Our Hands Tied - Brittana
16 The One With Messy Cooks
Notas iniciais
— Será que agora é ela?
— Provavelmente... Vai lá. À vontade, parceiro.
Um tanto quanto eufórico, o rapaz assente à “permissão” recebida do outro funcionário que, o dá singelos tapinhas encorajadores no ombro, e deixa o balcão no qual residem para trás, num piscar de olhos. Quando se aproxima da entrada do estabelecimento, se maravilha por completo. Gente do céu... É a própria, em carne e osso.
— Olá, bom dia. — A cozinheira cumprimenta-o, simpática. — Eu sou...
— Santana Lopez, claro! — Ele a interrompe, não conseguindo conter a admiração gritante em sua voz. — Bem-vinda ao Flavortones! Estava à sua espera, chef. A propósito, meu nome é Blaine Anderson. Gerente-assistente. É um enorme prazer conhecê-la.
Eles apertam as mãos, e a morena fixa os olhos na montanha de gel presente nos cabelos domados do rapaz. Exagerado? Não, imagina... Só um pouquinho de nada.
— Igualmente, Blaine.
— Deve ter sido uma experiência e tanto trabalhar com Sue Sylvester...
— Você nem imagina o quanto. Fã de reality shows?
— Tá tão na cara assim? — Ele ri. — Ok, eu admito... Não perdia um dia de Breaking Foods With Sue. Mas, enfim, é um grande alívio pra nós você ter aparecido numa hora dessas. A Sra. Corcoran certamente comentou como a situação daqui foi por água a baixo, no segundo em que o chef Goolsby optou por nos deixar.
O fulano estava no comando da cozinha desde que o restaurante fora colocado de pé, isto é, há uns seis ou sete anos, e então, quando ele foi embora, levando boa parte dos cozinheiros experientes consigo (seus fiéis sous-chefs e companhia), aqueles que restaram na equipe – e os que foram entrando nela consequentemente; ficaram altamente desamparados.
Algo assim.
— É... Ela me deixou a par. Farei o possível pra ajudar vocês a darem a volta por cima.
E depois, seguirá os passos de Dustin Goolsby. Mas, isso, ninguém precisa saber.
— Estamos contando com isso. — Blaine sorri. — Vem, vamos entrando... Acredito que já conheça o nosso gerente-principal, Jesse St. James.
— Olá, de novo. — Ele acena com a cabeça, sua cara denunciando drasticamente à noite mal dormida. — Bem-vinda ao time, Santana...
— Obrigada.
Mais alguns passos.
— Esses são os nossos garçons... Mason, Madison, Bree, Jake e Alistair. Gente, essa é Santana Lopez, a nova chef.
— Olá, bom dia...
Ela os cumprimenta, recebendo acenos e sorrisos de volta dos funcionários.
— Bom dia!
Prosseguindo com o trajeto, o Anderson e a Lopez logo lavam as mãos no vestiário, e a morena se apossa de um dólmã e uma toque-blanche que o gerente-assistente lhe entrega já de cara para vestir. Uniforme colocado... É hora do trabalho. Eles atravessam a passagem para a extensa cozinha.
— Pessoal! — Blaine chama, batendo algumas palmas, para ganhar a atenção deles. — Apresento a vocês, diretamente do renomeado Spice Cheerio, sua nova chef, Santana Lopez.
A equipe a saúda e passa a se apresentar, em seguida. Dessa maneira, a mestre-cuca toma conhecimento da brigada da cozinha com a qual terá que lidar nos próximos meses. Segundo os cozinheiros, na praça fria: há Suzy Pepper com as entradas e Wade Adams com as sobremesas. Na praça quente, Dakota Stanley faz os pratos principais e Josh Coleman se encarrega dos assados, grelhados e frituras. Nas praças especiais, têm Clint, o açougueiro, Mercedes Jones, a incumbida de preparar a refeição de toda a equipe, e Sunshine Corazon que é a responsável pelo Mise En Place e pelo grito das comandas. E aí tem Kurt, o versátil do time, que pula de praça em praça dando reforço aonde demandar, e Jacob Ben Israel que é o cara da limpeza. Bom... Em teoria, eles são organizados. Contudo, o que vale é a prática.
Precisa vê-los em ação, e, se necessário, fazer mudanças.
— Ok... Trabalhando!
— Sim, chef! — Eles respondem.
