Our Christmas Date
1 Chapter One — The Scape
Our Christmas Date
By: Archie-sama
Chapter One — The Scape
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Capítulo Um — A fuga
Os dois já namoravam há algum tempo. Porém, entre encontros furtivos na calada da noite, mensagens enviadas em segredo e trocas de olhares sutis, ninguém estava ciente ainda. Todoroki Shouto e Yaoyorozu Momo eram a verdadeira definição de um casal discreto.
Não era que não confiassem em seus amigos o suficiente para contar. Eles confiavam, sim. Entretanto, ainda havia tanta coisa que não sabiam sobre si mesmos e sobre o outro; eles estavam sentindo coisas que nunca imaginaram que pudessem sentir, e possuíam desejos que ainda não sabiam bem como colocar em palavras. Havia todo um mistério sobre como namoros funcionavam na vida real e de que forma deveriam prosseguir com isso — ainda mais em se tratando de aspirantes a heróis como eles. O namoro decerto não seria convencional.
Eles ainda tinham tanto para desvendar, tanto para observar e aprender...
Shouto e Momo eram realmente leigos no amor, de modo que não se sentiam prontos para expor a relação. Não ainda.
Por enquanto, era algo só deles. Algo que queriam levar com calma, embora provavelmente todos já soubessem dos sentimentos que nutriam um pelo outro. Eles se sentiam confortáveis assim, sem dar espaço para a insegurança e a ansiedade que chegavam com a cobrança e os conselhos, às vezes, não tão úteis. Afinal, o apoio no relacionamento era mútuo, e a confiança inabalável. E isso era o bastante para trazer a segurança de que precisavam no momento.
Não necessitavam de pressa.
No entanto, seria seguro admitir que, naquele instante, os corações de ambos estavam em polvorosa.
Era normal alguém gostar tanto de outra pessoa que chegava a doer? Que a vontade de estar junto era quase insuportável? Tanto Yaoyorozu quanto Todoroki esperavam que a resposta fosse positiva, porque era exatamente isso que estavam sentindo.
Era véspera de Natal, e a Heights Alliance encontrava-se totalmente colorida e brilhante, enfeitada com uma decoração digna do feriado — aproveitando que o período de neve estava alguns dias atrasado. E todos, tanto alunos quanto professores, pareciam muito alegres enquanto desfrutavam da festa da classe 3-A que acontecia no salão. Havia música, dança, barulho de conversas e uma mesa comprida repleta de comidas e bebidas.
Todoroki nunca havia dado muita importância a essa data, pois sua família não era exatamente um exemplo de união e harmonia. Por muito tempo ele se fechou dentro de si mesmo, ocupado demais tentando recolher os cacos do próprio emocional para prestar atenção a sua volta. Tudo o que importava era se tornar forte, e para isso ele não poderia admitir falhas. Shouto queria provar que ele jamais seria como o seu pai, que, apesar de ser um herói profissional, não impediu a si mesmo de infligir dor à própria família, quebrando-a em pedaços.
Ele queria superá-lo deixando-o completamente de fora da sua vida.
Porém, o jeito como o rapaz estava lidando com toda essa raiva não era o mais adequado. Ele se afastou ainda mais da família, e manteve as pessoas distantes porque estava preso demais à própria revolta para se permitir enxergar o mundo de outra forma — uma que não fosse tão categórica.
Foi só depois de ingressar na U.A. que, ao passar por todo tipo de experiência e perceber que o que era mais importante estava bem a sua frente, o rapaz finalmente pôde se libertar um pouco das amarras do passado. Antes de se dispor a salvar alguém, Todoroki entendeu que primeiro precisava se deixar ser salvo. Salvo de todos aqueles sentimentos ruins que tomavam conta de seu peito, salvo daquela dor que o castigava e o tornava individualista. Ele sabia que tinha uma bagagem pesada demais e que isso não o abandonaria tão facilmente. Eram feridas difíceis de cicatrizar. Todavia, ele revisitou o próprio coração e lembrou-se que ali, por mais reprimido que estivesse, ainda existia o desejo de reconstruir os laços que haviam se rompido.
