Our History

19 50 Libras


Notas iniciais
Espero que gostem!

Nos dias que se seguiram ao nosso rompimento, Kurt empregou todo e qualquer método concebível para entrar em contato comigo. Telefonou, mandou mensagens de texto, enviou e-mails, até remeteu uma carta pelo correio. À exceção de um pombo-correio, ele fez uso de praticamente todos os meios de comunicação existentes. Tudo foi inútil: eu rasguei em pedaços qualquer coisa que não pudesse ser eliminada pelo botão Delete. Inevitavelmente, portanto, restou-lhe a opção de aparecer na livraria. Ele estava usando o terno de trabalho e a gravata que eu lhe dera no Natal. A troca de presentes não fora inteiramente justa no ano anterior: eu comprara para ele um suéter de caxemira e uma gravata, e ele me dera um anel que lhe custara três meses de salário. Ainda me sentia um pouco culpado em relação àquilo. Será que eu deveria sugerir a ele que jogasse o suéter no despenhadeiro, de modo que as coisas ficassem um pouco mais equilibradas?

— Olá, Blaine! – disse ele com cautela, parado perto da entrada da loja. Eu o olhei com indiferença.

— Kurt.

Isso foi tudo o que ele recebeu de mim. Nem mesmo um “olá”, nem um cumprimento, somente seu nome.

No entanto, ele deve ter pensado que isso era encorajamento suficiente, pois deu um passo na direção do balcão.

— O que você está fazendo aqui?

Ele tentou o sorriso, aquele que eu sempre dissera que era irresistível. Mas ao que parecia, eu havia finalmente adquirido alguma imunidade. Kurt viu a expressão impassível no meu rosto e a entendeu bem. Então pigarreou, e a maneira como o fez revelou que ele estava muito nervoso.

— Vim comprar um livro.

Não valia a pena morder a isca. A loja não era minha, portanto eu não podia afastá-lo à força, nem gritar que ele fosse embora.

Ergui uma das mãos e apontei as pilhas de livros à nossa volta.

— Fique à vontade.

Minha atitude o deixou claramente perplexo. Ele devia ter se preparado para encontrar Blaine Furioso, Blaine Vingativo ou mesmo Blaine Perturbado. Mas o Blaine Não-Estou-Nem-Aí era óbvio que não se encaixava em seus planos.

Ele manteve o pretexto de que realmente estava em busca de um livro: puxou um volume de uma das prateleiras e o abriu em uma página aleatória. Ele o olhou sem ver por um minuto ou dois, e então interrompeu o silêncio da livraria.

— Você não atendeu às minhas ligações.

Parei de fingir que estava verificando a nota fiscal de umas entregas e pousei a caneta no balcão.

— Não, não atendi. E não vou atender. Não tenho mais nada pra falar com você. Já disse tudo no outro dia.

— Bem, ainda há coisas que eu quero dizer. Preciso explicar.

— Eu não quero ouvir. Nós terminamos, Kurt. Acabou.

Fez-se um ruído atrás de mim, e eu soube que April tinha acabado de entrar na loja. Não duvidei nem por um minuto que ela tivesse ouvido toda a conversa e esperara pelo momento certo de fazer sua entrada.

— Bonjour, Kurt, comment ça va?— cumprimentou-o com frieza, apertando furtivamente a minha mão sob o balcão ao passar por mim.

Kurt ergueu os olhos, confuso. Não a conhecia bem o bastante para saber que ela só passava para sua língua materna quando estava muito feliz ou extremamente furiosa. E era certo que ela não estava sorrindo.

— Bom… hã… olá – respondeu ele, tão atrapalhado quanto ela sabia que ele ficaria.

— Posso ajudá-lo com sua compra? – perguntou ela, estendendo-lhe a mão com muitos anéis, a fim de pegar o volume. – É um livro fascinante, non?

Kurt olhou pela primeira vez para o pesado livro de capa dura que estava segurando, e viu que parecia ser uma enciclopédia de sistemas de drenagem europeus.

