Other Time
4 Baile
Notas iniciais
Eu fiquei horas admirando a pessoa no espelho, fiz movimentos e cutuquei meu rosto para saber se era mesmo eu. Sim, era eu.
Minha mãe tinha separado os doces em caixas grandes. Quando faltava uma hora para o inicio do baile dois guardas vieram nos ajudar a levar as caixas em uma linda carruagem. Os cavalos trotavam rapidamente, e logo chegamos ao palácio. Fiquei confusa, mas mamãe me explicou que eles tratavam de negócios no palácio, e moravam na grande casa que ficava atrás. Descemos da carruagem, e acompanhadas dos guardas, contornamos o palácio e entramos na enorme casa.
Isha nos ajudou com as caixas, outras empregadas surgiram e levaram os doces para um corredor que tinha uma enorme porta.
– Vai Kelsey, é a entrada para o salão. Eu vou terminar os outros doces. — Minha mãe me disse, dispensando-me.
Segui as empregadas pelo corredor cheio de lindos quadros. Ajudei elas a abrir a porta com detalhes em ouro. O salão do palácio era deslumbrante.
Enorme, lindos tapetes indianos cobriam o chão, no meio do salão uma fonte transbordava água por uma estátua em ouro de um tigre. Janelas enormes tinham cortinas vermelhas maravilhosas, nos cantos havia estátuas lindas de deuses indianos em ouro e outras pedras preciosas. Reconheci apenas a deusa Durga com seus oito braços. Aquele lugar parecia um conto de fadas. As empregadas saíram e eu fiquei em meus devaneios. Depois de admirar um bom tempo o salão, notei que estava sozinha. O baile demoraria a começar, então pensei voltar para a cozinha. Mas uma voz muito conhecida me fez ter arrepios.
– Senhorita o baile demorara para começar.
Me virei e Ren estava me observando e de repente sua expressão mudou ao ver que era eu, seus olhos deslizaram pelo meu vestido, enquanto eu fitava sua roupa. Ele estava usando um sherwani creme com lindos detalhes bordados, um dhoti vermelho e sapato da mesma cor do sherwani. Estava incrível.
– Kelsey você está... magnifica.
Corei sobre seu elogio, meu coração acelerou ao revê-lo assim.
– Obrigado, mas você superou minhas expectativas. Seu traje, bem nem preciso elogiar, você sabe que está incrível.
Ele sorriu e me estendeu a mão.
– Aceita uma dança?
Meu coração parecia que ia pular do meu peito. Minha mente dizia: SIM, SIM, SIM, SIM!!! Sorri para ele e juntei minha mão na dele, me aproximei e ele enlaçou minha cintura me puxando para mais perto. Senti seu delicioso cheiro de sândalo e cachoeiras. Ele me guiou em uma dança romântica nem um pouco indiana.
– Não tem música. – Eu ri quando levantei a cabeça de seu peito e percebi que estávamos dançando sem música.
– Acho que não precisamos de uma. – Ele voltou a encostar seu queixo na minha cabeça.
Era estranho, não sabia muito sobre Dhiren, mas me sentia segura em seu abraço. Sentia uma conexão forte com o esse príncipe de olhos azuis. No doce embalo da nossa dança fechei os olhos.
– Kelsey.
– Sim? – Levantei a cabeça e olhei em seus lindos olhos.
– Acho que as carruagens estão chegando.
– Oque? Passou tanto tempo assim?
Ele sorriu, e tanto eu quanto ele ouvimos a voz da rainha na cozinha, dizendo algo como “parecem deliciosos`` então ouvi seus passos até a porta que ligava a casa ao palácio. Em um impulso me desvencilhei de Ren e me afastei.
– O palácio é incrível majestade! – Exclamei um assunto normal e pisquei para ele compreender.
Quando a rainha entrou, sorriu para seu filho e em seguida para mim.
– Vejo que aceitou o convite, Kelsey não é?
– Sim Vossa Majestade, é um prazer estar em sua presença. – Fiz uma reverencia respeitosa e ela riu baixinho.
