Our Demise
10 Capítulo 8
Notas iniciais
– J-Já? – Kevin engoliu em seco. O moreno parecia cansado, como se não tivesse dormido quase nada na noite anterior.
Na verdade, não havia muitas pessoas dentro daquele veículo que parecessem ter descansado grande coisa durante a noite. Bocejos ouviam-se de um lado ao outro, bem como o ressonar leve de algumas pessoas que adormeceram durante a curta viagem até aquele lugar no meio do nada.
– Parece que sim – a adulta assentiu com a cabeça, suspirando. – Vamos começar a andar. Para Bridgeport.
Markus esfregou a parte de trás do pescoço, colocando uma mão no ombro da mulher de cabelo negro:
– Pois… mas tem noção de que ainda devemos estar longe, certo? A gasolina não nos levou assim tão longe—
– Se alguém não tivesse deixado cair o pouco combustível que encontrámos… Não é? — interrompeu John, usando o dedo do meio para colocar os óculos mais para cima enquanto olhava para a sua frente, onde Silver se encontrava recostada contra a parede do autocarro, com um pequeno sorriso. — Podíamos ter ido um pouco mais longe que isto.
A rapariga inclinou-se um pouco para a frente e semicerrou os olhos castanhos, prestes a responder-lhe. No entanto, a voz que se ouviu foi a de Amber:
– Tu criticas muito para alguém que ainda não fez nada para ajudar o grupo.
– E tu já fizeste algo? – o rapaz soltou uma gargalhada seca. — Que tipo de moral é que achas qu—
– Okay, por favor calem-se– a professora pediu, esfregando as têmporas. – Não há tempo para discussões. Nós temos que nos fazer à estrada antes que fique demasiado escuro.
- E quando escurecer? – desta vez quem falou foi Teddy, que se encontrava ao lado da porta. – Onde é que vamos ficar?
– Montamos acampamento na floresta, suponho – a professora respondeu, olhando pela janela. As árvores eram esguias, altas e não iriam ser o melhor dos esconderijos, mas um autocarro sem qualquer combustível era inútil para eles. Teriam de se lembrar de fazer alguma espécie de marco, para que não se perdessem na floresta caso se afastassem demasiado da estrada, mas isso era coisa para se pensar mais tarde.
Naomi levantou-se e aproximou-se mais, para que a sua voz se ouvisse melhor:
– Mas qual acampamento? Não temos sacos-cama. Nem tendas, nem—
– Não precisamos de nada disso – garantiu Silver. – Podemos passar a noite a dormir no chão.
Algures no autocarro alguém arquejou em desgosto. Os cabelos claros de Tori saltitaram quando dita rapariga se colocou em pé de forma brusca, com as sobrancelhas franzidas:
– Desculpa, mas nós vamos dormir na terra? No meio de bichos?
– Se têm problemas com insectos e terra, aconselho-vos a que durmam em pé – a adolescente de óculos virou o corpo para o fundo do autocarro, onde a maioria das raparigas se haviam juntado. Todas elas tinham expressões enojadas ou em choque, sussurrando entre si coisas que não lhe chegaram aos ouvidos. – Nós não sabemos quanto tempo demorará daqui a Bridgeport. Pode levar um dia, como pode levar uma semana, por isso habituem-se à ideia.
– Silver, mas… — Naomi abriu a boca e deixou sair umas palavras, porém não chegou a terminar a frase. Assentiu com a cabeça e voltou para o seu lugar.
O autocarro manteve-se silencioso, como se cada um estivesse a ponderar no assunto, embora não houvesse muito em que pensar. As únicas alternativas deste grupo eram regressar à cidade de Lake City – o que só iria fazer com que toda esta viagem fosse uma enorme perda de tempo – e continuar a andar.
E era óbvio que a cidade não estava a uma distância que pudesse ser percorrida numa única tarde de caminhada, pelo que acampar na floresta também parecia ser a única alternativa.
Depois da professora quebrar o silêncio e anunciar que iam sair agora, a turma juntou-se num apertado grupo, que depressa se começou a desfazer à medida que andavam.
