Notas iniciais
*Aquele do baseball;

O estádio já está relativamente cheio, quando Santana, Quinn, Brittany e Samuel chegam a seus lugares. Compram alguns aperitivos para beliscar antes do jogo começar.

— Vocês já vieram a um jogo de baseball antes?

As três balançam a cabeça, em sinal de não. E o Evans sorri.

— Vão adorar. É melhor que na TV.

Dito e feito. A experiência de assistir a partida ao vivo e a cores é interessante, ou melhor, empolgante. Tanto que, no fim, algo mais ou menos assim acontece:

— Foi muito legal! Sem brincadeira! — Quinn diz, por todas elas. — Francamente, não esperava gostar tanto. Me surpreendeu.

— Ah, isso não é nada se comparado a estar no campo jogando. Às vezes eu e o pessoal nos reunimos pra jogar num lugar, vocês deveriam vir também. É divertido, sempre tem algum time com quem disputar.

— Nós com certeza vamos, Sammie. Não é, gente?

— Claro. — Brittany confirma, olhando para olhos castanhos distantes. Perdidos. — Sant?

— É... — A Lopez força um sorriso. — Estaremos lá.

— Que bom! Conto com vocês.

(...)

No mesmo sábado, mais tarde, a Pierce locomove um braço, até sua mão encontrar o rosto de Santana na cama. Elas se fitam, totalmente, quietas. A loira conhece aquele olhar, ele voltara há uns dias.

Infelizmente.

É quase idêntico a quando ela fez a escolha questionável de não ir para Nova York, anos atrás. E que resultou no equívoco de ambas as partes. E no término delas, consequentemente. Brittany mentiria se dissesse que sabe lidar com esse olhar. Mas, ela não pode cair no mesmo buraco que caiu naquela época. Holly lhe explicara que nem sempre as pessoas querem se abrir, e que está tudo bem, cada um tem um tempo diferente para digerir as ideias.

Os conflitos. E tudo o mais.

E isso não significa que elas não confiam em você, ou estão fechadas.

— Sannie...

— Hum?

— Você resolveu o que vai fazer em relação a sua mãe?

— Não. Ainda não.

— Ok... Ahn, eu só quero que saiba que, independentemente do que escolher, eu te apoio. Tá bom?

A morena assente, e se aproxima encostando a testa pouco acima da clavícula da mais alta. Fecha os olhos. E logo, recebe um afago nos cabelos. Sem mais palavras, é abraçada. E, por alguma razão, tem vontade de chorar. A respiração falha, por mais íntegra que Santana force ela ficar.

D

R

O

G

A

Não demora muito a lágrimas aparecerem, descendo suas bochechas.

— Que direito ela tem de aparecer assim, do n-nada agora? — A cozinheira resmunga, fungando. Nervosa e... Chateada? — O que ela quer com isso? O-o que?

— Eu não sei... Só ela pode te responder.

— S-sim... Mas, ela não merece que eu vá. Tenho certeza que a Maribel só está fazendo isso pra se sentir uma p-pessoa melhor... Ou, foder meu psicológico de vez. Não é a primeira vez que ela faz isso, mas com certeza não será a última dela sumindo rapidinho d-depois... É o que ela faz de melhor.

— Sinto muito. — Elas ficam em silêncio, entretanto Brittany não tira seus dedos dos cabelos de Santana. E assim os minutos passam, cheios de carinho e pranto, até a mais velha conseguir respirar com mais tranquilidade, seguindo o tórax sereno da namorada. O que é ótimo. — Ei, San... Eu tenho uma ideia.

A dos olhos castanhos se afasta, para encará-la.

— Pode falar.

Brittany se inclina para dar um selinho na amada e, depois, sorri afetuosa.

— Se troca. Nós vamos sair.

— Pra onde?

— Você vai ver.

(...)

Santana olha para a lambreta de cima a baixo, encarando a Pierce logo menos. As sobrancelhas cerradas. Os braços cruzados.

— Seja lá qual for a sua ideia, eu já tô odiando.

— Não seja tão dura...

— Você sabe que eu sou cem por centro contra essa sua carroça, né?

— Sei. Mas, você precisa botar um pouquinho mais de fé em mim, amor.

— Tá. Tanto faz.

