Our Imortality
24 Haz
Notas iniciais
Eu sempre fui sua favorita e isso era inevitável.
Cresci debaixo de seus cuidados, regida por seus passos e guiada por seus ensinamentos.
Ele sempre fora um grande homem. Em tamanho, já que, como já era de se esperar, por ser herdeiro de Surt, era o mais alto dos homens que já conheci. Contudo, também era grande em seu coração. Sempre bravo, heroico, gentil... meu pai era a personificação do homem que sempre desejei encontrar para me casar.
A primeira palavra que disse fora “papai”. Os primeiros passos foram em direção ao seu colo. O primeiro confidente de medos, angústias e temores... ele.
Sempre ele.
Haz.
Meu pai.
Era à ele que eu, quando mais jovem, recorria quando havia algum problema. Eram de seus olhos que eu buscava aprovação. Eram seus abraços que eu esperava encontrar em momentos difíceis.
Nada era mais difícil para mim do que tomar uma atitude que ia contra sua vontade. Só fui me tocar disso, quando eu finalmente o encontrei cara a cara, longe de Loki, longe de Ilídia, Thor... longe de todos, ali, agora, no berço de minha criação.
Minha mãe estava ao meu lado, ainda segurando minha mão, mas sua atenção não estava inteiramente voltada para mim. Não a julgava, já que eu também não focava completamente nela.
Haz Surtson e seu imenso corpo, parecendo um tronco de arvore albino, nos encarava do outro lado do salão e não media esforços para demonstrar toda a raiva que sentia naquele instante.
Ele estava furioso.
Mamãe, talvez, não conseguia compreender a dimensão de seu ódio, já que sua face impassível deixava transparece apenas a décima parte de um todo muito complexo.
As ondas que atravessavam o salão e rumavam em minha direção me fizeram até mesmo suar. E ele sabia o efeito que estava causando em mim.
Talvez houvesse um jeito. De trazê-lo à tona, de fazê-lo perceber que seu ódio brutal era fruto de anos de guerra que endureceram seu coração e fizeram-lhe o que é hoje. Só precisávamos tentar... ele ainda era meu pai. O meu pai.
─ Eu não... não sei o que aconteceu para que toda essa energia negativa tomasse conta de você, papai... Mas por favor, por favor, volte para nós. ─ quando minha voz soou pelo longínquo espaço, eu esperava que um timbre forte, confiante fosse o que poderíamos ouvir, contudo... um tremor se apossou de meu ser e toda minha confiança ㄧ se é que eu tinha alguma confiança em minha voz ─ se perderam ao longo do caminho e tudo que pareci fora uma criança assustada, com medo do próprio pai.
O que eu havia dito era verdade. Não fazia a mínima ideia do motivo pelo qual levou meu pai a reagir de forma tão agressiva assim. Talvez eu fosse ingênua e, ao longo do tempo, ele demonstrou alguns sinais que fui incapaz de perceber.
─ Ignis, não faça isso. ─ ao ouvir sua voz, pensei, sinceramente, que as coisas estavam caminhando para uma boa direção ─ Não jogue fora todos os anos de treinamento, disciplina e boa educação suplicando desta maneira. ─ ou talvez não... eu estava enganada, mais uma vez. ─ Você seria uma rainha. Uma rainha! E jogou tudo fora por conta de seus desejos egoístas.
─ Eu não joguei fora! ─ as palavras escaparam, e tomada a coragem necessária, resolvi prosseguir ─ Eu me casaria com Loki e, ainda sim, poderia ser rainha.
─ E aquele imundo reinaria ao seu lado? ─ sua testa franzida e o deboche salpicado em sua fala foram o suficiente para que eu compreendesse que dobrar suas vontades estava longe de meu caminho. ─ Eu nunca entregaria meu trono à um mísero príncipe. Thor seria rei. Você seria rainha ao seu lado e juntos prosperariam.
─ Eu não consigo compreender, papai! De verdade! Por quê? Por que não, Loki? O que ele te fez de tão cruel? ─ revirei, dando alguns passos firmes em sua direção, diminuindo a distância que havia entre nós.
