Notas iniciais
Oi pessoal! Tive essa ideia e não consegui tirar da cabeça, então escrevi e postei aqui. Espero que gostem e deixem muitas reviews! Obrigada. Recomendo lerem minha Fic 'Corações Entrelaçados' e 'Corações entrelaçados OVA'. Lógico, é só um pedido de uma escritora amadora que está implorando por leitores e que vai matar todos aqueles que não me obedecerem. Muahahahaha *tiro* To brincando, mas eu agradeceria se lessem e contassem pros amigos e eles contassem pros amigos, que contariam para os amigos, que contariam pros amigos... Bom, entenderam. Ah, e eu queria saber se vocês gostariam que eu continuasse essa fic, por que eu até escrevi uma continuação, mas acho que ficou meio brega. Então, me digam se eu escrevo ou não. Obrigada.

- Amu-chi! Você viu a revista? – uma garota de cabelos castanhos, comportamento de bebê chega gritando com uma revista nas mãos. – Você está tão linda aqui!

- Sem falar que esse garoto tem sorte de sair numa capa com você. Ainda mais como namorado. — Rima, melhor amiga de Amu, chega com seu sorriso malicioso. Muitas vezes ele lembrava Amu de um gato pervertido que entrava em seu quarto.

- É só um boato! – diz Amu, olhando para ela e um garoto de cabelos pretos e olhos verdes, andando juntos pelas ruas de Tókio, na revista.

- Olhem! É a Hinamori Amu!

- Kyaa! Eu quero um autográfo!

- Você ouviu? Ela está saindo com aquele cantor super famoso! – algumas garotas comentam, olhando para Amu.

- Você ta ficando mais popular né Amu? – Rima pergunta, olhando para as garotas e garotos que olhavam para sua melhor amiga.

- Sim! A Utau vive me pertubando por causa disso. Dizendo que não vai perder.

- O que você vai fazer hoje? É natal.

- O que você vai fazer hoje ein?

- Vou sair com o Nagi. – Rima dia numa calma. Os dois tinham começado a namorar a dois anos atrás.

“E pensar que eles eram igual cão e gato” – Amu pensa. Alguns meses depois que Ikuto tinha ido embora, Amu descobriu o segredo de Nagihiko. Ele era Nadeshiko, uma de suas melhores amigas. Amu ficou completamente chocada, mas feliz ao saber que Nadeshiko nunca tinha abandonado-a, sempre esteve com ela, lhe dando conselhos, mesmo que fosse como Nagihiko.

- E você Amu-chan? Vai sair com o Tadase? – Yaya pergunta chupando um pirulito

- Não. – Amu responde. Amu descobriu que o que sentia por Tadase não era amor, nem mesmo era um ‘gostar’, era apenas admiração, apenas amizade. Amor é um sentimento totalmente diferente, e algo que ela só sentia por uma única pessoa.

“Será que um dia eu vou ser capaz de dizer isso a ele?” – Amu pensa, com um olhar distante.

- Oi Rima-chan, Yaya-chan, Amu-chan. – Nagihiko chega junto de Tadase e Kukkai.

- Oi. – as garotas respondem, sorrindo. Nagihiko para ao lado de Rima e lhe da um leve beijo.

- Ah, que coisa mais fofa! – Kukkai ri.

- Fala o namorado da estrela musical Hoshina Utau. – Kukkai cora ao comentário de Rima.

- Ah é. Kukkai, Utau disse que se você se atrasar um único minuto, ela vai cortar relações. – Amu avisa sorrindo mas com uma cara do tipo ¬¬”.

- Aff, é ela quem sempre se atrasa.

- O que vão fazer hoje? Comer Ramem? – Nagihiko pergunta e todos riem.

- Não!

- Mas é só o que vocês fazem. – Yaya diz, botando um outro doce na boca.

- Não é verdade! Né Hinamori? – Kukkai olha para Amu, que olha para ele sorrindo.

- É verdade sim. – todos riem mais ainda.

Amu, Kukkai e Utau já haviam saído juntos varias vezes. Principalmente depois do acidente. Amu considerava Kukkai como um irmão, e sempre se animava depois de passar um tempo com ele. Apesar dela se sentir mal por atrapalhar os encontros do casal, que eram tão raros. Ser uma estrela da música e do futebol não é nada fácil.

- Amu-chan, e você? O que vai fazer? – Tadase pergunta, dando seu sorriso de príncipe. Se fosse antes, Amu ficaria toda vermelha, mas isso não a afetava mais.

- Eu estava pensando em ir visitar meus pais e a Ami. – Amu diz.

- Amu-chan... – todos olham para a garota, meio hesitantes, sem saber o que dizer.

- Hinamori! Vamos comigo e a Utau! Você podia passar o natal com a gente! – Kukkai diz sorrindo e batendo de leve nas costas dela, como numa tentativa de animá-la, que deu certo.

- Eh? Não! Eu não quero atrapalhar!

- Do que está falando? Quanto mais gente melhor, não é? – ele sorri e Amu sorri de volta.

- Não, Kukkai, você não ta entendendo. A Utau vai me matar se eu for. – todos deixam um gota cair. ¬¬”

- É.

- Você quer passar comigo Amu-chan? – Tadase pergunta de repente, sorrindo timidamente com um vermelho nas bochechas.

- Tadase-kun?

- Eu não tenho nada planejado também, então se quiser, podemos passar o natal juntos. – todos percebem a esperança nos olhos de Tadase.

- Desculpa Tadase-kun, mas vou recusar. – Amu diz sorrindo. Ela sabia que Tadase ainda gostava dela, mas ela não queria criar falsas esperanças, apesar dela mesma estar tendo esperanças falsas em relação à volta de um certo gato.

- Tem certeza? – Tadase tenta de novo.

- Tenho, mas obrigada.

- Ei Hinamori, eu vi você na Tv ontem. – Kukkai diz para mudar o assunto e superar o clima de tristeza.

- Com licença. – uma garota chega com sua amiga, tímidas – nós queríamos pedir seu autográfo, Hinamori-san.

- Hã, claro. Qual o nome de vocês?

- Aiko, e ela é a Yume. – a garota diz, sorrindo e ansiosa.

- Aqui está. – Amu entrega o papel com seu autográfo.

- Muito obrigada! Nós vimos seu show e gostamos muito!

- Obrigada! – Amu sorri.

- Boa sorte com seu namoro com o Kenji-kun! – elas saem correndo.

- Kenji ein? – Kukkai olha para Amu com um sorriso malicioso e ela cora.

- É só um boato! – Amu pensa no cantor Saito Kenji, um garoto de 18 anos, que estavaa ficando cada vez mais popular, e esses boatos que ele estava saindo com Amu, só atraiam a mídia para cima deles. Amu o via apenas como amigo, mas sabia que Kenji tinha um sentimento especial por ela.

- Oww, isso ainda é meio estranho. Nunca pensei que a Hinamori viraria uma cantora.

- Prefiro comediantes. – Rima comenta e Nagihiko ri. – mas se é a Amu, tudo bem.

- Rima, arigatou. – Amu ri, abraçando a amiga. – Mas eu realmente não gosto dessa atenção toda. A Utau diz que faz parte de ser cantora.

- Com certeza. Se você não tiver fãs, não é uma boa.

- Então podemos dizer que você é muiiiiitoooooo boooaaaa. Famosa desde o primário. – Nagihiko comenta.

- Então? Nunca mais vi sua atitude ‘Cool&Spice’.

- Não preciso mais dela. – Amu diz sorrindo e se lembrando de sua Charas – Achei meu verdadeiro eu.

- Mas falta uma coisinha não é? – Rima pergunta.

- O que é Amu-chi? – Yaya coloca várias balas na boca.

- Não faço a mínima idéia. ^^”

- Rima-chan, acho melhor irmos, se você quer conseguir um lugar bom. – Nagihiko diz.

- Com certeza! Nunca vou perdoá-lo se ele for uma desgraça para a comédia. – Rima diz, fechando os punhos.

- Rima-chi, você ta queimando. Quente! Ahh, meus doces! – Yaya tenta salvar os doces que chegaram perto demais de Rima.

- Hahahahaha.

- Souma-kun, você não devia se arrumar? – Tadase olha para o relógio e depois para Kukkai.

- Yabbe! Tchau gente! Feliz Natal! Vejo vocês amanhã né?

- Com certeza! – todos respondem, menos Amu.

- Hã? Amanhã? O que tem amanhã?

- Nada! – eles respondem imediatamente – Estamos indo embora também. Hahaha – eles riem forçadamente, se afastando de Amu – Feliz Natal e amanhã não tem nada. Nada mesmo. Nadica de nada. – então eles correm.

- Suspeito. – Amu pensa.

- Dentro de poucos minutos estaremos pousando em Tokio, Japão. Por favor usem seus cintos de segurança e desliguem todos os aparelhos. São 8:34 da noite no horário de Tókio. A Flylife agradece por ter voado conosco e lhes deseja um feliz natal.