Desde então, o garoto meio-quente e meio-frio lentamente buscava aproximar-se de sua família outra vez — o que ainda não incluía Endeavor. Talvez nunca fosse incluir, mas ele não poderia dizer com certeza, já que o futuro era incerto. E estava sendo bem sucedido. Agora, ele se juntava com sua mãe e irmãos mais velhos para comemorar todas as ocasiões especiais, fossem aniversários, feriados ou até mesmo reuniões simples aos domingos.
Contudo, no segundo Natal em família, Fuyumi se ausentou da ceia pela primeira vez para sair com um rapaz, deixando Shouto sozinho com sua mãe e Natsuo. Foi ali, no fim do seu segundo ano na U.A., que ele descobriu que o Natal era como um "dia dos namorados alternativo". E aquilo o deixou extremamente curioso, apesar de esse tipo de coisa não ser o que normalmente lhe chamava a atenção. Na época ele e Yaoyorozu não namoravam ainda, mas ele já entendia claramente que estava apaixonado por ela — isso depois de perceber que seus sintomas de suor excessivo e coração acelerado não indicavam doença alguma.
Era o mais puro e indubitável amor.
Então, pela primeira vez, Todoroki se pegou imaginando como seria passar o Natal na companhia dela. Da garota que o fazia sentir todas aquelas sensações desconhecidas.
E agora, depois de ele ter soltado um "eu gosto de você" — totalmente do nada ao observá-la brincar com um gatinho de rua — e estarem namorando há vários meses, eles finalmente pareciam ter essa oportunidade. Bem, mais ou menos. Como poderiam passar um tempo juntos sem que parecessem suspeitos ou fossem incomodados? Com os amigos que tinham, essa se tornava uma tarefa quase impossível. Em especial ao falar de Jirou, Ashido e Kaminari.
Jirou, sendo a melhor amiga de Yaoyorozu, era superprotetora em relação a ela; Todoroki com certeza teria um tempo difícil ao tentar lidar com seu temperamento. Ashido era eufórica e invasiva, ela não os deixaria em paz enquanto não soubesse de tudo sobre a aproximação deles. E Kaminari, bem… Ele era tão desligado e indiscreto que provavelmente faria comentários constrangedores sem ao menos se dar conta. Mesmo sem ser de propósito, esses três jamais perderiam a oportunidade de envergonhar o casal. E isso era tudo o que eles não precisavam no momento.
Foi por isso que, ao observar a árvore de Natal brilhante que a classe havia montado dias atrás, Todoroki teve uma ideia. Talvez um tanto inusitada, mas não poderia deixar de tentar. Então, retirou-se com discrição da conversa que mantinha com Midoriya e Asui, sacando o celular do bolso da calça e começando a digitar.
Shouto [21:30 PM]
Yaoyorozu
tive uma ideia...
Do outro lado do salão, ele observou a namorada parar a conversa com Uraraka por um instante para espiar o celular. O olhar dela encontrou-se com o seu por um milésimo de segundo e pôde perceber que ela escondeu um sorriso. Isso o fez abaixar os olhos, sorrindo também.
Momo [21:30 PM]
gostaria de compartilhar comigo?
Shouto arqueou uma sobrancelha diante da mensagem e deixou escapar uma leve risada. Para ele, era engraçado como Yaoyorozu era sempre tão formal e educada. Ela esquecia que não precisava ser assim com ele, visto que eram próximos o suficiente para deixar isso de lado. Mas às vezes parecia ser inevitável, e ele não ligava muito porque gostava de quando ela era ela mesma.
Shouto [21h32 PM]
quer fugir daqui?
A garota piscou várias vezes ao ler a mensagem, suas bochechas ganhando leves tons de vermelho. Ela quase ergueu a cabeça para encarar o namorado, entretanto se conteve, pois seria um desastre se terminasse se denunciando. Momo, então, engoliu em seco e pediu licença às amigas, indo até a mesa em busca de um copo de refrigerante. Ela se serviu e tomou um longo gole. Agora com certeza estava ansiosa, mas talvez o refrigerante gelado ajudasse seu cérebro a não entrar em curto circuito.
Ela passou alguns minutos assim, digerindo a pergunta, e antes que Ojiro se aproximasse para bater um papo, rapidamente enviou sua resposta.
