Our Hands Tied - Brittana

6 The One With Santana's Moving Day (pt. 2)


Notas iniciais
*Aquele com o dia da mudança de Santana (2ª parte);

Durante a decolagem de seu avião, Santana vê de relance como a metrópole encolhe lá embaixo. Ficando tão, tão pequenina. De certa forma, é bonito. A mente dela para em outro lugar com a vista da janela, pois no instante, não quer pensar em Dino junto às cargas só pelo fato do pobrezinho pesar pouco mais de dez quilos. Injustiça. Não teve que ser assim antes. Puderam ficar juntos.

Por que ele tinha que crescer?

Por quê?

Certa vez, alguém disse a morena que um dos melhores remédios da vida para qualquer sentimento ruim era, simplesmente, se sentar e observar as nuvens. Andar descalça, contar estrelas, dançar na chuva, ganhar um abraço e... Muito mais. Segurou firme sua mão, dizendo que nunca a soltaria, com aquele sorriso contagiante que só ela tinha... E, depois de jurar, ela se foi junto dela.

Doces mentiras.

Pensamentos ruins à parte, não faz a mínima ideia de como sua melhor amiga, vulgo Quinn Fabray, conseguira uma residência tão em conta para elas dividirem em Oregon. Todavia, está tão feliz que esse mínimo, mínimo detalhe nem a incomoda descobrir. Pelo menos, não agora. Ainda mais quando a loira fez questão de cuidar de —praticamente- tudo sozinha, sabendo fazê-lo. Querendo fazê-lo. Feliz, animada. Disposta e empenhada. Uma designer de interiores que nem a menina Fabray? Em Portland? Com ela? Juntas de novo? Contestar pra quê? Era só aceitar, o futuro só podia ser certeiro.

E foi o que fez, já tinha planos de deixar NY mesmo.

Vida que segue. Queria um negócio próprio, mas não ali.

Talvez, algo bem mais perto da Califórnia. Próximo, bem próximo, as suas raízes. Ou, pela Califórnia mesmo... Tinha dúvidas, antes de Quinn resolvê-las para ela. E então, Portland foi decidido... Oregon, é, estava feliz com isso.

A interior designer lhe pedira muitas opiniões sobre a decoração da nova casa delas, muitas. Mas de longe, a cozinha foi o que Santana mais deu palpite, não é para menos – levando em conta sua carreira e formação. Paixão, foco e criação são as principais coisas que a movem no trabalho. Na vida. Essa, tinha que ser a parte mais sagrada de toda a casa. Até mais que seu quarto, ponto. De resto, Fabray ficou no controle quase que absoluto. Quase.

Nela, a Lopez confia. Sempre confiou. Elas se conhecem há um bom tempo já. Está com uma excelente, ou melhor: extraordinária expectativa sobre o que virá.

Adeus, Spice Cheerio.

Adeus, cidade de Nova York.

Adeus, Spencer, Brody e companhia.

(...)

Quando o Boeing 737 pousa em Portland, Santana está a ponto de fazer mágica para correr para fora e recuperar Dino mais rápido que um flash de luz. Em seguida, sua única bagagem. Pronto, missão cumprida. Agora, pode ter um pouquinho de paz interior. Só falta achar Quinn e ir para casa.

Ao passo em que a latina para, larga a alça da mala e saca o celular, Lucy brota avante, poupando-a de continuar a ação.

— San... — Ela levanta os óculos-escuros, revelando olhos verdes. — Demorei muito?

Parece preocupada.

Estuda as roupas da morena, continuamente.

A Lopez, traja uma camisa branca sem mangas de corte e caimento impecáveis, jeans preto e nos pés um par de botas de salto alto de mesma cor. Como sempre, suas orelhas carregam brincos, mesmo que os mais sutis de pérolas.

— O que? Se você demorou? Foi a maior lerdeza, Barbie! — Santana provoca, divertida. — Estava pensando seriamente em voltar pra Nova York. Quanta perda de tempo, hein.

A outra faz uma careta, e entra na zoação. Olha para as unhas, “desinteressada”.

— Bom, se você aguentar outro voo de seis horas agorinha mesmo, à vontade J.Lo. Bon voyage!

— Não, não! — Ela cai na gargalhada. — Nem brinca, mulher. Ainda não acredito que aceitei colocarem o Dino no compartimento de cargas.

Awn, tadinho dele... — A loira olha para a caixa de transporte, numa das mãos de Santana. — Oi!

“Aw... Aw!”

— É mesmo, Dino? Sinto muito por isso, cara.

— Eu quero soltar ele logo, Q. Aonde foi que você deixou o carro, afinal?

— Ali na frente. — A designer aponta uma direção, depois pesca a alça da caixa do cachorro, tirando-a da mão da outra. Percebe no mesmo instante o peso que está, e quase que instantaneamente se arrepende de sua ação. — Eu... O levo... Até lá, pode ser?

— Tudo bem, obrigada. — Santana alcança sua mala, de novo, e desliza-a pelo chão, rindo. — Tá bastante pesado, né?

— É, mas não tem problema. Que saudades desse garoto, meu Deus...

