Our Miracle
2 01 - Do sorriso as lágrimas.
Notas iniciais
Our Miracle
01 – Do sorriso as lágrimas.
Logo após a queda de Astaroth um período de paz se instalou, claro que todos sabiam que era apenas um período, afinal o próprio Duel fora de encontro a Elesis – logo após saber da morte de seu anterior “cúmplice” – e informara sobre o possível retorno de Cazeaje e, junto a isso, informara a caçada sobre a Profecia dos Doze discípulos. A ruiva não levou aquela profecia como uma simples brincadeira – o que grande parte da caçada estava a fazer – ela compreendeu e aceitou, mesmo que tal profecia significasse sua morte pela paz nos mundos.
Ao fim de tudo a caçada já retornava a base original. Canabam os esperava, assim como Lothos, a rainha e o povo. E, para a ruiva, muito mais do que simples amigos e companheiros a aguardavam.
Carregando uma expressão impassível a líder, seguida por seu grupo deveras animado, atravessou os muros do reino não tardando em deparar-se com vários olhos que voltavam-se para si. Cidadãos sorriam e acenavam, cumprimentavam educadamente e alguns até choravam ao contemplarem os heróis de Ernas. Estavam todos felizes, esbanjando sorrisos e palavras gentis, e não demorou muito para que fosse organizado um pequeno festival em homenagem a Grande Caçada cujo objetivo fora completo com exímio sucesso.
Logo quando percebeu estar plantada sozinha ao centro da avenida, sorrindo e acenando – apertando as mãos e agradecendo aos elogios – para os Canabanenses fora que a ruiva dera conta de que os membros da caçada agora encontravam-se espalhados cada um perdido em meio ao grupos de fãs que os banhavam em elogios de varias referencias. Claro que haviam aqueles que aproveitavam para se mostrar e inflar ainda mais o ego gigantesco que possuíam – vulgo Ecnard Sieghart, Amy Iruha, Rey Von Crimson River e Lupus Wild -, mas haviam outros que, como esperado, encolhiam-se entre as palavras e as garotas que se atiravam em seus braços elogiando cada parte que podia ser avistada (possivelmente até as que não eram vistas) – vulgo Zero Zephyrum. E, obvio, havia quem estivesse alheio a tudo e todos – ou talvez nem todos.
Assim a ruiva riu. Cada um estava se divertindo, mesmo Lass e Mari haviam encontrado algum divertimento. Passou o olhar por cada um, parando apenas para fitar o Asmodiano – Dio Burning Canyon – cujo lhe observava, claro que, no momento em que seus olhares haviam se encontrado o rapaz tratou de desviar a atenção para qualquer outra coisa, ou pessoa. Assim o sorriso, aquele que poucos foram capazes de ver, veio aos lábios rosados da moça, agora, mulher.
Suspirou cansada. Os minutos pareciam cada vez mais longos e as pessoas ao seu redor apenas se acumulavam, perguntando-lhes coisas que Elesis não sabia quantas vezes tivera de repetir. Murmurando, constrangida, algumas desculpas a ruiva direcionou-se a fonte que postava-se ao centro da cidade. No caminho não pode deixar de notar uma loira esbelta trajando uma armadura familiar, e mesmo que os cabelos dourados agora estivessem curtos, a quilômetros de distancia a Sieghart identificaria sua comandante Lothos.
Acenou para a superiora, mas se quer ousou aproximar-se da mesma que conversava com alguns “velhos amigos” enquanto via a ruiva caminhando para a fonte onde poderia, enfim, descansar os pés.
~O.M.~
De seu luar entre um ninho de moças que esbanjavam sua beleza e seus dotes, o Asmodeus fitou sua líder afastar-se, notou a mesma acenar para uma loira – cujo identificou como a mulher nomeada Lothos – e logo a ruiva tornou a caminhar rumo a fonte larga e alta, que se erguia com anjos carregando flautas e harpas, em meio a praça central.
Viu a mesma sorrir e acenar para aqueles que a cumprimentavam e, durante todo o tempo em que conviveu com a caçada – um período de quase uma década humana – o Asmodiano jamais havia visto aquele sorriso nos lábios belos da mulher; claro que ele já vira Elesis sorrir, mas não daquela forma, não com toda aquela beleza e brilho. E fora isso, a peculiaridade daquela beleza radiantemente única, que quase fizera o poderoso Asmodeus sorrir.
Cruzou os braços, reprimindo a ânsia de se aproximar de sua líder a fim de contemplar ainda mais de perto a veracidade daquele sorriso, mas – obvio – contera-se. O que diabos pensariam de si caso assim fizesse o que desejava? Inspirou profundamente e fechou os olhos enquanto empurrava para o fundo da mente a idéia de estar mais próximo da ruiva. Tinha de conter-se, apenas olhá-la era o suficiente, tinha de ser o suficiente.
~O.M.~
Mordeu o lábio inferior, evitando que seu constrangimento fosse demonstrado muito além do avermelhado de suas bochechas. Sentia o coração pulsar assustadoramente em sua caixa torácica e Zero quase jurava que o mesmo, em pouco tempo, poderia saltar por sua boca.
