Our Little Girl
4 Capítulo 03
Kara olhava atentamente para Santana que parecia ansiosa, e em seguida para Charlie que parecia no mesmo nível de ansiedade, ambas temendo a reação da menina que franziu o cenho.
–Se... Se eu sou aquele bebê – Começou a falar e parou por alguns segundos, parando para pensar – Quer dizer que você é a minha mamãe? – Perguntou confusa. Santana deu um sorriso nervoso e assentiu. – Você vai me levar embora? – Perguntou, preocupada, dando um passo para trás.
– Não! Não, pequena, eu... Eu sou sua mamãe, mas ela... — apontou para Charlie, que a olhou curiosamente, para ser sincera, nunca imaginaria que Santana fosse ajudá-la, na verdade, tinha a idéia de que a latina ia fazer sua caveira para Kara só para levá-la embora, mas agora, parecia que não seria tão difícil tolerá-la. — ela também é sua mãe, a única diferença é que ela é sua mamãe do coração, porque ela cuidou de você por todo esse tempo, dês de que você era aquele bebezinho, quando eu não pude, e eu sou sua mamãe de sangue, e eu... Só vim aqui porque talvez... Quando nos conhecermos melhor, se você quiser que nós nos conheçamos melhor, eu possa ser sua mamãe do coração também, junto com ela... — Santana mordeu o lábio, as lágrimas enchendo seus olhos devagar, ela esperava ansiosamente pela resposta de Kara, como uma pessoa tão pequenininha podia ter tanto poder sobre ela?
Kara ainda parecia desconfiada e olhou para o chão enquanto parecia pensar, Charlie parecia quase tão ansiosa quanto Santana que sentia como se fosse não conseguir respirar.
–Mas... A mamãe – olhou para Charlie – vai continuar sendo minha mamãe, não é? – Perguntou e Charlie sorriu e assentiu levemente. – E Você não vai me levar embora não é? Por que eu gosto muito do Bacon da mamãe – disse olhando para Santana que sorriu levemente e assentiu. – Hm... Então... Então ta bom... – Respondeu hesitantemente.
–Tudo bem mesmo, meu anjo? – Charlie perguntou.
– Ela é legal, não é? — perguntou Kara, olhando para a loira, que deu de ombros, então olhou para Santana e deu alguns passos para a frente. — você é legal, não é?
– Eu acho que sim... — Santana deixou uma lágrima cair e olhou para os joelhos, a secando rápido e fitando os olhos curiosos da filha.
– Por que você está chorando? — perguntou a pequena, dando mais um passo á frente e estendendo a mão antes de recolhê-la, aquele gesto era tão Santana, que ela quase começou a realmente chorar.
– Por causa de tudo o que eu perdi... — ela sussurrou, sua voz tão fraca que quase sumia.
– Mamãe sempre diz que não adianta chorar por leite derramado... — falou a pequena, mordendo o lábio inferior, outra vez um hábito que a latina tinha.
– Ela está certa. — secou as lágrimas rápido e respirou fundo. — posso... Posso te abraçar?
Kara apenas assentiu e fora até Santana que a abraçou forte enquanto segurava as lágrimas que insistiam em cair, ela parecia ter tirado um grande peso do peito, Charlie levantou e observou as duas abraçadas, colocou as mãos nos bolsos e ficou em silêncio apenas observando a cena, o medo de ser trocada diminuiu um pouco, Kara ainda a chamava de mamãe e ainda queria ficar com ela, as coisas ainda estavam normais.
– Você gosta de Bacon? – Kara perguntou depois de se afastar de Santana que riu levemente e limpou as lágrimas, ela assentiu levemente – Mamãe faz Bacon pra mim... É Muito bom! – Disse animada e Santana olhou para Charlie que deu de ombros levemente.
– Hagrid e Rachel amam bacon... Eu não como há muito tempo. — a latina falou, ficando de pé e olhando para Kara, que parecia confusa.
– Quem são esses? — perguntou, com a cabeça tombando para um lado, parecia um gesto de Charlie.
– Meu cachorro e minha melhor amiga — na hora que ouviu a palavra "cachorro", o queixo de Kara caiu e ela soltou um gritinho animado.
–Você tem um cachorro? – Kara disse animada e Santana assentiu com um enorme sorriso – Mamãe, ela tem um cachorro! – Exclamou, olhando pra Charlie que também sorriu. – Ele é grandão? – perguntou olhando novamente para Santana, os olhinhos brilhando de ansiedade, aquilo só fez o sorriso da latina aumentar.