— Hã, só estou dando uma olhada – falou, guardando o livro no lugar errado da estante. – Na verdade, vim dar uma palavrinha com Blaine.

Sua intenção fora clara e óbvia, e eu tinha certeza de que April compreendera que ele estava esperando que ela pedisse licença e se retirasse, a fim de nos dar alguma privacidade. Ele realmente não a conhecia.

April jogou o braço para trás em um gesto pitoresco, como se acabasse de me fazer surgir num passe de mágica, e exclamou:

— E aqui está ele!

Kurt olhou de mim para minha chefe e percebeu que estava derrotado. Era como observar um gato persa altamente astucioso brincando com um camundongo. April permaneceria exatamente onde estava – que, naquele preciso momento, era entre mim e meu ex-noivo.

Kurt olhou para o relógio na parede da livraria. Eu sabia que ele só tinha uma hora de almoço, portanto seria difícil voltar a tempo. Ele não tinha alternativa, a não ser falar na frente de April.

— Blaine, não podemos simplesmente deixar as coisas como estão. Precisamos discutir tudo, com calma e bom senso – falou, dirigindo um rápido olhar para a terceira pessoa na loja ao completar: – Com privacidade.

— Você pode falar abertamente na frente da April.

Ela sorriu e deu de ombros, em um gesto tipicamente francês.

— Não se importe comigo. Eu mal falo inglês, de qualquer forma.

Para esconder meu sorriso, virei às pressas para o lado, como se olhasse pela vitrine lateral da livraria. Foi quando avistei um carro muito familiar. Ah, não! Aquilo estava prestes a ficar ainda mais constrangedor.

— Você recebeu as flores que eu mandei? – perguntou Kurt de repente, e eu voltei a olhar para ele, com um lampejo da raiva relembrada.

O buquê era imenso, tão grande que precisei empurrá-lo com força até conseguir enfiá-lo por inteiro na lixeira. Contei isso a ele, e não senti nada diante do olhar de desespero e impotência que ele me lançou.

— Você as jogou no lixo? – falou, incrédulo.

Imaginei que elas tivessem custado a Kurt uma pequena fortuna, mas, ainda assim, certamente bem menos que o anel.

— Sim. Bem, cheguei a pensar em ir colocá-las no túmulo de Tina.

O rosto de Kurt pareceu empalidecer diante da frieza da minha voz.

— Mas… bem, sinceramente, isso também não me pareceu apropriado. Ele se aproximou do balcão e correu a mão pelo cabelo.

— Blaine, você precisa me ajudar. Eu simplesmente não sei o que fazer.

— Você poderia comprar um livro – sugeriu April, fingindo inocência.

Não creio que ele tenha ouvido o que ela disse. O olhar de Kurt estava suplicante, e fez com que se agitasse dentro de mim, involuntariamente, um fiapo da compaixão que eu pensara ter eliminado por completo.

O tilintar do sino da loja, que anunciava um novo cliente, salvou-me da resposta. Ergui os olhos e confirmei que não me enganara ao reconhecer o carro. Parecíamos personagens do que se estava configurando em uma verdadeira farsa francesa! Tudo o que precisávamos agora era de uma criada com pouca roupa, e a cena estaria completa.

— Olá, Sam.

Os olhos de Sam correram por nós, avaliando – com grande precisão, imagino – a cena que acabara de interromper. Ouvi um leve suspiro da minha chefe, que conseguira soar coquete e encantada ao mesmo tempo. De Kurt, apenas uma palavra – “Evans” –, que tanto poderia ter sido um cumprimento quanto uma acusação. A julgar pelo olhar furioso de meu ex-noivo, pensei que era mais provável que fosse a última.

Ignorando os outros ocupantes da loja, Sam dirigiu sua atenção e seu sorriso caloroso a mim.

— Oi, Blaine.

Retribuí o sorriso, tentando decidir se a situação havia melhorado ou ficado muito pior.

— É um prazer vê-lo aqui novamente, monsieur Evans.

Ouvi a respiração sibilante de Kurt e me perguntei o que dera em April para cutucar a onça já zangada com uma vara tão curta.

