Desastre, chocolate e navios

Antes de tudo, deveria pedir o perdão de quem me presenteou com esse livro branco, as instruções foram claras. As tentei seguir com vigor e falhei em pouquíssimo tempo, por minha falha a pessoa a escrever a próxima etapa será Ritte, ou Ambrose Vite, deveria ter confiado esse dever a ele desde o início.

Dia 7 de maio.

Como todos os dias, fui a escola, o Jack estava lá, bem animado para seu “encontro”, não sabia disso antes, ele se recusou a dizer, provavelmente esperando para trazer boas notícias, esse é o tipo de pessoa que ele é, assim vejo.

No entanto, esse modo de agir criou uma situação estranha, pois tínhamos a dias marcado de ir na minha casa e resolver uma aposta, ele não chegou e comecei a imaginar o que podia ser, liguei para os outros, minha irmã não atendeu, nem ele, as outras duas, Mary e Roy não sabiam de nada, assim como eu.

E com isso, o que estava acontecendo ficou um pouco mais claro, ainda assim, só como uma precaução, fiz uma busca pela cidade, esperando encontrar os dois juntos.

Para minha surpresa, não foi o caso.

Jack estava sozinho no nosso esconderijo, com os braços e rosto contra a parede e... uma quantidade imensa de sangue no chão.

—Ritte... está tudo acabado.

Ele tentou ir até mim, como se reagindo ao barulho, mas no caminho, caiu ao chão e em meio ao próprio sangue.

—Isso vai ser ainda pior de lavar... ainda bem que não é comigo...

Jack ainda se arrastou um pouco até mim, quando parou e voltou a falar:

—Você fez um ótimo trabalho. Agora que minha vida acabou, passo o posto de líder para você, por favor, use isso bem.

Pas encore! Antes de morrer fale logo o que aconteceu! Prometo buscar vingança por quem te matou, mas só se tiver um nome!

—Tudo começou... 2 meses atrás...

—E precisa voltar tanto assim? Eu não lembro de você estar morrendo a algumas horas em, não quero ouvir enrolação.

Me afastei dele, vi este caderno e... por alguma razão quis escrever nele, foi um pouco mágico, um encantamento mágico.

Agora, melhor deixar aqui o que o Jack disse:

—Tudo começou numa eventualidade terrível, estava andando por um canto mal iluminado da escola, até hoje não sei qual a função dele além de alunos se esconderem para fofocar, no entanto, encontrei uma joia, a mais bela delas, o qual refletia luz mesmo no breu vazio.

—Você não quer dizer uma joia... como... uma joia de verdade, um diamante. É outra coisa, não é? Vai me ajudar se você não usar metáforas, sabe... só para eu ter certeza.

—Algo muito melhor, o dinheiro que podemos tirar de diamantes é imenso, porém há algo infinito e natural de nossa espécie, o que nos deixou chegar até onde estamos. O amor.

—Sim... já sei quem é... continue. E sério, você não está planejando fazer uma cena de morrer no meio da frase não, né?

—Encontrei ela, olhei nos olhos dela enquanto passava pelo corredor e... minha mente esvaziou-se, o tempo estava tão lento, meu coração batendo tão rápido, só tinha instinto lá e... eu fugi. EU FUGI AAAAH!

Ele se levantou e usou toda sua força para se impulsionar de volta para o chão e bater de cabeça.

—É daí que veio todo esse sangue...

Falei aquilo, vendo o chão ganhando ainda mais cor, já me dando vontade de vomitar.

—Isso foi a meses... por que você só está se arrependendo agora?

—Pois quis mudar isso, um foco imenso me preencheu e todas as horas do meu dia foram gastas para me tornar um homem corajoso, com o instinto de avançar mesmo que as chances, mesmo que o mundo esteja contra ele. Foi o que fiz, porém... talvez coragem demais também seja um problema...

—Tenho medo de saber o que houve.

—Um dia, por acaso, marcamos de fazer as lições de matemática juntos, isso foi hoje, passei a última semana estudando matemática todo momento que tinha, parecia tudo estar indo bem, isso é... até tudo dar errado.

Dia 7 de maio, mais cedo, biblioteca:

—E essa kestão* digo, essa questão aqui?

Franziska me perguntou.

—Diria que... a resposta seria 9, sendo mais detalhado... a raiz quadrada de 81.

—Faz sentido sim... logicamente. Você estudou isso? Pensei que não era do tipo de estudar longe das provas.

—Claro que sou. Estudei a semana inteira para não ficar para trás, não posso só ser um faxineiro a vida inteira.

—Por que?

—Hum... eu nunca sei o que dizer quando você fala isso... é tão...

—Err... desculpe por isso.

—Não! Não diga isso, isso vai acabar comigo de dentro para fora. E pensando bem... não é errado dizer a verdade... foi porque você me chamou para isso, queria poder ajudar você e... não pedir resposta para todas as perguntas.

—Então... por que?... Digo, toi, você não precisava se preocupar, te chamei justamente porque imaginei que você ia ter problemas, no fim consegui fazer você estudar então não é ruim, mas... hum... por que?

