Our Promisses
6 ...The past says hello...
Notas iniciais
Ambos se encaravam na sacada da casa em frente à praia... Como assim “Vim te ver”? Simples? Não, não era simples, nunca que Aria imaginou Piko dizendo aquelas mesmas palavras, palavras que ainda alfinetavam sua mente, ela o olhou enquanto ele se mantinha sentado na sala, no sofá de três lugares à sua frente, e a olhava intensamente com olhos curiosos.
–Bem, estive fora por um tempo por causa de algumas viagens por conta dos shows. Na primeira oportunidade que tive vim te ver, constatar como estava indo. -disse ele fitando-a. Já ela não encarava seus olhos em momento algum devido às lembranças e ao sentimento que ele lhe deixou. Ambos não o deixavam ver com clareza.
Logo ouviram passos e direcionaram o olhar para a porta da cozinha, onde viram Orion, entrando lentamente.
–E o sorvete? -perguntou Aria ao constatar que não havia sorvete algum.
Piko viu a mudança na de olhos azuis: um sorriso radiante que se desenhava na face toda vez que via Orion, toda vez que o tocava, toda vez que ele fazia palhaçada... Ele suspirou…
–Perdi a vontade. -falou dando de ombros, não ligando muito para sua situação. Olhou para Piko e sorriu, um sorriso alegre, arteiro... Quase infantil. Piko lhe devolveu um sério, talvez ainda estivesse ressentido por conta de mais cedo, do jeito que foi jogado ao chão por Orion, que usou apenas um braço. Não queria imagina-lo em uma briga.
O mais alto dos três foi até Aria e sentou-se ao seu lado no sofá, passando seu braço direito por cima dos ombros da garota, que corou. Piko estranhou um pouco, mas ignorou, pois seu foco era outro.
–Eu queria me desculpar Aria. -disse Piko, quase que sussurrando e mesmo assim atraindo a atenção de ambos para si, em seguida a encarando, com os olhos bicolores não desviando a direção por nem mesmo um milésimo de segundo.
–Eu sei que antes eu havia me afastado de você, eu tinha fugido. Eu estava com medo. Eu nunca havia entrado em qualquer tipo de relacionamento assim, eu sei que vacilei com você, sei que pisei na bola, errei, e feio... Eu não queria que as coisas tivessem saído dos trilhos assim conosco. -nisso ele fez uma pausa para recuperar o fôlego.
–... Eu estava sobre muita pressão e tinha várias datas e horários pra cumprir. Eram gravações e shows, eu até mesmo tive que marcar algumas vezes com um psicólogo. Ele disse que eu tinha que me afastar de tudo um pouco por estar bastante estressado... Eu nunca quis te magoar Ia. -dizia Piko a olhando calorosamente, diferente de antes. Aria o encarava surpresa, porém, se surpreendeu ao sentir o braço, que antes passava por cima de seus ombros, não estar mais ali. Orion havia se levantado do sofá, indo lentamente para a porta.
–Onde vai Orion? -indagou Aria enquanto via o mais novo parar e prestes a dizer algo, mas, sem olhá-la ou tê-la sob sua vista.
–Esse assunto não me diz respeito. É pessoal e não tenho o direito de ouvir esta conversa, até porque o assunto é entre você e ele, então estou indo dar uma volta. Voltarei logo.
Aria concordou com a cabeça enquanto o via caminhar, porém, o albino parou novamente ao ouvir a voz de Piko.
–Eu estava errado sobre você... Orion. -soltou Piko olhando para o lado, sentindo uma mistura de incômodo com alívio.
–Vê se não estraga tudo... De novo. Senão sabe o que acontece. E os dois, sem perversões. -avisou o rapaz, gargalhando baixo depois da frase, fazendo Piko se arrepiar enquanto Aria corava intensamente.
–Seu irmão é... Diferente. -comentou o ex-namorado de Aria enquanto sentia o calafrio deixa-lo aos poucos.
Aria sorriu com as palavras, achando graça.
–Meu irmão é apenas incompreendido, admito que nem mesmo eu o compreendo completamente, mas... Ele é meu irmão, e eu o amo e sempre irei ama-lo. -afirmou a garota ao que sentia certo fervor dominar sua face.
Mal ela sabia que, ao lado da porta, pelo lado de fora, certo albino de olhos safira ouvia tudo atentamente, sorrindo, e, logo em seguida, seguindo seu caminho.
[...]
Ele andava normalmente, quase parando no lugar, em passos extremamente lentos e em linha reta. A camisa preta sem mangas, quase toda colada ao corpo, mostrando alguns dos músculos bem definidos, com uma calça-jeans escura de detalhes em rasgado dos joelhos para baixo, de tênis totalmente negros e detalhes em roxo e branco pelas laterais, um pingente balançando levemente de um lado para o outro em seu pescoço, olhava o céu, porém, parou de andar ao sentir esbarrar em alguém.
