Our Secret
1 Capítulo Único
Cansado.
Essa palavra definia perfeitamente o estado de Sirius Black ao bufar pela milésima vez ao observar Remus Lupin ler aquele livro trouxa, não conseguia entender qual a graça que o garoto via ao passar horas e horas lendo eles sem parar.
Porém apreciava a forma como Remus parecia concentrado na história que lia, suas sobrancelhas arqueavam de vez em quando. Seus olhos castanhos pareciam absorver cada palavra impressa ali, ele reprimia os lábios de um modo fofo e tentador. Sirius balançou a cabeça e voltou a bufar, odiava quando fazia aquilo.
Não conseguia explicar o que raios estava acontecendo com ele quando ficava próximo demais de Remus, ou porque não conseguia mais desgrudar os olhos dele. Sentia a necessidade de entrar em contato com ele a todo momento, seja encostando levemente seu corpo no dele ou o abraçando sem parar.
Sempre se considerou muito próximo de Remus, talvez próximo demais, mas nunca parou para pensar no significado daquilo, porém noite passada entendeu perfeitamente o que estava acontecendo consigo e por incrível que pareça aquilo não o assustava, mas fazia com que ele se sentisse inquieto durante todo o dia.
— Algum problema, Sirius? — Remus ergueu os olhos do livro e o fitou com as sobrancelhas arqueadas.
Desviou o olhar, não seria saudável encará-lo por mais tempo que o necessário, pois não sabia se seria capaz de controlar os instintos de seu próprio corpo.
— Nenhum. — Remus deu de ombros e voltou a atenção para seu livro. Sirius suspirou, levantou de sua cama e sentou na de Remus, com o corpo quase colado no dele, que se remexeu inquieto ao perceber a aproximação do moreno. — O que está lendo?
Remus marcou a página do livro e voltou seu olhar para o amigo, com certa cautela. Não era comum Sirius se interessar por literatura, Remus suspeitava que ele sequer conseguira ler qualquer livro por completo na vida.
— Um romance. — deu de ombros, sentindo suas bochechas esquentarem devido a intensidade do olhar de Sirius que agora sorria.
O garoto pegou o livro das mãos de Remus e começou a ler a sinopse, depois analisou a capa e seu sorriso se intensificou.
— Por que tenho a impressão de que esse cara da capa é parecido comigo? — perguntou encarando Remus que tentava a todo custo conter a coloração em sua bochecha que insistia em aumentar. — Embora não seja tão atraente e másculo.
Remus revirou os olhos.
Já havia percebido a semelhança entre os dois, mas tentava ignorar a todo custo aquele fato. Era difícil tentar ignorar a presença de Sirius, então se esforçava para fazer o mesmo com aquele personagem do livro, embora a descrição dele ao decorrer do livro não ajudasse.
— Romance policial? Não sabia que gostava de perigo. — as sobrancelhas arqueadas de Sirius indicavam que ele estava interessado demais naquele assunto, o que deixou Remus intrigado e desconfortável. Ainda sentia sua cabeça latejar devido a quantidade de bebida alcoólica que ingeriu na noite passada, porém ele não queria lembrar daquilo.
— A história é boa. — deu de ombros. — Agora pode ir mais pra lá? Está invadindo meu espaço pessoal.
Sirius ainda sorria, mas não deu o menor indício de responder ao pedido de Remus. Ele não se importava de estar invadindo o espaço pessoal de Remus, gostava de ter seu corpo tão próximo do dele e parecia tortura ter de se separar, portanto não mexeu um músculo.
Foi a vez de Remus bufar. Ele desviou os olhos de Sirius e abriu novamente o livro, tentando prestar atenção nele novamente e ignorar o calor que o corpo de Sirius emanava.
Porém, ao voltar a ler, a personagem estava passando por uma situação parecida com a de agora, e ao perceber a comparação que havia feito, Remus suspirou impaciente, remexeu-se, e desgrudou seu corpo do de Sirius.