─ Loki não será rei! ─ de maneira esbravejante, seu soar fez todas as janelas de vidro em nossa volta tremerem ─ E essa é a minha palavra final. A palavra de um rei. Do seu rei!
─ Então não o mate. ─ por fim, implorei ─ Por favor, tudo o que te suplico é que faça meu Loki-
─ Seu Loki? ─ indagou olhando-me confuso.
Antes que eu pudesse formular qualquer resposta, sua gargalhada cortou o ar de forma afiada.
─ Vê, Semha. Nossa menina chamando um asgadiano de meu Loki.
─ Haz, não faça isso. Não há necessidade de tanto estardalhaço. ─ finalmente minha mãe começou a falar ─ Até mesmo Odin estava adepto à ideia, no fim das contas.
─ Cale a boca você também! ─ ele ergueu o dedo e apontou para ela ─ Isso é sua culpa! Sua culpa! Sua incapacidade de cuidar de nossas filhas, de cria-las adequadamente. Veja a que fim nossa família chegou, Semha. Nossa filha mais velha é uma traidora, a eleita do trono uma prostituta e nosso menino... Iuel é um moleque sem escrúpulos que vive apaixonado por plantas ao invés de guerrear feito homem. Isso tudo é. Culpa. Sua!
─ Pois então que me perdoe e desconte sua raiva apenas em mim. ─ minha mãe começou a caminhar e, ultrapassando-me, chegou mais perto dele. Perto o suficiente para que eu considerasse perigoso se meu pai fosse realmente um inimigo ─ Nossa filha já sofreu demais, Haz. Anos. Séculos. Mergulhada em raízes que não as suas. Fadada a seguir um trono que lhe tratou feito bicho, a impediu de ser quem realmente gostaria de ser. Veja o que nossa filha foi obrigada a fazer, a seguir. E tudo o que pude fazer foi assistir calada o tormento dela. Eu tive que tentar, até mesmo, obriga-la a se afastar de Loki... Tudo isso porque você desejava o trono de Asgard.
─ Então você sabia sobre os dois? ─ um pequeno passo do meu pai em direção à minha mãe e foi o necessário para que eu ficasse em alerta. ─ Pelo que ouvi falar a relação durou anos... Desde quando, Semha?
─ O fato não é esse, Haz. O fato é que-
─ DESDE QUANDO? ─ e foi então que tudo começou. Sua mão direita voou até chocar-se na face de minha mãe e joga-la para o chão ─ Diga-me.
─ Desde sempre! Desde sempre! ─ ela gritou de volta, erguendo suas mãos na tentativa de se proteger de um futuro ataque ─ Eu sou a mãe dela, Haz. É claro que eu sabia o que ia acontecer entre os dois. Antes mesmo que algo viesse a realmente acontecer, eu...
─ Então você sabia e não me disse nada?! ─ ele gritou de novo e pude vê-lo se aproximar, puxá-la pelos braços até erguer seu corpo do chão ─ Eu sou seu marido e você não me disse nada?
─ Papai, solte-a!
De onde tirei forças, se quer eu sabia, mas lá estava. Eu estava o enfrentando.
Novamente.
Por um breve momento eu tive sua atenção voltada para mim, já que ele me olhou de relance.
─ Solte-a! ─ gritei mais uma vez.
─ Ou o que, pequeno passarinho? ─ indagou, imaginando que não obteria uma resposta ─ O que pretende fazer? Chorar ou ameaçar se matar novamente?
Pois é. Eu não fazia ideia do que fazer e, sinceramente, esperava que ele soltasse minha mãe e dedicasse sua atenção inteiramente à mim. Olhei de relance para minha mãe e percebi que seus olhos estavam assustados. Ela tinha medo e não era por si.
─ Veja o que está fazendo com ela. ─ apontei para os dois ─ Ela é sua esposa. Mãe de seus três filhos. Foi ela quem esteve ao seu lado durante todas as derrotas, os dias de inverno, dias de tristeza... Foi ela quem o acolheu, o aceitou como marido. Não faça isso, por favor.