Remexera-se, incomodo pela grande atenção que recebia das moças que lhe ofereciam bebidas e varias outras iguarias do reino. Onde fora se meter?, era o que questionava-se tremulo. Já ao fundo de sua mente podia ouvir uma risada familiar e até um pouco incomoda.
Grandark, apesar de aparentar estar entre os sonhos, estava – na verdade – aproveitando-se da situação em que seu empunhador se encontrava. Ria, ou melhor, gargalhava no interior da mente do Zephyrum constrangendo-o cada vez mais e sempre que podia.
Engolindo em seco, negando o que lhe era oferecido de forma educada e buscando não gaguejar – e também ignorando a irritancia constante de Grandark – e Peregrino buscou, mesmo com os olhos sob a mascara, um meio – ou mesmo alguém – disposto a lhe salvar dos braços de seu pior e mais temido pesadelo. E fora nessa busca, passando pela Deusa Canaltiana que aparentava discutir algo com o Ninja e ignorando os sorrisos arrogantes de Rey, que Zero avistar a ruiva, sua líder – a única mulher que pareciam não se importar com beleza e derivados – conversando com algumas pessoas, não simples pessoas, pois estas tinham armaduras como parte da vestimenta e carregavam – pelo que o Zephyrum pode identificar – espadas, cajados, cimitarras e muitas outras armas. E aquele grupo que parara sua líder lhe chamara a tenção, talvez, mais do que deveria; mas o empunhador da lendária espada Grandark não pode deixar de perceber que a aura em torno da ruiva tornara-se diferente perto daqueles cavaleiros de armadura vermelha, era quase como se eles estivessem em um mundo apenas deles.
Fixou seu olhar no grupo e na ruiva, de alguma forma queria se aproximar, mas tinha a plena certeza que aquela não era à hora adequada, e mesmo que fosse, o que diria?
Fora então que aconteceu. Num segundo a mulher de cabelos avermelhados longos estava a sorrir enquanto conversava com um loiro, talvez o líder daquele grupo, e no momento seguinte o sorriso da Sieghart desaparecera dando lugar a uma face lívida de emoções que, segundos após transformara-se em uma total angustia. De longe não era notável, mas os murmúrios de Grandark em sua mente o diziam que os olhos scarlets tão brilhantes e determinados, agora, banhavam-se numa agonia que tornava a aura impiedosa da ruiva um furacão de emoções.
O que poderia ter acontecido?
~O.M.~
Sorriu, zombeteiro, enquanto dançava a Scarlet – sua arma – entre os dedos enluvados. Fez uma pose e foi o suficiente para as humanas irem a loucura por seu charme e beleza. Certamente, ele era o melhor e não cansava de admitir isso a si mesmo.
Num rápido movimento passou o olhar pela multidão, e por mais além da mesma. Fora quando ele vira e silencioso Andarilho que carregava o lendário Grandark correr em uma direção que, até então parecia aleatório. Desviando o olhar para onde o Zephyrum seguia caminho o Wild avistou a ruiva cujos lábios tremiam tanto quanto as mãos, estas que agora envolviam-se numa espada embainhada que era puxada para junto ao peito. Cerrando o olhar o loiro viu as lágrimas que se acumularam nas belas orbes scarlets escorrerem pela face alva e imaculada e, ao fim, pingarem sobre a vestimenta e a bainha da espada.
O terror e a dor que eram transmitidas por aqueles olhos, certamente, jamais serão esquecidos por Lupus, mas isto devia-se apenas ao fato de que o loiro jamais cogitou a possibilidade de que algo algum dia pudesse abalar a ruiva a aquele ponto de pressão.
Notou que os lábios se entreabriram num provável grito mudo, mas tudo o que escapou dos mesmo foram gemidos abafados pelas lágrimas salgadas e dolorosas.
O que poderia ter acontecido para que Elesis Sieghart fosse empurrada a aquele ponto?
~O.M.~
Seu peito latejou de forma que nunca pensou ser capaz de sentir mais uma vez. Mais uma vez estavam castigando-a? Será que ela já não pagara o suficiente com a morte da mãe e do pai?
Quanto mais teria de suportar?
Sentiu as pernas bambas e não tardou para que os joelhos fraquejassem a levando direto ao chão. O homem a sua frente abaixou-se, em solene respeito à ruiva, e o restante de seus cavaleiros vermelhos não tardaram em imitar tal ato. Olhares tristes, vagos, assombrados e arrependidos fitavam o chão banhados numa vergonha que os impedia de fitar a ruiva nos olhos.
Nenhuma palavra escapou dos lábios da mulher, nem mesmo quanto Zero surgira a seu lado e pusera a mão em seu ombro enquanto fitava ofensivamente o loiro que lhe dera uma terrível noticia. Poucos segundos após o surgimento do Andarilho, Lothos, Lupus e Dio já encontravam-se ali, preocupados com o estado da ruiva que, jamais havia sucumbido tão facilmente a uma emoção.
O que poderia ter acontecido?, era o que questionavam-se. Mas na mente da ruiva apenas uma palavra ressoava numa indagação que a mulher talvez jamais obtivesse a real resposta.
Por quê?
Continua...
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