Quem ouvisse pensaria no mais óbvio. Pessoas estariam voltando para o Japão por causa do natal, indo visitar suas famílias, ou até mesmo a trabalho. O mesmo vale para um certo homem na primeira classe. Cabelos azuis escuros, mais para um tom de safira, olhos profundo, capazes de hipnotizar e levar alguém ao mundo dos sonhos, safiras também. Ele está em seus 22 anos e é o que se pode chamar de sonho de consumo das mulheres. Mas ele pensa diferente. Só quer ser o sonho de consumo de uma única garota de cabelos rosas e olhos dourados, que apenas de olhar para eles, o fazia sorrir. Tsukyiomi Ikuto, um famoso violinista, que ganhou fama pela Europa e pela América junto de seu pai, Tsukiyomi Aruto.

Neste exato momento ele está pensando na sua garota de cabelos rosas, imaginando como ela irá reagir ao vê-lo. Ele não pode evitar deixar escapar um sorriso. Agora ela deve estar com 17, não é mais uma criança.

Eu definitivamente farei você se apaixonar por mim. Então se prepare.

- Definitivamente... – ele sussurra para si mesmo. Ele definitivamente não perderia essa aposta por nada. Naquele mesmo dia, Ikuto beijou Amu. Não nos lábios, pois ela era muito nova e ele não queria assustá-la. Mas foi bem perto e o suficiente para Ikuto ficar feliz. Ikuto olha pela janela do avião, e vê as pequenas luzes ficando maiores, lembrando-lhe do parque no qual ele tinha levado Amu.

Flash Back

- Não há mais tempo para brincar, porque o passeio acabou. Tudo termina. – Ikuto diz, com olhos tristes e distantes.

- Você sabe... é a minha primeira vez aqui, mesmo que todos os dias deste parque de diversão sejam limitados, para mim hoje é apenas o começo. – Amu diz com um sorriso, capaz de atrair o mais perdido gato – Assim, Ikuto, por que não faz de hoje seu começo também?

End of Flash Back

Aquelas palavras, seu sorriso. Se Amu apenas soubesse o impacto que eles tiveram sobre ele. Se ela soubesse o quanto Ikuto sonhava e se imaginava vendo aquele sorriso de novo. O quanto doeu deixá-la para trás, os pesadelos que ele teve imaginando Amu o abandonando, dizendo que o odiava. Ele viu Amu e Tadase juntos várias vezes em seus sonhos, sorrindo um para o outro, compartilhando beijos. Os lábios de Amu perteciam a Ikuto. Amu era dele.

Flash Back

- Você é um tipo de garoto rebelde, você sabe. – Amu diz olhando para ele com as bochechas rosadas. Os dois estavam deitados na cama dela.

- Ahn?

- Você está sempre seguindo criancinhas. – Ikuto abraça Amu, enfiando seu cabeça um pouco abaixo dos seios de Amu, que quase não existiam.

- Ah! O q-q-que e-e-está f-fazen...

- É porque estou ligado com as crianças. Me mima um pouco.

- Você não é bonitinho! Vamos! – Amu diz, batendo de leve em Ikuto.

- Ai, você não tem que ser tão hostil. – Amu desiste e deixa-o ficar ali, agarrado a si. Na verdade, Amu até estava gostando de estar perto de Ikuto.

- Tadase disse... Tadase disse que gostava de você.

- O-o que? Não tem nada a ver com você! – Amu diz com o rosto vermelho. – Ikuto, você é um veterano, certo? Tem alguma garota de que você goste?

- Sim. Você. – Amu da um tapa em Ikuto.

- Ai.

- Mentirosos não estão autorizados a permanecer na cama.

- Ai, ai. Hostilidade de novo. Ah ah, você realmente não acredita em nada, ehn?

- Claro que não! Você está sempre brincando comigo!

- Um grande lobo mal, ehn? – Ikuto olha para Amu com um olhar profundo, que parecia atravessar sua alma, deixando a garota mais vermelha ainda. – Amu...

- O-o q-que?

- ...Não tem importância. Cresça mais rápido.

End of Flash Back

Ikuto realmente quis dizer aquilo. Ele realmente gostava de Amu. Não, ele amava Amu. Ainda ama. Mas naquele momento ela só tinha 12 anos, não poderia entender. E mesmo que ela também gostasse de Ikuto, não podia namorar. Seria pedofilia, certo? Para Ikuto, estar perto de Amu, já era o suficiente. Ele se divertia quando provocava ela e via todo o rosto dela ficando vermelho. Ele prezava aqueles momentos mais do que qualquer outra coisa. Era a felicidade dele no mundo em que ele vivia, quando ele ainda era prisioneiro da Easter. Agora ele estava livre. Sim, livre para fazer o que quisesse, o que nesse exato momento se resume a querer ver Amu. Vê-la, abraçá-la, sentir o calor do corpo dela contra o seu. Então um pensamento lhe atingiu. E se ela tivesse se esquecido dele? E se ela o odiasse agora? Ele passou 5 anos sem dar uma única noticia, nenhuma carta ou ligação. E se ela tivesse encontrado alguém? Alguém que a amasse e ela amasse também? Ikuto não permitiria isso. Não. Ele esperou todos esses anos por ela, não seria agora que iria perdê-la para qualquer um. Isso inclue Tadase. Não, Ikuto preferia ter seus belos cabelos raspados a desistir de Amu para Tadase. Tudo bem, ele não desistiria de seus cabelos, pois sabia que Amu gostava de brincar com eles, como ela dizia...

“Igual pêlo de gato”

Bom, de qualquer maneira, Ikuto não desistiria de Amu por nada.

- Por favor, recolham seus objetos e saiam pela direita. Desejamos boa noite e feliz natal. – Ikuto escuta a voz da aeromoça.

Ele se levanta, pega seu violino, e sai. Ao passar pela aeromoça ela pisca e enfia um papel dentro de seu bolso. Ikuto simplesmente sorri e sai do avião, indo pegar sua mochila. Ao sair do aeroporto, sente a brisa fria bater contra seu rosto, levantando seus cabelos que agora caiam de forma desajeitada sobre seus olhos safira, mas que davam um ar misterioso e sensual a ele. Ikuto olhou para um lado, e para o outro, então se lembrou que tinha anotado o endereço de Utau em um papel no seu bolso.

Me liga fofo. 88965586

Não é esse. Ikuto joga esse papel no lixo, pensando na aeromoça que tinha passado todo o vôo se insinuando a ele. Imagina se Amu ficaria com ciúmes se soubesse disso.

- Provavelmente não. – ele sorri para si mesmo.

Então ele pega outro papel, olhando o endereço e jogando-o fora. Utau não sabia que Ikuto estava no Japão. Isso com certeza faria a garota pular em cima dele, tentando beijá-lo.

Ikuto sabia andar nas ruas de Tókio mesmo que colocassem uma venda em seus olhos. Resultado de sua vida como um gato. Ikuto se lembrou de seu chara, Yoru, que estava sempre com ele, animando-o, e dizendo nya. Yoru sumiu depois que Ikuto reencontrou seu pai e começou a tocar junto dele. As últimas palavras dele foram...

“Você agora é um gato livre, Ikuto-nya! Nós sempre, sempre estaremos juntos!”

- Yeah, sempre juntos Yoru. – Ikuto murmura, andando pela praça.

- Mamãe, mamãe, olha! É a Amu-chan! – uma garotinha, em torno dos 8 anos diz,chamando a atenção de Ikuto. Ele procura a sua volta, mas não vê sua garota em nenhum lugar. Até ele escutar uma voz, um doce, mas triste voz. De repente, todos param, admirando a dona da voz. Ikuto olha para cima e encontra a dona.

I always needed time on my own

I never thought I\'d, need you there when I cried

And the days feel like years when I\'m alone

And the bed where you lie is made up on your side

- Amu... – ela estava no telão em um prédio. Todos por perto a admiravam, encantados com a voz dela. Ela estava tão linda.

When you walk away I count the steps that you take

Do you see how much I need you right now

Será que... Ikuto olha para a triste garota. Ela transmitia todos os sentimentos com aquela música. Dor, tristeza, saudade, sofrimento. Quem era o imbecil que a fez sofrer tanto? Ikuto não o deixaria impune.

When you\'re gone the pieces of my heart are missing you

When you\'re gone the face I came to know is missing too

When you\'re gone the words I need to hear to always get me through the day

And make it ok

I miss you

A música parecia combinar perfeitamente com os sentimentos de Ikuto. Tudo que ele sentiu ao deixar Amu para procurar seu pai. A dor em seu peito, todas as vezes que ele acordava e via que não estava no chão ou na cama de Amu. Que não poderia fazer um Chara Change e sair pulando entre as casas, até chegar na dela e assustá-la, entrando pela varanda.

