Our Fury
15 Inocentes e Culpados
Notas iniciais
Foi apenas mais um sonho. Megara repetiu a si mesma ao abrir os olhos no meio da noite. Tocou sua testa percebendo que estava levemente suada. Ao seu lado na cama, Tommen abriu os olhos no momento em que ela o observou.
– Teve outro sonho ruim, tia Maggie?
– São só pesadelos, querido. – respondeu-lhe. – Que péssimo consolo eu sou, não é? Estou aqui cuidando de você, para que não fique com medo e fico gritando com pesadelos.
O garoto sorriu.
– Está tudo bem, tia Maggie. – Tommen sentou-se na cama. – Já sou grande, posso cuidar de você, assim vamos cuidar um do outro.
Megara chamou o menino para um abraço e o envolveu em seus braços. Como eu poderia odiar essa criatura adorável? Ele não é como Joffrey, não é como Cersei, nem com Tywin ou Jamie. É apenas Tommen. O mesmo garotinho de sempre. Tommen descansou a cabeça no seu colo. Assim como ela, o menino também tinha pesadelos. Vez ou outra durante a noite gritando o nome do irmão, assustado demais com a cena da morte de Joffrey. A morte do rei. Agora ele seria o rei. Para Megara, restava apenas consolar e cuidar dele. Como tia, era seu dever cuidar do menino. Cersei estava ocupada demais, mal tinha paciência. Todos estavam mais preocupados com a sucessão, com investigar a morte de Joffrey, pouco restava para saber como o futuro rei se sentia. Só ela. Passava o dia com Tommen. Passava seu dia lendo para ele, brincando com ele e seus gatos para distraí-lo, cuidando de suas refeições para que não fosse também envenenado. Também tinha que dormir com o sobrinho a noite, para estar ao seu lado caso tivesse pesadelos.
Ela também tinha seus pesadelos. Todas as noites o fogo lhe atormentava os sonhos. Por último, aquele dragão que aparecia em seus sonhos lhe causando calafrios. Por mais que pensasse, o sonho não tinha nenhum significado. As vezes, os dois homens, o de cabelo escuro e outro com cabelos prateados, também surgiam, só a deixando mais confusa ainda.
– X -
Quando acordou, o menino ainda dormia. Chamou algumas criadas que a ajudara a se trocar rapidamente. Colocando um vestido negro pelo luto. Simples e sem adornos, com suas mangas largas e longas. Os cabelos negros foram presos em uma única e simples trança longas que chegava quase até sua cintura. O preto nunca lhe favoreceu muito, unido a seus cabelos, a deixava quase de uma cor só. Depois teve que convencer Tommen até que ele aceitasse ir ao septo para encontrar a mãe.
– Vá até ela. – sussurrou para o menino.
Tommen obedeceu, após isso, Megara foi até o ataúde de Joffrey. Fitou o corpo do garoto por alguns instantes. Não sentia nada. Olhava para ele e lembrava-se das coisas terríveis que fazia. lembrava de Ned Stark sendo sentenciado a morte. O homem que fora como alguém de sua família. O honrado Ned Stark que era gentil com ela quando era criança, sempre bom com ela, que a confortara quando Robert morreu. Não pode fazer isso. Se fechasse os olhos podia ouvir sua própria voz berrando para Joffrey. Monstro. Ela gritara. Por favor... Ned, não! Não pode fazer isso! Vai começar uma guerra por isso. Ned! Joffrey... Misericórdia. Ele riu, dos gritos e pedidos dela e dos de Sansa. Assim como riu das humilhações que fez a Sansa na frente de todos, como riu de sua dor por Renly e pelo fracasso de Stannis.
No fim, sua morte foi menos do que você merecia, seu bastardo. Ela pensou, por mais cruel que aquele pensamento fosse, era tudo que ela sentia.
– Quão boa você tem sido, Megara. – Cersei parou ao seu lado com Tommen. – Enquanto todos os seus irmãos se mostraram traidores.
– É minha família, é tudo que tenho que fazer, irmã. – Ela respondeu o mais convincente que pode. – Nossa família, não é mesmo?
