Ostium: Diamond
1 Prologo
Prólogo
Sonhando Com Estrelas
Era um sonho.
O que vou documentar não foi nada mais que um sonho.
Estava descendo uma escadaria, os arredores todos eram pretos, paredes e teto.
Apenas as escadas que eram brancas como neve, elas pareciam refletir mais do que luz.
Cheguei a... porta? Aquilo não parecia uma porta, eu sei que portas são de madeira, tem maçanetas de metal e abrem só com um empurrão. Essa...
Ela me assustou através do sonho, me lembrar dela já é suficiente para levantar meus cabelos. As camadas de aço e titânio tinham um cheiro próprio, as trancas de cima a baixo pareciam armas.
Apesar de aquilo parecer uma invenção bizarra, um instrumento de guerra até, eu apenas “sabia” que aquilo era uma porta, do outro lado...
“Não é um exagero”
Havia algo muito, muito perigoso atrás daquela porta.
Dei mais um passo, tinham aparecido vários teclados, algo como vinte deles, mais conhecimento surgia a cada segudo em minha mente, eu “lembrei” o que eles faziam, como cada um daqueles teclados tinham uma senha própria, uma impossível de ser adivinhada, guardada apenas na mente de uma pessoa e em mais nenhum lugar.
Era simplesmente impossível para só uma pessoa chegar a reunir, sequer encontrar as dezenas de pessoas que foram responsabilizadas de proteger esses códigos que abririam aquilo, ainda assim...
Os dedos vindos do meu corpo foram a cada teclado, pressionei com a ponta das unhas sem parar, sem pensar por sequer um segundo.
A porta abriu.
Depois de apenas apertar em botões sem parar, as trancas soltaram o chiado de vapor, o metal raspou entre si e liberou passagem, fácil assim, aquela porta havia sido aberta.
—Pensei ter sido claro no que disse, não preciso e não quero um resgate.
A voz de um homem com cabelos parcialmente grisalhos e usando um terno azul royal vinha do outro lado daquela “porta” que agora se abria.
—Você foi claro, vim apenas para conversa.
Essa foi a voz que veio de mim, parecia uma mistura da minha própria voz com a de outra pessoa. Alguém que conheço... talvez.
—Não podia ser de uma forma mais... indireta?
Quando não havia mais um resquício da barreira entre aquele “eu” e homem do outro lado, vi bem melhor quem era. Vi fios loiros por todo o chão, mas ele estava longe de ser calvo, com um movimento de sua mão, ele jogou a franja para longe dos olhos, me encarando em seguida.
—É importante... além de que estava sentindo sua falta.
—Incorreto.
Na sua primeira palavra, ele foi breve, corrigiu no momento que “minha” frase terminou, continuando a falar poucos segundos depois:
—Diga de uma vez por que veio.
—Não julgue os sentimentos de alguém como falsos sem mais nem menos, esse tempo na solitária está te fazendo perder o jeito.
Foi o que disse, talvez pudesse conhecer a outra voz que vinha de mim, mas definitivamente não o outro homem. Por que?... E ainda assim, aquela fala só podia ser dita por alguém que conhecia aquele homem, certo? Eu não posso pensar em outra possibilidade.
—Incorreto. Você sabe que sempre fui 100% sincero com você... agora diga o que houve.
—É sobre aquele “instituto” li seu relatório.
—Nem pense nisso.
—É necessário, preciso mata-los antes de continuar o grande projeto. Hahaha...
O leve riso, por mais de soar como uma vocação pré-planejada, uma má atuação, representava uma emoção real. A de hostilidade. Uma a qual jamais senti, não devia sequer ser capaz de algo assim.
—Correto. Com certeza eles iriam lhe parar, justamente por isso a melhor opção é desistir do projeto.
—Está opção é inaceitável.
—Nem tudo na vida é sobre ganhar mais poder, ou sobre fazer o mau, não entende isso? Delsteen. Nunca pensou nisso?
Delsteen... não percebi logo, mas sim, esse é o meu nome. Meu sobrenome.
—Pela primeira vez, duvido que esteja sendo sincero comigo, mas ao mesmo tempo não acho que esteja esperando me convencer com algo tão fraco. Hahaha...
—Você, como está, tem apenas 99% de chance contra eles.
—Isso é muito mais do que suficiente, do que está falando? Desaprendeu a contar aqui também?
—Incorreto! Eles têm 1% e apenas com ele, só 1% será suficiente para você perder, não adiantara de nada atacar primeiro.
Aquilo não era medo, falava com um homem que não podia sentir isso, ele estava sendo plenamente racional. Dizendo a verdade assim como ele havia testemunhado.
—Hahaha... você sabe que probabilidades são minha especialidade. Sou eu que só preciso de 1% de chance.
—Eu tinha 100% e ainda perdi, quando tiver 101%, aí talvez deva atacar, mas não agora!
Suas palavras já não eram mais racionais, se tratando de probabilidades, qualquer um pode entender que “101%” é uma expressão sem significado algum, portanto, aquela frase nunca chegou até seu recipiente, muito menos seu real significado, o pedido desesperado...
—Também sabe como sou bem melhor em lutar. Bem mais ‘eficiente’ do que você.
Dei outro passo, para dentro da gaiola que o homem de terno se encontrava. Uma esfera de aço. Uma frase veio então, uma que descrevia aquilo como “a prisão do maior vilão que existe”
—Correto... se ainda está aqui, é pelos diamantes. Com certeza é. Vá no nosso antigo esconderijo, lá guardei um mapa com localizações de cada impacto, além de suas datas e possíveis alternativas e variações do local exato.
—Você sempre vinha com ótimos boletins em matemática, falarei a verdade, nunca achei que seria útil.
Agora olhava os arredores da esfera que o aprisionava, como se avaliando o quão forte aquela proteção era. Ao mesmo tempo que trocava algo como insultos, ouvindo instruções claras para achar o que ele havia chamado de “diamantes”
—O poder da ciência é o que você mais subestima, sempre subestimou, é errado. E ainda assim... com tudo em conta... você não está errada, relativamente.
E mesmo com pausas, olhando para o chão. As palavras que vinham daquela pessoa não pareciam erradas, não havia tanta dúvida quanto se imaginaria.
—Agradeço por tudo. Voltarei no futuro... Hahaha...
E por fim, quando o chiado voltou, as trancas voltaram ao seu lugar, a jaula foi trancada novamente. Por muito tempo...
Por muito tempo... até eu mesmo ver a necessidade... aquela prisão continuaria fechada, retirada do mundo exterior.
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