A fotógrafa a entrega um capacete extra, risonha. A morena é uma graça. Elas se ajeitam na motoneta. A latina envolve os braços na cintura da canadense. E então, a lambreta sai do lugar.

(...)

Brittany para no estacionamento de algum parque, que fecha por volta da meia noite. Segura a mão da Lopez, e elas passam a caminhar lado a lado. Plena quietude. Santana ainda não entendera qual era a do passeio, mas seria desonesto de sua parte se dissesse que não está gostando.

— Já pensou quantas coisas tem nessa cidade que a gente ainda não viu?

— Sim...

— Tipo: esse lago. — A loira aponta, trazendo-as para mais perto. — Fiquei sabendo que de manhã, eles costumam alugar barcos pros visitantes passearem por aqui.

— Legal.

— É, né... Também temos essas árvores todas. — A mulher estica os braços ao vento. — Violeta ficaria com ciúmes se nos visse.

— Com certeza. — Ela sorri. — Ela faz falta.

— Não é? Deveríamos arrumar uma desculpa pra ir visitar o campus um dia desses. Ah, e é claro, dar uma passada no Breadstix e dizer “E aí, babacas? Qual a boa?”, nada demais.

Santana se deixa rir, alegre.

— Você não existe...

— Claro que existo. Uma prova pra você. — Lábios rosados encostam-se à testa da morena e, em seguida, Brittany desce o rosto, dando-a um beijinho de esquimó. — Agora, vem.

Ela volta a entrelaçar suas mãos uma à outra, acolhedoramente.

— Vamos ver o que mais... Olha, só. Nem tinha percebido quantas estrelas tinham no céu.

— Pra mim parece igual à ontem.

— Bom, nada é igual apesar de parecer... Por exemplo, eu e você. Acho que estamos melhor do que nunca.

— Ah, é?

— Óbvio. Você nem se incomodou com minhas meias desiguais hoje.

— Quê? — Santana olha para baixo.

— Tô brincando. — Brittany ri. — Te peguei direitinho, né. Bobinha.

— Besta! — Ela dá um tapa de leves no braço da mais alta.

— Ei, nada de violência. Obrigada.

— Tá cheia das gracinhas hoje, hein Britt-Britt...

— Só um pouquinho. Agora, presta atenção naquele esquilo ali.

— Cadê?

— Bem ali. — A canadense indica com o dedo. — Tá vendo?

— Nã-Ah, agora eu vi.

— Vamos chegar perto devagar. Ok?

— Ok.

(...)

— É... Tenho que admitir que até que é legal. — Brittany diz, enquanto usa um dos fones de ouvido de Santana e dança alguma música com ela. — Talvez, eu comece a ouvir essa rádio.

— Quinn adora.

— Verdade, né? — Ela ri.

— Sim. Até mais que eu... Depois dessa, vamos dar uma pausa?

— Claro.

Em pouco tempo, elas se acomodam no chão descansando. E a dos olhos azuis começa a juntar alguns gravetinhos, até formar um “Eu te amo” na grama. Santana deixa que as covinhas transpareçam nas bochechas, na medida em que pega as mãos da loira.

— Obrigada...

— Pelo que?

— Por hoje. E pelos outros dias... Sempre me sinto uma adolescente despreocupada quando tô assim com você.

— Que bom. — A Pierce sorri. — Algo eu tô fazendo direito.

— É. — Ela retribui o sorriso e aperta as mãos da namorada às suas, suspirando na sequência. Pisca com certa força. — Ahn, Britt... Escuta. Você tinha razão, eu não queria ir pra Nova York por sua causa.

— Você não precisa falar sobre isso, se não quiser...

— Não. Eu quero. Desculpa... Eu deveria ter te falado. Mas, fiquei insegura.

— Tá tudo bem, Santana.

— Não. Eu não queria ser egoísta como os meus pais... Simplesmente, ir embora da sua vida sem olhar pra trás, sabendo como tinha dificuldade em manter contato à distância. Eu nem conseguiria. Fiquei com medo de te perder... Você deve saber que a Quinn me contou antes da gente começar a namorar que seus relacionamentos não duravam nada e que você não perdia tempo em arrumar outra pessoa depois de um término, porque se apaixonava fácil por qualquer um.