─ É tudo que conseguiu aprender aqui, menina? Pedidos e súplicas? ─ ele pareceu espremer os braços de minha mãe antes de jogá-la contra o chão de mármore. ─ Você deveria mesmo ter ficado ao meu lado no castelo. Olhar de frente para o campo de batalha e ver realmente qual é o papel de um verdadeiro rei. Eu fui um mal pai ao desejar que você fosse educada feito uma lady, uma rainha? Fui um mal pai em desejar que você tivesse um rei para pensar as batalhas, enquanto você desfrutasse da vida fácil de mulher, bem como sua tola mãe teve?
─ Eu não nasci para servir de incubadora. ─ rebati ─ Não fui gerada para ser inferiorizada por uma postura masculina. E isso, papai, foi o que a mamãe me ensinou ao longo dos anos. Grandes reis possuem majestosas mulheres por trás deles. Fui treinada, educada, consagrada para ser a maior de todas as rainhas. Tive os melhores cuidados, os melhores treinamentos para nunca depender da opinião de meu marido. Foi para isso que vim à Asgard. Para aprender, sob a proteção de Odin, a ser tão grandiosa. Mas não como Frigga. Aprendi a ser como Semha, minha mãe.
─ Então parece que aprendeu perfeitamente, pois tudo o que consigo ver aqui são duas lesmas. ─ suas palavras me afetaram de um modo surreal. Não pela ofensa à mim, mas pela maneira como ele tratara minha mãe ─ E sabe o que fazemos às lesmas, Ignis? Nós pisamos nelas.
Antes que seu pé alcançasse a coluna curvada de minha mãe, eu o alcancei com meu chicote de fogo e puxei-o em minha direção, fazendo-o perder o equilíbrio e tombar para trás.
─ Vai precisar me esmagar primeiro então, papai. Porque você não vai tocar na minha mãe.
─ Ótimo, princesa. Vamos ver do que é capaz. ─ sua compostura logo estava de volta, bem como sua espada que, antes descansava na proteção de sua cintura, mas agora balançava de forma ágil entre suas mãos.
Eu não queria fazer aquilo! Era apenas um jogo! Assustá-lo para que não machucasse mais ninguém. Contudo, tudo fugiu do controle e agora eu precisava contê-lo o suficiente até que ele desistisse de lutar com a própria filha.
Lutar com chicotes não era bem uma boa solução naquele momento, então deixei que minhas chamas se refizessem e montassem espadas de dois gumes em ambas as mãos. Apesar de pequenas faíscas escaparem delas, fiz o máximo de mim para que o tamanho, habilidade e força de meu pai não dominassem meu medo e meus passos.
─ Eu não quero machucar você. ─ alertei, enquanto ele dava pequenos passos em minha direção e eu firmava meus pés em uma das posições que me fora ensinado há séculos atrás, quando eu ainda era obrigada a aprender técnicas de batalha.
─ Você cometeu mais um erro, criança. Não se ameaça um rei e depois o desfaz com um aviso tão patético como esse. ─ sequer tive tempo para responder, pois sua espada já cotava o espaço entre nós e, por pouco, não acerta minha cabeça.
Em um ímpeto de clareza, joguei meu corpo para o chão, a tempo de ver a ponta espada chocar-se contra o chão ao meu lado.
─ Não fuja de uma batalha, menina tola! Lute como você mesma disse que foi criada para lutar. Como alguém que não depende de homens.
Arrastei meu corpo para o mais longe que consegui dele e, com isso, algumas chamas fugiram de meu controle e deslizaram pelo salão.
Usei como apoio uma das espadas para erguer-me novamente, agora estava exatamente entre o corpo de minha mãe que, aparentemente, havia desmaiado, e meu pai, furioso, que não queria perder tempo e já estava a caminho de prosseguir com a batalha.
Iniciamos então uma dança pelo salão. Ele atacava, eu desviava. Ele se aproximava e eu fugia. Ele me cortava e eu fazia o possível para não deixar transparecer o quanto estava doendo. Não era atoa que ele era o melhor dos guerreiros. Por isso que, talvez, eu acreditava que sua intenção ali era apenas me assustar. Ele não podia me matar, já que eu ainda era sua filha; sangue do seu sangue; a herdeira do fogo.