I\'ve never felt this way before

Everything that I do, reminds me of you

And the clothes you left, they lie on the floor

And they smell just like you

I love the things that you do

When you walk away I count the steps that you take

Do you see how much I need you right now

Ikuto se perguntou se Amu se sentira desse jeito quando ele foi embora. Se ela sentiu falta dele, se ela sonhou com ele, se ela pensou nele no dia dos Namorados. O último chocolate que Ikuto havia comido havia sido feito para Tadase, e por uma brincadeira do destino parou em suas mãos. Como se Deus quisesse que Amu e Ikuto ficassem juntos.

When you\'re gone the pieces of my heart are missing you

When you\'re gone the face I came to know is missing too

When you\'re gone the words I need to hear to always get me through the day

And make it ok I miss you

We were made for each other out here forever

I know we were

Yeah yeah

Ikuto tinha sido pegue mais de uma vez por seu pai, pensando em Amu. A Dumpty Key havia se tornado a última lembrança dele de Amu, e ele a carregava para todos os lugares.

All I ever wanted was for you to know

Everything I do I give my heart and soul

I can hardly breathe

I need to feel you here with me

When you\'re gone the pieces of my heart are missing you

When you\'re gone the face I came to know is missing too

When you\'re gone the the words I need to hear will always get me through the day

And make it ok

I miss you

A música acaba, mas Ikuto não deixa de notar a expressão de todos. Alguns choravam, outros sorriam.

- Mamãe! Compra o Cd dela! – Ikuto escuta a voz da mesma garotinha.

- Você gosta dela?

- Sim! Quero ser igual a Amu-chan quando eu crescer!

“Parece que você achou seu verdadeiro eu, Amu” – Ikuto pensa, continuando a andar.

Após alguns minutos ele chega na frente de um prédio, mas não consegue ver a entrada, pois esta estava barrada por vários garotos e garotas, gritando que queriam entrar e dar seus chocolates a alguém e conseguir um autografo. Ikuto não escutou o nome. Ikuto foi passando pelas pessoas, e quando chegou à porta, todos olhavam para ele. As garotas babando, e os garotos com raiva.

- Ei! Onde você pensa que está indo?!

- È! Nós também queremos entregar nossos chocolates!

Ikuto ignorou e continuou andando, até que um segurança o parou.

- Desculpe, mas só para residentes.

- Eu só vim visitar minha irmã. É Natal, ela é minha única família. – Ikuto diz com olhinhos de cachorrinho abandonado, fazendo todas as garotas gritarem de amor e até mesmo os seguranças hesitarem.

- D-desculpe, mas p-preciso que me mostre sua ID.

- Ei, você! Ele só quer visitar a família dele! O que há de errado?! – uma garota grita, comovida pela desculpa esfarrapada de Ikuto, apesar de ser verdade.

- Mesmo assim...

- Ei, você... é Tsukyiomi Ikuto! Kyaaaaa!! É ele! Aquele violinista! – então todas as garotas começam a pular em cima de Ikuto, que desvia de todas e olha para o segurança.

- Você é mesmo o violinista?

- Sou. Será que eu posso entrar? – diz Ikuto já começando a se irritar.

- Vai ficar me devendo um autografo. – Ikuto entra no prédio e olha para trás, para as garotas que agora atacavam o segurança, e pediam para tirar uma foto com Ikuto. Ele sorriu e foi para o elevador. Apartamento 9003.

- Quem é... – Utau abre a porta, olhando para Ikuto e paralisando.

- Yo.

- Ikuto! Kya! – Utau pula em cima de Ikuto, mas em vez de beijá-lo ou tentar algo mais, ela só o abraça – Ikuto! Você devia ter me dito que estava vindo!

- Foi mal, Utau. – ela se afasta um pouco, sorrindo.

- Espera, como entrou? Ta a maior confusão lá embaixo. Sempre fica assim.

- Não é só você que é famosa, irmãzinha. – Ikuto dá seu sorriso e Utau o abraça de novo.

- Ainda bem que você voltou. Acho que ela iria morrrer se ficasse mais um ano sem ter noticias suas.

“Ela?” – Ikuto imagina quem seria.

- Quando você voltou?

- Acabei de chegar.

- Você devia ter me dito e eu ia te pegar no aeroporto. – Ikuto olha para a irmã.

- Você... mudou. Não tentou me agarrar nem beijar. – Ikuto diz com uma cara de tédio.

- É lógico! Qual é, não tenho mais 14 anos. Além disso, tenho um namorado. – Utau diz, meio que orgulhosa de si mesma.

- Ohh, namorado? O garoto futebol? – Ikuto pergunta, indiferente.

- C-como você sabe? É-é t-tão o-o-obvio assim? – Ikuto simplesmente concorda, balançando a cabeça.

Ao escutar a palavra namorado, Ikuto pensou em Amu. Se ela tinha um namorado agora.

- Utau, desde quando a Amu é famosa?

- Ah! Você já viu né? Aquela garota é um monstrinho em pessoa! Em menos de um ano, ela roubou o 1º lugar de mim! – nos olhos de Utau apareceram chamas, indicando a raiva da garota.

Ikuto deu uma olhada melhor em Utau. Ela vestia uma calça jeans colada, uma blusa de mangas até o pulso rosa claro. Seus cabelos, louros, estavam presos em dois rabos de cavalo. Ela estava linda. Lógico, era irmã de Ikuto. Mas algo nela parecia diferente. Ela estava mais...feliz.

- Hum... Parece que você está feliz com o garoto futebol. – Utau cora ao comentário, mas sorri timidamente.

- Estou. E você? – Ikuto levanta uma sobrancelha. – Fez algum avanço com ela? – Ikuto sorri e coloca a mão na cabeça de Utau.

- Ainda não. – Utau sorri. A irmã sabia dos sentimentos de Ikuto por Amu. E por mais incrível que pareça, apoiava-os. Antes de Ikuto viajar, Utau lhe disse que não lhe perdoaria se Ikuto se apaixonasse por outra garota.

“Ela te faz feliz. Se você está feliz, eu estou feliz. Para ela... Apenas para ela, posso te entregar. Então não ouse se apaixonar por outra garota, Ikuto!”

- É melhor você se apressar. Talvez ela esteja sendo levada por alguém. – dessa vez, Utau é quem sorri maliciosamente. Ikuto não gosta nada disso. Principalmente a parte de Amu ser levada por alguém. Ele nunca permitiria isso. Ah, mas nem que a vaca tussa e o boi diga saúde.

- Quem? – Ikuto pergunta, os olhos mostrando sua raiva. Utau sorri e isso irrita mais ainda o homem – Tadase?

- Quem sabe...

- Utau, se você não me disser agora, eu vou contar todos os seus segredos embaraçantes pro garoto futebol.

- Você não faria. – ela olha para ele com medo.

- Ah, pode apostar que eu faria.

KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Utau pula de susto pelo grito e Ikuto apenas olhou para dentro da casa.

- Utau, quem está... – mas Ikuto foi interrompido por mais gritos.

- KYAAA!!! Não se aproxime! Não!! KYAAAA!!! Sai! Agora!!! Não venha pra cá!!! KYAAAAA!!! Não!!! KYAAAA!!! – uma porta do corredor se abre de repente, e dela sai uma garota, quase rastejando, correndo, e o principal ponto que Ikuto reparou: estava só de sutiã. Então algo chama a atenção dele. Cabelos rosas e olhos dourados.

- Amu...

- Morra! Eu te odeio! Nunca mais volte aqui! – Ikuto recua alguns passos ao ouvir isso. Cada palavra ele sentiu como se ela estivesse dizendo isso para ele. Então ele a viu correndo até a cozinha, pegando um extintor de incêndio e voltando.

- Congele! – ela gritou, liberando uma fumaça branca, que preencheu todo o apartamento. – Consegui!

- H-i-n-a-m-o-r-i A-m-u! O que está fazendo?! – Utau grita, balançando a mão na frente do rosto, tentando enxergar entre a fumaça.

- Eu consegui Utau! Eu matei aquela aranha! – de repente os olhos de Utau brilharam

- Sério? Matou mesmo? Pulverizou?

- Hã... Ta mais para congelamento e... – Amu olhou para trás de Utau – porque você está com a porta aberta?

- Você não ta vendo?! O... – Utau olha para trás, mas não encontra Ikuto.

- O Kukkai ta subindo é? – Utau olha para Amu e vê uma sombra se aproximando de Amu por trás. De repente, Amu sente braços a envolvendo pela cintura, uma respiração quente contra seu pescoço, e algo macio igual pelo de gato contra seu rosto.

- Yo, Amu.

- Kyaa! – Amu pulou para fora dos braços desconhecidos e se virou, paralizando.

- Ai, você não precisa gritar também. – Ikuto diz com uma mão na orelha.

- I... ...ku... ...to... – lágrimas começam a cair pelo rosto de Amu, enquanto a garota fica lá parada, olhando para ele. Ela simplesmente não acreditava no que estava vendo. Ikuto. Ikuto. Ikuto. Ele tinha voltado. Depois de 5 anos ele tinha voltado. Depois da merda de 5 anos! Ela não acreditava!

