Osvaldo | Companheiros Sagrados I
16 Capitulo 14
Notas iniciais
Lucas odiava o barulho do tiroteio incessante que ocorria do lado de fora da cabana que ele estava. A merda do tráfico de drogas que ocorria na região era a razão da comunidade não ter um minuto de paz, nos últimos cinco anos. Antes disso, ainda havia trafico e violência, mas o chefe do tráfico daquela época era rígido e um pouco mais sensato, ele não deixava suas briguinhas mesquinhas com outros traficantes virem até a comunidade
Eles resolviam da forma discreta e rápida a bagunça que não queria que explodisse na sua cara depois. Mas agora Carlinhos, parece que gostava do cheiro do som da violência que envolvia a favela, quando um dos seus inimigos gostava de incita-lo a tentar mata-lo, isso somente excitava a violência e a loucura de Carlinhos, e o sentimento de desafio o fazia sorrir.
— Luquinhas, preciso de você aqui agora? Gritou Carlinhos enquanto corria para dentro da cabana explodindo de raiva e selvageria. Seus capangas logo atrás sangrando.
— Aqueles filhos da puta, quase rasgaram a gente com aquelas balas. Carlinhos gritou com raiva.
— Irmão, o que você está esperando para começar a mexer sua bunda estupida? Precisamos voltar o quanto antes, antes que a polícia comece a bisbilhotar. Lucas começou a se mover, prestando primeiros socorros a quem ele queria ver agonizando no inferno.
Mas ser irmão de Carlinhos, o chefe dos traficantes, era sua maldição. Apesar de todos serem shifters repteis, as balas ainda ultrapassavam suas peles ficando preso entre camada mais profunda de pele e os ossos, causando um monte de sangramento, que ele infelizmente tinha que conter e depois remover as balas, para que a cura shifter fosse mais efetiva.
Maldita hora, em que ele tentou se formar em medicina, e logo depois conseguiu se formar em enfermagem. Ele talvez não estaria aqui tentando estacando sangue de gente que merecia viver mil mortes, mas...
— Irmão, Gilmar, precisa da sua cura élfica! Rápido, não posso perder meu melhor atirador. Gritou a voz irritante de Carlinhos novamente. Lucas era um elfo de fogo, ele podia curar com seu sangue, feridas profundas ou mortais. Ele odiava ter que usar seu sangue para curar homens sádicos e brutais como Gilmar. Ele pegou um punhal de ouro que guardava em seu coldre artesanal fixado em seu peito, e cortou um pouco mais a pele que sangrava do idiota crocodilo assassino.
— Você quer me matar é, sua fada bicha do caralho?! Gilmar gritava em plenos pulmões, enquanto seu punhal abria mais alguns centímetros de pele da perna de Gilmar
— Seu sangue já está se secando e fechando a ferida que ainda tem um dos seus tendões rompidos e uma hemorragia interna que não vai parar até você morrer de infecção interna, por isso precisei abrir mais sua pele, para parar por tempo suficiente o sangue de secar e eu puder usar meu sangue para curar suas feridas internas, agora você vai deixar a bichinha fada aqui não deixar você morrer ou posso te deixar na sua própria sorte fudida? Gilmar começou a rosnar para ele em desgosto de ter que depender dele tantas vezes para não morrer.
Lucas respirou fundo antes de limpar a lamina com o sangue grosso do shifter nas suas vestes que ele sabia que precisava queimar antes da noite terminar. Ele não conseguiria vestir essa roupa de novo. Ele fez um corte profundo em seu pulso e deixou o sangue azulado que saia do seu pulso cair diretamente sobre a ferida aberta da perna do desprezível shifter, depois cuspiu com exatidão na mesma área do corte, em seguida pegou o acendedor de fogueira que guardava em suas vestes, e quando Gilmar viu o acendedor vermelho começou a rosnar com mais raiva, sabendo o que ia acontecer. Lucas ateou fogo sobre a ferida que continha seu sangue e sua saliva, e viu o fogo sagrado da cura trabalhar, enquanto se afastava rapidamente do raivoso shifter idiota que tentava alcançá-lo para morder-lo.
