Notas iniciais
Eu já tinha toda essa história na minha cabeça há um tempinho, e sempre achei que esse ship deveria ter sio melhor aproveitado. Boa leitura!

Alguns dias tinham se passado desde a cena que presenciara no celeiro. Anna tinha beijado Dean, ainda em sua forma humana. Um gosto amargo tinha ficado na boca de Castiel, mas nada dissera. Ele tinha ordens explícitas para matá-la. E faria isso, mas ela recuperara a graça, e desaparecera.
Uriel estava mais severo do que antes, para com ele. De alguma forma, queria culpar Castiel pelo ocorrido.

"Eu definitivamente terei que matá-la. Então, quando ver qualquer sinal daquelas asas, me chame." Uriel foi direto, antes de desaparecer do banco no qual os dois estavam.

Castiel olhou para o banco vazio, e em seguida para o céu. Tudo se complicara quando teve que buscar Dean do inferno... Mas valera a pena, sabia disso. Além do mais... Ele tinha sido abandonado por quem mais tinha apreço no céu.

O anjo deu uma sacudida na cabeça, tentando se afastar daqueles pensamentos, mas a lembrança ainda pairava em sua mente.

Ele, parado, olhando os humanos, quando ouviu um farfalhar de asas, de um irmão. Castiel se virou, e analisou o outro anjo, mas não disse nenhuma palavra, só deu um leve cumprimento com a cabeça, e voltou a olhar a humanidade.
-Eu tenho uma notícia ruim... dos superiores. — Samandriel disse.
-Pode dizer. — Castiel permanecia de costas, sem se importar, poderiam ser mais algumas ordens.

-Anna, removeu a graça dela... e caiu.

Castiel piscou várias vezes, tentando absorver aquela notícia. Ela... a mais determinada ali... tinha o deixado. Olhou para baixo, e engoliu em seco.

-E-eu...compreendo...- respondeu.

-Você sabe o que isso significa Castiel. Não é para deixá-la viver caso encontre... ela desonrou nosso Pai. Merece uma punição. -o outro anjo falou, e sem esperar uma resposta, se foi.

Castiel enlaçou os dedos de uma mão na outra, e suspirou, olhando para o céu. Depois disso, deixou o banco, e foi para outro lugar qualquer.

Talvez fosse outra rua, de outra cidade, não sabia dizer. Mas o lugar estava calmo, e melhor, a noite. Tudo estava mais silencioso ao dar os passos até a outra calçada, e logo encontrou um pequeno lago, que refletia agora a imensidão da lua naquela noite.

Castiel se abaixou, e pegou uma pequena pedra. Era lisa... E muito dura. Sem pensar duas vezes, a jogou no lago, desfazendo o reflexo da Lua por um momento. A luz do poste ali perto piscou. O coração na casca do anjo bateu mais depressa. Não podia ser Uriel ali... Ele era arrogante demais para procurá-lo, preferia chamar.

Mesmo assim, Cass não se virou. O farfalhar de asas, foi alto ali, devido ao silêncio.
-Anna... — Ele disse, sem emoção.

-Castiel. É bom revê-lo. — Ela deu alguns passos, até que estivesse ao lado dele, olhando para o lago.

Cass virou o rosto, lentamente, e olhou para o rosto dela. Estava como antes... Ainda sentia a energia que emanava dela como era no céu. Forte, segura...mas agora incerta.


-Você sabe que aqui não está segura. — ele disse.

-Eu sei disso. Mas também sei que tenho algumas coisas para resolver antes.

"Coisas...?" Castiel pensou, mas ficou calado.Ela respirou fundo, pensando em como prosseguir.

-Eu lamento tanto... Não há um dia em que eu não pense nisso. — Anna deu um passo, e ficou exatamente a frente dele. -Castiel... Perdoe-me. Por ter o deixado lá... Com Uriel e os outros. Eu tinha um dever com você.

Ele virou o rosto, e se afastou, voltando a contemplar o lago.
-Não preciso a perdoar, Anna. Você fez o que julgava certo.

A anja caminhou até ele, e parou olhando nos olhos azuis dele.


-Não foi certo ter abandonado você, Cass. Eu sei. Mas não posso viver, ou morrer, sem saber que me perdoou.

Ela pousou os dedos, na mão dele, que permaneciam coladas ao sobretudo. Era aquele toque quente... Acolhedor. Castiel piscou várias vezes, sem sair do lugar. Ela esboçou um leve sorriso para ele, e enlaçou os dedos.
-Me desculpe. -pediu, mais uma vez.

-eu... sim, Anna.- as palavras saíram de Castiel quase automaticamente, e ele se inclinou mais um pouco, para tocar com os dedos no cabelo ruivo dela, com... Acho que os humanos chamavam de carinho. Sim, era um carinho.

Ao ouvir aquelas palavras, o sorriso de Anna foi maior. Ela permanecia contemplando os olhos do seu irmão à frente... Seu companheiro, para ser mais exata. Lembranças desses momentos no céu, compartilhando incertezas, e ordens. Agora estavam na Terra. Ela tinha caído, ele estava em dúvida, podia sentir. Nada mais podia ser julgado correto ou incorreto.

Anna então fez o que desejava. Já ansiava por isso desde antes, mas era um pecado. E não queria o fazer pecar, porém, nada mais importava agora. Ela aproximou o rosto do de Cass, devagar, e ele sabia o que aconteceria. Demorou um pouco até que os lábios dos dois se tocassem. Era um toque quente, molhado. Castiel fechou os olhos, experimentando da sensação, pleno. Era um beijo calmo, e casto. Depois disso, ela afastou o rosto alguns centímetros, a sorrir para elem.

-Obrigada.- ela murmurou.

Anna então soltou da mão dele, e afastou a mão de seus cabelos devagar.
Castiel não teve tempo de responder, quando se viu completamente sozinho em frente ao lago.

Notas finais
Comentem se gostarem ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!