– Ele é gigantesco, parece um monstro! Mas é bem bonzinho. — falou Santana, sorrindo de lado e olhando da filha para Charlie, que estava com os braços cruzados a fitando com curiosidade.
– Eu quero ver! — gritou, animada, com um sorriso gigante no rosto.
– Que tal assim... A Santana pode ir pra casa, e buscá-lo, e aí ela vem para o almoço e você pode brincar com o cachorro dele o quanto quiser. — Charlie sugeriu.
– Certo — Kara exclamou animada, jogando os bracinhos pro alto, fazendo as duas mulheres sorrirem. — vá buscá-lo! Vá buscá-lo — disse enquanto saltitava e olhava para Santana.
– Ei bolinha de energia, nada de pressa — Charlie repreendeu, ganhando um beicinho da menina em seguida.
– Porque não vai lá em cima chamar a Beth pra jogar videogame até ela voltar? — sugeriu a loira, rindo da cara marrenta da filha.
– Santana. — Kara chamou, e a latina a olhou. — do que eu chamo você? Se a mamãe é mamãe e você também é mamãe não vai ficar confuso?
– Você pode me chamar de... — pensou por alguns segundos, alegre que a pequena queria algo para chamá-la, um gesto tão pequeno já significava tanto... — mami. É como chamava minha mãe, quer dizer mamãe, só que em espanhol.
– Mami... Gostei. — falou a menina, sorrindo. — se você é minha mami, o cachorrão é meu também?
– É sim, claro. — a morena respondeu, sorrindo. — agora porque não vai lá chamar sua amiguinha enquanto eu busco ele?
– BETH! EU GANHEI UM CACHORRO! — a moreninha subiu as escadas correndo.
– Kara Harley Fabray! Não corra nas escadas! — Charlie avisou, mas a filha já tinha sumido no corredor.
– Ela é uma gracinha — Santana disse enquanto olhava para Charlie — Você a criou bem — adicionou. Charlie sorriu.
– Eu fiz o melhor que pude...
– Obrigada, Charlotte — Santana interrompeu e a loira a olhou, confusa — Por ter cuidado... E amado minha garotinha...
Charlie sorriu assim como Santana, elas ficaram um tempo em silêncio ate que Rachel entrou na sala novamente.
– Berry? O que diabo você ainda ta fazendo aqui?! — Santana perguntou, assustada, olhando a amiga como se tivesse brotado do chão.
– Te esperando, a gente tem que chamar um táxi e não queria que tivéssemos que pagar dois. — Charlie analisou a baixinha pela primeira vez desde que tinha chegado, ela tinha um corpo bonito e cabelo legal, parecia estar sempre preocupada demais com Santana, talvez elas fossem alguma espécie de amigas coloridas, a loira não sabia ao certo porque a idéia a decepcionava pelo menos um pouquinho...
– Eu já to indo, não se preocupe — Santana retrucou emburrada, fazendo Rachel revirar os olhos e sair da sala. — Desculpe por isso — Disse para Charlie logo apos indicar Rachel. Charlie deu de ombros.
–Tudo bem — Respondeu tentando soar casual.
– Então eu realmente posso trazer Hagrid aqui mais tarde, certo? — Perguntou.
– Claro, se você voltar aqui sem o cachorro, cabeças vão rolar, você ainda está para ver os ataques de birra de Kara Harley. — Charlie brincou, enquanto levava as duas até a porta.
– Ok então. — falou a latina, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha enquanto passava pela porta. — posso te abraçar? Merda! Peguei essa mania de pedir abraços da Rachel. — praguejou, gesticulando para a judia que estava na calçada falando ao telefone. — mas é que... Kara é nossa filha agora, não? Eu... Acho que seria uma boa forma de... Sei lá, começar nosso relacionamento.
Charlie abriu e fechou a boca algumas vezes e Santana pareceu nervosa com isso, talvez pedir um abraço naquela situação não fosse uma boa idéia afinal de contas.
– err... Tudo bem... Eu acho — a loira respondeu e Santana abriu os braços hesitantemente assim como Charlie, A latina respirou fundo e simplesmente a abraçou.
