Our Curse
4 Capítulo 4
Notas iniciais
PDV LUCINDA
—Oh, querida, estás linda! – observou minha mãe me rodando. Ela havia posto em mim um vestido de mangas largas e compridas, depois havia quase me estrangulado para poder pendurar o colar de minha falecida avó, em meu pescoço.
—Obrigada, mamãe – resmunguei – a senhora está encantadora.
Mamãe não entendia meus gostos, minhas caras, meus jeitos, então não se importou com minha falta de respeito a ela.
Papai deu o braço a mamãe e eles entraram no grande salão de baile, eu segui atrás e encarei toda a cidade, que se encontra rodopiando pelo salão, ou se fartando de comida e bebida. Educadamente cumprimentei quem se virasse para especular os novos convidados, dei os parabéns aos anfitriões e encontrei-me com minha melhor amiga.
—Lucinda! – Ela sorriu ao me ver chegar, e dispensou o parceiro de dança, correu com o vestido amarelo até mim e me abraçou.
—Claire! – Ri quando nossos corpos se chocaram.
Claire tinha o cabelo revolto e preso apenas pela metade, ele estava livre em ondas e ela usava joias caríssimas, achar um marido que banque isso seria difícil, mas ela com certeza não deixaria de tentar, e Claire era linda tinha os cabelos loiros como se houvessem sido abençoados por um deus do sol, os olhos verdes mesclados com um azul, eles brilhavam aos sorrisos dela, ela era tão feliz, em todas as ocasiões, e era parecida com o pai.
—Hey, está se divertindo?
—Claire, eu recém cheguei, e você sabe – Eu lhe dei meu braço enquanto caminhávamos pelo salão – Eu queria estar em casa com meus livros.
Ela fez uma careta e tomou um gole da champagne que um garçom carregava.
—Livros, Lucinda? Por favor, olhe para esses homens, a cidade toda está aqui e cada homem... Um mais belo que o outro – Ela sorriu entusiasmada e me fez checar o salão.
—Eu estou pensando em outro.
—Não diga que é meu irmão.
Claire era a única que entendia o meu desejo de permanecer longe de seu irmão, ele era bonito é claro, mas não era um cavalheiro, eu havia crescido com ele e não me via como sua esposa.
—Não, isso seria um absurdo... Ele não foi convidado ao que parece, deve ter chegado a cidade há pouco tempo – dei de ombros, Claire me conduziu para a varanda – Ele é professor...
—Urgh. Inteligentes.
—Não, não. De piano, ele virá me dá aulas e é belíssimos, seus olhos são de um cor tão peculiar, Claire! Violetas, acredita? Já viu alguém assim?
—Não.
—É... Ele é jovem e belo e quando beijou minha mão foi como se correntes elétricas percorressem todo o meu corpo e meus instintos gritassem que já nos conhecíamos. Como se a teoria de Platão fizesse sentido, se tudo o que aprendemos fosse apenas lembranças...
—Ah, Luce! Somos mulheres, nós não estudamos, nós nos preocupamos em ser belas, casar e procriar, você tem que parar com essa laia!
—Tudo bem, sinto muito.
—Venha, você precisa dançar, sabe quanto você decaí se não é vista dançando? Uma dama não deve ficar desacompanhada, nunca, durante uma dança.
Rolei os olhos para o machismo tosco de Claire.
—Ei, ei. Será que eu ouvi direito? – o irmão de Claire, Nicholas, apareceu com um sorriso malicioso – A dama precisa de um par é?
—É, ela precisa Nikki – Concordou Claire, arregalei os olhos para ela, que apenas sorriu e me jogou nele – Distraia a cabecinha pensante dela.
—Ah, pode deixar, irmãzinha.
Nicholas era um rapaz bonito, possuía olhos castanhos e um cabelo mesclado, não sei dizer se ele era loiro ou castanho claro, ele tinha um corpo definido, mas era cansativo. Sempre tinha os mesmos papos, casamento, e planos para futuro, e ele me incluía nisso, como se eu pudesse fazer parte desse futuro que ele tanto diz.
—Está encantadora, Lady Lucinda. – Ele observou enquanto girava-me pelo salão – o rosa de seu vestido destaca o rosa natural de teus belos lábios.
Torci o nariz.
—Obrigada, Nikki. Nós nos conhecemos desde crianças e você me chamará de Luce, como sua irmã.
—Como desejar. Então, Luce, eu estava pensando no futuro – oh, novidade! – E eu acho que há minha conclusão anterior – um giro rápido em demasiado – seria pouco, sabe, eu precisaria de muitos herdeiros – mais um giro rápido, forcei meus olhos a se focalizarem – Quem sabe cinco, ou sete. Ah, é claro que não apenas homens, garotas as quais serão lindas e robustas e eu terei orgulho de chamar de filhas, duas garotas e cinco garotos? O que acha? Acho prudente – Giro, giro, giro, tonta, tonta, tonta – Até pensei...
—Acalme-se, Nikki, por favor, você pensa demais no futuro.
Ele bufou para mim.
—E você com seus livros e estudos pensa demais no passado.
Ele deu um giro triplo comigo e depois me inclinou ao chão, eu sentia o corpete espremer meus pulmões e o ar fugir deles, algo na minha cabeça latejava e meus olhos tentavam encontrar um foco, comecei a sentir algo semelhante ao da manhã, quando forjei o desmaio que aconteceria.
—É cultura – contra ataquei.
—Bem, que seja. Eu estava pensando em nomes – Nikki não sabe dançar – Óbvio que isso é cargo de um homem, mas até que eu poderia deixar você optar pelo nome de uma garota, mas a outra seria Katrina, ainda haveria Jorge, Jonathan, Nicholas Junior, ele seria o primeiro, Leonard e Henrique. De que nome gostas? – Algumas piruetas depois.
—Joanna – tentei dizer, acho que consegui.
—Nome estranho para o século XV(quinze), não acha? Eu acho, mas tudo bem, poderia escolher de uma garota mesmo.
Ah, eu havia concordado ainda por cima, mais um giro, eu me desvinculei dele.
—Eu preciso de um tempo, e de ar, desculpe-me.
Afastei-me dele e tropecei até a sacada, eu me escorei lá e fechei os olhos, esperei ansiosamente por um vento calmo que fosse fazer com que eu me sentisse bem melhor, o vento não veio a principio então apenas lembrei a mim mesmo de que devia respirar fundo e botar os pensamentos em ordem.
Um pouco depois eu conseguia abrir os olhos e acabei por captar um movimento abaixo de mim, no quintal, algo estava pelas árvores e eu inclinei-me para ver, erro meu.
Com a tontura acabei cedendo demais para frente, e despenquei, nem consegui gritar e só pensei que aquele seria meu fim, espremi meus olhos e tapei o rosto com a palma das mãos, esperei a queda, mas quando ela veio eu me sentia bem, porque algo forte e firme me rodeava.
Abri os olhos.
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