Minha mente vagou um pouco, foi uma sentença tão longa e com tantas questões e fatos sendo considerados, como a dois meses atrás, agi por instinto, porém, dessa vez não iria correr, iria avançar.

—Porque eu te amo

Excesso de ousadia é outra palavra para tolice.

No silêncio da biblioteca, essa declaração dita sem drama se espalhou, um grupo próximo pode ouvir e seus baixos sussurros pararam, a sua falta chamou atenção de outro grupo, assim indo até todos os alunos presentes na biblioteca estivesse olhando para nós, em silêncio e esperando uma resposta.

Finalmente entendi o que havia dito.

Acho que está bom, de volta ao presente... gostei de escrever nesse caderninho.

—Assim, depois disso entrei em pânico, corri, pulei da janela e sai correndo até aqui.

O Jack contou aquilo como se fosse o natural, eu até demorei para entender se a parte de pular da janela havia sido uma piada ou não.

—Espera! A biblioteca não fica no sexto andar?!

—Não, fica no quinto.

—Obrigado pela correção, mas isso é... 15 metros?!

Foi um cálculo feito no momento, eu tive de assumir cada andar tendo em torno de 3 metros, mas diria não ter sido algo tão fora da realidade, daria uma margem de erro de talvez dois metros.

—Não sou eu o especialista nisso, mas sinto que isso é bem longe do máximo que um humano pode cair e sobreviver.

—Tecnicamente... certo, as chances de morte chegam próximas a 100% depois de 25 metros, mas para você... onde você caiu? O tipo de solo pode afetar as probabilidades.

—Cai numa folhagem, estraguei a decoração...

—Isso certamente muda as coisas, pela história você deve ter caído com os pés primeiro, com tudo isso... as chances realmente estavam do seu lado, sinceramente, considerando sua estamina e saúde, seria na verdade incrível se você não tivesse sobrevivido.

—Por que eu teria caído de pés primeiro?

—Como assim?

—Você não viu o machucado na minha cabeça? O outro.

—Foi de cabeça!?

—Não vi que a janela estava fechada, perdi a noção dos meus arredores até ter caído.

—Nesse caso... foi outro feito absurdo seu, mas ainda assim recomendo ir para um médico, um impacto desses pode ter feito algo internamente, sabe, como Phineas Cage.

—Ouvi isso da Franziska, uma lança atravessou a cabeça dele de um lado para o outro, foi isso?

—Sim, então... vá para o médico.

—Não tem como... é ela que cuida da enfermaria... melhor me deixar aqui até meu corpo sumir, minha vida já acabou.

“Hora de treinar meus discursos”

Primeiro! —Agarrei ele pela camisa e o levantei o quanto podia— Você não vai morrer aqui! Nossa carreira acabou de começar, da última vez que vi nossas vendas finalmente chegaram a 3 dígitos! Isso é a sua vida! Nem pense em reduzir ela a apenas ficar de namorinho entre festivais!

Soltei ele antes dos meus dedos começarem a doer.

—É, não precisava de tanta emoção, só me ajuda a levantar agora.

Ele estendeu a mão para cima.

—Foi para não arriscar. E aliás, você podia só ir num hospital de verdade.

Pôs os meus dois braços em posição e o puxei até ele conseguir ficar em pé por si só.

—Agora, Ritte... o que nós vamos fazer?

—Bem, você tem que conversar com ela sobre isso, se tiver sorte ela pode deixar a decisão para mais tarde.

—Esse é o máximo que eu posso conseguir? Ter minha rejeição atrasada?

—C'est presque sûr...

Jack se virou para a entrada do esconderijo, acho que pensando no que faria lá fora e como exatamente escapar da situação que ele se encontrou.

Música clássica começou a tocar, por um instante me assustei, até lembrar o que era.

—Meu telefone, um momento, Jack... é minha irmã, fique atento.

Atendi o telefone.

—Alô?

—Ei! Onde você está!? O Jack está ai também?!

—Sim! Deixa eu passar para ele...

—Não! Não é isso, onde vocês estão?!

—No esconderijo, por quê?

—Peguem o computador, vejam as notícias agora!

—Bem... certo...

Desliguei o telefone e repassei o que tinha ouvido, se era algo suficiente para atrasar a resolução do que houve mais cedo, tinha que ser bem importante.

“O que podia ser?... Talvez alguma guerra tenha sido declarada? O presidente de algum país foi assassinado? ”

O computador foi um que Mary achou no lixo e consertou, era cheio de problemas, mas devíamos conseguir usar ele para pelo menos isso.

Tinha uma forma de monitorar nossas vendas através dele, era bem útil, quis fazer uso dele e olhar só um instante antes de irmos para as notícias.

—...!

Depois de alguns segundos de silêncio, Jack pareceu não entender o que havia causado isso, então ele também olhou na tela.

—AHHHH!

Ele gritou com tudo o que tinha, os ecos feitos por aquela caverna chegaram a fazer meus ouvidos doerem.

—Finalmente! Nós conseguimos Ritte!

Jack pulou em cima do sofá e estava comemorando com várias acrobacias exageradas.

—Eu sei! Eu sei!