Mas era completamente impossível prestar atenção no livro quando Sirius insistia em grudar seu corpo no dele. O que ele queria com aquilo, afinal?
— Sirius! — fechou seu livro com um estrondo e encarou o amigo, impaciente.
Os olhos acinzentados de Sirius o encararam com falsa inocência.
— Algum problema, Remmie? — ele piscou os olhos algumas vezes e Remus suspirou, era injusto que Sirius soubesse que era irresistível e aproveitasse disso.
Suspirando, Remus levantou da cama e guardou seu livro no malão, havia perdido totalmente o interesse na leitura.
— Deveria dormir já que passou a noite passada em claro. — seu tom era amargurado e Sirius pareceu perceber, pois fez uma careta e em seguida sorriu largamente.
Canalha.
Remus lembrava muito bem do que o amigo esteve fazendo durante a festa de aniversário de Emmeline Vance, viu com seus próprios olhos Sirius sair às pressas com Héstia Jones dando risadinhas animadas. Bastou aquilo para que o bom humor de Remus fosse para o ralo, depois de presenciar aquela cena horrorosa, decidiu que seria uma boa afogar-se nas bebidas que seus amigos conseguiram contrabandear para o castelo.
Não lembrava de basicamente nada que fez desde então, aquela noite fora apenas um borrão. Mas tinha certeza de que não fizera nada do que se arrependeria mais tarde, então não se preocupou muito. Apesar de ainda querer apagar de sua mente a cena entre Sirius e Héstia que sumiram subitamente da festa naquele momento.
Encarava então um Sirius completamente sorridente, e sentia uma imensa vontade de sufocá-lo com um travesseiro. Odiava aquele sorriso presunçoso, e odiava ainda mais a sensação estranha que tomou conta de seu corpo por meio segundo.
Sirius, por sua vez, se divertia bastante ao analisar a expressão amargurada do amigo. Ele ficava tão fofo quando estava bravo ou enciumado, que Sirius sentia vontade de... Bem, talvez repetir a dose da noite anterior?
E pelo tom que Remus usou para mencionar a festa, Sirius teve certeza de que ele não lembrava do que aconteceu quando voltou cambaleando ao dormitório. Não podia deixar de sentir-se frustrado com isso, esperava que aquele beijo não fosse algo que Remus Lupin esqueceria com tanta facilidade. Mas levando em consideração o estado precário que o amigo estava, aquilo era previsível.
Mas Sirius Black odiava ficar no escuro. Odiava ficar na expectativa. E odiava ficar na vontade.
— Ah. A noite passada. — seu som era sonhador e o sorriso não deixava seus lábios. Remus fechou ainda mais a cara, imaginando nas coisas desnecessárias que o amigo estava lembrando. Merlin, ele poderia fazer aquilo em outro lugar! — Acreditaria se eu dissesse que foi a melhor noite da minha vida?
Remus sentiu vontade de vomitar todo o seu jantar. Encarou o amigo com descrença, esperando que ele dissesse que estava apenas brincando ou algo do tipo, mas Sirius Black parecia estranhamente sério. Ele não podia estar assim por conta de Héstia Jones, podia? A ideia fez com que o estômago de Remus se agitasse ainda mais.
Para Sirius estava sendo bastante divertido observar as expressões que passavam pelo rosto de Remus. Sabia que ele estava quase entrando em colapso e, provavelmente, Sirius podia estar correndo risco de vida, mas não conseguia se conter.
Precisava que Remus lembrasse do que aconteceu entre eles na noite anterior. Mesmo que outra parte dele temesse qual seria a reação de Lupin.
— Pela felicidade da qual saiu com a Jones, sou obrigado a acreditar. — resmungou, desviando o olhar da sua cama, onde Sirius continuava deitado.
— Acha mesmo que o motivo da minha felicidade seja a Jones? — Sirius perguntou com as sobrancelhas erguidas.
