Our Hands Tied - Brittana

20 The One With The Fall Down The Stairs


Notas iniciais
*Aquele com a queda escada abaixo;

Quinn fita as cartas coloridas que tem na mão, secretamente, contente. Nem Brittany, muito menos Santana tem a mínima chance de vencê-la nessa partida inicial de Uno. Seu baralho é o melhor. Ela sente. Ou melhor, ela vê. A Lopez não sabe esconder quando algo não a agrada. Já Brittany, bom, ela não se importa muito com vencer ou não, joga por diversão, por isso sai gastando cartas especiais como quem joga dinheiro para cima, sem bolar grandes estratégias. Vai ser moleza.

Só precisa se conter.

F

O

C

O

Elas estão sentadas sobre o carpete da sala, em volta da mesinha de centro. Lucy para um lado do móvel, Brittany e Santana para o outro. Quanto ao Dino? Reside encostado na perna da Fabray, em um sono profundo.

— E aí, o que aconteceu? — Santana pergunta, apressada. — Hein, Barbie? Desistiu de falar foi?

— Terra chamando... Quinnie?

— Um instante. — Ela joga um +4 na mesa, sorrindo maleficamente. — Compra quatro, Satã...

— Fodida! — A cozinheira resmunga, enquanto cata novas cartas no montinho de baralho. Depois, joga uma carta qualquer, meio possessa. — Não deixa barato pra ela não, Pierce...

A dos olhos azuis apenas sorri, enviando-a uma piscadela, confidente.

— Ei, ei! Não vale pedir ajuda da Britt não! — A designer de interiores ri, esperando a jogada da prima que, para a sua sorte, não passa de uma carta coringa na qual a outra pode escolher a cor que o jogo irá continuar a partir dela e, felizmente, Brittany se decide por uma cor que ela possui nas mãos no momento. — Verde! Muito obrigada mesmo!

— Aff, Brittany!

— Foi o melhor que eu consegui, Sannie... Desculpa.

A morena ri, balançando a cabeça em negativa, com a outra fingindo tristeza.

— Bom, meninas... — A Fabray muda as cartas que tem nos dedos de lugar, ao passo em que fala. — Como eu ia dizendo... Eu cheguei perto do Sam...

— E? — A fotógrafa indaga.

— Beijei ele. É isso.

— O ship é real!

— Eu sabia! — Santana afirma. — Só me admira que não tenha acontecido mais rápido, levando em conta o histórico da Fabray...

— Cala a boca, Lopez! — A loira dos olhos verdes gargalha, fazendo outra jogada. — Só por isso, compra mais quatro...

— Ah, não! Não é possível, você tá trapaceando. Só pode.

— O que eu posso fazer se a sorte está do meu lado, mon amour?

A latina revira os olhos e Quinn logo nota que, por alguma razão, Santana parece ter o corpo pendido comodamente para o lado da ex-namorada. Suas coxas estão grudadas e foram elas que, por livre e espontânea vontade, escolheram sentar lado a lado, mesmo existindo espaço de sobra nos outros lados da mesinha de centro. Um gesto e tanto por parte da Satã, a cena é quase idêntica a como elas ficavam no passado.

“Ding-dong...”

O som da companhia ecoa e Dino se levanta num pulo, para poder latir para a porta.

“Grr... Aw, aw!”

— Segura ele, B... — Santana pede, pondo-se de pé. — Eu atendo.

— Ok. — Ela solta o Uno e vai atrás da outra mulher, pegando o corgi no colo, para retornar a sua posição no chão. — Shh, quietinho.

“Aw!”

— Aah, tomara que seja a pizza dessa vez... — A Fabray geme, tentando espiar, à medida que repousa suas cartas viradas para baixo no vidro do móvel, assim como as outras. — Não aguento mais essas crianças vendendo cookies de porta em porta. Não consigo dizer não.

— É a pizza sim... — Brittany enuncia, convictamente, durante o tempo em que abraça o cão em seus braços. — Sente só o aroma.

A morena se vira, trazendo uma caixa arredondada consigo.

— Isso! — Lucy comemora.

— Eu ficaria feliz se fosse os cookies também.

— Claro que ficaria... — Ela ri da prima.