–Não olha por onde anda não? -perguntou a dona da voz.
Orion virou-se para ela.
–Meiko? -perguntou surpreso por vê-la ali, com a mesma roupa de seu encontro anterior.
–Panaca? O que faz aqui? -perguntou ela com a mesma surpresa.
–Estou dando uma volta, nada demais. E você o que faz? -redarguiu o rapaz.
–Vim ver a Aria.
Ao contrário da maioria, Meiko não a chamava pelo apelido e sim pelo nome. Era algo curioso sobre ela e que chamava a atenção de Orion.
–Não te aconselho a ir lá, não a atrapalhe. -disse ele.
Meiko percebeu que seu olhar mudou, era um olhar sério. Aqueles olhos azuis gelados mostravam uma seriedade palpável e perigosa.
–Hum, nada é tão importante assim. -disse Meiko passando por Orion, porém, teve seu braço esquerdo segurado por ele, com força, e ainda assim, de maneira gentil.
–Ela, possivelmente, está se “acertando” com Piko. Sugiro que não atrapalhe, mas se é tão importante pra você, não irei impedi-la. -disse, a soltando.
Aquilo a pegou de surpresa
–P-Piko? Quando ele voltou? -perguntou exaltada, curiosamente continuando ao lado de Orion.
–Eu não sei e nem pretendo saber, ele tem seus motivos -disse ele voltando a andar, sendo acompanhado muito de perto por Meiko, interessada no assunto. Interessada demais.
–Eu só ouvi o começo da conversa, nada mais. -explicou o rapaz dando de ombros enquanto dava mais atenção a chutar pedras do que prestar atenção no que falava para a morena.
–Como você sabe que isso não deve ser interrompido? -questionou a observadora moça. Orion a olhou, passando um sentimento um pouco diferente de antes.
–O olhar, o olhar entrega tudo. -sentenciou, continuando o caminho em frente ao passo que Meiko havia tomado uma expressão pensativa.
–Orion… -essa era a primeira vez que ela o chamava pelo nome, ela pensava.
–Sim? -respondeu automaticamente, não estando muito surpreso.
–O que ele pretende? Sabe… -Meiko falava, porém, foi interrompida.
–Ele pretende se desculpar com ela. -disse calmamente, tentando não demonstrar. Mas, em relação à Piko... Havia alguma coisa nele que não gostava. Seu olhar era diferente, sua expressão, seu jeito com relação à sua irmã...
Ele não iria permitir que ele a machucasse, não outra vez.
Se permitisse...
Jamais se perdoaria.
Meiko o analisava. Seu rosto, seu jeito, seu andar, sua expressão, algo nele estava diferente da última vez que se encontraram.
Ele estava sério demais, talvez pensativo demais... Algo nele havia mudado.
–Meiko… -chamou Orion, com a voz grossa e séria, causando um arrepio na mais baixa, que o olhou logo em seguida. -Como é... Estar apaixonado?
Ele perguntou de uma maneira que lembrava uma criança, querendo descobrir mais e mais sobre o mundo que a rodeava e sobre as pessoas que nele viviam, porém, agora era diferente.
–É difícil dizer, não sou uma especialista no assunto, mas me apaixonei algumas vezes. Porém, nunca foi algo sólido, então não posso dizer como é estar apaixonado, simplesmente não dá. Não é algo para se explicar, é algo para se sentir. -respondeu a morena, quase de maneira filosófica.
Orion parou um pouco, pensando nas palavras da mais baixa.
–Então tá. -disse ele esboçando um pequeno sorriso, dirigindo-se a Meiko. -Tá a fim de tomar um sorvete?
–Você paga. -ela sorriu, apontando-lhe o dedo indicador.
–Mas é claro, se eu que estou oferecendo. -ele resmungou, fazendo biquinho igual a uma criança, fazendo Meiko rir, o que não era do feitio dela.
[...]
–Não veio mais ninguém? -indagou o rapaz de cabelos brancos enquanto lambia o sorvete, sendo o dele de creme e o de Meiko de chocolate.
–Não, eles estão trabalhando. Eu vim porque completei meu horário semanal e, como estava tudo muito chato, decidi vir pra cá. -ela explicou de maneira simples, como se não fosse nada mais do que uma brincadeira. Orion continuava a lamber o sorvete, se surpreendendo com quão “calma” Meiko estava, diferente de seu eu agitado e quase constantemente sarcástico.
–Alguma coisa aconteceu? Você não gritou comigo ou me xingou até agora. Tem certeza de que está bem? — Perguntou ele para Meiko, que gargalhou em resposta.
–É porque você não falou nenhuma babaquice, seu imbecil. -ela apontou com uma risada gostosa, fazendo-o sorrir também, aliviado.