– Ora, não precisa dessa formalidade toda, sua mãe é uma grande amiga minha, considere-se da casa querida.
– Obrigado. – Sorri tímida. Ela pousou a mão no ombro de Ren e lançou um olhar furioso para ele.
– Dhiren, esses não são modos! Mostre logo o palácio para Kelsey. Eu vou cumprimentar os convidados.
Quando eu estava saindo, seguindo Ren, ouvi Deschen elogiar.
– Adorei o seu vestido, querida!
Me virei e sorri para ela dizendo um ‘’obrigado’’ e voltei a seguir Ren que se dirigia a grande escada no meio do salão. Fiquei com dó de pisar no lindo tapete que cobria todos os degraus.
Assim que sumimos da visão de quem estava no salão Ren pegou na minha mão, olhei para ele que sorria. Corei e abaixei a cabeça. Ele me conduziu por um corredor cheio de quadros pintados à mão com cenas de anjos, guerreiros e deuses indianos. Analisava e passava a mão em diversas estatuas que estavam espalhadas. Havia também muitas grandes portas com detalhes em ouro. Paramos em frente de uma porta que ele abriu. Era uma ampla sacada que tinha vista para uma piscina grande e as lindas plantas lá em baixo.
– Bom, já sabemos que você não vai cumprir o que sua mãe pediu- Eu ri e me apoiei nas grades encurvadas que formavam círculos e corações.
Ele se apoiou do meu lado.
– Não acho necessário. Está vendo a piscina? – Assenti. – É água termal, os soldados mergulham as vezes depois da batalha.
Olhei com mais admiração para seu belo rosto, eu estava certa, Dhiren era um homem maravilhoso que se importa com todos.
– Minha conclusão estava certava- Arrisquei.
– Concluí sobre o que?
– Vocês são diferentes, eu acho. Outros reis só se importam com tesouros, mandam seus guardas para a guerra sabendo que vai ser um banho de sangue, e nem se importam com eles.Com a família deles. Vocês são...vocês.
Droga! Não pensei que fosse tão difícil explicar que eu estava admirada. Também, com aqueles olhos azuis me examinando, até eu não sei o que dizer.
– Sim, nos importamos. Pensamos em como seria se nós estivéssemos no lugar deles, íamos querer voltar sãs para nossas famílias.
– Não vou esconder, estou completamente admirada.
Ele olhou para mim e sorriu ternamente.
– Obrigado.
– A dança, desculpa... eu não podia ter feito aquilo.
Apertei os lábios enquanto ele franzia testa.
– Eu não estou compreendendo. Por que se sente arrependida?
– Acho que é porque sou uma simples- Apontei para mim mesma- Uma simples menina do campo, e me sentir atraída por você, um príncipe, é uma loucura. Quase uma falta de respeito.
Ele sorriu, mesmo com minha explicação fajuta.
– Atraída?
Opa! Hora de mudar de assunto.
– Você não se arrepende?
– De jeito algum, se você aceitasse eu dançaria outra vez.
Ele estendeu novamente a mão me convidando. Eu olhei para ela e fui para o outro lado da sacada.
– Não, você não entende? Admito, gosto de você, mas de qualquer forma, você é o príncipe e eu uma serva. Ímpar e par entendeu?
Ele estava prestes a dialogar quando ouvimos alguns gritos o chamando.
– Majestade? Dhiren sua mãe está te chamando.
– Aqui Isha!
Isha apareceu em frente a porta e disse que um convidado especial tinha chegado. Ren a dispensou dizendo que já desceria e olhou para mim.
– Tenha certeza que eu vou discutir sobre o que você falou, senão for mais tarde outro dia então.
Fiquei na sacada sem respostas em quanto observava ele ir embora.
Ao contrário das outras vezes em que fomos interrompidos eu fiquei quase contente. Alguma coisa me dizia que não era certo eu discutir com ele. Não o simples fato de ele poder cortar minha cabeça quando quiser por ser filho do rei. Era um outro motivo.
Fique perdida em pensamentos enquanto observava a linda lua.
Não negava que era uma linda noite.
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