E seria quem? Remus perguntou-se. Não podia acreditar que depois de Héstia Jones, Sirius havia ficado com outra garota. Mas por que não acreditaria? Estava falando de Sirius Black, afinal.
— Do quê você lembra sobre a noite passada, Remus?
Ele pensou. Por que precisava lembrar de alguma coisa? Tinha certeza que não havia feito nenhuma merda, mas então por que aquele sorriso presunçoso nos lábios de Sirius estava deixando-o tão nervoso?
E foi encarando aqueles lábios carnudos que ele lembrou vividamente do que acontecera.
—-
Remus cambaleava pelo castelo em direção a torre da Grifinória, implorando para todos os deuses que não fosse pego. Seria péssimo para ele, monitor da Grifinória, ganhar detenção por estar fora do dormitório após a meia noite e caindo de bêbado.
Não costumava beber tanto, mas avistar Sirius e Héstia Jones saindo aos tropeços e animados do salão, sentiu que seu corpo precisava de um ânimo a mais e a bebida poderia ajudá-lo a esquecer o que vira. Porém, é claro que estava errado. Quantas vezes já não havia explicado para seus amigos que a bebida não os ajudaria a afogar suas mágoas? Bom, parecia que seu próprio conselho não se aplicava a ele no momento.
Mas o que podia fazer? Não sabia o que estava acontecendo com ele, mas não conseguia mais ficar próximo de Sirius sem sentir sua respiração acelerar, seu coração disparar e seu corpo implorar por um toque.
Eram amigos há anos e sempre sentiu algo mais intenso pelo Black, coisa que ainda não sabia explicar.
Então, com muita dificuldade para subir as escadas e chegar até o próprio dormitório, Remus encontrou a última pessoa que ele queria ver, encarando o próprio reflexo no espelho.
Mas pelo contrário do que Remus já vira Sirius se apreciar em frente ao espelho, o garoto parecia estar lutando internamente contra ele mesmo. Ele estava com a aparência ainda pior que a de Remus, sua pele estava pálida e seus olhos inchados. Nunca vira o amigo com a aparência tão abatida, aquela expressão sofrida não combinava com o Sirius que ele conhecia.
— Sirius? — o chamou, tentando ignorar a tontura e o estômago ruim, após perder a conta de quantos firewhisky havia ingerido.
Só então Sirius percebeu que não estava mais sozinho, sua expressão chocada ao encarar Remus mostrou o quanto ele desejava não ter sido visto naquele estado.
— O que houve com você? — Remus fechou a porta atrás de si e caminhou cambaleando até parar em frente ao amigo, que se recompôs e não parecia mais ser o mesmo de um minuto atrás.
Ele hesitou. Não queria responder aquela pergunta e sequer sabia se conseguiria dizer o que estava lhe incomodando em voz alta.
Podia estar aos amassos com Héstia Jones naquele exato momento, a garota estava mais do que excitada para conhecer novos lugares com Sirius. Mas ele, mais uma vez, não conseguiu seguir adiante com aquilo, pois ela não era Remus Lupin.
Como explicaria a Remus que não conseguia ficar com mais ninguém, pois sempre que fazia o enxergava em sua frente? Imaginava que eram os seus lábios que ele estava provando, imaginava que era seu corpo que estava tocando... Definitivamente Sirius Black estava ficando maluco, e a culpa era dele.
— O que aconteceu com você? — Sirius rebateu a pergunta ao perceber a situação em que o amigo se encontrava. — Desde quando aprecia bebidas desta maneira, Moony?
Pelo estado que Remus se encontrava, ele sequer se lembrou da pergunta que havia feito anteriormente. A bebida circulava a tona em sua corrente sanguínea, fazendo que sua mente girasse em diversas direções e ficasse extremamente difícil focar em qualquer coisa.
— Não sei. — sua voz soou estranha, fazendo Sirius rir ao perceber que a situação do amigo era mesmo péssima. — Por que não está com a Jones? — por mais bêbado que ele estivesse, jamais conseguiria esquecer aquela cena.