– Nossa família. – repetiu Cersei. – Irmã. – Ela olhou para o corpo do filho. – Meu filho... Sua morte não passará em vão, acharemos o culpado pela morte dele, não importa quem seja. – A voz de Cersei soara frágil, mas Megara sentiu a ameaça dentro ela.
Até mesmo você. Foi o que ela quis dizer. Chore, Cersei, chore por seu bastardo como eu chorei por cada um dos meus dois irmãos.
As portas do Septo foram abertas para que Tywin Lannister pudesse entrar. Após isso, a Mão do Rei disse que teria que conversar com Tommen, foi permitido que saísse. Respirou aliviada ao por os pés fora do septo, podendo caminhar livremente pela Fortaleza.
– Senhora, aqui.
Atrás de uma pilastra, Podrick a chamava com nervosismo.
– Finalmente lhe encontrei sozinha.
– O que aconteceu? – indagou, mas logo percebeu que só poderia ser um chamado de uma pessoa. Tyrion. – Aconteceu algo com Tyrion? Alguém tentou algo contra ele na cela? Diga!
– Não, senhora, não.
– Então, o que foi?
– Há dias que ele deseja falar com a senhora, mas nunca estava sozinha, sempre acompanhada com o Príncipe Tommen ou algum Guarda, responder ao chamado dele com tantos olhos sobre a senhora poderia ser arriscado, então ele me pediu para esperar que estivesse sozinha.
– Tyrion quer falar comigo... – ponderou. – Podemos ir agora?
– Sim, senhora, venha comigo.
– X -
– Tyrion. – Ela correu até ele, ajoelhando-se ao chão para ficar na altura dele. – Desculpe não ter vindo antes.
– Parece que estava ocupada.
– Alguém precisa ficar com o Tommen. – ela respondeu. – Logo será coroado rei, está apavorado com tudo isso.
– No mínimo, deve achar que também irei mata-lo. – O anão respondeu com um tom ácido. – Pode tranquilizar Sua Graça, avise a ele que não tenho como mata-lo aqui nessa linda cela que me enfiaram, a não ser que sua adorável e fiel tia me ajude.
– Tyrion! – repreendeu. – Eu sei que não foi você, é inocente, só temos que provar isso.
O anão sorriu amargamente ao ouvir aquilo.
– Só? Maggie, você é que está sendo inocente aqui. Como vamos provar isso? Parece que ninguém mais do que eu iria querer vê-lo morto, assim como minha esposa.
– Quem sabe eu? Sutilmente, Cersei deu a entender que desconfia de mim como sua cúmplice.
– Ela não pode fazer nada contra você. Você tem sangue real. De Robert Baratheon. Irmã do falecido rei. Você é a tia leal e amorosa e eu o monstro. Não seria capaz de machucar algum de seus sobrinhos.
– Sobrinhos. – ela repetiu pensativa, Tyrion a encarou confuso. – Não, eu nunca faria, mas se assumisse a culpa...
– Você não é tão estúpida, é? Por favor, Maggie, não me decepcione. Se fizesse tamanha tolice, nós dois seriamos mortos igualmente, como vai me ajudar morta? – Ele a repreendeu – Posso tentar um julgamento por combate.
– Nem tente isso. O campeão de Cersei provavelmente será A Montanha.
– Ninguém irá lutar com aquela besta por minha causa.
Megara sorriu tristemente,
– Eu lutaria por você.
O anão sorriu amargamente.
– Suas flechas são algo incrível, mas duvido que seriam suficiente para matar A montanha. Não é como os coelhos que você matava na floresta com seu irmão quando era criança.
– Algumas flechas em pontos estratégicos e ele estaria morto.
– Você não está falando sério, está? – Tyrion arqueou uma sobrancelha. – Eu gostava de você porque achava que você era mais inteligente que seus irmãos.
Ela ignorou a provocação e deixou-se sentar ao lado dele no chão imundo da cela.
– Então temos que buscar testemunhas pra você. – Megara concluiu. – Ninguém encontrou Sansa, Podrick não será levado em conta e nem Bronn, mas talvez Shae como criada de Sansa.
– Não. – Ele negou veemente. – Esqueça Shae, ela não fará isso.
– Ou eu.
– Nem tão pouco você.
– Não estou pedindo sua permissão para depor como sua testemunha, eu fui a única pessoa a tocar naquele cálice além de você, quem melhor que eu?