A morena ficou nas pontas dos pés, deitando a cabeça no ombro da outra e respirando fundo, ela cheirava a maçã ou algo assim, parecia algo cítrico, enquanto Charlie envolveu a cintura da mais baixa devagar e prendeu a respiração, um calor muito forte tocando seu peito, era estranho e desconfortável, mas ao mesmo tempo parecia importante, elas se separaram devagar e olharam nos olhos, Santana sorriu fracamente, constrangida.
– Obrigada... — sussurrou, olhando para Rachel que estava na calçada fingindo mexer em algo no seu celular. — é... Eu acho que precisava disso.
A loira deu de ombros e Santana sorriu mais uma vez, se afastando e indo ate Rachel, olhando por cima do ombro e vendo Charlie ainda lá a olhando de forma confusa.
– ei — disse parando ao lado de Rachel que de um sorriso travesso — que foi? — Perguntou.
– Ta afim da loira bonitona? — Rachel perguntou fazendo Santana arregalar os olhos.
– Eu acabei de conhecê-la, Hobbit! — Exclamou.
– Hummm... Acha que eu não vi aquele abraço desnecessariamente longo, an? — provocou a baixinha, cutucando-a com o cotovelo enquanto o táxi estacionava e as duas entravam.
– Sério que é nisso que você está pensando? Com a minha filha ressuscitada bem ali? — gesticulou para a casa enquanto a judia dava o endereço ao motorista.
– Santana, você não me engana — Rachel retrucou — Mas não te culpo por estar afim dela, Ela realmente é bonitona.
– Pare de chamá-la de "bonitona", você fica parecendo um garoto de 10 anos — retrucou emburrada.
– Dane-se — a morena deu de ombros, pegando sua base de dentro da bolsa e abrindo-a para se ver no espelhinho.
– E ainda acho surpreendente que não tenha nada a dizer sobre a linda menininha de quatro anos que acabamos de conhecer... — a latina observou, sonhadora. — ela tem todos os meus tiques, você tem que ver, vou lá almoçar com elas, tenho que levar o Hagrid.
– Cachorros conquistam mães adotivas da sua filha? — Rachel perguntou, ganhando um olhar serio de Santana — Okay, não esta mais aqui quem falou — disse enquanto levantava as mãos em rendição. — Mas...
– Rachel, mais uma palavra e eu te jogo pela janela — Ameaçou.
– Calma! Eu só ia perguntar se correu tudo bem. — a judia fala, com as duas mãos erguidas em rendição. — como ela é?
– Incrível. — Santana falou, com um sorriso enorme. — acho que sou até um pouquinho grata por ela ter acabado com a Charlotte, não sei se teria feito um trabalho tão bom como mãe... — desabafou, brincando com as franjas de sua bolsa.
– Você é maravilhosa, San, tem que se dar mais o mérito, Kara seria uma garotinha incrível se tivesse crescido com você também. — Rachel falou. — e eu espero vê-la melhor da próxima vez.
– Você vai vê-la – Santana respondeu enquanto sorria – Ela é linda – adicionou com um sorriso idiota e aquela foi a chance da outra de zombar.
–Kara ou a mãe dela? – Perguntou sorrindo, Santana a olhou feio, mas ignorou enquanto pensava que iria passar o dia com sua filha daqui a algumas horas.
– Eu sou a mãe dela também. — falou depois de alguns segundos.
– Hã? — Rachel já estava dispersa, olhando pela janela enquanto elas iam para casa de Santana, deixá-la antes da judia, que morava no prédio ao lado.
– Charlie é ótima, e eu fico feliz que minha filha a tenha também, mas ela é... Minha filha também. — a latina falou, pensativa.
– Huummmm, Charlie, ein? Já tá íntima.
Santana respirou fundo enquanto passava as mãos pelo rosto, controlando a vontade de esganar Rachel que sorria divertidamente pra ela, a latina balançou as mãos e olhou para Rachel.
– Você quer que eu te jogue do carro não é? – Perguntou e Rachel somente riu – Por que esta tão determinada em fazer de mim e Charlotte o seu OTP? –perguntou, irritada enquanto Rachel somente dava de ombros.
–Gosto de te irritar – Respondeu calmamente.
– Muito engraçado. — zombou Santana. — depois falo contigo. — disse, saindo do carro e indo em direção á sua casa. Ela sorriu animada ao chegar em casa, pois passaria o resto do dia com seu bebê.
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