Esperança sempre fora meu forte.
Eu sempre acreditei que o universo possuía uma linda lei, a lei da “semeadora”. Nos plantávamos aquilo que colhíamos e, portanto, sempre achei que se agradasse à todos, conseguiria o meu final feliz.
Meu pai, bem como o resto de minha família, me aceitaria e ainda me amaria do jeito que eu era.
Meu povo ficaria a salvo para todo o sempre.
E eu teria lindos herdeiros de cabelos negros e sorrisos meigos. Frutos do meu amor com Loki. Frutos do meu verdadeiro amor.
Como
Eu
Fui
Tôla.
Em um de meus devaneios, sempre acreditei que ao realmente lutar por minha vida, a batalha teria, minimamente, mais que 20 minutos de duração. Eu seria firme, faria diversos cortes em meu inimigo até vencê-lo. Não mata-lo, mas... vencê-lo. Mas... como eu poderia conseguir tal feito se não era capaz de, sequer, empunhar uma espada com destreza e segurança? A resposta não demorou a chegar: eu não consegui.
Não havia tempo para desviar, para luta ou tentar me defender. Sua adaga atravessou meu estômago em um simples golpe. Tão certeiro que grandes guerreiros considerariam belo.
Olhei meu adversário e recebi uma onda de triunfo, seguida por uma certeza de vitória.
Eu morreria pelas mãos de meu pai, incapaz de defender a honra daqueles que eu amava.
Ele removeu a espada de meu corpo e preparava-se para, desta vez, acertar meu coração.
Mas... feito um feixe de esperança, o que parecia ser uma adaga pequena e reluzente atravessou a perna de meu ceifador, causando-lhe, além de uma surpresa memorável, uma ira avassaladora.
Minha mãe acordara e tentava reagir, buscando um jeito de desviar a atenção daquele que desejava a minha morte. Ela erguera seu corpo do chão, após o golpe e encarava o homem, ainda de posse da lâmina afiada que cortara de forma tão certeira.
─ Você não vai levar minha menina, Haz. Não vai. ─ a determinação em sua voz fez-me sorrir. Era dela que eu puxara a vontade de lutar, a certeza de guerrear e a força para perseverar. Eu era tão parecida com minha mãe e nunca havia percebido isso.
Pena que fui perceber tão tarde.
─ Parece que eu terei de leva-la primeiro, então. ─ Haz, o impetuoso, virou-se em direção à minha salvadora e já erguia a espada, pronto para atacar.
Uma poderosa energia tomou conta de meu ser e eu não conseguia contê-la. Gritava tão alto, queimava tão forte! Deixei escapar um grito que pegou ambos de surpresa. Haz voltou-se para mim novamente, mas tinha certeza de que não fora apenas pelo grito. Ele sentiu também.
Eu estava morrendo? Aquilo era morrer?
Não. Eu estava resistindo. Aquilo era eu. Pura e verdadeiramente eu. A Phoenix.
Antes que qualquer ação do homem pudesse me impedir, um imenso par de asas flamejantes surgiu em meu entorno, tão fortes e ágeis que, num simples balançar, ergueu meu corpo por completo do chão, dando-me forças para voltar a ficar de pé e encarar meu inimigo face a face.
─ O que você... ─ ele não foi capaz de terminar.
Permiti que uma lança de fogo se modelasse em minhas mãos e, tão certa de que o dia era dia e a noite era noite, eu lancei-a em direção à ele, acertando perfeitamente o centro de seu coração. E não parou por aí. O fogo da lança espalhou-se, inicialmente, pelo peito dele e começou a consumi-lo aos poucos.
─ Papai, eu sinto muito. ─ as palavras escaparam sussurrantes, antes que ele fosse consumido completamente pelo fogo e evaporasse pelo ar em uma simples fração de segundo.
O que dizer em um momento como esse?
O que expressar, em palavras, a dor da perda, da morte e da traição?