Momo [21h37]
talvez seja irresponsável da minha parte dizer isso
mas sim!!!
quero sair daqui com você
E isso foi o suficiente para que o garoto meio-a-meio soltasse a respiração que nem havia percebido estar segurando, fazendo com que o ar saísse ainda mais quente devido ao lado esquerdo de sua peculiaridade. Ele sabia que apenas Yaoyorozu era capaz de fazê-lo se sentir nervoso assim, mas quando ela concordou com sua ideia inusual… O coração dele parecia que ia explodir no peito. Aquele, entretanto, não era o momento para pensar nisso. Ele tinha que colocar seu plano — bem simples, na verdade — em prática.
Shouto [21h37]
fique perto da porta
Momo leu a mensagem e assentiu com a cabeça minimamente, dirigindo-se casualmente até a porta com sua bolsa de lado e uma sacola que provavelmente continha um presente. Kaminari e Ashido juntaram-se a ela, aparentemente conversando trivialidades, e Shouto fez uma leve careta. Mas não iria desistir. Ele pegou sua própria sacola e caminhou até onde Momo estava, parando ao lado dela com tranquilidade. Ela o lançou um olhar breve e receoso, no entanto ele parecia ter tudo sob controle.
— Kaminari — Todoroki chamou, encarando o garoto da eletricidade com uma expressão ilegível. — Não está sendo mal educado? Yaoyorozu parece com sede. Por que não pega uma bebida pra ela?
Para qualquer um que prestasse atenção direito, aquilo soaria mais ou menos como um educado "por que não cala a boca e sai daqui?", contudo Denki não percebeu. Pelo contrário, ficou bem surpreso, alternando o olhar entre Shouto e Momo e notando que não tinham nenhum copo em mãos. E como ele conseguia ser totalmente desatento às vezes, nem sequer se questionou "por que ele mesmo não foi pegar a bebida?" e acabou caindo na "armadilha".
— Desculpa, Yaomomo!! Uma bebida pra já! — O loiro apontou para ela com seu ar alegre e deu uma piscadinha, vendo-a anuir meio sem graça e virando-se para ir pegar a bebida.
Yaoyorozu até se sentiu meio culpada, mas não pôde evitar segurar o riso, afinal havia tomado refrigerante há menos de cinco minutos.
Ashido Mina, em contrapartida, levou isso para o lado "devo deixá-los a sós" da coisa, já que estivera desde sempre na torcida para que os dois ficassem juntos. Mesmo assim, ela também não percebeu a atmosfera de segundas intenções que rondava os dois, apenas deu uma leve cotovelada em Momo, como se dissesse "sua chance!".
— Espera, Denki, eu vou com você! — ela gritou meio de longe, acenando para o casal e indo atrás do amigo.
Os dois acharam atípica a forma como ela simplesmente os largou sozinhos — sem nenhuma insinuação constrangedora, piadinha ou risada de suspeita…
Mas não era como se fossem reclamar, também.
E aí, antes que Momo indagasse "esse é o momento em que fugimos?" num sussurro, Shouto simplesmente agarrou a mão dela em um aperto firme e saiu correndo porta afora.
…
Ainda na festa, alguém encostado à parede de braços cruzados simplesmente franziu as sobrancelhas ao presenciar tal cena.
— Mas que caralho...? — Bakugou questionou em voz alta.
Se eles achavam que ninguém os havia visto, estavam muito enganados. E aquilo era suspeito pra caralho, uma vez que nem sequer namoravam.
— Cara, você viu aquilo?! — Kirishima voltou-se para Katsuki de olhos arregalados, apontando para a porta. — Isso realmente aconteceu ou é só um delírio da minha cabeça?!
— Cala a boca, cabelo de merda. Não vi porra nenhuma — ele desconversou, de cara fechada, seguindo até onde ficavam os aperitivos e sendo acompanhado pelo melhor amigo.
— Mas o Todoroki-
— Só fica quieto, Kirishima! — Bakugou enfiou um tempura na boca do garoto ruivo. — E come essa merda.