– Não se arrisque por bobagem, Megara. – Tyrion vociferou. – Acho que apenas você não percebeu que esse julgamento não terá nenhuma chance ao meu favor, Cersei encontrará testemunhas e comprará a todos. Você depor ou não, não faz diferença, você apenas passaria a ser vista com maus olhos por todos se fizesse isso.
– Então é o que você quer? Que eu fique assistindo enquanto vão leva-lo para a morte? Não vou ficar esperando você perder a cabeça como fizeram a Ned Stark. Não vou aguentar ver isso de novo. – Ela ergueu-se se afastando dele assim que sentiu as lágrimas se acumularem nos olhos. – Estou cansada de perder aqueles que eu amo. Não me peça para perdê-lo também, Tyrion.
– Megara...
Ela o olhou uma última vez antes de ir a porta e sair da cela, deixando o anão sozinho com Podrick. Enquanto caminhava pelos corredores, tentou imaginar como poderia virar o jogo a favor de Tyrion.
– X -
Quando Loras viera a chamar naquela manhã, ela mal podia acreditar no que ouviu. Aquela que matou Renly. Ele acusou quando a encontrou dizendo que haviam prendido a mulher. Brienne de Tarth, a assassina. Na cabeça de Megara, apenas as palavras de Davos Seaworth sopravam. Ela matou Lorde Renly. Ele lhe dissera desesperadamente. Megara não sabia como, mas algo dentro de si, dizia que Davos não mentira para ela.
Ao entraram a cela, Megara encarou a enorme mulher que estava de costas para os dois.
– Brienne. – chamou Loras, com desprezo na voz. – Vire-se, encare a irmã do homem que você matou, olhe nos olhos dela. Olhe. Iguais aos dele...
– Chega, Loras. – Megara pediu.
A mulher virou-se para os dois.
Os olhos dela se enchera de surpresa ao encarar Megara. Parecia ver algo assustador, talvez um fantasma. Todos sempre disseram que ela era idêntica a Renly, mesmo depois de crescidos, ela se parecia extremamente com ele. Os dois tinham os mesmos olhos. Talvez, Brienne visse nela um fantasma do seu antigo rei. Não era realmente bela, mas estava longe de ser absurda como Loras dissera, ao menos aos olhos de Megara. Megara encontrou algo nela que achava belo. Brienne possuía olhos grandes e azuis e neles havia algo que Megara via muito pouco nos últimos dias. Inocência e confiança. Algo difícil de se encontrar. Os olhos de Brienne traziam uma imensa sensação de confiança.
– Megara Baratheon. – ela murmurou mais para si mesma. – A gêmea do Rei Renly.
– Renly não era rei, não precisa chama-lo assim na minha frente. – Megara respondeu. – Foi justamente isso que tirou meu irmão de mim. Uma coroa.
– Não. – cortou Loras. – Foi ela que matou seu irmão. – acusou. – Diga a ela, Brienne, diga como cravou sua espada nele e tirou a vida do homem que jurou proteger.
Megara encarou Loras em repreensão.
– Nós viemos interrogá-la, então vamos ouvir o que Brienne de Tarth tem a dizer. – retrucou duramente. – Então me diga, como meu irmão morreu?
– Stannis. – ela disse em um sussurro fino. – Foi ele, senhora, foi seu irmão que o matou. Isso soará como loucura, mas houve uma sombra. – Ela a olhou assustada. – Estava ajudando Renly com a armadura, mas de repente as velas se apagaram e o sangue jorrou. A Senhora Catelyn disse que foi Stannis, a sombra era dele, tinha o rosto dele. Eu juro, senhora Megara, não seria capaz de mata-lo, morreria por ele. Eu...
Assim que Brienne terminou de falar, Megara sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto. Agora tinha certeza que Stannis causara a morte de Renly. O sonho, as palavras de Sor Davos e agora as palavras de Brienne. A mulher vermelha foi o instrumento. Logo ele, seu irmão. Tão honrado. Stannis que ela julgava ser perfeito. Como você pode? Como foi capaz de nos destruir desse jeito, Stannis?
Era um golpe duro demais para ela.