— Do que é essa pizza que pediram mesmo? — Brittany quer saber. — Não prestei atenção. Mas, o cheiro é muito bom.

“Aw, aw!”

— De cogumelos e alho-poró. — Santana responde, voltando a se sentar ao lado da Pierce. — Ah, e a massa é feita de espinafre.

— Entendi... — Ela liberta o cachorro, torcendo um pouco o nariz. — Curioso isso.

— Nunca te botei pra comer massa de espinafre antes, né?

A mais alta nega, um pouco receosa com a descoberta e com a cara maligna que a morena a envia. Qualquer pizza é boa, não? Mesmo as fitness.

— Você vai gostar. — A Fabray a tranquiliza. — Santana só tá querendo ser chata...

— Que bom.

— Ah, Barbie! Deixasse ela descobrir sozinha.

Elas começam a rir e se servir, e, nesse meio tempo, Quinn continua analisando o comportamento das ex-namoradas. Tão próximas. Talvez, seja paranoia sua, mas, essa proximidade tem sido ainda mais enfática desde a ida das garotas a Los Angeles.

— Então... — Ela começa. — Mas, e quanto a vocês duas, hein?

— O que é que tem? — Santana rebate, arisca.

— Nem me falaram o que rolou na casa da abuela, ou naquele dia lá do karaokê...

— Por que você acha que rolou alguma coisa?

A designer se diverte, rindo da cara da amiga.

— Você é hilária na defensiva, Sant... Por quê? Sério? Tá na cara. Olha só pra vocês... — A loira aponta para as duas em sua frente. — Estão grudadas, quase se comendo e não se tocam.

As ex-namoradas se entreolham e se afastam um bocado na mesma hora.

— Nada a ver...

— Impressão sua.

— Quem vocês querem enganar afinal? — Lucy ri. — Sabe no que isso vai dar? Casamento, e eu vou ser a madrinha. Mas, tudo bem. Tudo bem. Não vou pressionar vocês mais... Tudo tem sua hora. Aah, eu sabia que a Alma tinha poder.

(...)

Mais tarde, enquanto Santana bota algumas roupas na secadora, Brittany surge na lavanderia e passa a assisti-la. Ela está concentrada demais... Isso não costuma ser um bom sinal.

— San...

— Hum?

— Você não vai dormir?

— Vou. — Ela continua o que faz aplicada, sem nem sequer ameaçar olhar para trás. Mas, quando percebe que a Pierce permanece a encarando, como se esperasse algo a mais da sua parte, ela tem os olhos castanhos voltados à fotógrafa. E, assim, se força a sorrir. — Já tô terminando aqui.

A mais nova se aproxima.

— Quer ajuda?

— Não, não precisa. — A Lopez volta a separação de vestes, agitada. — Pode ir dormir.

Brittany se apoia na máquina de lavar roupa, sem intenção alguma de ir embora. Ela corre os olhos por todo o físico da outra, sondando-o. Conhece esse corpo muito bem para saber que a dona dele está tensa.

— Você tá assim por causa da provocação da Quinnie, né?

Ela fita a canadense de relance, lembrando da “promessa” de sinceridade que elas fizeram.

— Talvez...

A Pierce ri, chegando mais perto e se apossando de uma das mãos de Santana.

— E qual o problema dela estar certa, hum? Me diz.

— Eu não sei... — Ela olha para os dedos delas entrelaçados. — Eu ainda me sinto uma trouxa com tudo isso.

— Então para de se sentir assim...

— Ah, sim. Simples assim. — A mais baixa debocha.

— É... Simples assim. — Brittany beija a mão da mulher, soltando-a. — Você sabe que ninguém é trouxa nessa história.

— Sei é?

— Uhum.

A loira toma posse da cintura da morena, e ela corresponde o gesto na hora, trazendo seus dedos ao rosto da outra. Seus olhos dançam de uma pupila a outra, simultaneamente. Os toques na face e nos cabelos de Brittany são extremamente delicados, do mesmo modo que suas digitais nas curvas de Santana. Logo, lábios carnudos estão próximos ao ouvido direito da mais alta, e um riso por parte da latina se faz presente.

