Our Last Waltz

1 So She Dances


Notas iniciais
Cá está, não sei de onde saiiu isso, surgiu enquanto eu lia a tradução de So She dances.

Dizia que ela dançava uma valsa sozinha, só peguei a atmosfera

Subia aas escadas da mansão bege, em direção ao grande salão. Usava meu smoking mais fino possível, na minha mão uma bandeja onde estavam 5 taças de fino champanhe. Sinceramente, aquilo tudo era fútil demais pra mim. Uma festa tão grande pra comemorar um casamento que segundo eles “uniria duas famílias”. Não, uniria duas empresas de duas famílias.

Sou Oliver Walker, o mordomo da Família Wellington, estou servindo uma jovem madame agora, ela sorriu maliciosa enquanto passava o dedo pelo champanhe, mas a ignorei, porque meu coração já não é meu, tem uma dona, uma linda dona que está sendo empurrada pro altar pela própria família.

Valsa era tocada por uma banda de pessoas em smokings brancos, era assustador, chegando a ser macabro pela futilidade idiota e desnecessária em tudo isso. Conhecia muito bem minha amada pra saber exatamente aonde ela estava. Sabia aonde ela ficava quando queria ficar sozinha.

Subi as escadas, dando a desculpa que iria oferecer o ultimo champanhe a ela. Apesar de ter recebido uma leve critica da patroa por permiti-la beber, achei que fingir não ouvir seria muito útil, então continuei subindo as escadas.

Enquanto atravessava o tapete xadrez no corredor escuro, equilibrando o ultimo copo de champanhe com cheiro forte no ar, eu pensava em todas as coisas que passamos juntos e como tudo isso começou.

Quando fui contratado pela família, já sabia que não deveria me apaixonar pela filha deles, porque sabia que ela seria usada em um jogo de poder no momento em que conheci seu pai, mas quando a vi...

Seus cabelos dourados como se fossem as ondas do mar, mas dourados como se o sol tivesse trabalhado em cada fio até a exaustão. Seu corpo delicado como uma rosa. Seus lábios eram finos e rosados de um tom que pareciam ser feitos de morango, lembro que revirava noites imaginando os gostos daqueles lábios. Olhos verdes e vivos como se fossem folhas de uma árvore na primavera. Sua pele branca, linda como se fosse a branca de neve.

Tudo começou no que devia ser uma noite qualquer, as 5 da tarde, o sol já se punha no horizonte, e eu levava até lady Fay. Tinha que agüentar firme pra não beijá-la enquanto ela tomava seu chá e comia sua torta.

-Lady Fay Wellington? Posso entrar? –Perguntei, batendo na porta lentamente.

-Ãhn? Pode. –Eu entrei, ela estava na sua sacada. Era uma sacada enorme, praticamente uma sala circular sem teto onde havia uma mesinha e cadeira de metal onde ela fazia seu chá.

Pedi licença e entrei com o trabalho de fechar a porta, levei até ela o chá de jasmim, que eu sabia ser seu favorito, e uma torta de limão, que também era sua favorita. Ela deu um sorrisinho angelical que me fez corar e fazer minhas bochechas parecerem rosas. Ela deu um riso de leve enquanto a entregava um garfo prateado.

-Oliver, estive pensando, e gostaria que me chamasse só de Lady Fay, ou só de Fay mesmo, já nos conhecemos a tempo suficiente pra sermos amigos. –Sorriu de novo. Na verdade, nossas idades só são diferentes por 2 anos. Ela tem 20 e eu 22.

-Como quiser, Lady Fay. –Eu sorri naquele momento. Ninguém liga muito pro sorriso de um mordomo, mas ela era diferente.

-O sol se pôs mais cedo hoje. –Comentou, bebendo o chá. Não sei o que me deu, mas aquilo saiu.

-Vai ver que ele se sentiu humilhado pela sua beleza. –Droga! Agora ele iria me chamar de pervertido, me empurrar e eu seria despedido. Seria isso que uma pessoa do calibre dela faria.

Mas não ela.

Ela simplesmente corou, sorriu e olhou pra mim com olhos apertados e brilhantes.

-Acha mesmo que a minha beleza humilharia o sol? –Perguntou, sorrindo e brincando com mexa do cabelo.

-Não só o sol, mas a lua, as estrelas e qualquer deusa que se coloque em seu caminho. –Me ajoelhei em sua frente e peguei sua frente, nos colocando em uma posição que parecia que eu a estava pedindo em casamento. –Perdão, creio ter me empolgado um pouco.

-Não, não! –Ela gritou, estava totalmente vermelha, eu tinha assumido uma coloração rosa, mas que já estava passando pra vermelho. –Isso que você falou foi muito... muito lindo, acho que nunca fui tão... bem tratada por um homem antes. –Estávamos nos olhando no fundo dos olhos, eu não estava conseguindo me agüentar muito bem.