– Ela é inocente. – declarou por fim. – Brienne de Tarth é inocente.
– O quê? – Loras disse incrédulo. – Você enlouqueceu?
– Os homens que estavam lá juraram que foi ela e...
– Alguém realmente além da Senhora Catelyn e de você estavam dentro da tenda? – perguntou a Brienne.
– Não, senhora. Os homens estavam do lado de fora, apenas nós três estávamos dentro da tenda.
– Megara, isso não faz sentido. – Loras segurou seus ombros. – Se não foi ela, como uma sombra poderia matar seu irmão?
– Pergunte a ela. – respondeu. – Eu acho que prefiro não saber exatamente como tudo aconteceu, apenas o culpado. – Ela respirou fundo. – Mas ela é inocente, Loras. Ela nunca faria isso. – Olhou de soslaio para a mulher e quando Loras a soltou, ela foi até ela e segurou suas mãos. – Obrigado por me contar a verdade, Brienne. Loras falará com os responsáveis por sua prisão, estará solta em breve.
– Obrigado, milady.
Antes de ir, assentiu para Loras.
– Faça a coisa certa, Loras.
– X -
Assim que entrou em seu quarto, deixou que as lágrimas enfim caíssem. Antes de chegar a cama, caiu de joelhos no chão mesmo, desabando. Puxou o pequeno colar cujo pingente estava escondido dentro de seu vestido. O veado coroado. Deslizou o polegar sobre o relevo do desenho, se fechasse os olhos, podia ver Ponta Tempestade de novo. Tal como se lembrava. De sua infância ao lado do irmão gêmeo, correndo entre aqueles corredores de pedra, enganando os criados ao trocarem de roupa. Das chuvas geladas que ela gostava de sentir no enquanto molhavam seu rosto, enquanto corria pelos pátios, fitando as nuvens pesadas e escuras cobrindo o céu.
Não havia nada mais belo.
Nada como o som dos trovões cortando os céus, como dormir ao som da canção da tempestade em sua cama. Mesmo que as vezes, Renly estivesse ao seu lado na cama, tremendo. Seu irmão. Pensar nele lhe doía a alma. Por um trono. Por uma coroa. Por poder. Todos os meus irmãos iam caindo aos poucos por causa de sete reinos. Por mais que ela quisesse manter a todos, continuava perdendo. Robert estava morto. Renly também. Stannis havia deixado que assassinassem o mais novo. Se fez isso a ele, por que não faria comigo? Havia a mulher vermelha que viera junto para tirá-la da Fortaleza Vermelha naquela noite. Que queria mata-la. Nissa Nissa. Advertira Sor Davos, impedindo que ela fosse, se tivesse ido. Teria Stannis cravado a espada em seu peito se aquela mulher mandasse?
Se havia deixado que ela matasse Renly, teria coragem também de mata-la. A dúvida do irmão queimava em sua mente. Tudo ruía diante dela. Sua família, tudo que ela acreditava ter ruía diante de seus olhos. A promessa feita a si mesma e em silêncio para Lorde Stark que protegeria Sansa. A garota estava desaparecida. Tyrion estava preso. Se dependesse de Cersei, logo seria condenado a morte. Lutava e lutava, mesmo assim perdia a todos. E o que lhe restaria quando perdesse? Vingá-los. Mesmo assim, não adiantaria. Não os traria de volta, nem tão pouco faria a dor de perdê-los menor. A vingança não estaria com ela quando estivesse sozinha.
Quando a porta se abriu de vagar, ela não quis olhar. Imaginando ser algum guarda para chama-la, Loras ou Moira. Continuou onde estava, sentada no chão, segurando o colar em mãos.
Não era. Era ele.
Oberyn trancou a porta atrás de si, ela o encarou. Ainda sentia o rosto molhado pelas lágrimas, mas não as secou. Ele sempre fez questão de me dizer que eu não sou tão forte quando penso que sou.Que agora ele saiba que estava certo. Ele a encarou de um jeito indecifrável. Não havia pena, nem sarcasmo, nem deboche e nem tão pouco compaixão. O príncipe dornês apenas sentou-se a sua frente, ficou a encarando. Talvez esperando que ela falasse primeiro. Ela deixou que o restante de suas lágrimas caíssem, não foram poucas. Esperou que ele se cansasse e dissesse algo, fosse embora e nada. Oberyn ficou ali sentado apenas a fitando chorar.