– Tentem não se afastar muito – avisou a adulta. Ela caminhava de braços cruzados, com um semblante sério. Esta floresta não a deixava à vontade. Era extremamente vasta e todas as árvores pareciam iguais, pelo que o risco de se perder ali só aumentava. A menos que acampassem junto da estrada.
Ela aproximou-se de Silver e propôs-lhe essa mesma ideia.
– Acho que o sítio onde acampamos não interessa – admitiu a rapariga. – Estaremos expostos na estrada, mas a floresta também não nos daria grande cobertura. Provavelmente até nos daria mais obstáculos que outra coisa se fosse preciso fugir.
– E se passarem carros? – Samantha, que estava ao lado dela, perguntou. – Ou pessoas.
– Mas será de noite, talvez não nos vejam – disse a mulher de cabelos negros, com incerteza. – Teremos de apagar a fogueira.
– Se conseguirmos acender uma – Sam suspirou. Não estava frio agora, mas nunca se sabe se a temperatura descerá durante a noite.
– Oh – Matthew enfiou a mão no bolso do casaco, e fechou a mão em volta de algo. – Eu achei isto naquela casa. Trouxe, só no caso.
Na sua palma estava uma caixa de fósforos, que tiniu levemente quando ele a deu à professora.
– Ainda vai a meio – a mulher sorriu. – Excelente. Só precisamos de um.
Os três viram a professora colocar aquilo no bolso das suas calças e permaneceram em silêncio enquanto andavam ao seu lado.
Dentro em breve o céu começava a escurecer e o ar ficava mais frio, com o Sol escondido para lá das árvores. O grupo tinha abrandado o ritmo – era óbvio que já estavam a ficar cansados.
– Sabem aquelas pessoas… que peregrinam? – Teddy arfou pesadamente ao lado dos seus amigos. – O meu respeito por elas… acabou de subir imenso.
Os alunos riram, alguns mais baixo que outros, e uma certa rapariga de baixa altura aproximou-se do grupo:
– Acham que devemos parar de andar? – Annie questionou. – Estamos todos cansados.
– É, vamos – Amber concordou e apontou mais para a frente. – Alguém que chame a stora.
Kevin apressou o passo e chamou a adulta, explicando-lhe que deveriam ficar por ali a recuperarem forças e que retomariam a estrada no próximo dia.
A mulher chamou os seus alunos e apontou para trilhos de terra batida, explicando que iriam segui-los por uma breve distância para que amanhã soubessem onde ficava a estrada e para que não se afastassem demasiado da mesma. A turma seguiu por esses caminhos e quase ninguém disse uma palavra até pararem.
– Este sítio parece bom o suficiente – John comentou e sentou-se no chão quase de imediato. – Eu fico aqui.
– Okay, toca a escavar – Silver suspirou e desenhou um circulo no chão, começando a retirar a terra de dentro do mesmo.
– O que é que estás a fazer? – questionou Amber.
A rapariga não olhou para cima, mas respondeu-lhe com:
– Uma fogueira. Podes arranjar pedras?
Kevin e Teddy encarregaram-se disso, provavelmente por perceberem o que a rapariga estava a tentar fazer, enquanto Doug e Tyler se ofereceram para irem à procura de madeira seca.
Estes últimos dois regressaram com vários galhos e alguma madeira mais pesada, mas também mole.
– Isso não vai arder depressa demais? – Taylor perguntou, enquanto a professora acendeu um fosfóro.
– Talvez – a mulher acenou com a cabeça e acocorou-se junto do círculo de pedras no chão. Os dois adolescentes largaram a lenha e Samantha atirou algumas folhas para cima.
Elsa colocou o fósforo no meio das folhas e galhos e afastou-se antes que aquilo começasse a arder.
– Agora… — virou-se para o grupo. – Que comida temos?
– Temos feijões – Kevin retirou uma lata da mochila. Tirou outra. – Mais feijões – continuou a remexer e tirou mais duas latas. – Ah e… feijões.
O rapaz fez um trejeito com a boca, mas era óbvio de que não havia muito por onde escolher. E o estômago dele certamente não recusaria comida a uma hora destas, mesmo que essa comida fossem feijões.
– Espera lá – Samantha arqueou uma sobrancelha quando viu as quatro latas. – Esta é toda a comida que nos resta?
