Our Imagines
2 The Real War Is In Our Feelings - Thalia and Nico
Notas iniciais

Estava deitada à beira de um lago observando as nuvens no céu. Estava exausta da última batalha que enfrentara e decidira que deveria descansar antes de viajarmos, eu, Nico e Percy. Estávamos prestes a chegar à cidade, onde tínhamos que completar nossa nova missão, antes que fosse tarde.
Conforme as nuvens moviam-se lentamente a cima de mim, meus olhos se fechavam e estava próxima de cochilar quando senti algo tampar o reflexo da luz solar e fazer sombra em meu rosto. Arregalei o olhar e me deparei com uma pequena rocha sob a minha cabeça.
Claramente, já sabia de onde estaria vindo. Apenas uma pessoa era travessa o bastante para tentar me irritar. Meu primo Nico.
—Isso não vai me assustar — Revirei os olhos e voltei a relaxar.
—Tem certeza? — Ele se volta para mim com sua voz mais desafiadora e faz com que a terra abaixo de mim estremeça e eu me sente assustada.
—Me deixe relaxar Nico. Vá embora — Fixei o olhar no garoto de cabelos negros despenteados ao meu lado.
—Só se você me vencer! — Ele solta a rocha que cai com um estrondo, quase em cima de mim — Está com medo? É lógico que você não é páreo para mim.
—Isso é um desafio? — Arqueio a sobrancelha e me levanto cruzando os braços — Como sei que não vai me deixar mesmo em paz. Aceito. Vou mostrar para você quem é a melhor.
Antes que eu pudesse me preparar Nico soltou uma gargalhada debochada e atirou pedras em minha direção, as quais rapidamente eu desviei com rajadas de vento, apenas movendo minhas mãos em suas direções e me aproximei mais dele.
Em seguida, o garoto por volta de seus 15 anos, igualmente a mim, se agachou e pressionou com força as palmas de suas mãos na terra abaixo de nossos pés, dessa forma, o chão se abriu em uma linha continua até mim, que abri as pernas para, por pouco, não cair.
Pulei para o lado, me distanciando da cratera e levantei meu pulso, onde estava meu bracelete. Nico me olhou surpreso e quando ameaçou me lançar mais algumas rochas dessa vez pontiagudas e velozes, pressionei a joia e ela se transformou em Aegis, meu escudo, pelo qual desviei as pedras e elas voaram na direção do garoto que teve de ser rápido para impedi-las de acertá-lo ao utilizar de sua geocinese.
—É só isso que sabe fazer? — Indaguei sarcástica — Então, acho que já terminamos. Obrigada pela vitór...
Antes que pudesse terminar a minha fala o menino ameaçadoramente bateu com os pés contra o chão e fez com que tremesse e eu me desequilibrasse. Tentei me manter firme e até pensei em controlar o ar para me fazer sobrevoar a terra e atacá-lo, todavia meu medo de altura falava mais alto e o escudo não funcionaria naquelas circunstâncias, portanto me debrucei e cai, porém como estávamos próximos acabei sendo jogada sobre Nico, que parou o que fazia surpreso.
Levantei o olhar e o encarei e ele estava me encarando com aqueles olhos desafiadores. Talvez a luta não importasse de verdade. Eu apenas não queria ficar próxima dele, simplesmente porque toda vez que isso acontecia, toda vez que estávamos sozinhos era como se nada mais existisse, que nada mais importasse. Sei que éramos primos, nossos pais eram irmãos, e isso nos fazia quase como irmãos também. Nunca poderíamos ser mais do que amigos, contudo algo nele me atraía e eu apenas desejasse que ele estivesse ainda mais próximo, por isso me afastava e decidia ficar sozinha. Essa era a maior batalha. O problema não era vencê-lo e sim vencer aos meus sentimentos por ele.
—O que foi? — Ele me perguntou, provavelmente, por perceber meu olhar distante e meu esforço para não encará-lo — Eu te machuquei?
—Não... To legal... — Respondi e comecei a sair de cima dele, estávamos perto demais, aquilo era uma tortura — Só estava pensando.