- BAKA!!! BAKA!!! HENTAI!!! – Amu corre para Ikuto, chorando, e começa a bater nele. – Você é um idiota!!! Um grande IDIOTA!!!

- Ai, ai, calma. – Ikuto segura os braços de Amu, surpreso pelo ataque de raiva dela.

- Seu...idiota...! – Amu para de bater nele, e o abraça para a surpresa de Ikuto. – Eu senti sua falta!

OPA! Ela sentiu a falta dele? Ela estava abraçando ele? Isso é que é mudança de personalidade.

- Me desculpa, Amu. – ele a abraça com força e escuta os soluços dela. – Desculpa.

- E ai Utau? Está pron... – Kukkai chega e olha para Amu abraçada a um homem estranho. – Quem é o cara?

- Meu irmão.

- E por que a Hinamori ta só de sutiã? – Kukkai perguntou meio abobado, o que fez Utau queimar de raiva. Ikuto também não gostou nada disso. Ele não gostava de outros homens olhando para sua Amu. Principalmente quando ela está só de sutiã.

- Amu! Você ta morta!!! – Utau vai até ela, separando-a de Ikuto.

- Utau! O que você ta fazendo? – Ikuto pergunta irritado, mas sem soltar o braço de Amu.

- Estou levando ela para colocar alguma roupa! – então Amu percebe. Ela estava só de sutiã. Ela abraçou Ikuto só de sutiã. Ele a viu só de sutiã. AIMEUDEUS!!!

- Mas eu gosto assim. – Ikuto disse com seu típico sorriso malicioso que Amu não havia visto há anos, e que fez seu rosto ficar quase da mesma cor do cabelo.

- BAKA-NEKO! HENTAI! – Amu corre para dentro de um quarto, fechando a porta com força.

“Parece que algumas coisas não mudam, ehn...” – pensa Ikuto, lembrando de quantas vezes Amu havia lhe chamado daquilo. Sempre vermelha. Sempre com vergonha. Mas sempre pensando em como ele ficava feliz ao vê-la corar por causa dele. Ela ainda cora. Isso é um bom sinal.

- Estraga-festas. – Ikuto murmurou baixinho.

- O que você disse?! – Utau olhou para o irmão ameaçadoramente.

- Então, você é Tsukiyomi? – Kukkai pergunta sentando no sofá. Utau senta ao lado dele e Ikuto no outro sofá. – a última vez que te vi, você estava beijando minha namorada.

Ikuto lembra do dia em que Utau pulou em cima dele, beijando-o, e Amu e Kukkai descobriram que Utau e Ikuto eram na verdade irmãos.

- Você é o garoto futebol que está namorando minha irmã.

- Garoto futebol? Hahahahahaha. E você é o cara que ama a minha irmãzinha. – o olhar de Kukkai fica sério. Utau suspira.

- Que irmãzinha?

- Hinamori. – Ikuto olha para Kukkai. Então uma pequena risada escapa de sua boca.

- Utau, seu namorado é perfeito... – Utau sorri, feliz pela aprovação do irmão – ...para ser um saco de pancadas. Você vai ter sorte se escapar de mim, garotinho.

- Você vai bater em mim?

- Não. Apenas deixar alguns danos psicológicos. – Utau olhou para o irmão. Ela sabia que ele era capaz disso.

- Não acho que Hinamori vai gostar disso. Não, ela vai odiar. – Ikuto não gostou do jeito que ele enfatizou a palavra.

- O que eu vou odiar? – Ikuto levanta seu olhar e encontra a garota mais bonita que já tinha visto. Amu usava uma calça colada, que apesar de esconder as pernas esbeltas de Amu, ainda podia atrair os olhar de muitos homens. Amu usava uma blusa de manga, vermelha com detalhes pretos, e com um grande decote. Ele foi subindo o olhar e viu que Amu agora tinha curvas, bem feitas, destacando os quadris da garota e os seios dela, que agora não eram inexistentes, mas bem visíveis. Não eram tão grandes quanto os de Utau, mas ainda eram grandes. Do tamanho perfeito para Ikuto. Os cabelos de Amu estavam presos em um coque, com algumas mechas caindo por seus ombros.

Ikuto ficou ali admirando o que alguns anos podiam fazer com uma criancinha, então pôs seu sorriso pervertido, fazendo Amu corar.

- Eu preferia do outro jeito.

- P-p-pervertido! – Amu senta no canto do sofá, longe de Ikuto. – hã? Vocês ainda estão aqui?

- Dá licença! Meu irmão está aqui, não posso falar com ele? – Utau diz, ainda irritada por Amu ter se mostrado de sutiã para Kukkai.

- Utau! Hinamori não quis dizer isso. – Kukkai defende Amu.

- Você sempre defende ela!

- Por que você está tão irritada? Eu nem atrasado estou!

- Arrghhh, você é um idiota! – Utau corre para dentro do apartamento, se trancando dentro de seu quarto.

- Uww, faz tempo que ela não dá um piti. Você devia ir falar com ela.

- Ahh, to tão morto! – Kukkai se levanta do sofá e vai atrás de Utau, deixando Amu e Ikuto sozinhos.

Amu olhou para Ikuto, que já estava olhando para ela.

- O-o que?

- Você... mudou. – Ikuto se sentiu um idiota por dizer isso. ‘Você mudou’, era mesmo a melhor coisa que ele podia inventar?

- Lógico! Passaram 5 anos sabe? – Ikuto percebeu a dor na voz de Amu. Ele tinha machucado ela.

- Desculpe, Amu. Sinto muito. – Ikuto olha para a garota na sua frente.

- Sente mesmo? Está arrependido? Mesmo?

- Sim. Eu devia ter ao menos te ligado, ou mandado uma carta.

“ Mas se eu fizesse isso, eu iria querer voltar imediatamente para você” – Ikuto acrescentou mentalmente.

- É, você devia. Eu pensei que você tinha morrido.

- Sinto muito, Amu. Mas eu senti sua falta. Muito. – ao falar isso, Ikuto se aproxima um pouco de Amu, olhando diretamente nos olhos dela.

- Eu também senti sua falta, Ikuto. – isso o surpreendeu. Ele ficou mais surpreendido ainda ao sentir Amu lhe abraçando. De novo.

- Cof, cof. – eles escutam alguém tossir falsamente e alguém limpar a garganta, tentando chamar a atenção deles.

- Nós vamos sair agora. – Utau avisa, olhando para Amu.

- Hum, ok. – ela se afasta de Ikuto com as bochechas vermelhas. — Ikuto, você... hum... eh...

- O que? Quer passar o natal comigo, Amu? – Ikuto sorri maliciosamente, vendo o vermelho nas bochechas dela se intensificarem.

- E-e-eu n-n-não disse i-i-isso!

- Hum? Não quer passar comigo? Pensei que tinha sentido minha falta.

- Eu senti!

- Então quer mesmo passar o natal comigo? – o sorriso dele aumentou. Realmente era muito bom poder provocá-la de novo.

- HÀ?!!!

- Já que você insiste tanto, eu aceito.

- AHH!!! Você é... é... muitoo... Arrggghhh!!

- Nós estamos indo. Se comportem. – Kukkai diz pegando a mão de Utau, e a levando para a porta. Ele dá uma última olhada em Amu e Ikuto e deixa escapar um sorriso. Eram mesmo um casal perfeito. Apesar dele estar se sentindo como um pai que está dando a mão de sua filha em casamento.

Amu fica olhando para a porta, por onde Kukkai e Utau tinham desaparecido. Então ela sente um movimento ao seu lado, se virando e encontrando Ikuto em pé, olhando para ela com a mão estendida.

- Vamos, Amu.

- Eh? Pra onde?

- Você quer passar o natal comigo certo? – sem esperar uma resposta, Ikuto pega a mão de Amu, puxando-a e indo para a porta.

- Ei! Espera! Ikuto! – Ikuto ignorou todos as reclamações e depois de um tempo sentiu Amu segurar sua mão com força, acompanhando ele. Ikuto olhou para ela e sorriu. Ela era teimosa, mas nada que ele não pudesse lidar.

- Ikuto, não! Para! – Amu puxa Ikuto antes dele aparecer na vista daqueles que estavam na entrada do prédio.

- O que?

- Você quer ser morto? Se você for lá, vira comida de fã. – então ele entendeu. Aquelas pessoas queriam ver Amu e Utau. – Vem por aqui.

Amu puxa Ikuto pela mão, voltando pelo caminho que vieram, mas entrando em uma sala vazia.

- Amu, achei que nós queríamos sair daqui.

- E vamos. – ela puxa Ikuto atravessando a sala e saindo por uma outra porta. Então Ikuto sente a brisa fria contra seu rosto e percebe que eles estão na rua, mas na parte de trás do prédio.

- Pelos fundos?

