Our New Life
1 Capítulo 1 - A New End for Our New Beginning
Notas iniciais
Estavam felizes.
Tony Stark estava feliz como nunca tinha se sentindo antes. Comprar aquele restaurante em uma cidade esquecida da Itália fora sua melhor ideia que teve em tempos. Não era o melhor cozinheiro, mas Loki conseguia fazer maravilhas na cozinha que somente ele poderia fazer. Tony só precisava lidar com as pessoas e isso ele sabia muito bem. Manipular sempre fora um dom seu.
E eram a dupla perfeita. Após Stark fingir sua morte ao derrotar Pearce e fugir com Loki, montara toda aquela vida nova em lugar onde ninguém reconheceria ambos. Tony até tirara sua barba para deixar melhor o disfarce. Não era certo, mas também não era nada correto se apaixonar pelo Deus Nórdico que destruiu sua cidade natal. Porém, conhecendo Loki como era agora, sabia que ambos eram apenas duas pessoas que procuravam conforto com seus próprios problemas. Sabia quais eram as verdadeiras intenções do Deus Nórdico.
O restaurante fechara. Fora até a cozinha vendo o namorado retirar o avental e lavar as mãos na pia, os ajudantes já haviam saído, todos haviam sido despachados. O assim chamado Homem de Ferro chegou calmamente e abraçou o outro por trás, cheirando e beijando a nuca, envolvendo-o num suave balanço dos corpos. Tony não viu, mas Loki sorriu ao sentir os corpos juntos.
- Você está cheirando a tempero... – Stark sussurrou.
- Sou o chef, o que mais você esperava? – Tony sorriu e virou o outro para si, beijando-lhe apaixonadamente.
As línguas brincavam dentro das bocas dos dois, as mãos de Stark desceram para o quadril de seu namorado, chegando até a bunda, no qual empurrou pra cima, fazendo-o enlaçar as pernas em sua cintura, colocando os braços sobre o ombro de Tony. O antigo Homem de Ferro o levou escadas a cima, até o sofá da sala, onde fizeram amor ali mesmo. Não havia tempo para chegar ao quarto, eles estavam vivendo uma lua-de-mel apaixonada que não parecia ter fim.
Eram só eles. E as brigas. E o sexo. E os passeios pelos campos.
Eram só eles durante dois anos inteiros.
Então, acabou. Simples, sem preparo, sem as coisas se destruindo aos poucos. Só... Acabou.
Tony acordou um dia em seu apartamento/restaurante e Loki não estava lá. Não havia nenhum sinal do Deus Nórdico por nenhum lugar. As roupas, as coisas dele ainda estavam no apartamento, mas não havia nenhum sinal do dono. A única coisa que tinha sinal de Loki fora um bilhete que deixara em cima do balcão da cozinha, um frio e curto “adeus”. Somente isso estava escrito no papel. “Adeus”. Nada mais, nenhuma desculpa, nenhuma frase de “não amo você”, ou “foi tudo uma mentira”, nada. Só...
“Adeus”.
Tony Stark não iria se conformar com uma coisa tão simples. Por duas semanas procurou por Loki pela Terra, procurou qualquer sinal dele que o indicasse que havia voltado a utilizar seus poderes e estava tentando atacar o planeta novamente. Quando estava pensando em mostrar sua presença para Furry, a fim de conseguir alguma palavra com os outros asgardianos, alguém veio até ele. Uma mulher loira, com vestimentas não tradicionais, típicas de uma rainha de um reino desconhecido e soube reconhecer imediatamente quem era.
- Frigga... – a mãe adotiva de Loki. Ele contava sempre de uma forma mais amigável, quase apaixonada sobre a mulher que lhe ensinara tudo o quê conhecia sobre magia.
- Isso mesmo. E você deve ser o amante do meu filho, Loki – ela estendeu a mão em cumprimento, aceitando e balançando a mão levemente.
- Se você está aqui, então algo ruim aconteceu. O que foi? Loki tentou ser rei de novo? Está preso nas profundezas de Asgard? – ternura e pena definiram nos olhos claros da mulher naquele instante.
- Ele está morto, meu filho. Morreu alguns dias atrás enquanto ajudava Thor em Svartalfheim, um dos noves reinos. Estou aqui para levá-lo ao funeral, pois acho que é o mínimo que você merece – Stark abalou-se com a notícia, precisando da parede ao seu lado para lhe sustentar e ainda assim não fora suficiente, seu corpo fora ao chão e colocou o rosto entre os joelhos.