— Eu não vou te beijar... — Ela afasta a fotógrafa com as mãos, dando alguns passos para trás. — Até você entender o que é começar do zero, Britt-Britt.

— Ah, Sannie... — A Pierce choraminga. — Você é má. O que quer de mim?

— Que você arrume o que fazer. Você tá me atrapalhando.

— Não sei se percebeu, mas eu tinha o que fazer até você me cortar... Tô sem chão agora.

Santana ri.

— Larga de ser cara de pau... — Ela volta ao encontro da canadense e a dá um selinho na bochecha. — Boa noite.

— Só eu que acho que nós devíamos voltar ao karaokê um dia desses?

Elas riem, e a latina começa a empurrar a ex-namorada em direção à saída.

— É, é... Tchau.

— Não demora pra ir pra cama não, tá?

— Tá.

— Vou estar te esperando...

— Para de graça.

— Paro não... — A dos olhos azuis se diverte, se colocando para fora do cômodo e mandando um beijo no ar. — Boa noite, vida.

(...)

Pela madrugada, Brittany acorda com sede. E aí, lhe bate uma preguiça. Bom, é fato que isso é algo recorrente, mas agora que mora em uma residência, precisa se lembrar de deixar uma garrafinha d’água por perto, como ela e Santana costumavam fazer na fraternidade, para não precisarem descer para o primeiro andar toda vez.

A loira deixa os lençóis para trás, um tanto quanto sonolenta e dá alguns passos no escuro, tateando a parede até achar a porta. A verdade é que, nesses casos, ela nunca acorda totalmente, mas também, não consegue voltar a dormir completamente até tomar a bendita água. E, seja dito de passagem, não é nada agradável esse meio termo, por isso, é quase como uma obrigação saciar a sede.

Quando chega perto das escadas, nota num supetão que Dino a seguiu, a partir do instante em que ele se enrosca em suas pernas, fazendo-a tropeçar na esperança de não pisoteá-lo. O que ela consegue, felizmente. No entanto, cai escada abaixo.

“Aw, aw... Aw, aw, aw!”

— Ai...

O animal continua latindo e correndo de um lado para o outro. Até que, as luzes do andar de cima acendem-se, manifestando a presença de Santana. E, lá do topo dos degraus, ela fita Brittany encostando-se na parede, enquanto segura o pulso com uma careta em seu semblante. Na hora, ela se preocupa horrores, descendo a escadaria às pressas.

Dios mio! O que aconteceu, Britt?

Santana se ajoelha na frente da canadense, acudindo-a.

— O D-Dino me deu um susto e eu caí... — Ela se esforça para sorrir, ao mesmo tempo em que lacrimeja. — Mas, tá tudo bem.

— Você bateu a cabeça? — A morena passa a mão em seus cabelos, apreensiva e a Pierce nega. — Ainda bem. Nossa... Você quase me fez ter um treco agora. Não se mata, pelo amor.

— Estou dando o meu melhor... — Brittany sorri e, em segundos, franze as sobrancelhas, encolhendo-se ainda mais e pressionando o pulso que segura na outra mão contra o peito. — Ai.

— Já volto. — A Lopez corre na cozinha e despeja uma bandeja de gelo sobre uma toalhinha fina, retornando em segundos para a sala. — Deixa eu ver...

Ela se apossa do pulso da outra mulher que, fecha os olhos e geme em dor, à medida que a cozinheira repousa a trouxa de gelo na pele branca.

— Melhor a gente ir pro hospital.

A mais nova balança a cabeça, discordando.

— Não... Hospital não. — Brittany traz o braço de volta para si. — Eu vou ficar bem.

“Aw!”

— Agora não, Dino. Vai dormir... — Santana expulsa o pet e volta a olhar para a ex-namorada, entregando-a o embrulho de gelo. — É sério, Brittany. Precisamos ver o que acontece com o seu pulso. Ele tá inchando.

— Eu só caí de mau jeito, nada demais.

“Nada demais” o caralho, nós vamos ao médico agora.

— Não, não vamos...

— Vamos sim. Isso não tá em discussão, Pierce. Dá pra entender?

A fotógrafa ri, contradizendo-a mais uma vez, travessa.