E quando enfim acabaram, só o silêncio permaneceu.
– Quando eu era pequena. – ela deixou que sua voz fina cortasse o silêncio. – Em Ponta Tempestade, tínhamos um Meistre chamado Cressen, um bom homem e muito gentil. Ele tinha a mim e Stannis como seus preferidos. Ele sempre gostou mais de mim do que do Renly. Eu era mais calma, ele dizia, sabia ouvir mais do que falar e pensar antes de agir. – Ela suspirou. – Eu gostava dele. Era quase um avô. Não sei se conheceu os seus, sabe, mas quando se tem pouca família, você fica procurando ao seu redor gente que te lembre o que você não teve.
Ela respirou fundo.
– Um dia, enquanto observávamos uma tempestade pela janela, depois de ele me proibir de sair para brincar na chuva, porque eu estava resfriada. Cressen me disse algo que me assombra desde o dia em que ouvi. Parece que o tempo esta provando que é verdade.
– O que ele disse?
– Ele me disse que eu era a fúria temperada com sabedoria, de todos eu era a mais forte, destinada a sobreviver. – Um sorriso triste surgiu em seu rosto. – Bom, meus irmãos estão morrendo sem que eu possa fazer nada, no momento, acabo de ter certeza que um matou o outro por uma coroa e uma cadeira de ferro retorcido. Eu permaneço aqui, viva.
– Há pessoas interessadas em mudar isso. – retorquiu o dornês.
– Sim, mas eu continuou aqui. – Ela encolheu os ombros. – E eu me pergunto. Até quando Stannis estará vivo? E de que me serve continuar viva? Do que me serve continuar viva enquanto todos aqueles que eu amo morrem a minha volta sem que eu possa fazer nada para mudar isso?
– Você pode vingá-los, Megara.
– Sim, eu posso. E eles voltaram por isso? – questionou. — Vingança não mudará nada e nem estará comigo depois que todos se forem, Oberyn. Estou cansada de lutar para proteger que eu tenho. Perder. Depois só ter como escolha, vingança.
Ele a encarou firmemente, ouvindo tudo que ela dizia.
Megara olhou para as mãos onde o emblema de sua casa quase destroçada estava. Os Baratheon se resumiam a três agora. Stannis, Shireen e ela. Ela procurara nas pessoas ao seu redor a família que não teve. Em Tyrion um irmão, em Sansa uma irmã, em Cressen um avô.
– Eu não quero esperar perder Tyrion para depois só ter como escolha vinga-lo.
Oberyn abriu um sorriso sarcástico.
– Sabia que esse era o destino final dessa conversa.
– Sei que você será o terceiro juiz do julgamento.
– Muitos já sabem disso. – Ele sorriu. – E é isso que quer? Que eu salve seu amigo anão Lannister?
– Ele é tudo que eu tenho.
Por um momento, acho que o sorriso no rosto dele sumiria, pois ele vacilara, mas ele permaneceu.
– Eu deveria sentir ciúmes do anão?
Megara sorriu seu humor.
– Não seja estúpido, mas se quiser ser um idiota por pensar isso, fique a vontade. – retorquiu, viu a ira subir nos olhos negros do dornês. – Só peço que pense bem na inocência dele, se assim preferir.
– Recebi uma proposta contrária e bem tentadora.
Ela arqueou uma sobrancelha.
– Cersei.
– E quem mais? – ele lhe ofereceu o sorriso de víbora que apenas ele tinha. – Ela parecia interessada em ver o anão morto, sugeriu até um casamento. Tudo que ela quer é que a inocência dele não passe nem perto da minha decisão.
– Pensei que não gostasse dos Lannisters.
– Eu pensei o mesmo sobre você, Megara, mas aqui está você me pedindo pela vida de um. – Ele encolheu os ombros, indiferente. – É raro encontrar um Lannister que tenha o mesmo interesse que eu em Lannisters mortos.
– Que adorável esse seu começo de amizade com a rainha. – Megara retrucou. – Eu deveria sentir ciúmes de Cersei?