— Novamente? – repetiu Kurt, voltando seu óbvio olhar de desagrado para mim. – Então ele fez disso um hábito?

Sam deu um passo de advertência, aproximando-se do balcão e bloqueando parcialmente minha visão de Kurt. A testosterona circulava densa no ar, como um ciclone em miniatura.

— Isto é uma loja, Kurt. As pessoas chegam, compram livros, levam para casa e leem. Não é um conceito difícil de entender – falei.

Pensei ter visto uma leve contração nos lábios de Sam, e me senti grato por ele ainda não ter se rebaixado a responder diretamente à rude acusação de Kurt.

— E, aliás, caso você tenha esquecido, deixe-me lembrá-lo mais uma vez de que quem eu vejo ou deixo de ver não é mais da sua conta.

Sam se recostou no balcão, agora quase me ocultando da visão de Kurt. Então apanhou um catálogo em uma pilha perto da caixa registradora e pareceu folheá-lo casualmente, examinando os títulos – mas isso, claro, apenas para uma pessoa cega ou estúpida o bastante para não perceber que sua real intenção era posicionar o próprio corpo como um escudo entre mim e Kurt.

— Bem, eu não gosto disso – declarou Kurt, fulminando Sam com um olhar que, uns cem anos atrás, teria levado os dois homens a um duelo.

Minha admiração pelo nível de tolerância do meu novo amigo cresceu ainda mais quando ele olhou para Kurt com calma e disse:

— É mesmo? Na verdade, eu acho que ler é uma ótima diversão. Mas talvez seja só por causa da minha profissão.

Eu só vira Kurt chegar perto de bater em alguém uma vez, em todos os nossos anos de convivência – e aquela situação não fora nem de perto tão tensa quanto a que se desenrolava ali, agora.

— Ouça, estou tentando ter uma conversa particular aqui com meu noivo— retrucou ele, e as palavras saíram forçadas entre dentes que pareciam já cerrados para dar ou receber um soco.

— Ex-noivo— corrigi-o, constrangido com o fato de que havia praticamente gritado a correção, em minha tentativa frenética de derramar um pouco de água naquelas chamas, antes que elas se inflamassem de verdade. – Ex-noivo— repeti, bem mais baixo.

Os olhos de Sam seguiram para os meus, e neles era possível ler uma centena de perguntas, mas a maior parte delas, de uma forma ou de outra, parecia indagar se eu estava bem. Assenti quase imperceptivelmente, porém seu olhar se sustentou, fixo em mim.

Com a visão periférica, vi Kurt olhar de Sam para mim, e soube que ele não perdera nada: nem a preocupação tácita no rosto de Sam, nem minha silenciosa resposta tranquilizadora.

— Ah, que maravilha!

Sua declaração foi acompanhada de um furioso sorriso de escárnio que deixava claro que ele se referia a algo que podia ser tudo, exceto uma maravilha. Nem seriam necessárias as palavras que ele gritou em seguida:

— Que merda é essa?

Ele deu meia-volta e saiu pisando duro. Bateu a porta tão forte que pensei que ela cairia das dobradiças. O silêncio perplexo que ficou em seu rastro foi finalmente quebrado por April.

— Acho que terei de rever minha opinião sobre esse jovem. Na verdade, para um iniciante, ele até que xinga bem.

—*-

Sam saiu pouco tempo depois, levando dois livros muito caros que, sabe-se lá como, April conseguira lhe vender durante a breve visita. Ela deslizou a nota de 50 libras para o interior da caixa registradora e fingiu não ver meu olhar recriminador diante de sua exploração descarada.

— Não me olhe com essa cara feia, Blaine! Se seus namorados vêm aqui ver você, o mínimo que podem fazer é comprar meus livros.

— Nenhum deles é meu namorado – corrigi.

E doía saber que era verdade, por duas razões diferentes. Durante toda a tarde, aquela cena constrangedora se repetira seguidas vezes em minha cabeça, assim como a conversa que eu tivera com Sam, logo depois.

