Our History
16 Lembranças Perturbadoras
Notas iniciais
O bom da raiva, daquele tipo de raiva cega e sangrenta que eu sentia quando deixei a casa de Sam, é que ela lhe dá algo tangível em que focar. E enquanto se está ocupado inflamando e alimentando essa raiva com todas as coisas inteligentes e mordazes que deveria ter dito – se as palavras ao menos tivessem vindo à mente, na ocasião –, não é preciso se preocupar em cavar mais fundo e revelar aquilo que de fato o está consumindo.
Mas, como a tempestade da noite anterior, minha raiva só podia durar o tempo que fosse necessário para que ela mesma se consumisse. E, à luz do dia, quando o nevoeiro da cólera já se havia dissipado, eu me dei conta de que minha reação ao toque de Sam se devera em grande parte ao sentimento de culpa. Eu permitira que ele se aproximasse de mim, confundindo a dívida que tinha para com ele com um passe livre para a amizade e a confiança. E a própria reação um tanto radical de Kurt só havia me deixado teimosamente determinado a provar que meu noivo estava errado. Mas, afora suas ações heróicas na noite do acidente, o que eu realmente sabia sobre Sam? Nada. Estava claro que casamento e relacionamentos (dele ou meu) eram algo que ele estava preparado para negligenciar por completo, sempre que lhe fosse conveniente.
Mais tarde naquela noite, quando Kurt telefonou, eu menti, e não me lembrava de já ter feito aquilo antes, jamais. Culpei uma gripe pela aspereza em minha voz, e então ouvi minha desonestidade zumbir pela linha telefônica como um mosquito malévolo. Não fiz menção à visita a Sam nem muito menos ao que tinha acontecido no final da noite. É claro que foi apenas uma falta por omissão, mas eu estava bastante atento à diferença que isso fazia.
Foi somente quando desfiei a cena que tinha acontecido na cozinha de Sam e a enrolei em seguida, como se faz com o fio solto de um tricô, que percebi que tudo começara a ficar fora de controle com a pergunta sobre Tina. Fora uma pergunta insignificante, embora, ao ter sido dita, não poderia mais ser reconsiderada, de modo que continuaria a me corroer até que fosse esclarecido: o que Tina acreditava que eu tivesse perdoado? Não me ocorria absolutamente nada que algum dia ela pudesse ter feito e que exigisse um pedido de desculpas. E a dúvida ainda mais desconcertante: por que minha boa amiga, com seu espírito generoso, seu coração aberto e seu jeito alegre de encarar a vida, julgava ter feito algo que tivesse me magoado? Nada seria menos provável que isso.
Mas agora que Sam havia aberto a porta para aquela lembrança, tudo o que eu via quando fechava os olhos era Tina no asfalto frio daquela estrada, agarrada à minha mão como se eu fosse um padre que a estivesse absolvendo em seus momentos finais, e o alívio em seu rosto quando eu lhe dissera que estava tudo bem.
Tentei me convencer de que não havia nenhuma intriga ou mistério oculto nas palavras de minha amiga. Era provável que ela estivesse se desculpando de ter arruinado um par de sapatos que pegara emprestado… ou outra coisa igualmente mundana. Será mesmo? Será que era isso que estava na mente de Tina em seus últimos momentos? Sandálias de grife arruinadas? Balancei a cabeça com raiva diante da voz da dúvida, que, por alguma razão, estava falando em meu pensamento com um suave sotaque americano. Que droga, Sam! Por que diabo não guardara suas perguntas estúpidas para si mesmo?
Havia apenas uma pessoa que conhecera Tina tão bem quanto eu; uma pessoa que talvez pudesse me dizer o que eu precisava saber.
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— Rachel Berry.
Sua voz soara nítida e profissional, com uma entonação cantada.
— Oi, Rach, sou eu.