A princípio, Santana anda pela cozinha apenas os observando. Com isso, acaba notando que... A organização deles é só da boca pra fora. Como já era de se esperar.
Nessa altura do campeonato, o restaurante é aberto. E, em menos de quinze minutos, as primeiras comandas começam a chegar. O movimento parece bom, por mais que o estabelecimento tenha passado por um momento difícil, recentemente. Eles têm sorte, a comida ainda deve corresponder às expectativas de uma parcela da clientela.
Ok, mais alguns minutos e fica explícito para a Lopez que:
1. Os cozinheiros não têm a menor sincronia ou intimidade entre si;
2. Por ser macaco-velho no Flavortones, Dakota tem o ego inflado;
3. Kurt e Mercedes trabalham rápido, mas não são valorizados;
De repente, uma mulher baixinha entra correndo na cozinha. E, toda atrapalhada, ela distribui frenéticos “olás” para os outros, exceto para Santana e mais umas duas ou três pessoas. Maravilha, mais uma. Silenciosa, a latina a segue até uma das bancadas.
Seu semblante nada amigável.
— Você.
— Ah, oi!
— Nome e sobrenome?
— Rachel Berry. — Ela diz, um pouco confusa e ofendida com o tom da outra. — E...
— Ah, sim. Prazer, Rachel Berry. O meu é Santana Lopez, mas pra você é só chef. Entendeu?
A atrasada arregala os olhos violentamente, preocupada.
— Sim ou não?
— Sim, chef...
— Bom. — Santana a encaminha um sorrisinho, sarcástica. — Perdeu a hora foi?
— S-sim... Perdão, chef. Eu...
— Tudo bem, hoje passa. Só me esclarece uma coisinha: qual é a sua função aqui, exatamente?
— E-eu, ahn...
— Ela é estagiaria. — Alguém responde por ela. — Começou ontem.
— Ah... Estagiaria, né? E quem é que tá te supervisionando até então, novata?
— Ninguém em específico...
— Jura? — Ela ri, bem humorada. — Que ótimo. Nesse caso, você é minha, Berry... E ah, nunca mais se atreva a entrar desse jeito na minha cozinha. Estamos entendidas?
— Sim, chef.
— Não queremos acidentes por aqui, queremos?
— Não, chef.
— Foi o que eu pensei. — Ela dá um passo para trás. — Vamos cozinhar.
(...)
Por volta de uns quarenta e cinco minutos antes de seu expediente, Brittany se reúne outra vez com os amigos de Sam, naquela mesma cafeteria – bem próxima a Evans Comics; a fim de resolver alguns detalhes que ainda estão pendentes para com as fotos do futuro casamento dos noivos. Ocorre que, Tina e Mike, permanecem um tanto (muito) conflitantes com o tipo de álbum que preferem. Fora a câmera que será usada, e se querem ou não tratamento de imagem e um cenário especial para reunir os convidados em certo momento. Então, para tentar acabar com os problemas deles de vez, a loira os trouxe mais alguns de seus trabalhos, físicos e digitais, e outros exemplos alheios, com especificações de orçamento e tudo.
Ela cruza os dedos.
— Não sei... O que acha, fofinho?
— Ah, gosto de todos.
— Eu também, mas temos que escolher um só e logo...
— Eu sei, querida. — O casal torna-se pensativo. — Bom, que tal se ficarmos com um álbum mais normalzinho, sem tratamento de imagem ou cenário, e pedirmos a melhor câmera que ela tiver?
— É uma boa... Mas, e se eu me arrepender de não ter um álbum diferentão como o da Sheila? Não quero fazer parte da mesmice, Mike. Sabe disso.
— Hum... Já sei! E se nós tivermos dois álbuns distintos? Um diferentão como o da sua amiga e um simples? Mesmas fotos, porém, tendo a diferença de filtro e sem filtro também, claro...
— Photoshop.
— Você entendeu, mô... — Ele a mostra a língua e sorri. — Todo mundo sai ganhando!
— Ok, você me convenceu. — A Cohen-Chang olha para a fotógrafa. — Vamos querer dois álbuns, Brittany. Tudo bem?
Isso!
— Claro! — Quem diria que no fim sairia ganhando o dobro, grande dia. Ela pega seu bloquinho de papel para anotar. — E quanto ao cenário?
— Queremos também.