- É, a Utau que me mostrou. Eu ganhei umas cicatrizes acho, de todas as vezes que sai pela frente. – Amu ri de si mesma e olha para Ikuto sorrindo. – Pra onde quer ir?

- Você vai ver.

Ikuto foi liderando o caminho, ainda de mãos dadas com Amu.

“ A mão dele é grande e quente...” – Amu pensa, olhando para o homem na sua frente. Ela tinha ficado surpresa ao ver Ikuto no apartamento. Ele estava mais alto, maduro, e muito mais bonito, ela tinha que admitir. Será verdade que ele sentiu sua falta? Será que ele encontrou seu pai? Como foi a viagem? Ele fez amigos? Quanto tempo ele ficaria no Japão? Será que ele se apaixonou por alguém? Eram tantas perguntas na cabeça de Amu que quando Ikuto parou de andar, ela bateu contra as costas dele, perdendo o equilíbrio e quase caído, se não fosse um braço forte lhe segurando pela cintura.

- Hum, to começando a achar que você faz isso de propósito. – Amu vê aquele sorriso pervertido no rosto dele e se afasta, com o rosto vermelho.

- N-n-não! – então Amu percebe onde eles estavam.

( N/A: Imaginem o que quiserem. Afinal, todos tem seu lugarzinho perfeito, ainda mais com o cara que você gosta. Apenas se lembrem que é inverno e natal.)

- Ahh, que lindo! – os olhos de Amu brilhavam á paisagem a sua frente.

- É, lindo... – mas Amu não percebeu que Ikuto olhava para ela ao invés de para a linda paisagem de inverno na sua frente. Amu olhou para Ikuto e viu que ele olhava para ela, sério. Amu se perdeu naqueles olhos por alguns segundos, até ver um sorriso malicioso brotar no rosto de Ikuto.

- O que? Percebeu o quanto eu sou atraente e se apaixonou por mim?

- O-o-o q-que?! E-eu n-não to a-a-a-apaixonada! – isso doeu em Ikuto. Muito. Mas ele não podia voltar atrás agora com a provocação. Não até ver todo o rosto dela vermelho.

- Mas admite que eu sou atraente?

- H-h-hentai! – Amu se vira, impedindo Ikuto de ver seu rosto, mas ele viu que suas orelhas estavam muito vermelhas. Ele riu e se sentou na neve, deitando depois. Era bom sentir o friozinho contra seu corpo. Mas ele preferia o calor do corpo de Amu.

Ikuto começou a imaginar como seria ter Amu em baixo de si, seus corpos colados, quentes e suados, os dois excitados, gemidos escapando da boca dela. Ela gemendo seu nome. Ela dizendo que o amava no clímax.

- Ikuto... – a voz de Amu o tirou de sus devaneios, e ele olhou para ela, agora sentada ao seu lado – você...achou seu pai?

- Sim.

- Como ele é?

- Você vai conhecê-lo amanhã.

- Eh? Ele ta vindo para cá?

- Ele quer ver a Utau.

“E você.” – Ikuto adicionou mentalmente. Seu pai fez questão de conhecer a garota que ‘roubou’ o coração de seu filho. Ikuto suspirou e olhou para Amu.

“Só espero que eu tenha roubado o dela antes de alguém tê-lo feito.”

- ...Ikuto?

- Eh?

- Você está bem? Faz um tempo que você ta ai olhando para o nada.

- Ohh, está preocupada comigo?

- N-n-não! – Amu sentiu seu rosto queimar de vergonha.

- Tsc, ainda teimosa.

- Você só ia encher meu saco se eu dissesse que estou preocupada!

- Então está preocupada? – Ikuto sorri maliciosamente e Amu se deita violentamente, pegando um monte e neve e tacando em seu rosto. – O que você ta fazendo?

- Heheheh, nada. Você vai me contar como foi sua viagem?

- Você está interessada em mim?

- Estou. – Amu admite, ainda com neve em seu rosto. Ikuto estende a mão, sorrindo gentilmente para Amu e limpa o rosto dela.

Então Ikuto conta para Amu sobre todos os lugares que ele passou. Itália, França, Espanha, China, Portugal, Suécia. Ikuto tinha percorrido quase toda a Europa e ainda foi para a América. Ele falou das maravilhas que havia visto no Brasil. Falou principalmente das praias, pois sabia que Amu gostava delas. E falou das varias mulheres bonitas que tinham flertado com ele. Amu pareceu um pouco triste nessa parte, então ele falou rápido, mesmo sem entender o motivo da tristeza. Falou de quando encontrou seu pai na França.

- Ele chorou igual um bebezinho quando me viu.

- Hahahahahahahahahaha! Mas isso só mostra como ele estava feliz de ter lhe encontrado. Tenho certeza de que você estava feliz também, não é?

- É. – Ikuto sorri para a garota.

- Como ele é?

- Espere e amanhã verá.

- Aff, você é mal.

- Um lobo mau, lembra? – Amu corou a memória. Ela podia lembrar como se fosse ontem de quando Ikuto havia ficado em sua casa, e que numa noite ela tinha lhe perguntado de quem ele gostava e ele respondeu...

- ...você.

- Eh?

- Foi nesse dia que Tadase se declarou pra você.

- Ah, é mesmo. Uww, faz tanto tempo e ele ainda... – Amu parou de falar.

- Ele ainda gosta de você. – não era uma pergunta.

- Mais ou menos.

- E você?

- O que tem eu?

- Você ainda gosta dele?

- Não. – isso aliviou o coração de Ikuto – Depois que você foi embora e eu passei mais tempo pensando no significado de gostar e amar, vi que o que eu sentia pelo Tadase-kun era só amizade, apenas admiração.

- Você gosta de alguém agora? – Ikuto não queria saber a resposta, mas queria saber.

- Não. – isso tirou um peso do coração dele, mas acrescentou outro. Ela não gostava de ninguém. Ninguém significa nem Ikuto. – Eu amo alguém.

- Ama? – Ikuto se sentou e olhou diretamente nos olhos de Amu. – Quem é?

- Isso é o meu segredo. – Amu sorriu, piscando para ele. – Vamos apenas dizer que você o conhece.

“Ótimo. Assim é mais fácil saber quem eu vou espancar até a morte.” –Ikuto pensou.

Eles passaram alguns minutos em silêncio, apenas aproveitando o tempo juntos.

- Amu, por que está morando com a Utau?

- Ah, porque assim é mais fácil. Além disso, morar sozinha é solitário.

- Por que não mora com seus pais? – Ikuto pode ver a dor atravessar os olhos de Amu por um segundo, mas sumiu rapidamente. – É a sua casa, certo?

Agora Ikuto podia ver a dor visivelmente em todo o rosto dela. Ikuto não agüentava isso. Ele não agüentava ver Amu sofrendo daquele jeito e não poder fazer nada. Ele apenas chegou mais perto dela e a abraçou. Amu não recusou, nem mesmo se afastou ou gritou. Isso só fez Ikuto aumentar a força do abraço. Ele reconhecia a dor de Amu, e queria diminuí-la. Ele faria qualquer coisa, desde que ela ficasse feliz.

- Ikuto, eu quero te mostrar um lugar. – ela se afasta dele, olhando para ele agora sorrindo. Ikuto levanta e segura uma das mãos de Amu, então ela lidera o caminho.

Ele realmente não conseguia imaginar o que tinha causado tanta dor a Amu. Talvez tenha haver com o garoto que ela ama e ele a rejeitou. Se for isso, Ikuto teria a certeza de encontrar ele e o fazer se arrepender de ter rejeitado Amu. Quem em sã consciência não gostaria da garota? Ela é linda, gentil, simpática, fofa e tem tantas outras qualidades que Ikuto passaria horas, talvez dias descrevendo-a. Lógico, ela também tinha seus defeitos, mas eles só a tornavam mais adorável ainda aos olhos dele.

Ikuto olhou para Amu que ia na sua frente, mas ainda de mãos dadas. Ikuto sorriu. Ela realmente tinha amadurecido. Não era mais a garotinha que gritava e o chamava de pervertido, jogando coisas nele. Não, Amu estava muito mais adulta. Tanto psicologicamente como fisicamente. Ah é, Ikuto com certeza estava tendo dificuldades para não agarrar Amu ali mesmo e beijá-la, dizendo o quanto a amava. Ele se lembrou de quando escutou a voz dela no telão, e guardou um recado para si mesmo mentalmente para perguntar sobre isso. Perguntar sobre ela.

Ikuto ouviu um barulho de portão abrindo, e percebeu que estavam em um cemitério. Mas o que Amu queria mostrar ali? Um cemitério e Amu simplesmente não combinavam. Eram palavras que não iam na mesma frase.

- Oi Mama, Papa, Ami. Feliz Natal. – Ikuto congelou atrás de Amu ao ouvir. Ele olhou para três túmulos, um ao lado do outro.

Hinamori Tsumugu

23/06/1970 á 15/02/2008

Pai, marido e fotografo maravilhoso.

