Our Hands Tied - Brittana
28 The One About Weddings And Sports
Notas iniciais
— Eu odeio fazer academia...
Foi o que Brittany revelou à Holly Holliday, em uma de suas sessões com a psicóloga e que, agora, durante seu trabalho em fotografar a festa de casamento de Mike e Tina, pondera sobre. A profissional lhe dissera que havia mais coisas no local para se exercitar além da monótona malhação com pesos, caminhadas em esteiras e afins, e que seria interessante se ela experimentasse outros mares, afinal de contas, como ela mesma tinha dito: sua disposição melhorou muito desde que começou a treinar.
Então, a Pierce tentou natação. Luta. Tênis. E até hidroginástica. Mas, nada lhe parecia satisfatório. A partir daí, Holly sugeriu que ela perguntasse a seus amigos o que eles praticavam e se juntasse em companhia a eles para tais ocasiões. É uma boa ideia, ela sabe. Todavia, corrida já está riscada de sua lista, portanto Quinn e Santana também.
O que a leva aos novos amigos que fez em Portland, automaticamente.
— Ei, gente... — Ela fala, após outra sessão de fotos com os noivos. — Vocês praticam algum esporte?
— Eu faço dança do ventre. E o Mike curte mais um hip hop, né fofinho?
— Sim.
Interessante, pode funcionar.
— Será que eu poderia me juntar a vocês algum dia?
— Claro, Britt! Semana que vem?
— Pra mim tá ótimo.
— Aii, papai e mamãe estão dançando tão lindinhos! Precisamos disso no álbum.
— Deixa comigo!
(...)
— E aí, B? — Santana se aproxima da namorada, que repousa num canto do salão observando a sequência de fotos no visor da câmera em mãos. — Acabou por hoje?
— Sim...
— Que bom. — Ela sorri, inclinando-se para ganhar um beijo, e logo senta na cadeira ao lado. Então, Brittany passa a fitá-la com um sorrisinho irritante. — Que foi, hein?
— Nada não.
Bom, acontece que durante a tradição clássica da noiva jogar o buquê para os convidados, Rachel e Quinn puxaram a morena para o meio do acúmulo de pessoas. E aí, as flores vieram voando em direção a sua cara, e para evitar a possível tragédia ela deu um toque no buquê como se ele fosse uma bola de vôlei para alguém à sua esquerda.
— Você também vai me encher o saco com a parada do buquê, né?
— Não... — Ela levanta as mãos, declarando inocência. — Imagina. Nem passou pela minha cabeça fazer isso, Sannie.
— Sei. — A Lopez ri. — Não acho que ter tocado nele antes dos outros conte. Em síntese, eu não o agarrei.
— Mas, claramente, ficou pensando bastante sobre.
— Quê? — A cozinheira sente as bochechas queimarem, e desvia os olhos da mais nova. — Nada a ver... Só tô comentando.
Ouve-se um barulho de flash, e olhos castanhos voltam-se à loira.
— Alguém já te falou como é uma gracinha com vergonha? — Ela sorri, satisfeita. — Espera aí... Esse alguém sou eu, claro. Não se preocupa, essa vai pra minha coleção, amor. E ah, importante você saber que eu registrei tudinho seu saquê com o buquê. Ficou show.
— Eu te odeio...
— Até parece. — Ela olha ao entorno. — Interessante casar no dia dos namorados, não acha? Ótima ideia a deles.
— Super clichê, você quer dizer.
— Bom, clichês são clichês por um motivo: funciona.
(...)
— Chef, não adianta... — Rachel se diverte com a mestre-cuca, no meio de seu expediente. — Todo mundo sabe que o buquê era seu.
— Pois é. — Kurt concorda. — Foi pro álbum e tudo. Icônico.
E Mercedes completa:
— Uma vez tocado o buquê antes do outros, já era. Você não tem escapatória, Santana.
— Sério? Até você, Cedes? — Ela ri. — Me deixem em paz, por favor. E voltem a trabalhar em silêncio.
— Iiih, agora ela vai usar a autoridade que têm pra tentar nos calar. Nós não nos sentimos mais ameaçados! — A Berry berra baixinho, para não chamar atenção dos cozinheiros fora da bolha. — Né, pessoal?
— É!
— Conhecemos seu coração de manteiga agora, San.
— Dios mio. Perdi toda a minha credibilidade, lamentável. — A dos olhos castanhos balança a cabeça, fingindo desgosto. — Me aguarde, baixinha. Aliás, todos vocês.
— Despertar a Snixx não é uma boa, não! — O Hummel alerta as mulheres, risonho. — Recuar batalhão, recuar!
(...)
— Vamos lá! Mais uma vez!
— Não... Eu não aguento não. — Brittany passa as mãos no rosto, arrependida de ter ido fazer dança do ventre junto a Cohen-Chang. Era bem mais trabalhoso do que ela imaginava. — Eu desisto.
— Que isso, é apenas a primeira aula. Você se acostuma.
— Eu? Não mesmo. Não dá, sinto que se eu continuar vou me desintegrar.
— Bom... Ok. Então tenta acompanhar o Mike amanhã ou depois.
— Tô começando a achar que dança nenhuma é pra mim... Mas, é. Vou tentar.
Também não era.
(...)
— Vou responder a Maribel. — Santana revela, enquanto a Pierce se deita ao seu lado na cama. — Agora.
— Então já tem a sua resposta?
— Sim. Eu não vou... Se ela estiver interessada, ela que venha até aqui. Muito conveniente me chamar no quinto casamento.
— Certo. — Brittany estende uma mão para ela, e quando sente o toque da mão da namorada a sua, apertá-la. E aí, sorri, dando-a suporte. — Como vai respondê-la?