Finalmente, as coisas parecem andar.
(...)
Depois de sair degustando a comida de, praticamente, todos os demais cozinheiros, a única que resta a Santana é a de Mercedes. Supostamente, poderia esperar pelo seu horário de almoço, já que ele está perto de chegar – e, a sujeita em pauta, é a responsável direta pela refeição dos funcionários; mas, acontece que a Lopez prefere provar de uma vez e, portanto, assim será. Rapidamente, põe-se ao lado da outra cozinheira.
— Então, o que temos pra hoje, Mercedes?
A Jones passa a lhe descrever todo o cardápio. Enquanto isso, ela serve-se de pequenas porçõezinhas de todos os elementos cozinhados pela mulher. Pedacinho por pedacinho, a chef vai saboreando, séria. E então, suas feições mudam gradualmente.
— Dios mio, mulher... — Santana encara Mercedes, surpresa. — Isso tá uma delícia.
— Obrigada, chef.
— É sério. Nem dá pra acreditar que fez isso com sobras. Salteado impecável, deixa eu te falar. E esse molho, olha... Nem tenho palavras.
— Muito obrigada mesmo...
— Espera um pouco aí, por que diabos você não tá cozinhando pros clientes?! Isso é quase um crime... — Ela balança a cabeça, insatisfeita. — Stanley! Vem aqui um minuto.
O Dakota se aproxima.
— Sim, chef?
— Amanhã você e a Jones vão trocar de postos. Ok?
Ele se espanta.
— M-mas, o quê?
— Tá surdo? Quero a garota cozinhando comigo... Algum problema?
— Não, problema nenhum. — O homem se emburra, mas tenta fingir que não. — Eu só acho que está cometendo um erro, chef.
— Ah, um erro? E por que acha isso?
— Ela nem graduada é...
Santana cruza os braços, franzindo as sobrancelhas.
— E daí? Desde quando isso impediu alguém de cozinhar bem? Se acha melhor porque tem um diploma, é?
— Um instante, você entendeu errado...
— Entendi, foi?
— Sim. O que eu quero dizer é que, eu estou aqui há anos, conheço tudo de cor e saltado, já essa menina chegou há poucos meses. Entende? Os clientes notariam a diferença, fora que...
— Claro que eles notariam, essa é a intenção. — Santana o corta, curta e grossa. — Eis a diferença: Ela cozinha com a alma e você com má vontade.
— Chef, por favor, isso...
— Assunto encerrado, Stanley. Volte ao trabalho e, talvez, eu reconsidere outro posto pra você quando deixar de moleza. Anda!
Ele fecha os olhos, puto da vida.
— Sim, chef.
A Lopez volta a olhar para a outra jovem e sorri.
— Venha preparada, Jones. — Ela sai andando. — Hummel, só eu tô vendo o Coleman precisar de uma mãozinha ali? Terra chamando!
— Tô indo, chef!
— Como tá o guisado da mesa 9, Stanley?
— Quase lá, chef!
— Uma lesma é mais rápida que você... Já limpou o peixe da 4, Clint?
— Ainda não, chef. Tô terminando de fatiar o porco e o frango das 7 e 13.
— Então, vamos agilizar!
— Sim, chef.
— E as sobremesas das 6, 8 e 15, Adams?
— A caminho, chef!
— Acelera... Sunshine! É impressão minha ou chegou comanda e você tá com a cabeça sabe-se lá onde?!
— D-desculpa, chef...
A garota pega as duas novas comandas e passa a gritar os pedidos para a cozinha.
— Pepper, Berry! Eu espero, sinceramente, que a comida esteja tão boa quanto à conversa de vocês! — Santana se posiciona à sua bancada e desliza os olhos pela louça das pias. — Onde tá o Israel?!
— Foi ao banheiro, chef!
— Ah, maravilha... — Ela checa as panelas, e altera o fogo de algumas bocas do fogão em seu controle. — Berry, lava essa louça aqui pra mim!
(...)