- Mor-Morto? – Frigga o ouviu soluçar, abaixando-se também e passando uma das mãos nos ombros dele, enquanto a outra segurava em um dos braços – Como isso aconteceu?
- Forças poderosas ameaçaram o nosso mundo e o seu mundo, Thor veio escondido em busca de Loki, implorando-lhe para ajudá-lo a salvar sua amada e Asgard. Loki disse sim com a promessa que nunca mais nenhum de nós viria perturbá-los novamente. Porém, durante a batalha ele fora ferido gravemente e não resistiu, somente ontem achamos o corpo dele e hoje está sendo preparado o funeral – silêncio instalou-se sobre eles. Frigga não escutava nenhum som vindo do humano, mas sabia que ele tinha seu coração destruído – Loki morreu com honra. Salvando Asgard, Midgard e Jane. Salvando a todos nós. Vim aqui, pois sei que você o fez mais feliz em dois anos que durante toda a sua vida inteira e deixá-lo no escuro não seria nada justo – demorou um tempo até que Tony respondesse.
- Eu vou com você – ele disse esticando a mão para que os dois levantassem.
De mãos dadas um portal se fez e os dois atravessaram. A mulher olhou para o companheiro de seu filho com ternura. A cabeça dele baixa indicava que ainda estava tentando processar a perda do amado e isso fez seu coração sofrer ainda mais pela perda do filho. Ele havia encontrado o amor, mesmo em seu jeito totalmente errado, havia encontrado a felicidade e agora não poderia vivê-la. Antes que atravessem para Asgard, beijou a testa do humano em compaixão, como se disse “você não é o único”.
Chegando ao reino mágico, Frigga lhe conduziu até uma sala, no qual poderia se trocar para cerimônia que iniciaria dali algumas horas, quando a noite chegasse. As roupas foram trocadas e depois Tony foi levado até um salão, onde o que poderia ser chamado de caixão ocupava bem o centro e podia ver que o corpo de Loki estava ali. O Pai de Todos não se fazia presente, mas Thor e Jane estavam. O loiro estava sentado próximo ao “caixão”, que na verdade era mais um altar, totalmente decorado em verde e dourado, com uma escada que guiava até o topo, onde o corpo estava. Ignorando-os, Stark subiu os degraus até vê-lo.
Quase não o reconheceu. A pele sempre tão branca de Loki havia sumido, dando lugar ao azul claro chamativo, com os detalhes sobressalentes em sua forma conhecida como Jotun. Havia o visto assim somente uma vez, quando tivera contato com nitrogênio líquido, uma substância que ele usava para congelar rapidamente algumas iguarias e seu corpo tornou-se azul com seus olhos vermelhos. O seu lado não-asgardiano revelava-se agora em sua morte, já que seu corpo estaria frio para sempre. Ficou o encarando por um longo tempo até ter a coragem de tocar seu rosto. A pele sempre macia ficava um pouco mais áspera, mas Tony não via problema. Ele gostava do exótico.
Notou que Loki estava usando uma vestimenta muito bem trabalhada. Os detalhes em dourados extremamente brilhantes e o verde forte destacando-se por toda roupa. As melhores roupas para alguém que morrera com honra. Desceu os olhos até as mãos que se encontravam cruzadas sobre a barriga, vendo um artigo peculiar enrolado em uma delas. Um cordão de ouro, no qual um anel estava preso e colocado no anelar. Institivamente levou a mão ao seu peito, sentindo o mesmo artefato pendurado em seu pescoço.
- Minha mãe achou que esse seria o local mais apropriado para colocar um anel – ouviu a voz de Thor, sentindo sua presença no topo do “caixão”. Tony não respondeu preferindo controlar-se diante daquilo. Não iria chorar na frente deles – Todos nós sentimos –
- NÃO! – Stark virou-se furiosamente para o loiro, sentindo seu autocontrole evaporar – Não diga que você sente! VOCÊ o arrastou para isso! VOCÊ o levou pra longe de mim! VOCÊS – e o moreno direcionou o olhar para Jane – São os culpados dele está morto! Então, não diga que sente muito! Não diga que ele morreu com honra e todas essas idiotices, apenas vá embora! – Tony voltou seus olhos para Loki, sentindo-os embaçar.
- Eu perdi um irmão também, Stark – o moreno saiu de seu lugar e ficou de frente para o loiro.