— Olha, Sannie, o único jeito de você me convencer disso seria me beijando. E aí, eu iria sem contestar. Juro. Mas, como nós sabemos que isso não...

— Como quiser.

A dos olhos azuis se surpreende com a interrupção da latina, ficando perplexa com sua resposta.

— Hum?

Santana se inclina, alcançando lábios rosados. E, num ato contínuo, seus olhos se fecham e as mulheres estão se beijando, calmamente. Há um carinho tão forte no gesto, que é pouco provável que elas queiram se apressar. Ao invés disso, a Lopez deixa aquilo se prolongar muito mais do que havia imaginado.

Muito mais.

Conforme as ex-namoradas se separam, Brittany abre os olhos deparando-se com olhos castanhos bem, bem pertinho.

— Caramba. Eu te amo demais, sério...

— É, eu sei. — A cozinheira se põe de pé, freneticamente. — Agora anda, levanta. Nós vamos pro hospital e você não tem o direito de dizer um “a” a respeito. Já sabe, né?

Ela suspira, assentindo sorridente, enquanto se eleva do chão com ajuda de Santana.

— Se me levar pro hospital é tão importante assim pra você... — Brittany pressiona o pulso novamente, junto ao gelo parcialmente derretido, apertando os olhos com força. Dor é uma desgraça. — Bora lá. Fazer o que.

(...)

De táxi, elas chegam ao ambulatório mais próximo, onde Brittany é atendida por um ortopedista e diagnosticada com torção no pulso. Sua mão então é vestida com uma tala, e ela toma alguns remédios. Sendo liberada, relativamente, cedo, em seguida.

— Viu só, San? Eu falei que não era nada demais... — A loira brinca, ao passo em que elas atravessam a sala de espera, dirigindo-se a saída. — Não falei?

— Ah, sim, claro. Diz isso pros anti-inflamatórios que tomou.

— Brittany? É você mesmo?! — Uma voz feminina surge detrás das mulheres, fazendo-as se virar em direção. — Nossa, quanto tempo!

A canadense arregala os olhos, surpresa com a aparição, e, com o abraço repentino que recebe. Santana por outro lado, apenas cruza os braços mediante a cena, observando-as em silêncio.

— Marley, o-oi!

— Mil desculpas, Britt... — A fulana se afasta um pouco e se atenta à tala envolvendo sua mão. — Tá tudo bem? Eu te machuquei?

— Não... — Ela ri. — Não machucou. Fica tranquila.

Marley toca seu ombro, interessada em saber como ela foi parar no ambulatório.

— O que houve?

— Ah, eu caí e torci o pulso de leves. Mas, tá tudo bem. E você, tudo certo?

— Sim, só estou acompanhando um amigo. Ele anda com muita dor nas costas e aí, já viu.

— Ah, sim, péssimo. Espero que não seja nada grave... Você tá na cidade a passeio, é?

— Não. Eu tô morando aqui já faz uns meses.

— Sério? Eu também...

— Não brinca! Que coincidência!

— Pois é. Mundo pequeno esse, não? — Ela sorri, se atentando a cara fechada da Lopez. — Ah, por falar nisso, essa é Santana minha... Minha... Santana.

— Legal... — A animação dela é contida por um momento. — Prazer, Santana. Marley Rose.

— Prazer.

— Vocês duas namoram?

— Bom...

— Não mesmo. — A cozinheira diz, P da vida.

— Ah, tá... Desculpa, eu achei que... Deixa pra lá. — Marley volta a fitar olhos azuis, sorridente, enquanto toca o braço da fotógrafa num reflexo involuntário. — Você trocou de número, né?

— Sim, acho que já deve fazer um ano.

— É, por aí... — Ela ri. — Imagino que deva ter perdido o celular.

— Foi exatamente isso que aconteceu! Ou então eu fui furtada...

— Um dia, quem sabe, você desvenda esse mistério.

— Que os Deuses te ouçam.

Elas gargalham, bem-humoradas.

— Me passa seu telefone atual, vamos marcar de sair qualquer dia desses.

— Claro... — A Pierce passa a ditar seu número.