— Por sua causa. — talvez fosse o efeito da bebida, talvez fosse porquê Remus não se lembraria daquelas palavras no dia seguinte, mas Sirius confessou.
O olhar do garoto estreitou-se, enquanto encarava Sirius com desconfiança e incredulidade ao mesmo tempo em que tentava enxergar apenas um Sirius e não dois.
— Minha causa? — perguntou com a voz rouca.
Sirius havia dado um passo a frente, de modo que ficassem a apenas poucos centímetros de distância. Era possível sentir o hálito dele em seu rosto, sua respiração estava bastante acelerada. Por mais que quisesse se afastar para não acabar fazendo nada que lhe desse dor de cabeça mais tarde, ele não conseguia. Estar próximo demais do corpo dele o deixava tonto e ele não conseguia raciocinar, e o álcool que corria em suas veias não ajudava em nada, provavelmente só deixava sua situação ainda pior.
— Eu- — ele passou a mãos pelos cabelos negros, aparentando estar nervoso como nunca esteve antes. O que era exatamente o caso, nunca esteve tão perto de admitir seus sentimentos e aquilo estava o assustando, porém ao olhar nos olhos cor de mel de Remus, ele não conseguia mais recuar. — Eu estou apaixonado por você, Remus.
Soltou aquilo o mais rápido que pôde, a angústia estampada em seu rosto enquanto esperava pela reação do amigo, que parecia estar processando o que ele havia dito. Apesar de estar quase entrando em pânico, Sirius sentiu um peso sair de suas costas, nunca imaginou que a sensação seria tão libertadora assim que confessasse aquele segredo que guardava há tempos para si mesmo.
O problema era esperar pela resposta de Remus que nunca vinha.
Ele o encarava com a expressão distante, como se repetisse pra si mesmo as palavras de Sirius inúmeras vezes até conseguir entender o que aquilo significava.
O cérebro de Remus parecia feito de gelatina, ele tentava processar as palavras, mas seria muito mais provável que estivesse sonhando ou então alguma das bebidas que ingeriu estivesse com algo a mais que apenas álcool. Não podia ser verdade... Sirius Black apaixonado... por ele?
Mas como ele esperava que acontecesse — que despertasse de seu sono ou acabasse desmaiando -, não aconteceu. Sirius Black continuava em sua frente lhe encarando com tanta expectativa que parecia estar prestes a sair dali correndo.
— Olhe, Remmie, eu- — o moreno voltou a dizer, sua voz estava trêmula e não carregava confiança alguma. Não parecia em nada com o Sirius que todos conheciam, este estava a beira de um ataque e precisava sair daquela situação antes que o amigo confessasse o odiar.
Mas antes que Sirius pudesse continuar com sua forma de defesa, Remus o surpreendeu. Ele se inclinou ainda mais para perto dele e capturou seus lábios com os seus, fazendo-o sentir milhões de sensações diferentes que sabia nunca ter sentido antes.
A mão direita de Remus acariciava a nuca de Sirius que devolveu o beijo com tanta vontade que o fez gemer de satisfação. Sirius agarrou a cintura de Remus e aproximou ainda mais seus corpos, não sentia a menor vontade de se separar dele outra vez.
O beijo durou poucos minutos, que mais se pareceram com uma eternidade num paraíso para ambos. Mas uma vez que recuperar o fôlego se fez necessário, eles afastaram-se a contragosto.
Orbes acinzentadas e cor de mel estavam conectadas com tamanha intensidade que eles não conseguiam enxergar mais nada além deles mesmo. Como poderiam afinal? Um turbilhão de sentimentos eram transmitidos apenas com a força daquele olhar.
Passados alguns longos segundos, Sirius abriu a boca para dizer algo, mas foi imediatamente interrompido por Peter que entrou no quarto gargalhando enquanto ostentava marcas de batom pela camisa branca, que estava bastante amassada, e com a maioria dos botões abertos.
