? Pare com isso! Ele te ama e vai te achar linda de qualquer jeito.
Sorri falsamente e olhei para o lado. Vi o Cebola andando em minha direção vestido de médico. Tentei não me concentrar em seu corpo definido que a roupa mostrava.
_ Meu Deus, está querendo me deixar louco hoje né ? Tem noção da quantidade de caras que estão te olhando agora ? -- ele disse sorrindo de lado --
_ Ah é ? -- perguntei o provocando -- Hum... Mas só estou interessada em um. E ele está aqui, na minha frente.
_ Que bom. -- ele disse me dando um selinho -- Você ficou linda de Cleópatra.
Dançamos um pouco e nos divertimos bastante. A contagem da passagem de ano chegou e meu nervosismo aumentou. Senti meu estômago revirar e agarrei no braço do Cê, forte.
_ Fica calma. -- ele disse --
_ To bem. -- afirmei --
A contagem iniciou no 15. Cebola me segurou de frente nos braços e olhou profundamente nos meus olhos.
_ Está pronta ? -- ele perguntou --
_ Sim...
_ Eu prometo que vou estar ao seu lado em todos os momentos.
_ Eu também.
_ E prometo que nunca vou esquecer esse ano e que vamos viver mais loucuras. -- ele disse sorrindo --
_ Eu também.
Quando a contagem chegou no cinco, sorrimos juntos.
_ 5... -- eu disse --
_ 4... -- ele disse --
_ 3...
_ 2...
_ 1! -- dissemos juntos --
Nos beijamos e comemoramos juntos com todo mundo. Pela primeira vez em muito tempo, vi o Do Contra. Meu coração congelou com medo de alguma reação dele por me ver com o Cê, mas ele apenas acenou e sorriu de leve. Porém eu sabia que precisávamos conversar.
_ Oi DC... -- eu disse o cumprimentando --
_ Oi Mônica.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, até ele sorriu cabisbaixo e disse:
_ Você e ele formam um belo casal.
Senti meus olhos encherem de lágrimas com o seu comentário e o abracei. Ele ficou surpreso, porém retribuiu.
_ Obrigada. -- eu disse -- Por tudo.
_ Não precisa agradecer. -- ele disse me abraçando mais forte --
Enxuguei as lágrimas e sorri.
_ Vem. Quero que conheça alguém!
O puxei pela mão até Lídia e os apresentei. Pedi licença e os deixei conversando. Encontrei o Cê e ele colocou um braço por cima dos meus ombros e disse:
_ Você é uma ótima pessoa, sabia ?
Fomos para a sacada que ficava de frente a praia. Me encostei na grade da sacada e Cebola me abraçou por trás. O mar parecia infinito. Olhei aquele azul imenso e a areia estreita que o enfeitava. Olhei para as estrelas e vi como brilhavam. Observei de relance os olhos do Cê que brilhavam como elas, igual quando fomos para a praia.
_ Eu tenho uma coisa para você. -- ele sussurrou no meu ouvido --
Tentei me virar, mas ele me pôs de costas para ele de novo e disse:
_ Calma. É surpresa. -- ele riu --
Senti sua mão retirando meus cabelos das minhas costas e os colocando para frente. Algo frio entrou em contato com a minha pele. Olhei para meu pescoço e vi o símbolo do infinito.
_ Leia o que está escrito. -- ele disse como uma criança que estava querendo impressionar o pai e a mãe --
Na parte de cima do infinito estava escrito: " Mônica " e na que passava por baixo " Cebola " em pedras brilhantes. Não consegui evitar de deixar algumas lágrimas virem e sorri para ele.
_ É lindo... -- sussurrei --
Life's been blinding me
From what I thought I'd see
Is there clarity in this insanity? (yeah)
Whats she want from me? (yeah)
_ Que bom que gostou... Porque esse colar representa nosso amor... -- ele disse aproximando o seu rosto e segurando o meu com as mãos -- Infinito.
Cebola me beijou de uma forma intensa e eu pude sentir o meu sentimento por ele aumentar naquele momento. Como se algo tivesse explodido dentro de mim. Uma mistura de felicidade, emoção, tristeza, ansiedade... Infinitos sentimentos.
I need to know...
I need to know...
∞
Eu estava na minha casa e havia recebido uma mensagem do Cebola para irmos até o parque. Me arrumei colocando um short branco, uma regata amarela e uma rasteirinha amarela também. Caminhei até o parque de frente a minha casa e o avistei.
_ Já está aqui ? -- perguntei --
_ Não queria demorar. Afinal, nosso primeiro dia desse ano. E juntos. Precisamos aproveitar.
O beijei e deixei escapar um sorriso involuntário.
_ O que foi ? -- ele perguntou esfregando de leve seu nariz no meu --
_ Nada... É que me dá vontade de sorrir quando estamos juntos.
_ Eu te amo tanto. -- ele disse sério --
Call it magic
Call it true
I call it magic
When I'm with you
And I just got broken
Broken into two
Still I call it magic
When I'm next to you
_ Eu também te amo.
Ficamos em silêncio olhando o sol da manhã e o Sol leve, o céu azul claro e sentindo o vento frio, porém agradável, que estava.
_ Acho que agora sei qual é a minha música. -- Cebola disse de repente --
_ Sua música ? -- perguntei confusa --
And I don't, and I don't And I don't, and I don't
No, I don't, it's true
I don't know, I don't know I don't know, I don't Want anybody else but you
_ Sim. -- ele afirmou -- Nós dois. Nossa história.
_ Hum... Você gosta de me ver caidinha por você, não é ? -- brinquei --
Ele riu e me lançou seu olhar divertido. Sorri e disse:
_ Você sempre será minha música.
***
As coisas mudam... É. Quando mais achamos que temos o controle, estamos sem ele. O coração humano é algo engraçado. Ele nos permite ficar vivos, porém pode nos fazer morrer sentimentalmente em segundos. Eu estava apaixonada e tinha certeza disso. Mas as vezes, falta alguma coisa. Algo que nos completa, mesmo sendo um pequeno detalhe, pode fazer a diferença. E apenas uma pessoa pode faz essa diferença.
Mesmo que não queremos, temos que admitir nossos sentimentos. A vida não é só um mar de rosas, por isso virão alguns espinhos de vez em quando. E teremos que saber como tratar os machucados.
A questão é: A metade da nossa música pode se basear apenas em uma pessoa. Só que juntos, formamos ela inteira. E as vezes basta uma troca de olhares para já sentirem isso.
Ou no meu caso, uma pêra e uma maçã.
∞
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