— Bom, se teve uma coisa que a praguinha/Rosa me ensinou, foi fazer vídeo chamada. Então...
— Tem certeza?
— Absoluta. Quero dizer olhando nos olhos dela.
— Tudo bem. — A fotógrafa observa Santana soltar sua mão. — Você quer que eu saia?
— Não...
A caminho do Canadá, Brittany e Santana voavam anos atrás – em seu sexto mês de namoro – para a casa dos pais da fotógrafa. As mãos dadas, sempre. E a distância cada vez menor.
— Nervosa, é? — A loira perguntou, risonha.
— E tem como não estar, Britt-Britt?
— Claro que tem. — Ela puxou a mão dá outra até a altura dos lábios e beijou-a, com carinho. — Pode ficar de boa, San. Eles vão te amar tanto quanto eu.
— Não sei... Não é como se eu já tivesse participado de um Family Day antes. Isso é tão canadense. Sinto que estou invadindo o feriado de vocês.
— Que besteira, amor! — A Pierce riu. — Mais família pra mim que você, impossível. Como poderia invadir algo se minha casa é bem aqui...
Brittany apontou para o peito esquerdo da namorada, meigamente.
— Hum? Me diz.
A dos olhos castanhos se deixou rir com o bom humor da outra e assentiu, se aproximando para beijá-la. Gostava tanto da bobice dela. Era inexplicável. Só isso para fazê-la se sentir tão à vontade, apesar de tudo. Aliás, só a presença dela já era o bastante.
Não demoraram a chegar em Vancouver.
— Mãe, pai, vovô... Essa é Santana, minha namorada.
— Bem-vinda, Santana! — Olivia disse de braços abertos, e o vovô Pierce mencionou: — Brittany falou tanto de você...
— Nossa, e como! — O pai da canadense concordou, alegre.
— Olá... — A latina sorriu, sem saber onde enfiar a cabeça. — É um prazer conhecer vocês. Espero não atrapalhá-los.
— Que isso menina, não se acanhe! — A mãe da dos olhos azuis a trouxe para um abraço. — Venha cá.
Santana pega o número de Maribel, no email que ela mandara. E logo, tenta iniciar uma ligação. Consegue, com quase nenhuma dificuldade, o que a surpreende mais uma vez. Não é do feitio de sua mãe, mas mesmo assim. Não significa nada.
— [Santana! Dios... Hija, você está tão linda!]
— Oi, Maribel. Faz tempo, né?
— [É, eu...]
— Por que me convidou pro seu casamento?
— [Quero me reaproximar de você.]
— Ah, é? Por quê?
— [Porque sou sua mãe, Santana.]
— Sério? — Ela ri. — Não parece. Onde estava nos últimos anos?
— [Olha... Sei que não sou perfeita, tudo bem? Mas, você é minha única filha e apesar de você não acreditar, eu te amo demais. Sempre vou amar... Tenho muito orgulho de quem se tornou. Eu nunca teria te deixado pra trás se não tivesse a certeza que a Alma era muito melhor nesse papel, eu vivia na correria. Nunca fui boa em administrar minhas horas, você sabe.]
— Bela desculpa, hein... Mas, há quanto tempo deixou de ser aeromoça mesmo? Quer dizer, não importa. Eu só te liguei pra dizer que não aceito o convite... Caso estiver interessada, tô morando em Portland. Aparece um dia desses aqui, quando não estiver ocupada arrumando outro marido. Felicidades.
Ela desliga a chamada, antes de sua mãe sequer conseguir abrir a boca. Depois, olha para Brittany.
— Você acha que eu fui muito grossa?
— Não...
— Que pena. — Ela suspira, dando uma risada. Enquanto deixa o celular de lado. — Ai, como eu odeio essa mulher... Mas, me sinto bem melhor.
— Que bom.
A loira abre os braços, esperando Santana se acomodar neles. O que não demora a acontecer. E então, alguns minutos de silêncio se prolongam, até a Lopez voltar a se pronunciar:
— Vamos assistir algo bem água com açúcar?
— Demorou. Por falar nisso... Dança também não é minha praia, então só me resta yoga.
— Yoga, é? Quem faz yoga?
— A Marley.
— Ah, só podia ser... — Ela revira os olhos, recebendo vários beijinhos pelo rosto. — Não tenho descanso um dia nessa vida.
— Lembre-se: meu coração só bate por ti, vida.
— E minha mão só quer bater na cara dessa garota...
— Deixa de violência, que coisa feia.
Elas riem, beijando-se na sequência. As coisas andam melhores do que nunca.
(...)
— Pronta? — Marley pergunta à loira, enquanto elas entram na aula de yoga.
— Não sei se pronta é a palavra que me define agora... — Brittany ri. — Tô com medo de odiar, e aí o que me resta depois?
A Rose gargalha, balançando a cabeça para os lados.
— Que foi?
— Nada, não... — A modelo acena para algumas pessoas entrando na sala, simpaticamente. — Só relaxa, Britt. É o único conselho que tenho pra você.
— Ok.
Quando a aula de yoga enfim começa, Brittany percebe muitas mudanças em relação a outros esportes. Primeiro que existia uma calmaria nos alongamentos, sem igual. Doía? Sim, como qualquer outro exercício físico. Mas, acontecia um relaxamento tão grande durante cada movimento, e principalmente, depois que foi aí que a Pierce se encontrou. Não era questão de adrenalina, rapidez ou agilidade, mas sim, de fôlego e resistência.
— É isso! — Ela abraçou a ex, saltitante. — Esse é meu esporte!
— Eu disse que era só relaxar. Não tem erro.
— Bom, sinto que vou ficar dolorida pelos próximos dez anos, mas... Valeu a pena, real. Eu amei.
— Fico feliz, Britt!
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