— Eu sei... Ela se culpa até hoje por “queimar meu filme”. Mas, não me importo. Ela tava preocupada com você... Fez certo.

— Sinceramente, não foi algo que me afetou tanto a princípio... Parecia tão clara a escolha de ir pra Nova York antes da gente ficar, eu não tava nem aí. Então, passou um ano de namoro, depois dois, e os meses continuavam correndo e a decisão ainda era clara pra mim e você me apoiava. Era maravilho. Mas então, tudo o que a Fabray disse voltou à tona quando me deparei com o fim da linha e aquilo se tornou um dilema extremamente dolorido, ainda mais quando lembrei do verão que ficamos longe. Não era mais a coisa mais fácil do mundo e você me questionando só me fazia pensar mais e mais, estava prestes a explodir. Não queria abrir mão da nossa proximidade de novo, muito menos de trabalhar com a Sylvester... — Ela lacrimeja. — Sei lá, eu tinha tanta raiva disso que acabei descontando o meu mau humor em você. Não consigo nem imaginar o que teria acontecido se não tivesse feito o que fez... Quer dizer, eu até imagino. A gente ia terminar de qualquer forma. É tão estranho, me parecia egoísta qualquer coisa que eu escolhesse. E era mesmo.

— Não pense assim. — A mais nova se emociona também. — Eu entendo o seu medo. Não é como se eu estivesse bem resolvida com tudo aquilo, eu só não podia me permitir te ver infeliz só pra você estar do meu lado ao vivo e a cores... E sim, a gente ia acabar terminando de qualquer forma, com aquele clima. Olha, eu já falei antes, mas enfim. Vou repetir. Minhas atitudes foram muito mal pensadas e eu te machuquei mais do que eu posso imaginar, e isso não tem desculpa.

— As minhas também foram.

— É, mas eu não soube te dar espaço e piorei tudo. Por todos esses anos, o que eu mais queria era voltar atrás e conversar direito com você e fazer as coisas de uma forma diferente. Mas, como esse não foi o caso... Fico feliz que tudo tenha rolado desse jeito. Afinal de contas, estamos aqui nesse exato momento. Toda a dor dos últimos anos, não foi em vão... E agora só depende de nós. É o único presente onde eu quero estar.

— Sim. — Lábios carnudos esbanjam contento, e Santana beija Brittany. Ouve-se apenas o silêncio sinfônico. — Te amo, B.

— Não mais que eu...

— Quer apostar?

— Não, não. Você já perdeu. Só aceita. Eu sou a garota que escreveu: “Eu te amo” com os gravetinhos do parque, e nada do que você fará depois disso nem em um milhão de anos é capaz de superar tal feito. — Elas gargalham. Muitas lembranças envolvidas. — Ah, e eu que agradeço por hoje. E todos os outros dias, Sant. Ter você comigo é... Isso. Indescritível. Coisa celestial, se eu tivesse que ser mais exata.

— Exagerada...

— Eu? Jamais. Só digo verdades.

(...)

É sábado, outra vez.

E Sam levara Quinn, Brittany e Santana até um campo de baseball como prometido. Blaine, Kurt e Mercedes já estão presentes. Então, Rachel e seu peguete não demoram a chegar.

Quanto ao outro time, já estava completo desde o início. Um dos membros até brinca:

— Eita, Evans! Deu fim no casal Chang, foi?

— Que nada, McCarthy. Eles estão ocupados com os últimos preparativos do casamento, você sabe. Mas, e aí, prontos pra comer poeira?

Eles riem.

— Pergunto o mesmo pra vocês.

O loiro puxa o time para um círculo, decidindo a posição de cada um. E ao fim da partida, eles perdem por muito pouco para os adversários. Mas, de qualquer forma, havia sido divertido.

Santana até chutaria: relaxante.

Brittany, puxado.

Quinn, eletrizante.

— Nossa... — A Pierce põe a mão no peito, ofegante. — Parecia que eles corriam menos na TV. E no próprio jogo que a gente foi assistir.

— Pois é né, Britt. — Sam ri. — Você gostou?

— Olha Sam, eu não sou muito fã de correr. Ou, coisa parecida. Mas, até que foi legal.

— Quer dizer que você vai voltar se eu convidar de novo?