E Eijirou foi obrigado a se calar e mastigar, embora contrariado. Não podia negar que estava curioso para saber a razão de Todoroki ter saído daquele jeito, arrastando Yaoyorozu como se sua vida dependesse disso. Aonde será que estavam indo? Porém, mais ainda, ele estava intrigado com o porquê do explosivo Bakugou estar meio que acobertando os dois.
— Ei, vocês viram a Yaomomo? — Kaminari aproximou-se deles coçando o queixo, com uma verdadeira cara de bosta, diria Bakugou. — Eu fui pegar uma bebida pra ela e quando voltei ela tinha sumido. — Fitou-os com o semblante interrogativo, como se aquilo fosse um mistério a se resolver.
"Como é estúpido", Bakugou pensou, bufando. Em um momento Denki estava falando sobre a colega, no outro, Katsuki estava tomando o copo da mão dele com sua agressividade costumeira e entornando o conteúdo em um só gole.
— Ela deve ter cansado dessa tua cara de merda, Kaminari. — Ele secou a boca com as costas da mão e amassou o copo de plástico, atirando-o no lixeiro mais próximo. — Agora vai atrás da Jirou e me deixa em paz, inferno!
Kaminari não estava entendendo nada, mas não se incomodou em questionar, visto que Bakugou parecia saber de algo — caso contrário, não estaria tão irritado. Então, ele apenas deu de ombros e realmente foi fazer companhia a Jirou, que estava entretida tocando sua guitarra e cantando.
E os rapazes continuaram a aproveitar a festa como se nada tivesse acontecido. Ao menos por enquanto.
…
Depois de saírem do prédio, Todoroki e Yaoyorozu continuaram correndo através do pátio. Só pararam depois de ultrapassar a entrada da U.A, utilizando esse momento para recuperar o fôlego. Eles não soltaram a mão um do outro em nenhum momento, os corações acelerados.
Momo deixou escapar uma risada.
— Não acredito que estamos fazendo isso — ela afirmou, balançando a cabeça numa negativa e ajustando o sobretudo no corpo. O tempo estava realmente frio, e provavelmente logo iria começar a nevar.
— Nem eu — Shouto admitiu, abrindo um sorriso dúbio. Nunca se imaginou fazendo isso, mas também não podia dizer que se arrependeria. Não quando estava com ela. — Se importa de andar até a estação, Yaoyorozu? Ou prefere que eu chame alguém pra vir buscar a gente? — ele perguntou, em dúvida.
Particularmente preferia ir a pé, porque assim ele não precisaria inventar desculpas para seu motorista e ainda passaria mais tempo com a namorada. Contudo, faria o que ela pedisse. Mas Momo parecia pensar da mesma forma, uma vez que negou com a cabeça, apertando a mão dele ainda mais.
— Seria estranho se nos vissem juntos... — O rosto dela enrubesceu. Seria extremamente vergonhoso, porque além de ninguém saber sobre o namoro dos dois, ambas as famílias achavam que estavam nos dormitórios. — Vamos… Vamos andando, Todoroki-kun. — Yaoyorozu decidiu, abrindo um sorriso afetuoso.
Todoroki ficou ali, parado, observando o rosto dela com admiração. Ainda que sua peculiaridade fosse metade de fogo, sabia que era impossível existir algo mais caloroso que aquele sorriso. Sua mão livre se moveu automaticamente, acariciando a bochecha fria da garota e subindo para colocar uma mecha do cabelo solto dela atrás da orelha. Sorriu de volta para ela.
Momo não conseguiu quebrar o contato visual, sua respiração tornando-se pesada. Ela estava muito apaixonada. Os olhos heterocromáticos de Shouto eram um ímã para os seus, como se pudesse enxergar o infinito ali. E era intrigante a forma como a mão dele, ao afagar seu rosto, era capaz de esquentar não só a sua pele, mas também seu coração.
De repente, o inverno não parecia mais tão gelado.
Então, eles deram início à caminhada até a estação de trem mais próxima, jurando em silêncio que não permitiriam que nada estragasse aquele encontro. Nem mesmo algum vilão — porque eles estavam cientes do risco que corriam ao sair da Heights Alliance sem permissão.
Mas aquela era a noite do encontro de Natal. A primeira de muitas.
E seria inesquecível.
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