Seu tom de voz se tornou mais brando e caloroso, e o sorriso que eu sabia que ela acabara de abrir era tão visível para mim quanto se eu estivesse diante dela.
— Oi, querido. Como você está?
Era uma boa pergunta, mas não uma a que eu soubesse exatamente como responder naquele momento.
— Estou bem – respondi, porque era aquilo que ela esperava ouvir. – Eu só estava me perguntando… se você teria tempo para um café rápido…
Fez-se uma ligeira pausa, e eu até podia visualizá-la na imobiliária, sentada à sua mesa ao lado da janela, olhando as horas no relógio de pulso e talvez até mordendo o lábio, como sempre fazia quando estava considerando algo inesperado.
— Sim, acho que posso dar uma fugida, se for rapidinho.
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Cheguei antes de Rachel ao café, pedi dois cappuccinos e até encontrei uma pequena mesa junto à janela. Pelo vidro, eu a vi se aproximar, acenei e então retribuí o largo sorriso que ela me deu.
Já lá dentro, ela destampou com cuidado seu café espumante, e eu esperei que ela desse um gole antes de começar a explicar por que a tirara de seu escritório no meio da manhã. Não tínhamos muito tempo.
— Rachel, tem uma coisa que eu preciso lhe perguntar.
Ela ergueu os olhos e delicadamente lambeu a pequena trilha de espuma que a bebida deixara em seu lábio superior.
— Isso parece sério – observou ela.
— Eu… eu não sei. Talvez seja.
Uma pequena ruga surgiu entre as sobrancelhas de minha amiga.
— Então, o que foi?
— Rachel, sobre a noite em que Tina morreu… do que você se lembra?
Observei a musculatura de sua face se contrair como em um espasmo e me odiei por fazer aquilo com ela, mas não havia mais ninguém a quem eu pudesse perguntar.
— Imagino que você não esteja se referindo à despedida de solteira… Triste, balancei a cabeça, confirmando a suposição de Rachel.
— O acidente – afirmei em voz baixa.
Dessa vez, foi ela quem balançou a cabeça, enquanto desviava de mim os olhos subitamente fascinados pelo que quer que fosse que ela estivesse fingindo olhar pela janela.
— Não me lembro de muito – admitiu. – Depois da festa, tudo não passa de um borrão. Eu me lembro de Tina estar passando mal, do cervo na nossa frente e então… tudo fica um pouco nublado, até o momento em que eu já estava sentada na traseira da ambulância.
Eu sabia que as lembranças de Rachel eram imprecisas, mas não tinha a menor ideia de que havia tantas lacunas assim.
— Então você não se lembra de encontrar Tina na beira da estrada?
Ela voltou a olhar para mim e parecia em choque.
— Eu a encontrei? Pensei que tivesse sido Sam…
As palavras de Rachel tiveram um efeito quase visceral sobre mim. Estendi o braço sobre a mesa e segurei sua mão.
— Foi você quem chegou até Tina primeiro, querida. Ela pareceu aflita diante daquela revelação.
— Fui eu? Não fazia ideia. Tudo sumiu. Não consigo me lembrar de nada.
Eu soube então que seria quase inútil fazer a pergunta seguinte, mas a fiz de qualquer jeito.
— Nesse caso, você não se lembra do que ela disse enquanto aguardávamos a ambulância, não é? Os olhos de minha amiga, transformados em duas imensas bolas de gude castanhas, revelavam quanto a pergunta a deixara abalada.
— Como assim? Como ela poderia falar? Tina estava inconsciente. Balancei a cabeça, triste.
— Não, não estava. Ela estava acordada. Bem, mais ou menos… Meu Deus, Rachel, foi horrível vê-la daquele jeito e não poder fazer nada para ajudá-la!
Rachel estava com os olhos cheios de lágrimas, e eu me odiei por dar a ela a imagem que eu sabia que a manteria acordada por várias noites, exatamente como acontecera comigo.
