Our Blades Are Sharp
1 Sangue Ruim

Para Lorde Roose Bolton só existiam dois tipos de pessoas: as que tinham sangue bom e as que tinham sangue ruim. Ele era um dos poucos desafortunados que se encontravam na segunda categoria. Talvez ter sangue ruim fosse uma herança de sua família, afinal de contas o homem esfolado era o brasão de sua Casa.
Infelizmente o ato de esfolar um ser humano fora proibido nos Sete Reinos e ele devia isso aos Stark de Winterfell. A Casa dos antigos Reis do Norte e atual Protetores do Norte condenava a morte os praticantes desse costume ou enviavam os criminosos para passar os restos dos dias na Muralha. O que trazia medo para a maioria das pessoas apenas incitava o futuro herdeiro do Forte do Pavor.
Lorde Roose sentia que o filho bastardo, Ramsay Snow, tomava tudo como um desafio ou uma grande piada. O bastardo tinha mais sangue ruim do que seu progenitor e nada parecia capaz de purificá-lo. Claro que ter sangue bom não era um mérito propriamente dito, porém faz-se necessário saber adormecer os maus espíritos.
Uma pessoa de sangue bom pode se embrenhar no meio das outras e ter uma vida de paz, já as pessoas como ele e o filho bastardo, nunca conheceriam a paz tamanho era o ódio que circulava em suas veias. Lorde Roose Bolton sabia que o futuro de sua cria seria o mesmo do Rei Joffrey I Baratheon se o rapaz não aprendesse o significado do medo.
Apesar de não admitir publicamente, o Senhor do Forte do Pavor sentia medo. Medo de perder tudo o que conquistara, medo de levar sua Casa à extinção, medo de que Ramsay fosse o seu legado.
Havia tanto sangue bom nas mãos de Lorde Roose das pessoas que ele matara e tanto sangue ruim em seu corpo que em momentos de desespero e agonia ele espalhava sanguessugas por todo o corpo a modo de se purificar. Conforme os vermes negros de água engordavam uma sensação indescritível de alívio o dominava. As sanguessugas eram a sua droga, o seu prazer proibido, o seu remédio sagrado. Esfolar seus inimigos também lhe dava alívio, contudo era temporário e tendia a terminar no momento em que os gritos do agonizante indivíduo terminava. O mal da esfolação era que quanto mais pessoas ele esfolava, mais ele queria esfolar. Não existia um limite seguro quando sua compulsão atacava. O sangue clama por sangue, dizia a si mesmo. Se ele queria continuar a ser o altivo senhor que era, então ele teria que manter as aparências da sanidade negadas pelo seu tipo sanguíneo. Que fosse chamado pelas costas de Senhor das Sanguessugas. Tudo na vida tem um preço a ser pago e ele pagava o seu.
Fale com o autor