Nico se sentou ao meu lado e voltou a me observar. Seu olhar sobre mim fazia-me sentir indefesa e ameaçada. Eu odiava expressar sentimentos que me fizessem parecer fraca, como o amor, ao qual me deixava frágil e tímida.
—Você não parece bem... — O garoto tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e me puxou pelo queijo para poder me olhar melhor.
Enquanto ele me encarava e eu tentava desviar o olhar, parecia que o restante do mundo havia desaparecido. Ninguém mais importava.
—Nico... Para com isso...
Balancei a cabeça para desviar qualquer vestígio de sentimento de dentro de mim e tentei me afastar dele, mas assim que me levantei e estava caminhando de volta ele me puxou pelo pulso e prendeu meus braços em minhas costas.
—Venci. Você não foi capaz de me vencer.
Estava sem reação. Estávamos tão próximos que podia sentir sua respiração. Nico parecia surpreso que eu não estivesse revidando dele, mas quando eu senti aquele toque, suas mãos ao redor dos meus pulsos, seus olhos atraentes estavam sobre mim, não conseguia falar e nem reagir. Aquilo era torturante. Eu tinha que dar um fim naquilo e para isso abri a boca.
—Você venceu, mas não porque conseguiu me prender... Essa não é a verdadeira guerra. A verdadeira guerra está em nossos sentimentos... — Ele me encarava confuso e escutava tudo que confessava — Eu fico te evitando, mas porque eu não consigo ficar perto de você... sem desejar que não fossemos primos.
Nico me soltou. Pensei que ele estivesse me rejeitando. Obviamente ele me achara repugnante por imaginar tudo aquilo que imaginava quando estávamos juntos. Por querer que ele fosse mais do que do meu amigo ou parente. Abaixei meu olhar envergonhada. No entanto ele sorriu abertamente, o que o tornava ainda mais lindo, e levantou meu olhar segurando em meu queijo e me fazendo arrepiar por completo.
—A verdadeira guerra está em nossos sentimentos... Fico te irritando e te desafiando, para poder ficar perto de você e esconder o fato de que o que eu sempre desejei era que você não me olhasse como seu primo.
Senti minhas bochechas corarem. Odiava me sentir fraca, porém pela primeira vez estava orgulhosa de meus sentimentos. Estava orgulhosa do que sentia e de poder compartilhar com ele. Nico percebeu que eu estava sem graça, todavia não se importou e me levantou fazendo com que eu segurasse em seus ombros para me apoiar e ele me envolveu em seus braços e me puxou para um beijo. Um beijo apaixonado. Nosso primeiro beijo. O melhor beijo.
Quando nossos lábios se tocaram eu me senti aliviada. Me senti vitoriosa. Algo dentro de meu estômago revirava e suas mãos em minha cintura me reviviam. Entrelacei meus braços em seu pescoço, nos aproximando ainda mais. Senti como se todas as nossas batalhas chegassem ao fim. A nossa guerra acabara e nós havíamos vencido. Juntos.
Assim que nos distanciamos e Nico me soltou. Continuamos nos encarando até escutarmos a voz de Percy ecoar pelo pátio.
—Nico! Thalia! Venham comer! Precisamos nos preparar para a luta!
Nico já estava começando a se virar quando o empurrei com toda a força e o fiz se desequilibrar e cair de cara no lago. Me virei saindo em direção a Percy enquanto ria.
—Meus parabéns, perdedor. Agora sim estamos nos entendendo. Eu venci.
Nico se levantou e saiu correndo atrás de mim para tentar me pegar, porém fui mais rápida e quando chegamos até Percy ele nos olhou estranhando porque estávamos rindo um com o outro e parecíamos estarmos nos entendendo muito bem, como na maioria das vezes não acontecia, uma vez que ele sempre me irritava e eu o evitava.
Nos olhamos e piscamos um para o outro. Estávamos em real sintonia e de uma coisa com certeza nós sabíamos e da qual Percy não fazia ideia.
Nossa guerra havia acabado.
Nós havíamos vencido.
Finalmente, a paz reinava em nossos sentimentos.
Fale com o autor