— Ok, tá salvo... Perdão atrapalhar vocês garotas, de verdade. Sei que tá tarde. Vou deixá-las em paz... — A Rose as envia uma aceno, e dá um beijo na bochecha da canadense por fim. — Até logo!

(...)

— Que foi, hein? — Brittany diz, enquanto ela e Santana entram em casa. — Que cara é essa?

— Nada...

— Sei bem o que esse nada significa.

“Aw, aw!”

— Oi, garoto! — A mais nova se abaixa um pouco para fazer um carinho em Dino, com a mão boa. — Tá tudo bem, viu só? Só tô toda roxa e com esse pulso aqui torcido, mas logo passa. É, passa sim...

A Lopez o dá um oi também, sorrindo levemente.

— Você é um pestinha.

— Ei... — Brittany a chama, quando o corgi se vai. — Não vai me falar qual o problema mesmo?

— Não tem problema nenhum... Eu só acho engraçado que de tanto lugar no país, a gente esbarre com uma ex-namorada sua num lugar onde nunca pisou antes.

— Que mal tem nisso? Acontece. Fora que a Marley é praticamente uma nômade, nem conta.

— Ah, sim, nem conta. Tipo ela se jogando em cima de você, né?

— Que? Ela não tava se jogando em cima de mim...

— Tava sim, só a bonita que não percebeu. “Ain, Britt, mil desculpas, eu te machuquei?... Vamos sair qualquer dia desses... Eu preciso encostar em você toda hora, é mais forte que eu!”.

— Você tá com ciúmes. — Ela ri. — Que fofinha.

— Eu não tô com ciúmes...

— Não, imagina. — Brittany se diverte. — Agora me bateu uma dúvida aqui. Se tava tão incomodada com isso, por que negou que a gente tinha algo, huh? Não faz sentido pra mim. Faz pra você?

A morena suspira, quieta e a loira chega perto.

— Por que a gente não volta logo?

— Porque a gente combinou que ia começar do zero, Britt. Não tá lembrada não?

— Sim. Eu tô. Mas, talvez, essa não seja a resposta pra gente, Sannie. Quer me odiar? Que seja... Eu te entendo. Você não sabe se eu vou te machucar de novo, e eu não posso prometer que eu não vou. Mas, posso dar o meu melhor pra fazer as coisas darem certo dessa vez. Você só precisa me dar um voto de confiança...

— Pra isso eu precisaria ver você tomando rumo, Pierce. Mas, até agora, eu só vejo a mesma garota que não sabe o que fazer com a vida... Já parou pra pensar o que você quer a longo prazo afinal, Brittany? Quer abrir um estúdio fotográfico? Ter um carro? Plantar árvores? Viajar? Resgatar animais? Doar para ONGs? Fazer trabalho voluntário? O que diabos você quer?

— Você.

— Sua vida não pode se resumir a mim.

— Eu sei...

— Então, o que você quer?

— Não sei. Eu... — Ela respira fundo, sentando-se no sofá. — Andei meio morta esses últimos anos. Não parei pra pensar nisso. Estava me remoendo com outras coisas... Enfim.

Santana lhe acompanha no assento.

— Você tem que deixar o passado de lado às vezes, e focar no agora. No futuro.

— Você tem razão. Talvez, eu devesse procurar um psicólogo.

— É uma boa ideia... Fazer academia é outra coisa que você deveria levar em consideração também.

Brittany ri.

— Você não vai desistir tão cedo, né?

A morena nega, risonha.

— Nunca.

— Tá legal... Você venceu. Vou me encontrar e levar em consideração essa sua última sugestão também.

— Que bom. Porque eu também vou levar tudo o que disse em consideração... — A dona dos olhos castanhos a aplica um beijo terno na boca e sorri, simpaticamente, depois. — A propósito, eu também amo você.

A Pierce sente as bochechas queimarem, e retribui o sorriso.

— Claro que ama...

— Tô indo deitar, senão não vou conseguir trabalhar amanhã.

A mais alta assente, observando Santana se afastar.

— Obrigada por me levar no hospital!

— Disponha.

— E me desculpa por atrapalhar seu sono, não vai mais acontecer...

— Eu espero mesmo.

Elas riem, e a noite acaba por ali.

Notas finais
Até ♥