— Rach, a razão de eu estar falando deste assunto é que me lembrei de algo que Tina disse, algo muito estranho, e me perguntei se você não saberia o que ela quis dizer…
Ela balançou a cabeça, talvez porque continuasse lutando contra a imagem horrível de nossa amiga ainda consciente depois de ter sido lançada pelo para-brisa de seu carro.
— O que foi que ela disse? – perguntou, a voz saindo num sussurro rouco e entrecortado.
— Bem, a princípio pensei que ela estivesse apenas balbuciando coisas sem sentido, mas, agora, não tenho assim tanta certeza… Parecia ser muito importante o que ela estava tentando me dizer, algo sobre estar feliz por eu ter perdoado alguma coisa e ser uma boa amiga. Rachel me encarou, e seus olhos eram duas joias castanhas cintilantes.
— Você era um bom amigo – afirmou.
Acenei com a cabeça.
— Não, o que ela estava tentando me dizer era mais do que isso. Era como se fosse um agradecimento por eu ter sido tão compreensiva, ter perdoado… Você tem alguma ideia? Sabe do que ela estava falando?
Rachel levou a mão ao seu copo de café e tremia tanto que a espuma se moveu de um lado para outro no recipiente plástico.
— Não. Não tenho a mínima ideia.
Depois de dizer aquilo, ela pegou o café e bebeu um grande gole. E eu me perguntei se minha amiga não estaria tentando lavar da boca o gosto da mentira…
— Rachel – comecei a dizer, desejando sondar um pouco mais –, tem certeza de que não sabe? Não lhe ocorre nada que Tina possa ter dito ou feito e que a estivesse preocupando?
A pergunta soara ridícula em meus lábios.
O rosto de Rachel corou ligeiramente, outro sinal curioso. Mas ela não vacilou.
— Não, é claro que não. Nada do que você está dizendo faz sentido. Tem certeza de que não imaginou essa conversa? Afinal, você tinha acabado de machucar a cabeça.
Aquilo me deixou furioso, e eu realmente não queria ficar zangado com minha amiga.
— Não imaginei, não. Até porque não fui só eu que ouvi: Sam também ouviu.
Diante de minhas palavras, ela emudeceu. Baixou os olhos e recomeçou a brincar com o copo plástico.
— Eu realmente não sei o que ela queria dizer – confirmou, quebrando o silêncio. Em seguida, ergueu a cabeça para me olhar, com os olhos cheios de lágrimas, e eu soube que uma constatação muito mais esmagadora tinha superado minhas interrogações quando Rachel por fim desabafou: – Não posso acreditar que ela estivesse consciente…
—-
Minha tarde foi horrível. Eu passara a ter uma nova cota a acrescentar à minha montanha de culpa de crescimento acelerado: magoara Rachel e forçara a volta da noite do acidente ao primeiro plano de sua memória. Não que o acontecimento tivesse, em algum momento, estado muito longe, pensei, com tristeza. Sem dúvida, eu fora o culpado do desânimo refletido nos ombros de minha amiga e de seu passo claramente esgotado enquanto ela caminhava de volta para o trabalho, depois de me abraçar na calçada ao se despedir de mim.