O príncipe soltou uma gargalhada com aquilo.
– Fique a vontade.
– Cersei não cumprirá a promessa de casamento, ela não irá sair daqui, agora que Tommen será coroado, ela terá mais poder como Rainha Regente dele do que teve com Joffrey, casando com você ela terá que ir pra Dorne.
– Parece incomodada se eu me casasse com Cersei.
– Estou lhe avisando que será feito de tolo.
– Eu não sou nenhum tolo.
– Então não aja como um.
Os olhos de Oberyn brilharam com o ódio. Pela fúria que viu naqueles olhos, acho que ele a esbofetearia no mesmo momento. Antes que ele o fizesse, ela ergueu-se do chão, mas ele fez o mesmo e agarrou seu antebraço com força. Outra marca roxa. Megara pensou, lembrando que a marca em seu pulso feita por Joffrey enquanto morria, continuava ali.
– Espere. – Ele disse com uma voz cortante. – Diga-me, Megara, diga. – Oberyn sorriu sem humor, mas com aquele ar de víbora. – O que mais quer eu faça por você?
O rosto dele estava perigosamente próximo ao seu. Ela sentia o mesmo ar de vinho e o calor da pele de tão perto. De tão perto, sentia o coração bater em saltos dentro do peito que temia que ele poderia ouvir. Eu o amo. Admitiu enfim para si mesma. Eu o amo, mas e se perde-lo também? O simples pensamento já lhe deixou assombrada.
– Quero que fique comigo. – sussurrou.
Ela inclinou os lábios sobre os dele. Um beijo forte. A língua viperina dele invadiu sua boca, dançando junto com a dela. A mão dele largou seu antebraço, deixando que seu braço envolvesse sua cintura e sua outra mão agarre os cabelos negros da Baratheon. Quando ar lhe faltou, ela encostou sua testa na dele, respirando ofegante. As mãos dela apertaram as roupas dele enquanto as puxou para que ele as tirasse. Oberyn de bom grado a ajudou com isso e após isso, com facilidade puxou o vestido que ela usava até que o tecido caiu no chão rapidamente.
O príncipe a jogou sobre a cama com certa violência, ficando sobre ela, enquanto beijava seu pescoço com força. Algumas marcas com certeza ficariam ali depois, mas ela não se importou. Deixou suas mãos se perderem dentro do cabelo negro do príncipe, tão negros como os dela. Eu o amo, não há mais como negar isso a mim mesma. Beijou a pele do pescoço dele, ela cravou seus dentes em seu pescoço sentindo o gosto da pele dele.
Antes que ele pudesse continuar, ela inverteu-se sobre ele, sentando-se nos quadris do dornês. Ele a encarou a principio sem entender, mas depois sorriu. As mãos dele ergueram o tecido do fino vestido que ainda sobrara, passando pela cabeça de Megara e depois jogá-lo longe. Oberyn segurou os quadris finos da mais jovem, guiando-a enquanto ela o montava. Tudo que saia de seus lábios era o nome dele. Oberyn. Ela o escutava suspirar, o nome dela também virava gemidos nos lábios do dornês.
Quando ela saiu de cima dele de ficar sobre a Baratheon. Os lábios dele desceram por toda sua pele, do pescoço até a barriga. Sua mente estava enevoada, sentia seu corpo em quente como o próprio sol de Dorne. Tudo que ela conseguia fazer era sussurrar o nome dele. Quando ele a tomou novamente, os lábios dele silenciaram os dela com um beijo. Envolveu o corpo do dornês desejando não ter que soltá-lo nunca. Ela puxou os cabelos negros do Martell enquanto pressionava seus lábios nos dele.
Oberyn deitou-se ao seu lado, cansado e suado. Deixou um braço estendido para que Megara apoiasse a cabeça sobre o mesmo. Um sorrisinho encontrava-se no rosto do dornês, no mesmo momento, um surgiu no rosto da Baratheon também. Os dedos dele brincavam com as pontas cacheadas do cabelo negro dela.
Fechou seus olhos e inspirou o calor do dornês ao seu lado. O homem que eu amo. Ao fechar os olhos, tinha certeza que chovia lá fora. O som da chuva e o calor do corpo de Oberyn a fizeram dormir serenamente.
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