–Pensando bem agora, algo em você está diferente. -Orion arqueou uma das sobrancelhas albinas bem desenhadas, encarando-a analiticamente.
–O-O que? É o meu cabelo? -perguntou curiosa, levando a mão até os fios castanhos, alisando-os.
–Não, não apenas ele. -disse Orion, com um sorriso provocador.
–Então o quê? -perguntou, o olhando, esperando por uma resposta.
–Seu jeito, seu olhar, sua expressão... Seu sorriso, tudo em você está diferente... Você está diferente. -ele listou, expressivamente, deixando-a vermelha com cada palavra que dizia.
Meiko perdeu a respiração por alguns instantes e logo depois riu gostosamente. O garoto a olhava com um sorriso arteiro em seus lábios claros e finos.
–É porque eu não bebi hoje, estou tentando largar sabe. -disse-lhe mostrando a língua de maneira infantil. Orion riu dessa expressão meiga de Meiko, que fazia um biquinho, inflando as bochechas, lembrando muito sua irmã mais nova ao ser chamada de coelhinha pervertida.
–Você é um pervertido. -vociferou Meiko, quase em um tom de ameaça ao albino mais novo.
–Agora sim parece a Meiko que eu conheço e que adoro provocar.
Dito isso Meiko avermelhou e desviou o olhar, olhando para o chão.
–É bem como a Ia disse... Você é gentil demais. -disse ela sorrindo para o rapaz.
Apenas o sorriso compreensivo de Orion foi dado como resposta.
Não muito depois ambos ouviram um pigarreio vindo de um arbusto. Orion se levantou do balanço em que estavam sentados e foi até ele, colocando uma de suas mãos ali, e de lá tirou Len e, em seguida, Rin. Aqueles gêmeos fuxiqueiros...
–O que faziam ai? -questionou, fitando o loirinho mais alto, que se encolheu um pouco perante o olhar duro do albino.
–N-Nós… -ele começou a dar as desculpas antes de ser interrompido.
–Estavam nos espionando? -perguntou Meiko, os olhando seriamente, apesar de ser quase retórica a pergunta. Os dois loiros sentiram um forte calafrio subir por suas pequenas e frágeis colunas, até que a loirinha não suportou mais.
–Foi ideia dele! Ele me chantageou com caramelo! -exclamou a mais baixa, apontando para o irmão.
–Traidora… -retrucou o irmão, ao passo que via Meiko terminar seu sorvete rapidamente.
–Obrigada pelo sorvete Orion, estava delicioso. -agradeceu Meiko, sorrindo meigamente para o albino, que apenas o retribuiu.
–Disponha Meiko-chan.
Orion em seguida foi se afastando na direção da rua que o levaria para a cidade, levando consigo a pequena loirinha.
–E agora... Sua punição. -sentenciou Meiko sombriamente, estalando os dedos das mãos, com um olhar assassino sobre o loirinho.
–Porque a Rin não? -perguntou ele, olhando a irmã que estava ao lado de Orion, olhos arregalados e corpo trêmulo.
–Primeiro, porque foi ideia sua. -explicou. Uma sombra cobria sua face enquanto sorria, de maneira psicopata.
–E segundo... Ninguém resiste ao caramelo. -disse Orion sorrindo, mas, no fundo, bem no fundo, sentia pena do loirinho pela punição que receberia.
[...]
–Meleca… -reclamou Len enquanto coçava a cabeça, que provavelmente ficaria dolorida por muito tempo depois do forte cascudo que levou de Meiko.
–Isso é pra aprender. -Meiko cruzou os braços, irritada com o loirinho, enquanto que este se escondia atrás de Orion, quem apenas achava aquilo tudo muito divertido.
–Onde está a Ia-chan? -indagou Rin ao mais alto.
–Ela está resolvendo algumas coisas com o ex-namorado, então sugiro que não a atrapalhe. — Orion falou, seus olhos escuros, um pouco sombrios. Parecia que ele sentia que algo daria errado, e seria logo.
[...]
–Então acha que é simples assim? Acha que depois de se afastar tanto de mim, de uma hora para outra, você pode simplesmente voltar e eu irei te receber de braços abertos? Não é simples assim. -Aria exclamou vermelha, não de vergonha, mas sim de raiva. Contudo, não esperava simplesmente um “sim”, um “sim” que teve como resposta de sua pergunta retórica.
–Como assim “sim”? Você... Você... Não se importa com meus sentimentos? Se importa apenas com você? Você nem ao menos perguntou o que eu achava de tudo... Isso...Isso… -ela se embaralhava, irritada, inconformada... Furiosa, até ser cortada por Piko.
–O que foi? Pensei que quisesse voltar. Você não me ama? -perguntou Piko, se levantando do sofá, exaltando um pouco a voz que antes era tranquila. Sua voz tomou um tom mais pesado, um pouco irritada e decepcionada.