— Aí eu já não sei.

— Que pena... Santana, dá uma ajudinha aí. Formamos um ótimo time.

A cozinheira se diverte, ao passo em que caminha com o mindinho enlaçado ao da namorada.

— Vai mesmo nos deixar na mão, Britt-Britt? Sério isso?

— Não...?

— Não senti firmeza aí.

— É porque só o tempo pra dizer, Sannie. — Todos riem.

— Ei gente, vamos passar numa lanchonete e comer alguma coisinha? — Rachel sugere. — Vamos? Vamos?

— Apoio totalmente. — Kurt declara.

— Eu também. — A Jones e os outros dizem, sem demora.

Então, eles entram na primeira lanchonete que encontram. E a novíssima formação de baseball do pedaço se empanturra de comida.

— Ansiosos pro casamento da Tina e do Mike? Tá chegando!

— Claro!

— Vocês vão, né meninas? — Blaine quer saber, principalmente em relação a Lopez.

— Quinn é minha acompanhante. — Sam diz.

— É. Eu sou.

— Fui contratada como fotógrafa. Então... — Brittany volta a tomar seu suco, dando de ombros.

— Vou ter que passar. — Santana fala, do contra. — Não quero atrapalhar a Britt.

— Quê?! — O Anderson parece devastado. — T-Tenho certeza que você não atrapalhará de forma alguma o trabalho da sua namorada. Vamos lá, Santana! Mike e Tina te convidaram, gostam de você. Fora que todos nós estaremos lá. Até a Marley.

Blaine cutuca o Hummel por debaixo da mesa, para receber alguma moral.

— É... Vai ser legal. Vamos, chef!

— Talvez, eu vá. Quem sabe.

— Bom, eu só volto a jogar baseball se você for ao casamento. — A canadense joga no ar, sorridente. — Sem pressão.

— É, Lopez! — Quinn brinca, adorando a cena. — Sem pressão... Mas, não perde essa chance. Sabe que é raridade, vindo de quem veio.

— Pois é, Santana... — Mercedes chama, junto a Berry. — Vamos lá!

— Santana, pelo time. — O Evans coloca a mão no coração.

— Que isso, um complô contra mim? — Santana ri. — Tá bom, tá bom. Eu vou. Felizes?

— Muito!

— Viram, só? — Kurt sorri largo, vendo a cara de Blaine vitorioso. — Quem almeja, alcança.

(...)

Final do mês Fabray escancara a porta, roubando de imediato os olhares de Brittany e Santana que estavam vendo clipes musicais na Smart-TV, aconchegadas no sofá da sala. Não consegue conter a animação. Vem correndo até elas.

“Aw, aw!”

— Meninas... — Ela se agacha para cumprimentar o cão também, sorrindo a todo instante. — Dino.

— Como foi no Tribunal? — A fotógrafa é a primeira a indagar.

— Pois é. Estamos curiosas, Barbie. Desembucha.

— Então... — Quinn se ergue, ficando de frente para o acolchoado. Respira fundo, feliz. — Eu ganhei! Vou ser indenizada por danos materiais, desvio de dinheiro e falsificação de documentos.

— Que bom, Quinnie!

— Isso! — A latina comemora, pulando do sofá para dar um toque na mão da loira. — Amo quando a Justiça funciona.

— Eu também...

— Tô orgulhosa por não ter desistido.

— Você sabe que eu nunca desistiria, Lopez.

— É... — Ela ri. — Eu sei. E qual o resumo da história?

— Ah, o sindico e os outros administradores tinham um esqueminha corrupto milionário junto à empresa que supostamente tinha que fazer a manutenção dos alarmes de incêndio. — Lucy explica. — A inclusão dos outros moradores no caso foi de grande ajuda, porque parece que não foi a primeira vez que aconteceu um incêndio nos últimos anos com esses abutres no comando.

— Caramba, ainda bem que ganhou. — A dos olhos azuis se coloca de pé, revoltada. — Eles não podiam sair impunes.

— Sim, Britt. Eles não podiam. — A designer sorri e abraça a prima e a amiga, simultaneamente. — Muito obrigada, gente! Por todo o apoio e ajuda e por serem vocês. Eu amo vocês.

— Nós também.

Notas finais
Até ♥