— É recíproco, viu? Ele ficou chorando o dia todo pra porta, depois que você foi embora da última vez. Muito drama.

— Drama nada. Por que não me contou? Eu poderia ter voltado, sem problemas.

Rá! E ter perdido o feriado com sua querida família? Duvido, Fabray.

— Ei, ei! Qual o problema, hum? Eles me têm todo o ano e, nós aqui, só conseguíamos nos ver de vez em quando. Eu escolheria você.

— Sei...

Elas chegam ao carro, não estava tão longe. Ainda bem. Lucy abre o porta-malas para Santana colocar sua bagagem, e, posteriormente, lhe entrega a caixa de transporte de Dino.

— O que importa agora, é que a gente vai se divertir horrores, Lopez. Juntas de novo. — Ela bate a porta do bagageiro. — Ansiosa?

— É... Um pouco.

— Fica tranquila. — Quinn pede, destravando as portas. — Juro que as fotos que te mandei são reais. Sem manipulação alguma.

— Vou tentar acreditar em você. — Santana abre a caixa de transporte para o animalzinho ser livre nos bancos traseiros, acompanhado dela.

— Isso. Faça isso, Santana... — A loira ri, se ajeitando no volante. Fita a morena pelo retrovisor central. — Você não vai se arrepender.

“Aw, aw!”

— Nem você, Dino.

Santana ri com a outra mulher e abraça o cão, logo depois.

— Você me perdoa? — Questiona-o, chorosa. — Diz que sim, anãozinho.

“Aw!”

— Que bom.

(...)

Quinn estaciona seu veículo frente à garagem e em questão de segundos, ela, Santana e Dino estão dentro da residência. O quintal tem bastante espaço, cor. Parece casa de comercial. Na entrada, há uma pequena varanda receptiva. Cadeiras, vasos de planta. Tudo muito bem arquitetado, harmonioso. Bonito. Bem pensado. E, ao que tudo indica, o bairro é tranquilo.

Amor à primeira vista... Sim ou claro?

Definitivamente.

Santana apanha o celular e manda uma mensagem avisando Spencer que ela já chegou à cidade, e ele por sua vez, a responde a base de um amontoado de emojis arrancando uma série de sorrisos de seus lábios.

Voilà! — Quinn rodopia na sala, orgulhosa. — E então? Estou oficialmente, aprovada?

— É... Nada mal, Polly Pocket. — A Lopez diz e guarda o telefone, olhando em volta. — Belo trabalho. Pelo menos, nesse andar.

— Ah, obrigada, obrigada! — Ela faz algumas reverências e ri com a morena. — Agora, como sou uma amiga excepcional, vou deixar você explorar aqui embaixo em paz, enquanto guardo sua mala lá no teu quarto. Com licença.

— Ok. Vai lá.

Dino corre em direção à cozinha e Santana explora minuciosamente o primeiro andar inteiro, antes de chegar lá. Sua nova casa é tudo o que ela queria. Beirava, absurdamente, o seu desejo inconsciente de lar.

É isso. Lar... Esse é seu lar.

Seu. E de Quinn.

Loucura.

— Ei, Lopez! Eu vou dar uma saidinha agora! — Fabray grita de alguma parte. — Não espere por mim!

— Tá bom! — Ela grita de volta, no automático.

Seus olhos castanhos deslizam pela bancada da cozinha, fogão, geladeira, paredes, teto, chão e todo o conjunto da obra com o que gastou dinheiro. Tudo é milimetricamente sem defeitos, deslumbrante. Como pode? Os minutos passam e passam, e a cozinheira continua no mesmo cômodo, andando, analisando, tão admirada e vidrada que mal percebe que, não só Quinn, como Dino também a deixou faz algum tempinho já. Só se dá conta realmente, depois de ligar para sua abuela dizendo que chegara são e salva em Oregon e que em breve, muito em breve, a visitaria, logo ali – na Califórnia.

Hum, não se lembra da Fabray dizendo que o levaria junto.

Talvez, seja melhor achá-lo... Antes que o monstrinho apronte.

Ela olha para o relógio do ambiente. Ficou ali por uns bons minutos, nem viu o tempo passar. Deve estar doida.

— Dino? — Santana chama, procurando-o pelo espaço, pela pequena despensa em seguida. Nada.

Um barulho se faz presente.

“Aw... Aw, aw!”

Ok... O pestinha está latindo.

Descobriu sua localização fácil, fácil. Está na sala.

— Dino?! — Ela continua, num tom mais alto. — Dino, vem cá garoto!

Mas, nem sinal dele aparecer no corredor de acesso a cozinha, tampouco na própria cozinha. Santana deixa o lugar para trás e põe os pés noutro cômodo, momento exato em que ela vê quem não esperava ver. Quem não queria ver. Sua expressão muda, abruptamente. Se fecha, se zanga. O coração para no pescoço. Está nervosa. Muito nervosa. Irritada, surpresa.

Num piscar de olhos, transforma-se no seu velho eu.

Ah, mierda... Que mierda.

É Brittany Pierce ali. De joelhos, interagindo com Dino.

O que diabos essa... Essa... Pessoa está fazendo em sua nova casa? O que?

Notas finais
Até ♥