— Eu já disse, Gilmar. Se você me morder, o processo de cura pelo fogo para, e aí vou ter que fazer tudo de novo, idiota. Lucas disse com irritação, mas começou a sorrir suavemente.
— Já sei, Gilmar. Tive uma ideia, que tal você me morder de novo. Adoraria cortar sua pele e atear fogo de novo sobre ela, ou simplesmente ver sua vida se esvaziar de seu corpo covarde e morrer na minha frente. Lucas olhou com malicia para Gilmar enquanto lambia os lábios ao se aproximar mais perto de Gilmar.
— Fique longe de mim, bichinha de merda. Gilmar arreganhou os dentes amarelados para o elfo do fogo.
—Pare com isso, vocês dois. Gilmar arrume-se, eu quero o idiota morto antes do sol nascer. Na verdade, eu quero muito antes disso, o meu putinho ainda vem essa noite para atender meus desejos e então eu quero isso resolvido o quanto antes. Lucas gemeu mentalmente. Ele não sabia que o cara viria hoje à noite, ou seja, ele teria que ficar também. Ele não deixaria o cara sozinho com seu irmão de novo. A última vez, ele quase foi morto.
— Carlinhos, meu irmão... Lucas odiava ter que implorar.
— Você sabe, que o carinha não está reagindo bem ao meu sangue ultimamente. Ele ainda está ferido da última vez. Você tem certeza que precisa dele hoje. Talvez, você pudesse esperar um pouco mais, para ele se curar. Lucas esperava que seu irmão ouvisse suas palavras, mas pedir por isso, era como se esperasse um milagre para acontecer.
— Isso só quer dizer que vou ouvi-lo gritar mais hoje à noite, o que é perfeito para mim. Quero ouvi-lo gritar e chorar antes de desmaiar e eu puder acabar com aquele corpinho vagabundo. Lucas sentiu seu estomago estremecer com nojo, ao ouvir seu irmão falar com tanta alegria e crueldade.
Depois, ele realmente quis vomitar ao sentir o cheiro de excitação saindo em ondas do seu irmão, sabendo que as ideias que giravam em seu pensamento o animavam. Lucas quase não conseguiu chegar ao banheiro tempo suficiente antes de vomitar suas tripas no vaso sanitário, depois ao ver a nojeira do vaso sanitário, ele vomitou ainda mais. Se ele pensou que sua vida era miserável e sem nenhum pingo de felicidade, sua vida parecia maravilhosa em comparação ao mundo de dor e angustia que o menino passava nas mãos de seu irmão nesses últimos anos.
— Carlinhos antes de você ir de novo para fora, nossa mãe te pediu para entregar isso para você hoje à noite. Lucas disse entregando-lhe um caixa.
— Eu não tenho tempos para essa merda de mamãe agora, Luquinhas. Seu falso sorriso quase se desmancha, ele odiava esse apelido saindo da boca de seu detestável irmão.
— Acho que seu presente é apropriado para você usar agora. Lucas sabia que isso ia chamar atenção de Carlinhos. Ele acertou quando viu os olhos cruéis e sanguinários brilharem para caixa.
— Uma adaga serrilhada de ouro. Carlinhos disse animado.
— Serve para matar vampiros. Lucas disse, e viu o sorriso macabro e sanguinário do seu irmão aumentar de forma bizarra. Na verdade, essa adaga era um presente que seu pai tinha dado a Lucas quando ele se formou na faculdade. Lucas não mentiu ao dizer que a adaga matava vampiros. Bastava um corte, e eles em segundos caiam pegando fogo. Mas a adaga também tinha outra finalidade, que Lucas esperava que pudesse dar certo hoje à noite mais tarde.
— Até que você não é tão inútil quanto eu pensava, irmãozinho. Esteja aqui hoje à noite. Você sabe que o menino tem que estar sem nenhum arranhão quando eu terminar com ele, ou senão vou ter o idiota do Silvano no meu pe. Então esteja aqui as 11 em ponto. Lucas sabia que estaria aqui muito antes disso.
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