Hinamori Yoko

11/09/1970 á 15/02/2008

Mãe, esposa e amiga.

Hinamori Ami

21/02/1999 á 15/02/2008

Filha, irmã e amiga.

Ikuto simplesmente ficou parado. A família de Amu havia morrido. Há dois anos. Ela perdeu os pais. Ela não tinha família. Ikuto olhou para a garota sorridente, abaixada em frente às lápides. Como ela conseguia sorrir? Ikuto não imaginava a dor que Amu deveria ter passado. A dor que ela estava passando.

- Mama, adivinha. – ela ficou calada por alguns segundos, como se esperasse uma resposta – o Ikuto voltou. Ele está aqui do meu lado. Ele encontrou o pai dele, não é ótimo? Estou super feliz por ele. E como você disse para mim milhares de vezes, é, ele está mesmo mais bonito. – Ikuto olhou para ela e viu as bochechas dela um pouco vermelhas.

- Papa, como você está? O céu é legal? Tirou várias fotos da Ami? Para onde você foge quando dá o seu piti? – Amu ri – Não precisa se preocupar ainda. Não tenho namorado. Mas você sabe que eu gosto de alguém né? Um dia eu te apresento a ele.

- E você Ami? Está cantando para os anjinhos? Tenho certeza de que eles devem estar felizes de poder ouvir você. Não precisam... se preocupar... Eu... estou bem... – Ikuto percebe as lágrimas rolando pelo rosto de Amu. – A Utau... está cuidando... de mim... Meus amigos... também... Eu... sinto... a falta de vocês... Mas... estou... feliz... Por isso... não se... preocupem...comigo...

Ikuto puxa Amu para um abraço, apertando-a contra seu peito. Amu começa a chorar mais ainda, passando os braços em volta de Ikuto, se aproximando mais ainda dele, e chorando. Ela chora, chora e chora, enquanto Ikuto apenas tenta esconder a própria dor por ver Amu sofrendo tanto. Ele não agüentava ver a garota assim. A última vez que ela tinha chorado foi quando ela o salvou das mãos da Easter. A voz dela alcançou o coração de Ikuto, quebrando o controle sobre ele. Agora Ikuto queria salvar Amu de sua própria dor. Queria falar algo, mas nada iria adiantar. Olhar com pena também não funciona, afinal ele tinha passado por isso quando seu pai fugiu e sua mãe foi para o hospital e é simplesmente desprezível. A única coisa que ele conseguia pensar era em abraçar Amu, absorvendo todas as lágrimas dela, oferecendo o conforto e o calor de um abraço amigo, ou para Ikuto, de um homem que a amava.

Amu chorou, chorou e chorou. Finalmente ela podia sentir que toda a sua dor estava sumindo. Nos braços de Ikuto ela se sentia segura, como se nada pudesse atingi-la. De repente uma memória veio a mente de Amu. O dia em que ela salvou Ikuto da Easter. Aconteceu a mesma coisa, mas naquele dia, foi ela quem abraçou a dor e sofrimento dele. Parece que agora é ao contrário.

- Ikuto... – Amu se afasta um pouco dele – Obrigada.

- Desculpa Amu. Desculpa. – Ikuto abraçou Amu de novo, enterrando sua cabeça entre o pescoço e o ombro dela, sentindo o mesmo cheirinho de morango que antes ele sentia. – Eu sinto muito. Eu devia ter estado aqui com você, devia estar aqui do seu lado para te confortar, igual você fez comigo. Sinto muito, Amu. Eu sou o pior.

- Não, Ikuto. Você está aqui certo? Você me confortou, me ajudou. Faz bastante tempo que eu estava guardando isso, escondendo e fingindo estar tudo bem. Obrigada por me fazer chorar.

- Não to feliz por te fazer chorar.

- É um choro bom Ikuto. Nem todas as lágrimas têm significado ruim.

- Mesmo assim, eu devia... Ah, Amu, sinto muito.

- Nee, você pode ouvir uma história? – Amu se afasta de Ikuto e vira-se de costa, olhando novamente para as lápides da família. Ikuto abraça Amu por trás, não querendo soltá-la nem por um segundo, com medo de que ela desaparecesse.

- Uns dias depois que você foi embora, as meninas sumiram. A Dia saiu do ovo e ficou do meu lado. Uns meses depois, eu cantei em uma festa, apenas por diversão. Mas tinha um homem lá que era um tipo de caça talento, como ele diz. Ele me chamou para fazer uma audição. No começo eu não quis, mas a Utau me obrigou a ir e meus amigos me animaram também. Eu não ia perder nada se tentasse certo? Eu passei, e antes que pudesse perceber já tinha passado um ano desde a sua partida, e eu já estava no topo das paradas musicais. A Utau brigou muito comigo por causa disso, mas ela também estava muito feliz.

- Então acho que agora você não vai mais quebrar as cordas do meu violino. – Amu ri um pouco e logo continua.

- Pois é. A Dia sumiu também, mas eu ainda podia sentir as 4 dentro do meu coração. Estava tudo indo bem. Super bem. Lógico, eu estava triste porque você não me deu nenhuma noticia. Mas mesmo assim eu estava feliz que você estava fazendo algo que queria, sem ninguém te controlar. Algo que te fazia feliz, igual a quando eu cantava. Eu estava super feliz. Fiz muitos amigos, cantei, me diverti, e fiz até alguns shows com a Utau. Foi incrível. Tenho todos os meus shows gravados e assisto eles às vezes, quando eu estou nervosa por alguma coisa. Me acalma. Então dois anos atrás tudo desmoronou.

De manhã eu tinha comemorado com meus pais um prêmio que eu tinha ganhado. Depois eu sai com meus amigos. Então eu recebi uma ligação. Disseram que minha casa tinha pegado fogo e não tinha nenhum sobrevivente.

Amu ficou um pouco em silêncio e se aproximou mais de Ikuto. Ele apertou o abraço de leve, incentivando-a a continuar.

- A Rima me chamou para ficar na casa dela e eu fui. Passei dias trancada no quarto, chorando. Não parecia real, era como um pesadelo e que eu logo iria acordar. Mas não acordei. Meus amigos me visitaram, todos os dias, tentaram em animar. Até a Utau veio falar comigo, e pela primeira vez, ela não gritou comigo. Ela trouxe milhares de cartas de fãs, que queriam que eu voltasse, dizendo para eu me animar. Alguns até mandaram vídeos. Pela primeira vez depois da morte dos meus pais eu sorri. Eu comecei a ver que a minha tristeza estava afetando todo mundo a minha volta. Então eu decidi parar com toda aquela tristeza. Voltei a trabalhar, a ir para escola. A Utau me chamou para ir morar na casa dela, no começo eu recusei, mas um dia quando cheguei no hotel onde eu estava ficando, todas as minhas coisas tinham sumido e a conta tinha sido fechada. Então fui morar com ela.

- Minha irmã gosta mesmo de você ein?

- É, apesar dela ser teimosa.

- E você não é?

- C-c-c-calado! To contando uma história.

- Hai, hai.

- Olha ia! Me perdi! Onde eu estava?

- Hã... você foi morar com a Utau.

- Ahh, é. Pois é. Mesmo com eu decidindo superar, eu só estava mesmo escondendo a tristeza. Meus amigos perceberam e tentaram de todos os jeitos me animar. Nada funcionava. Eu não conseguia mais compor minhas músicas direito porque não tinha mais sentimento nelas. Eu estava vazia.

Ikuto agora estava começando a se odiar por não ter estado ao lado de Amu quando ela mais precisou. Ela sempre esteve ao lado dele e a única vez que ela precisou ele estava do outro lado do planeta.

- Ai Ikuto, você apareceu.

- Eh?

- Você. Um dia, eu estava mexendo no computador e vi você num vídeo. Era um concerto seu acho que lá em Nova York. Ouvi você tocando seu violino e do nada eu comecei a chorar. Chorei tanto que a quando a Utau me viu ela pensou que mais alguém tinha morrido. Eu fiquei tão feliz por ver você lá, tocando e fazendo as pessoas felizes, então comecei a pensar: ‘Se ele conseguiu superar tudo, por que eu não posso?’. Então, mesmo sem você do meu lado, foi você quem me fez melhorar.

Amu se solta dos braços de Ikuto.

- Por isso, obrigada Ikuto. – Amu fica de pontas de pé e o beija na bochecha. Ikuto pode sentir seu rosto começando a ficar quente, e para esconder a abraçou.

- Ei, hentai!

- Eu? Foi você quem me beijou, sua criança pervertida.

- Não sou mais criança! Tenho 17!

- Ohh, mas admite ser pervertida? Ai, ai, hostilidade.

- Chato. Kyaa!! V-v-v-você mordeu m-m-m-minha o-o-orelha! – Amu se afasta de Ikuto, que agora exibia seu sorriso pervertido.

- Te peguei.

- H-hentai!