A compreensão fez-se notar nos rostos de todos os presentes e a professora deixou um baixo “Oh” escapar-lhe.
– P-Parece que sim – a mulher sorriu fracamente, reparando que para além dessas quatro latas haviam uma de atum e outra com grão. – Nós encontraremos mais comida em breve, não se preocupem.
Mas a verdade é que ninguém estava muito convencido disso.
O autocarro era agora outra coisa inútil e tudo o que eles tinham para se mover eram as suas pernas – e estas tinham limites e obviamente não conseguiam cobrir tanto terreno como um veículo – pelo que não havia como dizer quanto tempo demoraria até chegar à cidade mais próxima.
Bridgeport podia estar a apenas um ou dois quilómetros, mas quem lhes poderia garantir que não estaria a trezentos quilómetros daquele lugar?
A turma organizou-se em volta da fogueira, conversando entre eles enquanto se distribuía os feijões por todos.
As chamas lambiam a madeira, fazendo-a estalar e soltar pequenas centelhas para o chão, enquanto os adolescentes comiam o que lhes tinha sido dado em quase absoluto silêncio – o que era realmente surpreendente.
A turma não era propriamente conhecida pelas melhores das razões e eram frequentemente apontados como uma das piores turmas, embora isso fosse um pouco exagerado.
Um pouco.
As horas pareceram arrastar-se pesadamente, mas acabou por chegar a uma altura onde todos decidiram que seria melhor dormir, porque segundo o relógio de Elsa já era quase meia-noite e os jovens iriam precisar de descansar.
Silver permaneceu acordada – o que não a surpreendeu. O sono não lhe vinha muito facilmente e ela acabava sempre por adormecer de madrugada.
Porém, ela não era a única pessoa que não tinha ido dormir. Markus também estava acordado, mas talvez fosse pelo facto de que estava com demasiado frio – pelos menos foi isso que ela assumiu, vendo-o tão junto do fogo.
– Silver… — ele falou baixo, mas a rapariga ainda o ouviu. – Eu acho que vou buscar mais lenha.
A rapariga acenou-lhe brevemente e ele levantou-se com o casaco desportivo que levara da casa de onde saíram, vestindo-o.
Honestamente, ele nem sabia para onde ir. Tudo o que encontrava no seu caminho era apenas galhos, pequenos e moles, que não iriam servir para alimentar o fogo que já estava meio apagado.
Dentro de algum tempo, ele conseguiu recolher um pequeno mas largo ramo e outro mais estreito e longo. Havia também um toco solto de uma árvore.
– Talvez consiga levá-lo – disse a si mesmo, já que não era assim tão grande. Deixou os paus recolhidos no chão para ter os braços livres agachou-se junto do toco.
No entanto, o barulho que até há poucos segundos os seus ténis estavam a fazer sobre as folhas secas não parou.
Os seus olhos castanhos fitaram as árvores atentamente, tentando perceber se haveria um animal nesta floresta ou se alguém do acampamento o tinha seguido para o ajudar ou fazer companhia.
Embora estivesse escuro, a luz que a lua reflectia era o suficiente para que ele conseguisse ver uma silhueta humana não muito longe dele.
Aproximou-se de mãos vazias, semicerrando os olhos numa tentativa de perceber quem era. Tinham um andar esquisito e o cabelo comprido, mas o que o surpreendeu foram os olhos esbranquiçados e arregalados ao ponto de quase sair das órbitas.
Não demorou a aperceber-se de que isto não era uma pessoa – talvez em tempos tivera sido, mas agora era apenas outra das criaturas meio-mortas que andavam pela terra.
Recuou, abrindo a boca para gritar, mas demasiado assustado para o fazer.
Ao invés disso, deixou para trás o que tinha vindo recolher e correu para a direcção oposta, mesmo sabendo que estava a afastar-se ainda mais do acampamento. Merda para ele, por não ter pegado numa arma antes de vir.
Um longo gemido chegou-lhe aos ouvidos e ele travou subitamente, reparando que mais dois zombies se encontravam à sua frente.