Nunca se sentiram tão tentado a azarar Peter pela inconveniência, mas foram obrigados a se controlar, pois assim que o amigo os avistou, seu sorriso se intensificou ainda mais e ele entrou tropeçando para dentro do quarto.
— Esta noite está perfeita, não está? — perguntou alargando o sorriso.
Remus sentia seu coração bater freneticamente em seu peito, não arriscou olhar na direção de Sirius, pois não sabia o que dizer ou o que encontrar em suas orbes acinzentadas. Apenas suspirou e jogou-se em sua cama, adormecendo imediatamente.
—-
A lembrança o atingiu rápida e intensa como uma Avada Kedavra diretamente em seu peito. Aquilo tinha mesmo acontecido?
Parecia surreal demais para que fosse verdade, mas o olhar apreensivo de Sirius indicava que aquilo tinha grandes chances de ter sido real, não apenas obra de sua imaginação fértil.
Por Merlin...
— A-aquilo foi mesmo...? — balbuciou, não sabendo como fazer a pergunta. Parecia que o mundo de repente tivesse virado de ponta cabeça e havia sangue demais em sua cabeça para que ele conseguisse entender tudo o que estava acontecendo.
Um sorriso preencheu os lábios de Sirius, fazendo o mundo de Remus dar uma volta trezentos e sessenta graus. Ele sentiu-se nauseado e sua respiração falhou.
— Real? — perguntou Sirius levantando da cama e encarando-o com uma sobrancelha arqueada. — É claro que sim. — Lupin abriu a boca para questioná-lo se ele estava brincando ou algo do tipo, mas algo no olhar desconcertante de Black indicava que, pela primeira vez, Sirius estava mesmo falando sério.
— Mas nós estávamos bêbados e... — tentou argumentar. Era insanidade pensar que aquilo estava mesmo acontecendo. Então ele lembrou do momento em que entrou no dormitório e avistou o amigo num estado completamente estranho e inexplicável. — Por que voltou ao dormitório tão cedo?
A pergunta fez com que Sirius passasse a mãos pelos cabelos, os bagunçando completamente. Estava nervoso e toda a coragem que havia criado na noite passada pareceu desaparecer, não sabia se podia confessar aquilo com os dois sóbrios, onde verdades poderiam ser ditas e foras poderiam ser levados.
Ele nunca sentiu tanto medo de ser dispensado em toda a sua vida. Sempre fora muito confiante de si e raramente era dispensado — e quando era pouco se importava -, mas agora a ideia de Remus lhe dispensar e disser que não gostava dele daquele jeito, o deixava bastante nervoso, apreensivo e em pânico.
Sentiu então compaixão por James, o moreno sentira milhares de vezes aquele mesmo sentimento quando esperava pela resposta de Lily Evans, que até um tempo atrás o deixava arrasado. Mas o sentimento de compaixão logo passou ao imaginar o amigo gargalhando de sua cara por admitir que ele finalmente havia se apaixonado.
— E então, Sirius? — a voz de Remus o tirou de seus devaneios. Aquele olhar preocupado e angustiado bastou para que ele levasse os conselhos de Lily a sério. Ele precisava criar coragem e admitir de uma vez aquilo que estava preso em sua garganta a tanto tempo, e precisava fazer isso agora, mesmo que corresse o risco de perder a amizade de Remus — o que ele planejava que não acontecesse.