Quando a Pierce retorna do trabalho – de ônibus, porque sua prima está ocupadíssima com novos projetos; é por volta de umas cinco e meia da tarde, e não há sinal algum de que Santana já tenha chegado em casa também. A partir de hoje, essa é a rotina. A morena acorda antes que ela, sai antes que ela e volta depois dela. Algo em torno de doze horas em pé, uma loucura. Não tem como, Brittany ainda se admira com o que é exigido da ex, mesmo levando em conta o incessante gosto dela para atividades físicas e cozinhar. Deve ser cansativo e estressante demais, é o dobro de horas que a Lopez costumava trabalhar no Breadstix durante a semana. Caramba, só de imaginar o calor, a pressão e a gritaria deste ambiente de trabalho... Urgh! Tem que gostar demais.
“Aw, aw!”
— Que foi, Dino? — A loira o faz carinho. — Sentindo falta da Sannie, é?
“Aw!”
— Imaginei... Posso te contar um segredo? — Ele late para ela outra vez, ficando de barriguinha para cima. — Eu também.
À medida que interage com o cão, Brittany torna-se ainda mais reflexiva. É fato que, a última semana junto a Santana não foi tão pacifica quanto poderia ser, era impossível elas terem uma conversa normal. Ainda mais depois do elogio que a canadense se atreveu a fazer à morena, domingo retrasado – quando saíram com Quinn e Sam. Que erro. Acabou que, foi como se os “termos de convivência” nunca tivessem existido, as ex-namoradas discutiram todos os dias seguintes – quase todo minuto que se cruzavam pela casa; por coisas extremamente aleatórias como: quem escolheu tal móvel...
— Não viaja, se você pudesse viveria na pré-história, Pierce!
Quem deixou a porta da despensa aberta...
— Claro que foi você Santana, eu nem uso essa coisa!
Quem se esqueceu de tirar o lixo...
— Puta que pariu, Brittany! De novo?!
Enfim, semana difícil. A loira até fora dormir no apartamento da prima, na última sexta-feira, após seu expediente. Porque, evidentemente, ela e Santana precisavam de um tempinho longe.
Mesmo que de última hora...
— E aí, vai ficar por aqui mesmo? — Quinn lhe perguntou, subitamente. — B?
— Sim, tô a fim de paz hoje.
— Ah, ok... Sinta-se em casa.
— Pode deixar.
E mais uma vez, ela se perdeu na janela daquele apartamento.
— Então, sabe que eu amo demais ter você por perto... — A mais velha comentou, como quem não queria nada, mexendo nos armários de sua cozinha. — Mas, só pra avisar, de hoje sua estadia aqui não passa.
— Uau. — Brittany a fitou. — E eu, supostamente, deveria me sentir em casa, né? Você sabe muito bem como fazer isso, tô impressionada. De verdade.
Lucy parou, repousou uma embalagem de pipoca sobre a bancada, e encarou a fotógrafa. Não estava de brincadeira. Lá vinha conselho da “melhor” anfitriã/mentora de todas.
— Francamente, fugir da Santana não é solução...
— Eu não tô fugindo dela.
— Não, imagina. Só está seguindo passos idênticos ao daquela Brittany do passado que tanto se arrepende, sumindo pra não ter que bater de frente...
E nesse momento, as loiras começaram a se atropelar em palavras.
— Ah, e ela não tá fazendo o mesmo, Quinnie?
— Pensei que quisesse mudar...
— Eu quero!
— Não é novidade pra ninguém que ela é osso duro de roer...
— Mas, parece que qualquer coisa é motivo pra ela ficar puta e sair se esquivando de mim!
— Faz parte...
— Fácil pra você dizer isso, queria te ver no meu lugar.
A dos olhos azuis virou a cara.
Olá, vazio da janela!
Arrependida, Quinn soltou um suspiro.
— Ok, melhor a gente deixar isso pra lá. Sei que não veio aqui pra brigar, me desculpa...
— Tudo bem.
A dona da casa se equipou de uma panela e, posteriormente, de uma vasilha, para fazer par com aquela embalagem de milho anterior. Sabia como melhorar as coisas. A menina Pierce nunca resistiu a uma noite de desenhos.
— O que acha de uma pipoquinha, Britt? Podemos assistir...
— Pantera cor-de-rosa?
A Fabray riu e teve os olhos na Pierce, de novo.
— Eu ia sugerir Caverna do Dragão, mas tudo bem, vamos de Pantera cor-de-rosa.