–Amor não é assim, Piko… -defendeu-se ela, levando sua mão até seu peito enquanto suas bochechas avermelhavam e lágrimas beiravam seus olhos.
–Onde está aquele Piko pelo qual me apaixonei perdidamente? -perguntou ela ao ar, como se esperasse uma resposta dele, ele se aproximou dela, que também havia se levantado do sofá.
Ele se aproximava à medida que ela tentava de distanciar, porém, a parede impediu-a de tomar maior distância. Piko a prendeu entre ele e a parede.
–Você não quer? -perguntou Piko, se aproximando dela, roçando seus lábios, beirando um beijo. E Aria estava beirando o desespero, não era assim que as coisas deviam continuar entre eles, não é?
Piko, o garoto pela qual ela se apaixonou ao longo dos anos não era esse. Não... Esse Piko era um Piko que ela não conhecia, e que nunca queria ter conhecido. Ela sussurrou, uma palavra, o nome da primeira pessoa que veio à sua mente, de forma quase inaudível, quase muda.
–Orion… -ela sussurrou fechando seus olhos, apenas esperando, temendo que aquilo fosse inevitável, porém, qual foi sua surpresa ao abrir os olhos e ver o rosto de Piko voltado para trás.
Uma mão pousava em seu ombro, e essa mesma mão agarrou sua camisa, o lançando para o lado com relativa facilidade, dando um meio giro, arremessando Piko em direção à porta.
O movimento foi tão rápido que Aria apenas viu uma cabeleira branca, como um vulto, logo depois o braço esticado a sua frente, expostos de maneira protetora, a protegendo.
A essa altura Piko já se levantava, raivoso, em direção à pessoa que o lançou, trincando os dentes ao ver quem era.
Uma lágrima solitária percorreu o rosto de Aria, que a essa altura já havia focado sua visão, constatando quem era.
–... Orion… -ela gemeu baixinho, da mesma maneira que na vez anterior.
Ele virou um pouco o rosto, apenas o suficiente para que ela pudesse encontrar seu olhar, que não importava quanto tempo passasse, sempre era o mesmo, atencioso, preocupado, um pouco alegre... Um olhar quase que apaixonado…
–Estou aqui Aria. -se pronunciou suavemente, logo se virando para desviar de um potente soco de Piko.
Orion segurou a gola da camisa do menor e o girou, o lançando para a areia quente da praia. Ele demorou cerca de cinco segundos para se levantar e se recuperar, vendo também Rin, Len e Miku, observando a certa distância. Até essa altura, Orion já havia diminuído a distância outra vez.
–Como ousa tocar minha irmã!? -ele rugiu, acertando um forte soco em seu nariz, fazendo a cabeça do outro albino pender para trás com a força do golpe.
Piko sentiu o colarinho de sua camisa ser agarrada com brutalidade, apenas para que outro soco fosse acertado em seu rosto.
–Pessoas como você me dão nojo! -Orion raivosamente disse enquanto o socava.
Tanto Aria quanto os outros estavam pasmos. Orion, aquele garoto de olhar alegre e expressão gentil e doce havia se transformado, de um segundo para o outro, em algo totalmente diferente.
Depois de trinta segundos de socos, apenas uma coisa fez Orion desviar sua atenção.
–ORION! PARE! -Aria gritou, incapaz de suportar aquela cena por mais um segundo sequer. Algumas lágrimas percorriam seu rosto quase pálido, fazendo Orion virar-se rapidamente, ainda em fúria, olhar profundo de raiva, ira... Talvez ódio.
Isso fez um arrepio gélido percorrer o corpo de Aria. Era a primeira vez que ela via um olhar assim e mesmo que não fosse direcionado a ela, ainda sentia-se mal.
Ele segurou o colarinho da camisa de Piko com a outra mão, o erguendo do chão, fazendo-o ficar ainda mais surpreso — e ainda mais nervoso — , e aproximou-o de si, sussurrando em seu ouvido ameaçadoramente.
–Se eu te ver perto da minha irmã de novo… Terminarei de estragar esse seu rostinho bonito. E outras coisas também.
A ideia fez Piko se tremer, fazendo-o suar frio por todas as partes. Seu olhar se perdeu por alguns momentos, os olhos de Orion eram completamente diferentes agora; eram ameaçadores, cruéis e selvagens. Parecia uma besta vinda do inferno.
Logo depois ele largou Piko na areia, fazendo-o cair sentado em meio a areia quente daquela estação pouco gentil.
–Vamos… -sua voz soou grossa, e ainda bastante raivosa, como se quisesse destruir o mundo e todos que nele habitam.
Os outros olharam rapidamente para Piko e seguiram Orion rapidamente em direção a casa, onde a porta foi fechada com rapidez.
...
...
... E agora?...

Fale com o autor