Our Song
15 O Proibido
Notas iniciais
Olhei em seus olhos mel e eu sabia de uma coisa: não era o mesmo garoto que havia conhecido há um mês atrás. Seu olhar tinha um brilho especial agora, mas não era o mesmo de quando nos conhecemos. Era diferente.
E aqui estou eu, sentada no seu colo, com o rosto próximo ao seu. Se eu sei o que estou fazendo ? Não. Meus pensamentos não funcionam agora.
Sua mão esquerda apertou a minha cintura me fazendo ficar mais próxima ao seu corpo. Sua atitude fez minha respiração congelar e meu coração acelerar. Ele pegou na metade de uma parte do meu cabelo e deslizou a mão lentamente até as pontas. Fechei os olhos com o arrepio que isso me causou e ele sorriu. Abri os olhos e suspirei.
Cebola foi se aproximando com cuidado perto de mim e minha consciência dizia que eu não devia me deixar levar. Só que os meus instintos pensavam completamente o contrário. Estávamos quase fazendo algo muito errado, quando sabe o que acontece ?
Ouvi o barulho da porta abrir rapidamente e um grito fino e surpreso. Olhei na direção da porta e vi o Estevan com a mão na boca. O Cebola se assustou tanto, que acabou levantando e eu caindo de bunda no chão. Eu xinguei alto enquanto o Cebola olhava confuso para o Estevan e o mesmo continuava em estado de choque.
_ Ai meu Deus! Você é o Cebola Menezes ? -- ele disse indo em direção do Cê -- Eu sou seu maior fã!! Me dá o seu autografo ?
_ Hã... Claro. -- o Cê disse pegando a caneta que ele lhe deu --
E onde eu entro nessa história ? Apenas fiquei com a bunda doendo sem receber ajuda nenhuma no chão. Que ótimo.
_ Bom, acho que já vou... Tchau. -- o Cebola disse saindo --
Olhei o Estevan com raiva e estendi a mão sem dizer nada. Ele continuava com a mão na boca. Só que dessa vez para não rir.
_ Que. Merda. Você. Está fazendo aqui ? -- perguntei revoltada --
_ Observando você e o gato se pegando. Por que ? Perdi esse direito agora ?
O empurrei para o lado e caminhei mancando até a cozinha ouvindo os risos daquele desgraçado. Coloquei a mão na bunda sentindo a dor e gemi.
_ Você tá parecendo aquelas velhas de 70 anos com dor nas costas. -- ele disse com os braços cruzados e gesticulando com a mão direita --
_ Cala. A. Boca. -- eu disse pegando um copo de água --
_ Querida, me conta o que aconteceu aqui.
Em silêncio, tomei um gole de água sem saber o que responder, porque nem eu sabia o que havia acontecido. Então eu comecei a chorar.
Estevan veio até mim, pegou o copo da minha mão e pôs na bancada. Logo depois me deu um abraço apertado. O abracei forte e soltei alguns soluços.
_ Não fica assim meu amor. -- ele disse passando as mãos no meu cabelo -- Vocês não estavam fazendo nada de errado.
_ Eu namoro. -- eu disse chorando mais ainda -- Eu não sei o que fazer!
_ Quer um conselho ? Se você gosta realmente dele, termina com o " boy " e parte para ele. Agora, se for só atração, fique longe dele ou continue a amizade colorida sofrendo pelo seu namorado.
_ As duas opções são ruins. -- eu disse enxugando as lágrimas --
_ Eu sei. Mas as duas são formas de resolver alguma coisa.
Depois de um tempo conversando, ele foi embora e eu fiquei só novamente. Sozinha. Por que eu quase beijei o Cebola ?! O que me deu na cabeça ? Eu tenho sérios problemas com certeza. Meu coração apertou se lembrando do Do Contra e do Cebola ao mesmo tempo. Eu não posso continuar com isso. Vou ter que seguir um dos conselhos do Estevan. Mas não sei qual. Não posso terminar com o DC e também não quero continuar com a nossa amizade estranha.
Abri o computador e pesquisei o nosso vídeo na internet. Agora tinha 90 milhões de acessos. A música havia feito sucesso e eu me sentia orgulhosa. As cenas do dia que cantamos juntos grudou na minha mente. Como eu poderia me esquecer daquele dia ? De repente meus pensamentos desviaram para quando nos conhecemos. Minha vida mudou a partir desse dia. Um simples esbarro me fez pensar em como eu pude deixar me levar por aquele cantor metido ?! Eu sinto ódio dele. Porém ao mesmo tempo eu quero ele perto de mim e bem.