- Se você amasse tanto seu irmão – e usou o desdém nessas palavras – Como tanto diz, havia encontrado uma outra alternativa para resolver seu problema sem colocá-lo em perigo. Qualquer outra – ao finalizar, Stark voltou ao seu lugar – Saia. Saia. Saia!
Sem perceber, Frigga havia retornado ao salão, indicando para que Thor e Jane saíssem. Tony precisava de um pouco de privacidade com Loki. A loira guiou o casal para fora, saindo com eles. E tão logo só havia Tony e Loki, novamente.
Sem brigas.
Sem sexo.
Sem passeios no campo.
Só lágrimas.
Dor.
Palavras de ódio.
Palavras de desespero.
E palavras de amor.
Até o anoitecer, Stark ficara exatamente naquela posição, conversando e sentindo as lágrimas rolarem no seu rosto. Por vezes acariciava a face de Loki e beijava-lhe os lábios. Tudo era tão frio que nada lembrava a personalidade quente e lasciva que havia se apaixonado. Algumas vezes tentou-se convencer que aquele não era seu Loki, não era o idiota que tinha jogado de sua janela, ou aberto um restaurante numa cidade esquecida da Itália. Era só um boneco, uma das ilusões de Loki para enganar a todos. Contudo, a realidade lhe atingia quando sentia o frio emanando do corpo. Ninguém mais, nenhuma ilusão, seria capaz de reproduzir aquilo.
A noite chegara num céu com muitas estrelas e sem nuvens. Tony ouviu passadas no salão e ao olhar para trás, notou que era Frigga. O rosto dela estava cansado e podia ver traços de lágrimas. Stark não escondeu que também estivera chorando, pois não havia motivo. Sem contar que não se sentia intimidado, ou desconfortável com ela, ao contrario, ela emanava uma boa aura que lhe dava conforto e calor. Era como se fosse um abraço de mãe em que sentia-se totalmente seguro. Talvez esse fosse o poder da esposa do Pai de Todos, fazer as pessoas sentisse como se fosse seus filhos. Logo entendeu porque Loki tinha tanto apreço por ela.
- A cerimônia já vai começar, precisamos ir para o rio – com um último beijo nos lábios, Stark levantou-se e acompanhou a mulher, vendo soldados pegarem o “caixão” e transportá-lo para outra saída.
Durante o percurso para o lugar que assistiria o funeral, onde ficaria com a família real. Frigga explicou-se como aconteceria a cerimônia, não precisou de muito, pois Tony conhecia um pouco de mitologia nórdica e sabia que os rituais dos vikings eram muito parecidos com as tradições asgardianas. Seguiu-a, notando que estavam indo em direção aos barcos no rio, perguntando-se o porquê daquilo. Notou que como última honra, o elmo, que tanto Tony Stark fizera piadas, foi colocado na cabeça de Loki e sua mãe lhe dera um suave beijo na testa como um último adeus.
Então, ambos deram a meia volta, indo em direção o que seria um trono, no qual Odin conduziria a cerimônia. Ele controlava o rio mágico, no qual guiava os barcos para a catarata. Bem a frente, num barco bastante adornado, estava o corpo de Loki. A família real sempre viria a frente, Stark permitiu-se sorrir irônico daquilo, pois Loki sempre rejeitara firmemente suas raízes e ali estava ele, numa verdadeira cerimônia asgardiana. Notou que havia várias pessoas no funeral, perguntou-se se era por Loki, ou pelos soldados mortos. Certamente a segunda opção e talvez Frigga e Thor incitaram o povo com suas palavras sobre honra, esquecer o passado, nova pessoa, etc.
Os barcos começaram a se mover, em um curso lento e Stark ficou com os olhos presos somente ao barco de Loki. Com um toque do cajado ao chão, a primeira flecha fora disparada e acertou seu alvo em cheio, incendiando o barco. O fogo tornou-se forte rapidamente, tomando todo o barco, que chegou a ponta da catarata. Contudo, ao invés da gravidade aplicar a sua força, o barco permaneceu no ar durante alguns instantes até que se desfez em pontos brilhantes que coloriram o céu escuro, virando bonitas estrelas. Logo, os habitantes soltaram um tipo de balão com uma luz dentro e os outros barcos foram incendiados, virando estrelas ao chegarem na ponta.
Tony não se importou com eles.
Tony importou-se em decorar as estrelas que Loki havia se tornado.
Porque quando retornasse a Terra, seria só ele e Loki.
Nós céus.
Juntos.
Para sempre.
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