Our Imortality
3 A little hope
Notas iniciais
Só fui acordar um tempo depois, deitada sob uma cama com dossel macia e uma empregada ao meu lado indicando caminho até um banheiro.
Decidi passar o tempo que pude na banheira para tentar entender o que estava acontecendo comigo. E, no fim das contas, eu não sabia muito bem que tipo de sentimento era aquele que crescia em meu peito.
Iuel parecia ser um bom menino. Inocente, carinhoso, gentil... Uma empregada, a poucos minutos havia acabado de me informar que ele me aguardava ao lado de fora do quarto para poder conversarmos melhor ─ contrariando as regras do rei de me manter isolada até decidirem o que fazer comigo.
Quando ergui-me das águas, ambas empregadas vieram ao meu encontro. Uma trazendo um par de toalhas secas em tom lilás e outra um roupão macio e felpudo. Não estava acostumada com esse tipo de atenção e aquelas mulheres me encarando de cima a baixo era, no mínimo, constrangedor.
─ Podem me deixar sozinha, por favor? ─ minha voz soou desesperadamente suplicante, me fazendo acreditar que tenha sido isso que as motivaram a se afastar rumo ao quarto que já me aguardava com um vestido nada discreto e acessórios tão discretos quanto o vestido.
Vesti o roupão, ainda com o corpo molhado, e caminhei até o vitral em passos curtos e lentos.
O que estava acontecendo comigo?
Olhando pelo vitral, pude ver uma imensa cachoeira que caia em um clarão nebuloso onde não permitia minha visão enxergar. Era quase irritante, se não fosse tão lindo.
Eu estava ali não havia completado nem duas horas e já sentia uma saudade terrível de casa. De Steve.
Pensava a cada segundo em como ele acharia tudo ali diferente e no quanto estávamos igualados na ignorância que nos era real em relação a toda a tecnologia daqui. Diferente de Stark que desejaria um castelo só seu e ainda daria opinião quanto a tudo e todos, arrancando-me risadas e forçando-me a o acompanhar nas ironias. Diferente de Bruce, que certamente acharia tudo incrível e gostaria de estudar cada artefato e histórias... Já Clint e Natasha, muito provavelmente, iriam se interessar pelas técnicas de combate, enquanto Fury iria bater de frente a cada segundo com Odin.
Eu sentia falta deles. Sentia falta da minha família.
↜❁↝
Uma dupla batida na porta soou no momento em que Rodha ─ uma das empregadas que se mostrou muito gentil ─ terminou de prender a tiara que eu deveria usar no jantar que seria servido em comemoração ao meu retorno.
─ Alteza, sua mãe, a rainha Semha, gostaria de falar-lhe por um momento. Devo permitir sua entrada? ─ Clodha, a outra empregada, indagou logo após verificar quem havia batido.
─ Tá, tá... Tudo bem. ─ levantei-me do banco já direcionando-me para a porta ─ Vamos acabar logo com isso.
Assim que as portas foram abertas, a rainha entrou acompanhada de dois guardas.
─ Saiam. Deixem-me a sós com ela. ─ alguma coisa no tom de voz que ela usou com os empregados me deixou ainda mais desconfortável.
Assim que Rodha, Codha e os guardas saíram, ela avançou pelo quarto em passos firmes e intimidadores.
─ Agora vamos ao ponto final dessa história, Ignis. ─ sua voz arrastava-se feito uma serpente pelo vento e um ar gélido acariciava meus braços desnudos de forma temerosa ─ Já chega de todo esse teatro.
Eu poderia começar a revidar o ataque da mulher bem ali. Agredi-la verbalmente e, quem sabe, fisicamente, mas meu lado racional já começou a entrar em trabalho e me lembrar de onde estava, quem era e qual era o meu objetivo ali. Então decidi simplesmente me fazer de desentendida e questionei:
─ Do que você está falando?
Uma risada seca escapou de seus lábios e ela lançou-me um olhar de navalha cortante. O que tem de errado com essa mulher?
─ Eu sei muito bem qual é o seu jogo, Ignis. Está se fazendo de ignorante, de frágil, somente para ganhar tempo e libertar Loki. Mas não se esqueça de que foi ele o causador da destruição de nossa família!
─ Mas do que é que você está falando? Desde quando eu quero libertar Loki? ─ finalmente reuni coragem para responder.
─ Desde sempre, Ignis! Desde que conheceu este príncipe tolo. Desde que você é você e ele é ele. E agora já chega! Já chega disso. Estou farta dessa farsa. Você irá descer no salão, simular mais uma dessas suas quedas e simplesmente dirá que recuperou suas memórias.
─ Mas eu realmente não lembro quem sou. Eu não lembro mesmo. ─ grunhi revoltada.
─ Já chega Ignis! ─ ela gritou e um jato gélido de ar soou pelo quarto e atingiu-me feito uma bola gigante no estômago, lançando-me pelo ar e quase me fez cair pela janela ─ Já chega. ─ deu meia volta e partiu.
Mas que merda foi essa?
Meu sangue começou a ferver, mas eu estava tão irada que nem me dei o trabalho de ficar surpresa com minhas mãos que pegavam fogo. Ao invés disso, deixei que eles tomassem controle do meu ser e fui arrebatada por uma estranha sensação de prazer. O fogo se arrastou por meus braços, tomou a frente de meu vestido que, para minha surpresa, não estava se deteriorando com as chamas, estava se alinhando ao tom avermelhado que dançava por ele.
Não sabia de onde aquele sentimento havia surgido, mas até então nunca senti uma esperança tão forte como aquela.
Será que, finalmente, eu seria capaz de controlar meus poderes?
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