Eu esperei o relógio bater 15:00. Cruzei os braços e observei o ponteiro do relógio se mover lentamente, quase que parado. Não percebia o tempo passar. Peguei minha blusa de frio que eu usava e apertei contra o meu peito tentando ter coragem para encarar o Cebola depois. Meu celular vibrou novamente avisando que havia alguma mensagem. Peguei o IPhone e vi o nome: Do Contra.
Sem pensar, eu agarrei ele e o joguei contra a parede. Me assustei com a minha atitude, mas eu estava fora de mim. A verdade, é que eu não sabia o que fazer.
Entrei dentro do meu quarto, tranquei a porta e deitei na cama. O cara que eu não queria me aproximar de nenhuma forma, estava de alguma forma na minha vida.
Levantei da cama, peguei meu violão e fui até o parque de frente para a minha casa. Me sentei em um banco de frente para o lago e fechei os olhos. Quando os abri, vi um garoto de cabelos arrepiados pretos de longe e levei um susto. Por um segundo pensei que fosse o DC. Meu coração diminuiu as batidas aos poucos e minha barriga foi melhorando do quase mal estar que tive. " Calma Mônica... Ele só volta daqui dois meses. "
Parece que tenho que repetir essa frase todos os dias para ter sossego. Confesso que há um mês atrás, eu achava que não conseguia respirar sem o Do Contra. Agora eu só consigo se ele estiver longe. Nem todas as palavras desse mundo descrevem como eu me sinto. Porque não tem definição para esse sentimento. É algo transparente porém visível. Dolorido, mas confortante. Estranho, porém normal. Único, mas comum. Entende ? Acho que ninguém consegue entender.
Segurei meu violão no colo e comecei a tocar algumas notas que havia praticado. E me pus a cantar uma das minhas músicas favoritas, " It will rain " do Bruno Mars.
Uma garota loira ficou na minha frente e eu a observei. Ela estava diferente na primeira vez que a olhei, mas depois me lembrei de seu rosto.
_ É muito bonita essa música. -- ela disse sorrindo --
_ É... Uma das minhas favoritas. -- respondi dando espaço para ela se sentar ao meu lado --
_ Posso te chamar de Mô ? -- ela me perguntou --
_ Vai em frente. -- eu disse com desdém --
_ Vou ser sincera Mô... Confesso que não gosto do Cebola andando com você.
Voltei o olhar para ela e a olhei como se ela fosse louca.
_ Como assim, você " não gosta " ? -- perguntei incrédula --
_ Não me leve a mal por favor. É que... Você só o traz problemas e já devia ter percebido isso.
Senti meu rosto queimar de vergonha e raiva. E sabe por quê ? Porque ela está certa.
_ Eu sei.
Lídia me olhou um tanto surpresa e ficou calada. Ela parecia entender que me dizer isso não era a coisa mais sensata, mas também parecia saber que precisava me alertar.
_ Desculpe. -- ela disse sem graça -- Bom... Era o que eu tinha para falar. Só não diga que eu não avisei depois.
Nisso ela se levantou e saiu. Esfreguei as mãos no rosto, indecisa se chorava ou ria da minha situação.
Passou algumas horas e eu vi o Sol se pôr. Ele estava alegre com as suas cores amarelas e vermelhas em sintonia. E triste com o roxo e o rosa misturados. Parecia estar refletindo o que estava dentro de mim. Bobo, eu sei. Mas eu só sentia.
Entrei dentro de casa, já escuro e tomei um banho quente. Coloquei uma camisola curta, escrita: " Our love isn't just a felling. " Era a primeira vez que resolvi colocar aquela camisola, mais sensual. Eu nunca havia a usado, mas agora parecia que eu devia usar. Comi uma salada e escovei os dentes. Ouvi fortes batidas na porta e corri para atendê-la. Antes de abri-la, tive o pressentimento de que não era uma boa ideia. Paralisei a mão a poucos centímetros da maçaneta. " Acordei " ao ouvir mais uma batida e abri por impulso.
_ Cebola ?! -- eu disse sem reação --
_ Me escuta! -- ele disse entrando --
Cebola parou no meio da sala e me olhou com piedade. Não tinha ideia do que ele fazia ali, o que só me fez ficar mais atordoada.