— Então era tudo verdade?

Eu confirmara com a cabeça, ainda atônito demais com o comportamento de Kurt, de modo que mal conseguia falar. Ele raramente era hostil ou agressivo, e vê-lo daquela maneira fora muito desconcertante, como ver seu velho e fiel cão tentar arrancar o braço de alguém.

— E foi sua a decisão de terminar o noivado, não dele?

Eu o fitei com um expressivo olhar de ironia, que respondeu à sua pergunta sem a necessidade de palavras.

— Entendo.

Ele me observava tão intensamente que era difícil sustentar seu olhar.

— E como você está agora?

Aquela era uma excelente pergunta, mas eu não me sentia plenamente capaz de analisá-la por enquanto. Ainda estava surfando a crista da onda da minha raiva. Mas, girando em redemoinhos nas suas profundezas, havia a dor da traição e da perda.

Sam estendeu os braços até onde minhas mãos descansavam, no balcão, e as cobriu com as dele, o que fez com que as minhas parecessem pequenas, com os dedos dobrados dentro de seu aperto forte

— Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, se quiser apenas conversar… sabe onde me encontrar.

Assenti em silêncio, incapaz de confiar na firmeza da minha voz, se eu tivesse de usá-la naquele momento.

— É sério, Blaine – reiterou ele, baixando a voz a pouco mais que um sussurro, e provavelmente tão baixo a ponto de aborrecer April. – A qualquer hora. Dia ou noite. Prometa que vai me procurar, sim?

Mais movimentos afirmativos da minha cabeça.

Ele deixou a loja com muito menos barulho e drama que o último visitante.

— Desse eu gosto de verdade – declarou April, sincera.

— Só porque ele compra seus livros mais caros – disparei, esfregando as palmas das mãos contra o tecido da calça jeans sem perceber, como se para apagar qualquer vestígio do toque de Sam.

— Tsc, tsc – repreendeu-me minha chefe. – Olhe o que diz, Blaine!

-*-

Eu tinha acabado de adormecer, depois do que pareceram horas me revirando e remexendo na cama, quando meu celular zumbiu impacientemente na superfície polida da mesinha de cabeceira. A luz diáfana do amanhecer começava a penetrar pela abertura entre as cortinas, e eu tive que olhar várias vezes para o visor do telefone até ver que eram apenas seis e meia da manhã. Pisquei desejando clarear a visão e vi a identificação de quem ligava: Rachel. Automaticamente, meu estômago se revirou e meu coração falhou uma batida. Ninguém ligava àquela hora do dia, a menos que fosse sério.

— Rachel?

Atendi à ligação já sentindo meu estômago se contrair, à espera de más notícias. Ela foi direto ao ponto.

— Vocês terminaram? Você rompeu com Kurt e nem pensou em me contar?

— Rachel, são seis e meia da manhã.

Ela continuou a bufar, como se eu não tivesse falado.

— Que diabos você estava pensando?

— Kurt lhe contou – concluí, suspirando.

— Não, ele não contou droga nenhuma! Qual é o problema com vocês dois? Recebi uma mensagem ontem à noite, de uma garota idiota… que eu nem conheço tão bem assim… do clube de rúgbi. Parece que Kurt esteve no bar do clube ontem à noite, bebendo como se não houvesse amanhã e espalhando a notícia sobre vocês dois para quem quisesse ouvir. Estou aqui sentada há um tempão, esperando dar uma hora razoável para ligar.

Eu ia dizer que, na minha opinião, essa hora razoável ainda demoraria a chegar, mas Rachel não me deu chance de falar.

— Não posso acreditar, Blaine Anderson, que nos conhecemos há mais de vinte anos e é assim que eu fico sabendo.

Quando Rachel finalmente parou para respirar, tudo em que eu conseguia pensar era: Ótimo, nosso rompimento agora é um apetitoso tema para os fofoqueiros locais.

— Por que diabos você não me contou? – disparou Rachel, em tom de acusação, com os pulmões claramente de volta à plena capacidade.

Na verdade, ainda era cedo demais para aquele tipo de conversa.