- Apenas com que eu gosto eu sou assim Amu. – Ikuto olhou seriamente para Amu, fazendo a garota encará-lo. – Amu, eu fiz uma música para você. Quer escutá-la?

- Sim! Sim, sim! Muito! Faz tempo que não escuto seu violino.

Ikuto sorri e tira seu violino, encaixando no seu ombro. Ele olha para Amu, que sorria para ele, totalmente inconsciente do impacto que aquele sorriso tinha nele. Ikuto fecha os olhos devagar e deixa todos os seus sentimentos fluírem através da música.

Começava calmamente, mas com um leve ritmo que mostrava a tristeza de Ikuto. A tristeza ia aumentando, as notas ficavam mais urgentes, fazendo Amu sentir a dor e o sofrimento também, deixando escapar algumas lágrimas. Então uma nota aguda veio, seguida de notas graves, para então serem embaladas numa doce melodia. A música foi ficando mais gentil e Ikuto começou a sorrir, lembrando-se de quando encontrou Amu. Ele se lembrou de todos os momentos junto de Amu, e a música foi se tornando mais quente e calorosa, mais esperançosa. Então foi embalada por notas mais leves, o amor surgindo em cada uma delas, terminando gentilmente.

Amu ficou olhando para ikuto, sorrindo.

- Gostou?

- Não. Amei. – Ikuto sorri gentilmente para Amu, imaginando se ela tinha entendido todo o significado por trás da música. – Nee, será que eu podia cantar acompanhada do seu violino? Queria que Para, Mama, e Ami pudessem escutar um pouco.

- Contanto que você não quebre uma corda do meu violino. – ele sorri para ela.

Yume no tsubomi hiraku

Mabushii sora wo aoi

Mune ippai hirogaru

Yasashii kaori

Kikoeru wa

Koi no rizumu

Kisetsu koe ai ni ki te ne

Daisuki da yo sasayaitara

Sekai juu ni kikoe chau ka na?

Hazukashikute utsumuiteta

Watashi no te wo tori

Hashiridasu

Ikuto e Amu ficaram se olhando por alguns instantes, ainda sicronizados pela música.

- Nee, eu quero te levar para outro lugar agora. Vamos.

- Sabe Amu, eu vi uma barraca de taiyaki ali fora. Vai lá comprar uns, to com fome.

- Por que você não vai?

- Vai la na frente né? – Ikuto começa a empurrar Amu, que mesmo reclamando vai.

Ikuto vira-se para olhar as lapides da família de Amu.

- Ola, Hinamori-san, sou eu, Ikuto. – ele começou a se sentir um idiota por estar falando com uma pedra – Eu... hã... Eu vou cuidar da Amu. Vou fazê-la feliz, por isso não se preocupem. Não vou mais sair do lado dela. Posso garantir que vou fazê-la tão feliz que ela vai esquecer toda a tristeza que já sentiu. E hum, quanto ao possível namorado dela, não se preocupe senhor Hinamori, eu vou dar um jeito nele. – Ikuto sorri maldosamente – não vou deixar ninguém, nunca, machucar ela ou fazê-la triste. Descansem em paz.

Ikuto se levanta, pega seu violino e sai andando atrás de Amu. Quando ele sai do cemitério, vê ela na frente de uma banca, olhando uma revista, com um saco na mão.

- Amu, você comprou?

-Ahh! I-ikuto! – ela esconde a revista atrás de suas costas – C-c-comprei. Vamos, vamos!

- O que você está escondendo ai?

- E-e-escondendo? N-n-não to e-escondendo n-nada.

- Amu, o que é? – Ikuto começou a se aproximar de Amu, que foi andando para trás, tropeçando, mas sendo salva, de novo, por Ikuto. Ele aproveitou e pegou o que Amu estava escondendo.

- Ei! Devolve isso!

- ‘A famosa cantora Hinamori Amu e novo sucesso musical Souta Kenji foram vistos andando juntos pelas ruas de Tókio. Um novo casal está surgindo?’ – Ikuto leu a manchete da revista e olhou para a foto que mostrava Amu rindo e o garoto, Kenji, também.

- Amu, o que isso signi... – Ikuto foi interrompido por gritos.

- Kyyaaa!! É a Hinamori Amu! É ela! – Ikuto e Amu olharam para trás e viram umas garotas olhando para Amu. De repente, todos que estavam ali começaram a olhar, e logo a noticia se espalhou por toda a rua. Num minuto eles estavam parados, apenas olhando a comoção, no outro, Amu estava puxando Ikuto pela mão, correndo desesperadamente, ou melhor, fugindo dos fãs, que corriam atrás dela.

- Por aqui Amu. – Ikuto passa a frente dela, e a puxa por um beco, se encaixando entre uma abertura na parede. Amu estava encostada contra a parede, seu rosto contra o peito de Ikuto. Ikuto imprensa mais Amu contra a parede quando escuta umas vozes. Amu sente seu coração batendo violentamente, como se fosse sair de seu peito. Então ela decidiu. Ela contaria para Ikuto.

- Você é um imã para confusões. – Ikuto diz, ainda regulando sua respiração.

- E você não é? – Amu pergunta ironicamente. Ikuto olha para baixo, percebendo o quão perto seus rostos estavam.

Amu agradeceu por estar escuro, pelo menos ele não veria o corado no rosto dela. Ikuto vai aproximando seu rosto de Amu, e ela prende a respiração, nervosa. Quando seus lábios estavam quase se tocando, Amu fechou os olhos com força, esperando. Então sentiu Ikuto se afastar, rindo.

- P-p-p-por que v-v-você ta r-r-rindo?!

- O que você estava esperando, pervertida? Queria um beijo?

- Hã?! N-n-n-não! Além do mais, foi você qu... – Ikuto coloca a mão na boa de Amu, impedindo-a de continuar.

- Xiii, seus fãs podem estar por perto. – ele sorri, brincalhão.

- Não estão. Vamos, é por aqui.

Amu sai andando na frente, ainda irritada. Ikuto sorri e alcança ela, segurando sua mão. Amu lhe lança um olhar, mas Ikuto ignora. Eles vão andando e de vez em quando alguém grita o nome de Amu. Ela apenas sorri e acena com a mão livre. Então começaram os sussurros. As exatas palavras pegaram a atenção de Ikuto. “ ...casal... mãos dadas... namorando... fofo... Amu...’.

Ikuto olhou para Amu e viu o rosto dela totalmente vermelho.

- Você está vermelha Amu.

- C-c-cala a b-b-boca! Oh, chegamos.

Então Ikuto vê aquele parque de diversões que um dia tinha levado Amu. Mas não estava vazio, ou velho ou abandonado. Estava iluminado, cheio de pessoas, tanto adultos como adolescentes; casais e crianças, felizes. Ikuto reparou em alguém vestido de papai Noel. Olhou para Amu e viu aquele mesmo olhar, de quando a mostrou o parque pela primeira vez. Os olhos brilhando, um grande sorriso, as bochechas rosadas de excitação.

- Está lindo não é? Seu pai adotivo quem ajeitou o parque. – isso surpreendeu Ikuto. – depois que você partiu, ele foi na nossa escola e pediu desculpas por tudo. Ele disse que queria fazer algo para compensar, e eu pensei nesse parque. Eu também comecei a ajudar quando comecei a ganhar meu próprio dinheiro. Agora, não é mais um lugar abandonado, mas cheio de memórias felizes! – Amu olha para Ikuto sorrindo

- Então você ainda é uma criança, afinal das contas. – Ikuto sorri, olhando novamente para o parque.

- É, acho que sim. Todos tem uma parte criança dentro de si. – ela olha para o parque – Então? Onde sua parte criança quer ir?

- Ali. – Ikuto aponta para a casa mal-assombrada.

- A-a-ali?

- Medo, criancinha?

- N-n-não! Vamos!

- Amu? Você está bem? – Ikuto pergunta, olhando para Amu com certa preocupação. Ela estava agarrada ao braço dele, tremendo. – Se você tinha tanto medo, era só dizer.

- N-não é m-m-m-medo. Só... estou chocada.

- Que tal ir num mais... calmo?

- To dentro! Vamos ao carrossel! – Amu arrasta Ikuto pelo braço, que tinha um olhar de paisagem.

- Desculpe, só tem mais um cavalo. – o homem fala.

- Ah, nós podemos espe...

- Vamos juntos no cavalo. – dessa vez Ikuto arrasta Amu, sentando ela no cavalo, e subindo atrás dela.

- Ikuto! É muito pequeno!

- Então vamos ter que ficar coladinhos um no outro. – Ikuto sorri maliciosamente, apertando seu corpo contra o de Amu.

- T-t-ta m-m-muito p-perto! – Amu tenta se afastar, mas Ikuto passa um braço ao redor de sua cintura, puxando-a para mais perto. Nesse momento, todos do carrossel estavam olhando para eles, acompanhado o momento, ansiosos, e murmurando entre si se eles iriam se beijar ou não.

- Ei, eles querem um beijo, Amu.