— E-eu... — começou, então limpou a garganta e respirou fundo. — Eu não podia continuar fazendo aquilo. — Lupin o encarou aparentemente perdido, mas ele não se importou, precisava dizer tudo antes que perdesse a coragem e se tornasse indigno de pertencer à Grifinória. — Eu não podia continuar se atracando com qualquer pessoa nos armários de vassouras pela escola, não podia continuar ignorando os meus sentimentos... — suspirou. Aquilo estava parecendo ainda mais difícil do que havia imaginado. — Meus sentimentos por você. — os olhos cor de mel de Remus estavam marejados, então ele precisou juntar ainda mais forças para continuar. — Eu não consigo mais ignorar isso, Remus. É frustante estar perto de você e poder lhe ter apenas como um amigo. Porque pra mim você é, e sempre foi, muito mais do que isso. Eu não sei quando isso aconteceu, não sei quando esse sentimento despertou aqui dentro... — ele apontou para o próprio peito. — Eu só sei que eu te amo, Remus.
Quando terminou, esperou apreensivo pela reação de Remus, que agora poderia ser qualquer uma já que não havia mais álcool em seu corpo para influenciar em suas atitudes.
Não fique nervoso, tudo dará certo se você for sincero. Eu tenho certeza que Remus não é bobo de lhe dispensar, apesar de não entender como alguém poderia se interessar por alguém tão irritante quanto você. As palavras de Lily faziam eco na cabeça dele, impedindo-o de sair dali correndo. Lily Evans poderia ser bastante chata e irritante, mas ele tinha que admitir que seus conselhos poderiam ser eficazes. Pelo menos ele estava torcendo para que fossem.
— Eu não sei o que dizer. — depois do que pareceu uma eternidade, Remus se pronunciou. Ele aparentava estar quase entrando em colapso e se atirando no pescoço de Sirius, o que pareceu ser um bom indício para o rapaz que sentiu seu nervosismo se esvair.
— Não precisa dizer nada se não quiser. — disse Sirius. Sua confiança já havia voltado a tona para seu corpo, não precisava mais temer absolutamente nada — pelo menos era o que o olhar de Remus lhe dizia.
Deu um passo a frente e ergueu o queixo de Remus com seu dedo indicador, obrigando-o a encará-lo nos olhos, que esbanjavam desejo e algum sentimento a mais.
A intensidade do olhar que trocaram poderia irradiar poder por todo o dormitório. O canto dos lábios de ambos ergueram-se em um sorriso, sorriam um para o outro como nunca antes, provavelmente efeito do que havia confessado.
Ainda sorrindo, eles aproximaram-se ainda mais até capturar os lábios um do outro. Aquele beijo foi mais suave do que o primeiro, mas possuía ainda mais sentimentos e mais vontade.
Não demorou muito para que o beijo se aprofundasse, se tornando mais carnal e urgente. Seus corpos estavam colados, as mãos de Sirius acariciavam todo o corpo de Remus, que puxava com força os fios de cabelo de sua nuca.
Estavam perdidos um no outro, não conseguiam pensar em mais nada a não ser o sabor daquele momento que tanto ansiaram para ocorrer.
Seus corpos estavam suados e ocupavam a minúscula cama de Remus, eles não conseguiam pensar em mais nada, apenas no ali, no agora e no quanto estavam perdidamente apaixonados um pelo outro.
— Eu também te amo, Sirius. — Remus murmurou quando separou seus lábios e os guiou para o pescoço nu de Sirius, que imediatamente se arrepiou inteiramente — se era pelos lábios em seu corpo ou pela confissão de Remus, Sirius não sabia.
E daquela vez, ninguém os interrompeu, embora Sirius tivesse certeza de que deveria agradecer aquilo à Lily mais tarde. Bem mais tarde.
Notas finais
Essa é a minha primeira fic wolfstar, confesso que fiquei bastante insegura em postar, mas depois de tanto reler e ajustar alguns detalhes aqui está o resultado. Espero de coração que vocês tenham gostado.
Enfim, muito obrigado por lerem mais uma de minhas histórias. Logo apareço com novidades já que desde que entrei nesse mundo de HP, nunca mais consegui parar ;p
Votos e comentários sempre serão bem vindos e incentivam ainda mais a autora ;)
Qualquer coisa estou no twitter @lmjdrunk, é só chamar!
Beijos, até mais!
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