Eu dei como resposta uma única palavra:

— Tina.

— O que Tina tem que ver com isso?

Como em um terremoto, pude sentir um estrondo e o tremor quando o chão em que nossa amizade fora construída começou lentamente a se abrir. Fechei os olhos e vi uma vida inteira de lembranças despencar de cabeça nas profundezas escuras do abismo.

— Tina e Kurt.

O suspiro de Rachel quando eu disse os nomes foi prova suficiente.

— Mas você já sabia, não é mesmo? – perguntei com amargura. – Percebi isso no outro dia; portanto, não se dê o trabalho de negar.

— Eu… eu…

Rachel, normalmente tão segura e confiante, parecia estar com dificuldade para formular uma resposta.

— Eu não tinha certeza.

Ela fez uma pausa e prosseguiu, confessando em um sussurro:

— Eu não queria ter.

— Droga, Rachel! Por que você não me disse nada?

— Porque eu não tinha certeza. Tina nunca me contou nada, e eu poderia estar enganada… Eu só sabia que ela estava saindo com alguém e que estranhamente estava guardando segredo sobre isso.

Fechei os olhos, como se eu pudesse fazer desaparecer a dor da traição, que estava sempre diante de mim, não importava para que direção eu me voltasse.

— Não posso acreditar que você não tenha dito nada, Rachel. Achava que você fosse minha melhor amiga.

— Eu não podia – disse ela, em um gemido. – Não podia magoar você desse jeito.

— E isso não está me magoando? – repliquei amargamente.

Outro longo silêncio. Rachel foi a primeira a quebrá-lo.

— Olhe, precisamos conversar sobre isso pessoalmente.

— Não, não precisamos.

— Blaine…

Havia um tom dolorido, de negação, na voz de Rachel, e imaginei que a conversa não se desenrolara nem um pouco da forma como ela havia esperado.

— Blaine, por favor, deixe-me ajudá-lo a tentar resolver isso. Você pode continuar chateado comigo, eu não me importo, mas não me exclua da sua vida. Eu sou sua amiga. Você precisa de mim.

Agora que a raiva se esvaíra, sua voz saiu sussurrada e perceptivelmente tremida quando ela concluiu:

— E eu preciso de você.

Ela estava certa, nos dois casos. Precisávamos um do outro, e ela ainda era minha amiga, a única que me restava, agora que Tina e Kurt tinham sido espetacularmente arrancados de mim. Mas era recente demais, estava cedo demais naquela manhã, e a ferida ainda estava exposta.

— Não quero falar sobre isso, Rachel, de verdade. Com ninguém, ainda não. Não há nada a resolver. Kurt e eu terminamos. Isso não pode ser consertado.

Houve mais um longo silêncio do outro lado da linha, quando pude ouvir o ruído baixo da voz de Quinn, ao fundo. Compreendi que eu provavelmente devia agradecer a ele o fato de não ter recebido aquele telefonema ainda mais cedo.

— Me dê alguns dias, Rachel. Preciso de espaço para colocar minha cabeça em ordem. Por favor. Eu telefono quando estiver pronto para falar. Mas me deixe sozinho até lá.

Depois do telefonema, eu me recostei nos travesseiros, sabendo que não haveria a menor possibilidade de voltar a dormir. Por mais que quisesse buscar apoio em Rachel, não podia ignorar – ou perdoar – o fato de ela ter suspeitado de que fosse Kurt o homem com quem Tina estava “saindo” e, ainda assim, não ter dito nada. Nem uma só palavra. Ela deixara que eu continuasse a planejar um casamento, uma vida e um futuro, sabendo o tempo todo que tudo o que eu vinha construindo poderia muito bem estar sustentado em uma mentira. As três pessoas em quem eu mais confiava no mundo tinham me traído, de uma forma ou de outra, e o gosto ácido da dolorosa decepção queimava minha garganta sempre que eu pensava nisso.

Notas finais
Os próximos capítulos sairão com mais frequência, agora nas férias. Deixem seus reviews e comentários. XoXo.