Um deles parecia velho, dado a longa barba, e a pele da sua cara e pernas começara a cair, revelando camadas apodrecidas de carne e músculo. O seu braço direito estava em falta, bem como uma enorme porção da coxa esquerda, onde provavelmente alguém lhe arrancara a carne à dentada.
Outro, que estava mais atrás – embora parecesse mais rápido – tinha o abdómen desfeito, com os intestinos de fora e a arrastarem-se a seu lado e algo espetado na mão, embora ele não conseguisse perceber o que era.
Os seus joelhos tremeram e ele engoliu em seco, pronto para correr noutra direcção qualquer.
Mas não foi rápido o suficiente.
Dentes cravaram-se com força na carne do seu pescoço, arrancando tanto o tecido do seu casaco como a sua própria carne.
Markus uivou em agonia e caiu de joelhos no chão, pressionando a mão contra a ferida sangrenta que tinha agora. Os seus olhos encontraram-se com os da zombie que vira não há muito tempo.
Como raios é que ela o alcançara tão depressa?
O morto de barbas caiu no chão também, arrastando-se para si com um arfar pesado e a boca aberta, pronto a mordê-lo.
O adolescente tentou levantar-se, mas a zombie atrás de si cravou as unhas longas e amareladas no seu braço e bochecha, aproximando a cara para voltar a mordê-lo. Ele conseguiu afastá-la com um soco, mas logo a seguir sentiu o outro morto agarrar-se-lhe à perna esquerda.
Ele esperneou e conseguiu chutá-lo na cara, mas assim que se levantou voltou a cair para trás ao tropeçar.
O outro zombie encontrava-se a míseros centímetros, olhando-o com olhos onde veias vermelhas e roxas eram bem visíveis. A sua boca torceu-se e Markus rolou para o lado quando viu que estava prestes a ser mordido por este também.
A dentada no seu pescoço ardia como os diabos, ainda por cima estando suja.
O moreno cuspiu sangue no chão e queria pôr-se a correr, mas uma dentada no calcanhar direito fê-lo tropeçar de novo e gritar de dor.
A mão do zombie onde algo estava espetado agarrou-se à sua perna e ele sentiu o que quer que aquilo fosse a perfurar-lhe.
Os outros dois não esperaram e depressa se puseram também em cima dele, querendo morder onde quer que pudessem.
Numa tentativa de empurrar para longe o maldito e velho morto, perdeu quase todos os dedos da mão, quando o maxilar do zombie se fechou entre estes e os arrancou fora.
O velho mastigou e engoliu sonoramente, subindo para cima da outra zombie para lhe morder na zona das costelas, esmagando umas sob os seus dentes.
– SAIAM… DE CIMA DE… MIM! – gritou, quase sem forças. E depois disso, gritou mais ainda, por ajuda e para os mortos que o estavam a devorar vivo.
Entretanto, embora não muito alto, Silver conseguiu ouvir o berro de alguém.
– Markus? – questionou para si própria. O rapaz ainda não voltara e ela não sabia de mais ninguém nas imediações.
– Ouviste aquilo? – Samantha perguntou e olhou em volta. – Há alguém em falta?
Ela tinha acordado há alguns minutos atrás e sentara-se junto da rapariga de óculos, enquanto as duas falavam baixinho uma com a outra.
– Sim. O Markus saiu há quase uma hora para ir buscar mais lenha.
– Ele levou armas? – a rapariga de cabelos escuros quis saber, levantando-se com Silver a seu lado.
– Penso que não – admitiu.
– Aquele maldito idiota! – exclamou Samantha, batendo com a palma da mão na própria cara. – Quem é que vai meter-se na floresta sem armas?
Silver suspirou e agarrou no seu machado:
– Era melhor que fôssemos à procura dele. Podem haver mais pessoas na floresta, mas devíamos verificar se ele está bem – fez uma pausa. – E se calhar devíamos avisar alguém do acampamento, para o caso de não regressarmos ou de alguém acordar e notar a nossa ausência.
Samantha concordou com ela e ambas acabaram por acordar Teddy e a professora, explicando-lhes que iam verificar as coisas depois de ouvirem os gritos.
– Vão com cuidado – disse Elsa com um olhar carregado. – Se demorarem demais vamos à vossa procura.