_ Eu nunca, nunca, nunca... -- ele fez uma pausa -- pensei em fazer isso.
_ Fazer o que meu Deus ?! -- perguntei impaciente --
_ Em te dizer que não aguento quando seu namorado te manda mensagens ou te liga, que não suporto quando brigamos , que eu odeio te ver chorar por ele e que eu quero mais é que ele se foda!
Ficamos nos encarando sem saber o que dizermos. Meu primeiro pensamento foi: Ele enlouqueceu. Meu segundo: Ele fumou. Meu terceiro: Ele deve tá querendo algum favor meu.
_ Cebola... -- eu disse esfregando a testa e revirando os olhos --
_ Tá vendo!! Eu odeio quando você faz isso! Você revira os olhos e se irrita muito fácil! Cara, como eu odeio!
O olhei incrédula e me aproximei dele. E o mesmo deu passo para trás.
_ Ah é ? -- o empurrei pelos ombros -- E você acha que eu te acho um "mar de rosas" não é ? Pois fique sabendo que eu odeio o seu modo brincalhão, a sua forma de não estar nem aí pra nada e como fica querendo me deixar sem graça com as suas brincadeiras!
Bufei e bati o pé direito no chão. Corri até a porta e antes de abrir, ele se colocou entre a porta. O observei com raiva e ele devolveu a expressão.
_ Pra que veio aqui ? Para me xingar e falar mal do meu namorado ? Se for assim, prefiro que saia da minha casa! -- eu disse nervosa --
Ele envolveu seus braços na minha cintura e me conduziu até perto do sofá. Meu corpo ficou tenso e a vontade que eu tinha era de sair correndo dali. Mas minhas pernas e nenhuma parte do meu corpo conseguiam se mover.
_ É muito louco...
_ O quê ? -- perguntei com a respiração rápida --
_ O que eu sinto por você.
Cebola colou seus lábios lentamente nos meus. Um frio grande e forte invadiu o meu estômago. Nosso beijo começou calmo e foi ficando feroz com o tempo. Cebola me segurou firme com os seus braços e sentou no sofá, sem nos separarmos. Eu me sentei em cima dele e começamos a ficar mais intensos. Ele beijou o meu pescoço de uma forma sensual e o arrependimento me bateu como um raio. Eu não estava fazendo isso, não mesmo.
_ C- cê...
_ O quê ? -- ele perguntou me beijando --
_ N- não posso.
Ele parou de me beijar e ficou me encarando. Saí de cima dele e o Cebola se levantou. Ele tinha a expressão frustrada.
_ Por que não ?
Fechei os olhos por alguns segundos para não olhar o seu rosto e tentei pensar em todas as coisas possíveis. Mas a única coisa que eu enxergava era sua decepção.
_ Cebola... Eu namoro.
_ Termina com ele. -- ele disse dando de ombros --
_ Eu o amo.
Ficamos em silêncio nos encarando. Apenas o som do vento invadia a casa. Quase tão silencioso quanto as nossas bocas fechadas.
_ Vamos ser amigos. -- propus com um sorriso forçado --
Ele riu sarcasticamente e passou a mão esquerda no rosto indignado.
_ Jura ? O que rolou aqui ? Amizade ? -- ele fez uma pausa -- Quer continuar com a nossa amizade ? Tudo bem! -- ele fez um sinal de rendição com as mãos -- Mas eu sei jogar... -- ele disse se aproximando de mim -- E muito bem.
Ele me deu um beijo ágil e feroz. Fiquei com uma cara de boba vendo ele sair.
Corri até o banheiro e lavei o rosto com a água fria. Me olhei no espelho. Eu estava corada. Eu. Não. A-cre-di-to!!! Que bosta! Eu beijei o Cebola!! Não só beijei como estávamos sendo uns sem-vergonha no sofá! Por que eu fiz isso meu Deus ?! O que eu estou sentindo agora ? Raiva. Ódio. Confusão. Frustração. Agora sim, eu sei que eram eles que estavam dentro de mim.
E sabe por que é tarde ? Porque eu infelizmente senti algo com esse beijo. Eu sentia algo pelo Cebola. Se eu sei o nome desse sentimento ? Espero descobrir. E que por favor, não seja o que eu estou pensando.
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