Ficamos parados, sem saber o que fazer naquela situação embaraçosa até que eu que estava apoiado em apenas uma das pernas acabei caindo pro lado e a puxando junto. Quando percebi, minha boca estava a um dedo da dela. Ela estava debruçada sobre mim, com suas pernas se encaixando nas minhas. Ia abrir a boca porá me desculpar, mas ela foi mais rápida, me beijou, selou meus lábios com o seu e finalmente, percebi que seus lábios tinham gosto de torta de limão e chá de jasmim. Como eu trazia todas as cinco.

Desde então, começamos. No dia seguinte, as cinco, trouxe seu chá e torta de limão, mas o evento principal não tinha nem torta éramos eu e ela, namorando, olhando a paisagem e dançando valsa.

Nos tornamos amantes desde aquele dia em que, por uma cartada do destino, fomos jogados juntos no chão.A ensinei a dançar valsa, esperei pacientemente ela aprender cada passo e a entender cada movimento. Coisa que ninguém mais nessa família se deu ao trabalho(pra mim o prazer) de fazer. Talvez eu fosse a unica pessoa que a amasse.

E agora ela ia se casar.

Finalmente cheguei ao seu quarto, onde ouvia seu choro baixo. Toquei a porta duas vezes e ouvi um “não entra!!” irritado e magoado, mas do mesmo jeito abria porta e entrei, deixando a bandeja na mesa de cabeceira, me virei pra uma cena que enfiava um punhal no meu coração.

Fay usava um vestido de noite lindo e avermelhado, que combinava perfeitamente com ela, chorava desconsoladamente sentada na cama. Me sentei nos meus joelhos e a puxei pra um abraço reconfortante.

Depois de algum tempo naquela posição, deixei que simplesmente ela parasse de chorar por si só e me beijasse. Já mais calma, a ajudei a se levantar e se colocar de pé, me olhando com profundo olhos de esmeralda brilhante, sorriu e se aconchegou no meu abraço.

A levei pra sacada onde podíamos tomar um pouco de ar. A sala tirava todos os sons do lugar, ela me pediu um tempo e voltou pro quarto, pegando uma caixinha de musica de cristal e a abriu, deixando na mesa de metal e vidro. Tocava a musica So She Dances, e eu compreendi naquela mesma hora, vendo a bailarina e o homem de smoking feitos de cristal girando na caixinha de musica.

-Então, minha senhorita. –Fiz um gesto de respeito, me curvando diante dela e estendendo minha mão. –Me daria a honra de me conceder sua ultima valsa junto a mim.

-Ela sorriu, aquele sorriso angelical que me fazia corar e parecer rosa. –Sim, caro Oliver, com prazer. Guie-me noite a dentro.

A puxei e sozinhos, naquela sacada, começamos nossos últimos momentos juntos.

A waltz when she walks in the room

She pulls back the hair from her face

She turns to the window to sway in the moonlight

Even her shadow has grace

A waltz for the girl out of reach

She lifts her hands up to the sky

She moves with the music

The song is her lover

The melody's making her cry

So she dances

In and out of the crowd like a glance

This romance is

From afar calling me silently

A puxei pela cintura pra podermos dançar, queria que aquela noite nunca acabasse. Poder olhar na profundidade de suas esmeraldas, e permiti-la ficar tão perto de mim, mesmo nessa relação tão proibida. Estávamos muito mais perto um do outro do que o normal. Era nossa ultima dança e eu fazia questão de aproveitá-la como deveríamos.

-Você está lindo a luz da lua. –Sorriu, olhando pra mim e me dando um beijo estalado na bochecha.

-Você está sempre linda. –Beijei sua face ruborizada pelo choro e pela minha aproximação. –Quero que você esqueça aquele idiota, vamos virar a noite dançando e fazendo as estrelas tenham inveja do nosso amor.

A waltz for the chance I should take

But how will I know where to start?

She's spinning between constellations and dreams

Her rhythm is my beating heart

Podia ver naquela alma e naquela mulher, coisas que eu sabia que ninguém mais no mundo apreciaria como eu. Sua bondade, generosidade, justiça, sua beleza tão única quanto as flores do campo.

-Oliver, prometa que mesmo eu me casando, não vai me deixar. –Me partia o coração a idéia de vê-la com outro, de vê-la dando a luz aos filhos de outro. –Prometa que eu nunca te perderei, que mesmo tendo aquele cretino como marido, ainda possa te ver, te beijar, te tocar e ser só sua. Não importa o que vai acontecer na maldita cerimônia ou o que meus pais querem de mim, a pessoa mais importante da minha vida é você agora. E pra sempre será.

A idéia ainda não entrava bem na minha cabeça, a de trair todas as idéias de matrimonio que eu tinha. Mas ela era a pessoa mais importante da minha vida de agora em diante.