– Não vai haver necessidade disso – garantiu Silver, embora ela não soubesse quanto tempo demorariam a encontrar o colega de classe. Se é que o iriam encontrar. – Voltamos o quanto antes. Anda, Sammy.
Decidiram seguir o caminho por onde ela vira Markus ir, mas não encontraram nada mais que um pequeno amontoado de madeira.
– Ele provavelmente encontrou isto – apontou Samantha. – Mas não me parece que tenha largado isto aqui e ido à procura de mais. Achas que ele teve de fugir ou algo?
A outra rapariga franziu as sobrancelhas e fitou o chão atentamente:
– Isso… é bem provável. Chega aqui.
A terra estivera mais mole num certo local e havia marcas de pegadas, pelo que ambas se puseram a segui-las na esperança de que pertencessem a Markus.
No entanto o trilho de pegadas não era longo e depressa ficaram sem saber para que lado ir.
– E agora? – Sam segurou firmemente o cabo do cutelo que tinha em mãos, olhando para todos os lados.
– Tenta achar um sítio onde as folhas estejam mais remexidas – aconselhou Silver, embora não fosse propriamente fácil fazê-lo, ainda por cima de noite. – Pode ser que encontremos mais pegadas, mas não te afastes.
– Sim, eu sei – assegurou a mais alta.
Não demorou nem um minuto para que se ouvisse uma espécie de gemido.
Um zombie estava perigosamente perto de Silver, mas quem lhe cravou uma lâmina no crânio foi a sua amiga.
As duas fitaram o rosto do morto-vivo – que agora estava mais morto que vivo – mas não era Markus. A julgar pela barba, devia ser alguém de meia-idade, mas não conseguiam ver as rugas na sua cara porque o zombie não tinha pele.
Acabaram por não conseguir encontrar nada, nem mesmo pegadas, mas ao voltarem para trás só se depararam com outro pequeno grupo de zombies.
Desta vez era dois, de sexos opostos. A mulher tinha olhos perturbadores e foi a primeira que Silver matou, cortando-lhe fora a cabeça e vendo-a voar para longe.
O outro zombie tinha o cheiro mais fétido dos três, provavelmente por ter as suas tripas espalhadas pelo chão e penduradas a partir da barriga. A sua cabeça foi rachada ao meio e com um toque ela atirou o seu corpo ao chão para remover o machado de incêndio.
– Eles estão cheios de sangue – Sam notou e pôs-se a olhar em volta. – Achas que comeram alguém?
– A menos que haja mais pessoas nesta sítio… — suspirou a outra, limpando o sangue que lhe jorrara para cima com a manga da camisola e tirando os óculos que também se haviam sujado. – A única pessoa que podem ter comido é o Markus.
Samantha engoliu em seco e ambas continuaram a andar, desistindo a busca e prontas a regressar ao acampamento. Se ele estivesse vivo, voltaria para junto da sua turma.
Mesmo assim, as duas raparigas encontraram-no.
Não que ele estivesse bem, ou vivo, mas… encontraram-no.
Faltavam-lhe dedos e um dos pés, porções do pescoço, pernas, braços e as suas costelas estavam expostas ao ar frio da noite. Ele grunhiu ao vê-las, com um dos olhos a sangrar e rastejou para junto delas.
Nenhuma delas se moveu, até que os olhos castanhos de Silver se encontraram com os da rapariga morena e ambas perceberam que não valia a pena perder mais tempo.
A adolescente de cabelos claros deu um passo em frente, mas a amiga barrou-lhe o caminho com o braço.
– Deixa-me fazer isto – pediu Sam.
Ajoelhando-se e olhando o que outrora fora o seu amigo, ela segurou a sua cabeça no sítio e cravou-lhe a faca entre os olhos com um suspiro alto.
– Quantas pessoas já perdemos, Silver? – interrogou.
– Com o Markus? – respirou fundo. – Seis.
Não foi proferida mais nenhuma palavra, elas apenas regressaram ao acampamento seguindo a linha ténue de fumo que se erguia para o céu.
Ao chegarem, Elsa viu o sangue nas suas roupas, mas mesmo assim perguntou-lhes sobre o que tinha acontecido, embora soubesse sem elas o dizerem.
Perdera outro dos seus alunos.
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