- Ikuto, se você tentar alguma coisa, eu juro que eu te... – Amu é interrompida por Ikuto, que num rápido movimento, vira o rosto de Amu de frente para o seu e a beija. Não na boca, mas bem perto. Muito perto. Assim que ele se afasta, com um maldito sorriso malicioso, Amu se vira.

- Meu moranguinho está com vergonha? – Ikuto faz uma voz melosa no ouvido de Amu, mandando arrepios por todo o corpo da garota.

- Não. – Amu diz sem gaguejar, o que Ikuto estranha. O carrossel para e Amu pula para fora do cavalo, puxando Ikuto também e o levando para outro brinquedo.

- Amu, as xícaras são muito pequenas.

- Eu aumentei elas. – Amu puxa Ikuto para dentro de uma e senta de frente para ele. Estranhamente, Ikuto coube dentro e com espaço de sobra.

Amu e Ikuto ficam se encarando. Apenas isso. Se olhando. Sem falar. Mas não precisava falar nada. Apenas o olhar dos dois dizia tudo. Então Ikuto lembrou do beijo no carrossel.

- Amu, me desc...

- Nee, você lembra de quando nos conhecemos? Você tentou roubar meus ovos numa construção á metros de altura. Naquele dia a única coisa que eu pensei de você foi que você era um pervertido. Então nos encontramos quando eu estava fazendo um bolo. Pra mim, você ainda era um pervertido. Então você veio se desculpar com uma sacola cheia de doces por ter estragado meu bolo. Ai eu comecei a pensar diferente de você.

- Amu...

- Sempre que nos encontrávamos você me irritava, mas eu me divertia quando estava com você. Sem que eu percebesse você começou a mudar nos meus olhos e no meu coração. Você sempre me ajudava, mesmo nós sendo inimigos, me protegia. Cuidava de mim e era carinhoso, do seu jeito. Antes que eu percebesse você já tinha um lugar especial no meu coração. Quando você fez aquilo comigo e o Tadase-kun, doeu. Muito. Mas depois que eu entendi que você só queria nos proteger, me proteger, eu passei a gostar mais ainda de você. Quando você disse que ia embora, foi como se tivesse recebido uma facada no coração. Eu fiquei tão triste pensando que não ia mais te ver. Mais ai eu pensei em como você era feliz quando tocava seu violino. Ai no aeroporto você falou aquilo. Eu não acreditei em você. Eu ainda era teimosa.

- Acredita agora? – Amu ignorou a pergunta.

- Quando eu estou com você eu me divirto muito. Eu não uso nenhuma das minhas personalidades, eu sou eu. Apenas eu. Apenas a Amu.

- Amu, você lembra da nossa aposta? – Ikuto pergunta se aproximando de Amu.

- S-sim. – Amu suspira e fala duma vez com as bochechas vermelhas – Vocêganhou!

Então Ikuto beija Amu. Na boca. Amu não ficou surpresa, ao invés disso, ela enlaçou seus braços ao redor do pescoço de Ikuto, puxando-o para mais perto. Os lábios dela eram tão macios e doces. Tão viciantes. Ikuto se afastou de Amu, mas perto o suficiente para seus lábios roçarem nos delas ao dizer três palavra que resumiram tudo dentro do coração de Ikuto.

- Eu te amo. – dessa vez Ikuto a beijou com mais fervor, mais desejo. Amu gemeu baixinho ao sentir algo quente e escorregadio entrar em sua boca. A língua de Ikuto. Ele achou rapidamente a língua de Amu, se entrelaçando a dela. Ele explorou a boca de Amu avidamente, pedindo mais. Amu pressionou seu corpo contra o de Ikuto, que acochou o abraço, deixando nenhum espaço entre os dois. Então ele parou o beijo em busca de ar, mas deixou sua testa colada a de Amu, vendo suas respirações se misturarem.

- Eu... também te amo, Ikuto. – ele sorriu docilmente, beijando Amu mais uma vez, e depois a abraçando.

- Você não sabe o quanto eu esperei para ouvir isso. – Amu riu um pouco.

- Você não sabe o quanto eu esperei para dizê-las. – Ikuto beijou Amu de novo, e eles ficaram lá se beijando, até que eles escutaram um grito.

- Kyyaaaa!!! É a Hinamori Amu! Ai meu deus!

- Hinamori? Ela está aqui? – a noticia se espalhou por todo o parque. Logo todos os olhos estavam neles.

- Amu, me lembra de colocar você num disfarce da próxima vez. – Amu riu sem graça.

- Aquele é o namorado dela?

- Não, ela está saindo com o Kenji-kun.

- Mas eles estavam se beijando.

- Espera. Ele não é aquele violinista super famoso?

- Violinista? Você ta falando do Tsukiyomi Ikuto?

- É! È ele! Ai minha nossa! Não acredito!

- Me lembra de te colocar num disfarce também — Amu diz e se levanta saindo do brinquedo junto de Ikuto. As pessoas se amontoam em volta deles, tirando fotos, pedindo autógrafos.

- Hinamori-san! Canta uma musica!

- Isso! Canta! Canta! – logo todo o parque se juntou num coro só, pedindo para Amu cantar.

- Eh? Ikuto? – Amu olha para ele.

- Vai lá. Deixe as pessoas felizes. – Ikuto sorri gentilmente para ela.

- Sim! – Amu foi andando para um pequeno palco, subindo nele. As pessoas se arrumaram na frente dele, quieta, esperando. Ikuto ficou atrás de todos, olhando para Amu. Ele não conseguia acreditar que Amu o amava de volta. Ele. Ela amava ele. Ikuto não conseguia parar de sorrir. A felicidade era grande.

- Hã, oi pessoal. – Amu começou a falar no microfone – Eu queria agradecer a todos por escutarem as minhas músicas. Queria desejar também um Feliz Natal. Hã, essa música é nova, é a primeira vez que vou cantá-la, espero que gostem. Ela foi feita para uma pessoa muito especial para mim e eu queria que ela soubesse que eu a amo mais do que tudo. Obrigada.

(N/A: toquem ‘Sayonara Solitaire – Saeko Chiba’

Aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=0agYXHDwdao).

Daisuki to omou kara ne kizutsu ittari tomadottari

Tsumetai hoho wo yose atte kokoro ga umareta

Itsumo ima sugu ni aitai

Mukuchi ni naruhodo suki yo yasashi sa doushitara mieru no

Dakishimete motto tsuyoku atataka na mune wo shinjiru yo

Sayonara solitaire

Ashita he

Chiisana watashi dakara zenbu demo tarinai yone

Nanni mo kakusanai de anata ni agetai

Mada shiroi yoake wo miokutte

Konnani daiji na hito ni doushite meguri aetano to

Itai hodo tsunagu yubi de sabishi sa kienu yume wo miru no

Sayonara solitaire

Mou hitori jyanai kara

Ashita mezameru no

Anata to

Daisuki na hito dakara ne sobani iru mamotteru

Anata he tsunagaru daichi ni umerete yokatta

Eu digo que gosto muito de você

Apesar de ferirmos os sentimentos um do outro,

Das indecisões

Vamos juntar nossos rostos gelados

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E assim fazer nascer um sentimento mais forte...

Quero sempre te encontrar o mais rápido possível.

Te amo tanto a ponto de perder as palavras...

O que preciso fazer para enxergar seu carinho?

Me abrace mais forte

E então acreditarei em seu coração

...Dando adeus para a solidão...

...E seguir para o amanhã...

Porque sou tão pequeno

Eu posso lhe oferecer tudo e não parecerá suficiente

Esta mão que não conseguem esconder nada,

Quero dá-la a você

Nós ainda veremos um lindo por do sol...

Por que fui encontrar uma pessoa tão importante?

Segurando estes dedos que quase machucam,

Vejo que o sonho não some na tristeza

Adeus, solidão...

Porque não estou mais só, o amanhã chegou

E eu estou contigo...

É uma pessoa que amo muito

Que está ao meu lado, que quero proteger

Agradeço por nascer nesse mundo

Em que estou junto de você...

Todos estavam em silêncio. Ninguém ousava quebrá-lo, não quando os sentimentos que Amu expôs ainda estavam pairando, como se envolvendo o coração de cada pessoa. Então uma criança se levantou, sorrindo, os olhos brilhando e começou a bater palmas. Então toda a platéia explodiu em palmas. Amu procurou por Ikuto, mas não o encontrou. Então ela sentiu braços envolvendo sua cintura e olhou para trás, encontrando um par de olhos safira penetrantes e um sorriso.

- Obrigado Amu. – então ele a abraçou, sussurrando em seu ouvido – Eu também te amo mais do que tudo.

- Ikuto... – Amu abraça Ikuto e a platéia começa a assoviar, dizendo ‘beija, beija, beija’.

Ikuto beija Amu gentilmente, mas mostrando o quanto a amava.

- Feliz Natal Amu.

- Feliz Natal Ikuto.

Notas finais
Reviews?
Continuo ou não?