Quando Kurt telefonou naquela noite, eu quase lhe perguntei sobre o curioso comentário de Tina, mas ele estava apressado, ligando do hospital para onde um aluno fora levado, com um tornozelo machucado, após ter sido retirado da pista de esqui em uma maca. O momento não era adequado, e achei que não faria mal esperar até que ele voltasse. Sorri para a escuridão do meu quarto, deitado na cama, envolvendo meu corpo com os braços e tentando fingir que eram os dele. Apenas mais dois dias. Eu estava sentindo mais saudade de Kurt do que pensara que sentiria, e por detalhes que não paravam de me surpreender. Sentia falta das mensagens ridículas sobre nada que ele me enviava ao longo do dia e das piadinhas bobas de internet com que ele continuamente enchia minha caixa de entrada. Sentia falta da massagem que ele fazia nos meus pés quando eu os colocava no colo dele e de como cozinhava pratos de que ele nem mesmo gostava, só porque eu os apreciava. Minha boca se curvou em um sorriso quando pensei em como se podia infalivelmente contar com ele para a resposta perfeita quando, indeciso diante do espelho, eu lhe indagava sobre a minha aparência. Sentia falta da maneira como Kurt dizia meu nome, como se ele tivesse um sabor delicioso, ou do modo como ele às vezes olhava para mim, como se nunca fosse se cansar de me ver ao lado dele. Todos as suas arestas se aparavam de encontro às minhas superfícies lisas, e vice-versa. Éramos como duas esculturas de gelo que, tendo ficado muito tempo uma ao lado da outra, acabaram por fundir-se em uma só.
Por mais de um motivo, culpo Sam pelo pesadelo que tive naquela noite. Eu estivera lendo seu livro antes de dormir, portanto não era tão inesperado que meu subconsciente me transportasse para um cenário no qual eu parecia ser um detetive no auge de uma investigação. Eu estava em uma espécie de centro de investigação criminal da polícia, acho, pois me via diante de um imenso quadro branco coberto de fotografias, recortes de papel e notas rascunhadas – o mesmo tipo de quadro que eu já vira em inúmeros filmes policiais.
Em meu sonho, felizmente, não havia expostas nele as típicas imagens macabras das cenas dos crimes, mas, ainda assim, as várias fotos ali reunidas eram igualmente dolorosas de ver. Ocupando o centro da montagem estava a fotografia grande e colorida de Tina, a que fora colocada no cavalete em seu funeral. Presas como satélites em torno daquele retrato estavam muitas das fotos que eu vira na cama de Rachel: nós três na escola; nós três, ainda adolescentes, naquelas poses bobas que são comumente tiradas em cabines fotográficas, e também as duas fotos nas quais eu não aparecia: aquela do pub e a de Kurt com as estranhíssimas luzes no cabelo. Eu olhei para a minha mão e vi que estava segurando vários outros itens que precisavam ser acrescentados ao quadro. Então me aproximei e prendi nele um pequeno cartão retangular com elaboradas letras prateadas: nosso convite de casamento. O próximo item a ser afixado era um recibo de lavanderia; depois, um tíquete da estação de esqui em que Kurt estava hospedado e, por fim, o minúsculo pedaço de papel que eu encontrara no bolso de Tina e no qual ela havia rabiscado o número do telefone do trabalho do meu noivo.
Era tudo tão incrivelmente vívido que, enquanto eu caminhava a passos largos e com determinação em direção ao quadro branco, destampei o pincel marcador e pude sentir o cheiro pungente de sua tinta. Em seguida, observei enquanto minha mão se movia pelo quadro, e era quase como se ela pertencesse a outra pessoa. Deslocando-se com rapidez pela superfície branca e plana, ela circulava itens em movimentos frenéticos e repetitivos e traçava uma complexa série de linhas entrecruzadas com setas vigorosamente rabiscadas. Recuei um passo e examinei os traços interligados, que conectavam uma série de pistas que meu cérebro em estado de vigília fora cego demais para ver.
Acordei ofegante e encharcado de suor, deixando escapar intensos arquejos. Tornei a me deitar sobre os travesseiros úmidos, mas, mesmo assim, as imagens se recusaram a desaparecer como deveriam, feito fumaça no ar. Eu não juntei tudo lentamente, uma pecinha de cada vez: em vez disso, a imagem me veio completa e horrenda. Em um instante, não havia movimento, então pisquei e, de repente, senti o deslocamento das peças, cada uma delas deslizando e se encaixando no devido lugar. Por um minuto, pensei que fosse passar mal, fisicamente mal. Engoli em seco várias vezes e tive que controlar a náusea. Eu tinha que estar errado. Tinha de haver outra explicação. Eu acabara de despertar de um pesadelo, eram quatro da manhã, e eu não estava pensando com clareza. Tinha que ser essa a causa do que estava acontecendo. Qualquer outra coisa seria simplesmente inconcebível.