Ter essa pequena discussãozinha com Quinn foi importante, pois Brittany voltou para casa mexida. Bater boca com a Lopez, dar importância a chiliques, levantar o tom de voz, sumir, só piora ainda mais a situação delas. Na época em que namoravam, quando a Pierce queria apaziguar as coisas, sempre agia com normalidade. Por que não, fazer isso agora? É um jeito. Desde sexta-feira, não se falam. Só ficou sabendo do novo emprego dela através da prima, sempre ela. Tá na hora de tornar as coisas melhores, não importa o quê.
Não quer viver em pé de guerra.
Elas conseguem.
— Ei, garoto... Você acha que a Santana vai jantar por lá? No restaurante?
“Aw!”
— Lindo!
A mulher o dá um beijo na cabeça e ergue-se, se apossando de seu celular. Independentemente de a cozinheira ter jantado ou não antes de voltar à residência, Brittany pedirá comida para as duas. Afinal de contas, caso a Lopez não queira ou precise, tudo bem, sobra mais para a fotógrafa. Otimismo é a chave.
(...)
Ao passo que Santana se vê em frente à casa delas, sente um alívio. Nunca pensou que cansaria tanto nesse primeiro dia... É possível existir equipe mais perdida que aquela? Bom, ao menos pelo lado positivo, sabe que consegue e pode dar um jeito neles.
Ela atravessa a porta, sendo recebida por Dino.
— Oi, niño... Tudo bem?
“Aw!”
Ela sorri, e Brittany deixa a cozinha, brotando na sala, seguidamente.
— Santana! Que bom que chegou agora... Já jantou?
A morena arqueia uma sobrancelha, estranhando. Espera do fundo do coração que Brittany não tenha tocado em seu fogão. Isso seria um desastre.
— Não...
— Legal! Porque eu pedi comida tailandesa pra gente e, por sorte, ela apareceu só uns cinco minutos antes de você. Então...
Involuntariamente, a mais baixa acaba sorrindo fraco.
— Obrigada, Brittany. — Ela começa a mexer na bolsa. — Quanto eu te devo?
— Nada, eu pedi pra nós duas... Numa boa.
Santana para o que faz e, simplesmente, balança a cabeça.
— Ok... Então, acho que eu vou subir e trocar de roupa.
— Vai lá.
(...)
Enfim sentadas à mesa de jantar, as ex-namoradas começam a comer.
— Então, como foi lá no Flavortones?
— Intenso... — A latina responde. — Os cozinheiros que eu conheci, nossa, são uma bagunça. Mas, acho que dá pra resolver rápido.
— Menos mal...
— Sim...
— E gostou do restaurante?
— Gostei, tem bastante movimentação até. E como foi na Evans Comics hoje?
— Tranquilo, como sempre...
— Ah, sim.
— Pois é...
Silêncio.
— Ei... — Brittany começa, novamente. — O que acha da gente assistir alguma coisa lá na sala?
— Tipo?
— Ah, não sei... O que você quiser.
— Tá bom. — Santana se levanta e a Pierce vai atrás. — A Fabray tinha me indicado uma animação esses dias... “(Des)encanto” era o nome, se não me engano. Ela te falou?
— Acho que não. É sobre o que?
— Não faço a menor ideia, ela só disse que valia a pena ver.
— Bom, só nos resta descobrir.
— Sim...
Ambas se ajeitam no sofá e ligam a TV, conectando-se a um streaming.
— Cê falou que é “(Des)encanto”, né?
— Exato.
— Ah, aqui, achei!
Brittany dá play. Nesse meio-tempo, Dino se faz presente e deixa-se encostar ao pé do sofá. Família reunida, uma beleza. Não demora muito para as meninas terminarem o jantar, e leva uns três ou quatro episódios para Santana pegar no sono. Meia hora para a loira notar. Certo... Ainda que ela aparente estar numa boa posição, ali do seu lado, à fotógrafa irá se arriscar a acordá-la, visto que a morena sempre odiou bastante adormecer e acordar fora de sua cama.
— Ei, Sant... — Ela toca o ombro da ex-namorada, balançando-o suavemente. — Acorda.
A Lopez abre os olhos, um pouco confusa.
— H-hum?
— Sobe. Vai pra cama, deitar.
Olhos castanhos a fitam, alguns segundos.
— Ok... — A mais alta a estende a mão para ajudá-la a levantar do sofá, e ela aceita. — Obrigada.
Brittany sorri e quase se esquece de soltar a mão da outra, fazendo-o agilmente.
— Boa noite.
— Boa noite, Brittany.
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