Our Song
18 Decisões
Notas iniciais
_ Desliga isso! -- disse irritada --
_ Não! -- a Magá disse rindo --
Tentei tirar uma mão do volante enquanto dirigia e alcançar a rádio do carro que era um pouco longe. Magali tentou me impedir colocando a mão na frente.
_ Desliga... Essa... Porra! -- gritei finalmente alcançado aquele demônio -- Há!
Magali bufou e apoiou a cabeça na mão, na parte da janela do carro.
_ Olha, você não pode se impedir de ouvir música toda vez que toca uma do Cebola!
_ Mas vai ser sempre assim. -- eu disse com um tom cortante --
_ Ninguém vive assim.
Suspirei forte e ficamos em silêncio. Havia se passado um mês que eu não via o Cê. Durante duas semanas, fiquei indo ao seu apartamento para ver se o encontrava. Até que um dia a Maria me disse: " Ele se mudou. " E foi finalmente quando eu percebi que ele realmente não queria me ver. Como me sinto ? Quebrada. Fiquei dependente dele e agora... Estou perdida.
Pedi para a Magá me deixar na casa do Estevan, precisava dele nesse momento. Muito. Ela concordou, é claro, mas tive que emprestar meu carro para ela dar algumas " voltinhas ". Quando estava saindo do carro, sorri ao me lembrar de uma coisa e logo a Magali percebeu.
_ O que foi ? -- ela perguntou levantando uma sobrancelha --
_ Que tal ir encontrar o Cas ? -- sugeri --
_ O Cas ? Pra quê ? -- ela perguntou confusa -
_ Aposto que ele quer te ver. -- eu disse sorrindo --
_ Tudo bem, não tenho nada pra fazer. Tchau! Me liga!
Peguei rapidamente meu celular e procurei o Cascão nos contatos. Logo digitei uma mensagem: " Se arruma!! A Magá está indo para aí! Me agradeça depois. Beijos. "
Entrei dentro do elevador enorme e espaçoso do prédio. Vi a câmera onde estava escrito em baixo em uma placa amarela: " Sorria, você está sendo filmado. " Tão clássico.
Saí do elevador assim que cheguei no andar. Não me lembrava o número do apartamento, mas não tinha como errar. Bastava olhar uma porta rosa e com alguma plumas pretas em volta dela. E com a foto da Madona no meio. Toquei a campainha e começou a tocar a música Alejandro da Lady Gaga. Como ele fez isso ? Segurei o riso, pois ouvi seus passos.
_ Oi Sumida! -- ele disse levantando uma sobrancelha --
_ Oi. -- eu disse desanimada --
_ Nossa, que ânimo! Normalmente quando as pessoas me vêem, não é bem essa a reação.
_ Engraçado. -- ironizei --
Entramos e fizemos chá de limão com alho e mel, que é o meu favorito. Sentamos na enorme poltrona da sala e tomamos um pouco do chá em silêncio. Antes de eu falar qualquer coisa, Estevan levantou o dedo indicador da mão direita e pôs na frente dos meus lábios.
_ Não diga nada. Eu já sei. Você está se sentindo mal pelo Cebola ter saído da cidade e porque pode ser que sinta algo por ele. E você está confusa em relação a tudo.
_ Como você sabe que ele saiu da cidade ?
_ Eu sei de tudo amor. Agora, vem cá... O que te fez vir até mim com uma conclusão tão óbvia ?
_ Estevan eu não contei isso nem para a Magá, porque eu sei que só você entende... Ultimamente, eu ando beijando o Do Contra e simplesmente... Não estou sentindo nada. Eu não consigo! Me esforcei ao máximo, mas não funciona!
Estevan fez um bico de pensamento e depois armou sua careta irônica.
_ Por que será ? Deixa eu pensar... Você sente falta do Cebola, não sente mais nada pelo seu namorado... Não entendo o que pode ser.
Peguei uma almofada rosa e joguei no seu topete alto e charmoso.
_ Não pense besteira!
_ Querida, vamos confessar... Você gosta do Cebola.
_ Não gosto.
_ Gosta.
_ Não gosto.
_ Gosta sim.
Me lembrei por um segundo que eu e o Cê sempre discutíamos assim, então segurei as lágrimas antes de falar minha última declaração.
_ E o que eu faço agora ? -- perguntei --
_ Siga seu coração.
Enxuguei uma teimosa lágrima dos meus olhos e sorri sem humor.
_ Que conselho clichê.
_ É o que tem pra hoje. -- ele brincou --
Conversamos bastante depois do seu " conselho " e fui embora. Dirigindo, não consegui disfarçar a falta que o Cê estava me fazendo. E meu coração batia a cada lembrança... A festa do DC, o estúdio, minha casa, o parque de diversões, o parque de frente a minha casa, o seu skate... Tudo. Qualquer coisa me lembrava ele. O problema, é que ele não iria voltar.
Uma atitude tinha que ser tomada.
Dirigi com um objetivo em mente. Somente um. Cheguei até uma casa branca e enorme em um condomínio. Meu coração acelerava a cada centímetro que eu andava. Uma porta se abriu e eu entrei no local. Sentei no sofá em silêncio. Enrosquei as mãos uma na outra de nervosismo. Abri a boca para falar mas hesitei. Pensei que não iria falar nada. Até acordar dos meus devaneios.
_ Eu queria muito ter um jeito melhor de te dizer isso mas não tenho. Nesses últimos meses que você ficou fora... Eu não pude evitar de me aproximar de outra pessoa.
Do Contra me olhou sério nos meus olhos e suspirou. _
E se apaixonou por outro cara ? -- ele perguntou --
Arregalei os olhos e paralisei o corpo.
_ Bem... Sim. -- esclareci -- Eu não estou sentindo mais nada com você Do Contra. Nada. Não posso continuar com isso.
_ Mônica, por favor, me escuta...
_ Do Contra, eu não tenho condições de te escutar.
_ Eu te amo. Você entende o significado disso ? -- ele disse se levantando do sofá --
_ Eu também! -- eu gritei derramando lágrimas agora -- Mas não desse jeito mais.
_ Posso pelo menos saber quem ?
Fechei os olhos e suspirei fundo.
_ O Cebola.
Do Contra passou a mão direita no cabelo e virou a cara irritado.
_ Quer ir ? Vá! -- Do Contra disse chorando também -- Só não volte pra mim arrependida quando esse idiota te trocar!
_ Não fale dele desse jeito! Você não o conhece! -- retruquei --
_ Não o conheço ?! A gente era como irmãos desde pequenos! Eu vi as cagadas dele por anos! -- ele se aproximou de mim e me lançou um olhar penetrante -- Você é quem não o conhece.
Abri a porta da sua casa e antes virei para lhe dizer uma coisa.
_ Sempre procuro ver o melhor nas pessoas... Mas é uma pena quando elas o escondem com medo do que vão pensar. E ele... Conseguiu me mostrar isso.
Fechei a porta com força e saí de sua casa exausta. Em casa, me deitei na minha cama e peguei meu celular. Procurei nas minhas fotos a única pessoa que poderia me aliviar de tudo agora. Lá estava ele com seus cabelos arrepiados e negros. Sorri levemente. Gravei desde seus fios até o seus traços mais detalhados. Cliquei na sua foto, achei o seu número e os apaguei.
Ele não vai voltar. Mas vai estar sempre comigo.
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