Mas às vezes o inconcebível, por mais deplorável que seja, vem a ser a verdade. Todas as pistas tinham estado ali o tempo todo, mas eu me recusara a vê-las. Fora preciso a pergunta de Sam para acender o rastilho, e então a faísca tinha serpenteado inexoravelmente até um imenso barril de dinamite que, se eu estivesse certo, não demoraria a fazer meu mundo em pedaços.
Agora eu via tudo, em uma horrível colagem de imagens e lembranças: Tina e Kurt rindo juntos em antigas fotografias; Tina à beira da estrada, após o acidente, segurando minha mão e sussurrando um pedido de desculpas com seu sopro final; o número do telefone do trabalho de Kurt escondido entre os pertences de Tina, e a maneira como ele se mostrara tão enlutado no funeral e perturbado nas semanas que se seguiram.
No entanto, por outro lado, havia Kurt. O meu Kurt, que eu conhecia e em quem confiara a vida toda. O homem que no Natal me dissera que para ele nunca haveria outra pessoa no mundo além de mim e que então, diante dos nossos pais, abaixara-se, apoiando-se em um dos joelhos, e me pedira em casamento exibindo uma pequena caixa de veludo com um anel. Era essa lembrança, de todas as que eu gostaria de poder ignorar, que ficava voltando e me atropelando como se fosse um trator.
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Na manhã seguinte, eu estava totalmente sem apetite, mas me sentei à mesa da cozinha e me abasteci de cafeína, só para o caso de precisar de alguma ajuda para subir pelas paredes, o que eu já estava fazendo muito bem. Ao amanhecer eu havia enfim decidido esperar até que Kurt retornasse, no dia seguinte, para fazer ou dizer o que quer que fosse. Aquela era uma conversa que decididamente tinha de acontecer cara a cara, não através de uma conexão ruim de celular.
Do outro lado da mesa, minha mãe despejava em uma tigela, com todo o cuidado, uma cachoeira dourada de crocantes flocos de milho. Ela gostava de sentir que ainda era suficientemente independente para preparar o próprio café da manhã, o que suponho que se pudesse dizer que ela fazia, se servir o cereal contasse como tanto. Sua cabeça estava baixa enquanto ela encarava a tarefa com toda a meticulosa concentração de uma criança de 5 anos. À luz da manhã, notei uma fina rede de fios grisalhos entre as mechas negras e fiz uma anotação mental sobre marcar um horário para ela com o cabelereiro quando eu chegasse ao trabalho. Aquele era o tipo de providência que meu pai jamais pensaria em tomar, o tipo de peso que eu devia tirar dos ombros dele. Mamãe nunca fora do tipo que ficasse “largada”.
A sensação de perda veio como uma onda não sei de onde e me derrubou com sua intensidade. Para onde ela teria ido, minha verdadeira mãe, não aquela mulher de camisola, sentada na cozinha, que se parecia com ela. Porque eu precisava muito de minha mãe agora, onde quer que ela estivesse. Precisava de sua sabedoria e de seus conselhos e, principalmente, precisava muito que ela me dissesse que diabos eu devia fazer em seguida.
Ela ergueu os olhos de sua tarefa e sorriu para mim, e por um breve momento pensei que ela estivesse de volta. Até que ela falou.
— Por acaso você sabe onde guardam o leite agora?
Sentindo-me triste, balancei a cabeça. Ela fazia a mesma pergunta todas as manhãs. Eu me levantei devagar, e me sentia e me movia mais como alguém da idade dela que da minha ao responder:
— Não tenho certeza, mãe. Vou olhar na geladeira.
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