Eu era uma assassina.
Matei para sobreviver, mas... ainda era uma assassina. Matei meu pai.
─ Ignis! ─ uma voz distante soou apavorada. Tinha certeza de que não era minha mãe, pois seu timbre era mais grave.
Segundos depois fui tomada por um abraço apertado e um cheiro suave tomou conta de minha atenção.
Loki estava aqui.
─ Ah, Ignis! Não cheguei a tempo, me perdoe!
Lágrimas? Aquilo que escorria de sua face amedrontada até minha testa eram lágrimas? Sim, lágrimas. Loki chorava. Pela minha perda? Pelo meu ato? Pelo meu ferimento? Não sei.
Fiquei em seu colo por sabe-se lá quanto tempo. Até que minha mãe aproximou-se de nós, ainda com a faca em suas mãos e disse:
─ Precisamos sair daqui.
─ E o que faremos? ─ indaguei, incapaz de desviar os olhos dos seus ─ Eu... e-eu.
─ Você não fez nada. ─ ela cortou-me ─ Estava a caminho de encontrar seu pai, mas foi interrompida por Loki que, no meio do caminho, a encontrou e vocês seguiram caminho até a ponte Bifröst.
─ Mas nós estamos aqui. ─ apensar do óbvio, precisei dizê-lo.
─ Então vocês precisam correr. ─ ela puxou o corpo de Loki pelo colarinho que, por sua vez, ergueu-se do chão, puxando-me com ele ─ Vão! Não há tempo.
─ Mas mamãe-
─ Ignis! ─ sua voz seca e ríspida interrompeu-me mais uma vez ─ Vá. Agora.
Sem precisar de outro comando, Loki simplesmente puxou-me com ele para fora do salão, em direção à sabe-se lá onde.
Eu estava enjoada, com uma vontade absurda de colocar tudo que eu tinha dentro de mim para fora, mas não consegui dizer isso para Loki, pois, ao invés de dizer o quanto eu estava tonta só consegui indagar:
─ O que ela fará?
Eu era arrastada pelos corredores enjoativamente dourados por sua forte mão que segurava meu antebraço.
─ Pouco nos importa agora. ─ Loki respondeu, sem sessar sua caminhada ─ Ela nos deu uma chance de partir.
─ Mas como? Como conseguiremos, Loki?
─ Eu conheço alguns atalhos. ─ foi tudo que ele disse.
Era esse nosso destino? Continuar a fugir, a correr por corredores dourados, de modo terrivelmente incansável? Que destino deplorável o nosso.
Conseguimos, de forma surpreendente, escapar para fora do castelo e alcançarmos os portões frontais do castelo.
Rudemente, dois guardas tentaram nos barrar, mas Loki, de forma poderosa, invocou duas projeções de seu corpo e as usou para interceptar os homens antes que eles se aproximassem o suficiente.
A ponte Bifröst era o mais belo monumento de toda Asgard e eu só tive o prazer de atravessá-la uma única vez: na minha chegada.
─ Não há tempo, vamos! ─ ele gritou, como se estivesse consciente de que seu plano daria perfeitamente certo e conseguiríamos escapar.
─ Loki, veja! ─ mas não havia tempo e ele estava certo disso.
Eram 10, senão 20 guardas de prontidão do outro lado da ponte. Sim, era um caso perdido. Nós nunca fugiríamos. Nunca teríamos herdeiros e viveríamos nosso felizes para sempre.
Ele freou, puxando-me com ele e, ao invés de encarar os homens que se aproximavam, tomou meu rosto em suas mãos e olhou-me de forma terna e carinhosa.
─ Não há tempo. ─ repeti suas palavras, permitindo que algumas lágrimas fugissem de meu olhar enquanto eu encarava sua linda face.
─ Nossa imortalidade, Ignis. ─ e lá estava aquelas doces palavras que, apesar de não fazerem sentido algum verbalmente, possuíam uma carga emocional muito forte.
Seríamos ambos mortos. Mas seríamos mortos juntos.
E findaríamos ali, lado a lado, nossa imortalidade.
Fale com o autor