So she dances

In and out of the crowd like a glance

This romance is

From afar calling me silently

-Podemos nos encontrar durante o chá da tarde, a essa hora ele trabalha de manhã até a noite, e essa vai ser a nossa hora, podemos ficar o tempo todo juntos, e ninguém vai poder dizer nada. –Ela implorava, começando mesmo a chorar.

Inclinei seu queixo e a beijei de novo.

-Nunca vou me separar de você. Vamos continuar nos vendo, iremos a praças, teatros, óperas, peças, irei com você pra qualquer lugar, até mesmo pro inferno, mas vou estar ao seu lado, vou estar de mãos dadas a você e lábios colados aos seus. –Sorri, ela era minha e eu era somente dela. Ninguém deveria se intrometer nisso, mas já que fizeram, ainda assim iríamos continuar nos vendo. –Queria que esse momento durasse pra sempre.

I can't keep on watching forever

I give up this view just to tell her

-Eu também, queria parar esse Segundo pra sempre, queria poder simplesmente parar e respirar o ar puro, sentir o seu calor e esquecer que minha liberdade será logo tirada de mim. –Sorriu pra mim enquanto seu vestido girava abaixo da lua. –Queria poder ter você comigo pra sempre.

-Queria que você acreditasse que pode. –Revidei e ela corou em surpresa. –Minha flor, minha flor própria e única, nunca permitiria que você ficasse sem mim, pode ser minha flor, mas eu serei sempre seu caule, ficarei te sustentando, levantando você, lhe alimentando e cuidando de você, nunca deixarei você ficar fraca ou ter muita dor, você é mais importante do que eu mesmo pra mim. –Lágrimas, minhas e delas se misturando no meu terno.

When I close my eyes I can see

The spotlights are bright on you and me

We've got the floor

And you're in my arms

How could I ask for more?

-A musica está quase acabando. Logo nosso momento vai acabar. E só restarão nossas lembranças. –Falei triste, com os olhos ardendo de lágrimas que eu tentava agüentar.

-NÃO!! –Gritou, se agarrando a mim mais forte, sem perder o passo. –Vamos tocar essa musica de novo e de novo e de novo. Quero ter o máximo de lembranças possíveis. Essa será nossa primeira ultima valsa.

Levantei uma sobrancelha interessado.

-Toda noite, vamos vir aqui, a mansão vai ficar pra mim mesmo, meus pais vão se mudar. Vamos dançar essa mesma musica e acreditar que é mesmo a ultima vez já que sempre pode ser nossa ultima vez juntos.

So she dances

In and out of the crowd like a glance

This romance is

From afar calling me silently

-Vamos ter nossa primeira ultima valsa hoje. Amanhã teremos outra e outra e outra. –Sorria, entre choros e soluços. –E no nosso ultimo suspiro de vida, teremos nossa ultima ultima valsa. E não importa o quão velhos, caquéticos, decrépitos, tetraplégicos, paraplégicos ou qualquer coisa do gênero estivermos, faço questão de dançar essa mesma musica com você, nesse mesmo lugar.

-Entendo. –Sorri e a abracei compreensivo. –Minha vida, minha alma, meu coração, meu cérebro, meu corpo, está tudo a seu dispor, é tudo seu. Eu sou seu. Pouco me importa o que cada um vai dizer ou pensar, ficaremos juntos.

I can't keep on watching forever

I give up this view just to tell her

-Aproveitando nosso amor proibido pelas costas de todos que tem algo contra, ou mesmo na cara deles, mas vamos ser eu, você, a lua e as estrelas toda noite, nessa mesma sacada.

A abracei, enquanto a bailarina e o bailarino de cristal pararam e a caixa se fechava em um rangido leve. A beijei apaixonada e intensamente, sentindo nossos corpos cheios de calor por aqueles simples beijo, sentia que meu ar se esvaia e o dela também, mesmo assim, queria que aquele momento durasse pra sempre.

-A nossa ultima valsa. –Cochichei.

-A nossa primeira de muitas. Dançaremos muitas ultimas valsas pela vida, meu amado. –Sorriu e me beijou de novo, e me abraçou chorando. Chorava, sujando seu fino vestido vermelho.

A chuva começava a cair, com os céus chorando daquela imagem triste que se formava de dois amantes separados por classes sociais diferentes. Uma coisa que a sociedade inútil e futilmente não permitia. O nosso amor proibido. Nosso segredo sujo.

Mergulhei minhas mãos em seus cabelos de ouro e gritamos juntos pra noite:

-Até nosso ultimo suspiro!! Nossas Ultimas Valsas!!

Notas finais
That's The End

Fico mega fofo na minha opnião. Plz, deixem um review e façam um escritor tapado feliz ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!