Apesar de tentar fazer ele se calar, parecia que minhas palavras não tinham força alguma, mal eram ouvidas, então talvez tenha sido contaminado pela euforia dele, quando notei já havia corrido ao redor do esconderijo algumas vezes num pico de energia.

O número que vimos?

889.355.

—Um disco de ouro! Nós vamos ganhar um disco de ouro!

—Platina, então diamante!

Depois de comemorar... nós voltamos, pois amanhã faríamos uma festa para comemorar o nosso feito.

Mais tarde eu vou devolver esse caderno para ele, foi um pouco divertido até, mas o Jack parecia achar essa coisa um pouco importante.

Ele realmente devolveu, no dia seguinte, esse caderno estava comigo novamente...

Dia 8 de maio.

Sai da escola assim que possível, todos nós tomamos caminhos distintos para chegarmos ao esconderijo, não entendi bem o motivo, mas o Ritte e a Franziska disseram que deveríamos fazer isso.

E nessa caminhada solitária que fiz, um estranho misterioso apareceu, do outro lado da rua e andando na minha direção.

Ele era muito alto, talvez mais do que algum jogador de basquete famoso, um sobretudo branco cobria o corpo dele quase todo, não vi o rosto dele muito bem por causa do chapéu que parava a luz antes de alcançar seu rosto.

Ele passou por mim sem virar o rosto, parecia não notar minha presença, ou pelo menos não a achar anormal, um comportamento que não era mutuo.

Também notei que ele estava andando um pouco... estranho, dando passos para o lado como se não tivesse um bom equilíbrio.

Apesar de seu rosto não virar, ele deixou algo cair.

Fiz uma meia-volta um segundo depois do objeto cair, me abaixei e segurei.

Era uma carta, com um selo de círculo, parcialmente dividido, não ao meio em perfeição, era como se estivesse vendo uma lua minguante azul sobrepondo um círculo completo em vermelho.

Olhando tanto para a carta, esqueci do que era imediatamente mais importante, demorando alguns segundos para gritar:

—Senhor! Você derrubou...

Então, ele não estava mais lá.

Na minha mente, a mente apressada para chegar logo no destino e conversar sobre nossa explosão de popularidade e o disco de ouro que deveria chegar em breve.

Uma lógica foi formada, bem superficial, e ela me dizia que não havia urgência na situação, a decisão mais correta era levar a carta comigo e ir logo para a reunião, mais tarde iria cuidar de ajudar o estranho misterioso.

Acelerei para compensar qualquer atraso que meus devaneios confusos poderiam ter levado.

Cheguei no esconderijo, os outros membros estavam todos lá.

Roi com as duas baquetas na mão e pernas cruzadas, pelo o que compreendi dela, isso significava incerteza.

Franziska estava...

—Queen! O que você está fazendo?

Ela estava em frente ao computador, isso podia ver, mas apenas isso.

—Sim... pode me trazer algo... chaud? Por favor...

“Algo quente... deve ser café, se já está falando esquisito de novo, deve estar concentrada”

—Não precisa ser um favor, ainda mais porque já trouxe, aqui.

Coloquei o café na mesa que ela estava.

—Ah... você chegou, como? Quando?

E parece ter só sido depois disso que a Franziska notou minha chegada no esconderijo.

—Cheguei agora mesmo, antes que pergunte, me deparei com a máquina de café enquanto entrava e senti uma vontade repentina e incontrolável de fazer ela funcionar, por isso estava com ele.

—Quanta coincidência... é até suspeito, mas isso só faria sentido se você pudesse prever o futuro... então foi só sorte...

—Estamos com muita sorte mesmo. Já chegamos no sétimo digito?

—Não... parece que estamos parados a um tempo em seis.

—Essa sorte toda tinha que acabar alguma hora, espera... tem alguma outra explicação para isso, Queen?

—É claro, várias. Só não zei* digo, eu não sei qual delas... déroutante, tão confuso...

—De meia-volta, temos que conversar agora.

“Ela já deve ter perdido a linha de raciocínio, melhor só puxar a Franziska para outra coisa enquanto isso”

Ela se virou.

“...”

Ah sim... voltando as minhas descrições...

Ritte já estava de frente a mesa, pronto quando os outros estivessem, só faltava uma pessoa.

Une, pois ela parecia estar mexendo com os carregadores que usou antes, nos efeitos especiais do festival, a chamei atenção:

—Une, não queria ser eu dizendo isso, mas o recreio já acabou.

—Eu te odeio. Você acabou com minha diversão.

—Ai... sua imprevisibilidade de humor deixa muito mais difícil de fazer piadas... só foque na reunião.

—Se tivesse a opção, iria tentar lhe cegar de novo.

—Então... você estava mesmo tentando me cegar naquele dia?

Após 3 atrasos, senti que o encontro não foi nada apressado, é apenas nossa tendência de atrasar coisas sempre sendo levada em conta.

Todos ao redor da mesa.

Esperei alguém dizer algo.

Todos estavam olhando para mim por algum motivo.

“Ah sim... agora entendi porque sou o líder”

—Bem... nós ganhamos um disco de ouro... e quando fomos para o sétimo digito vai... er...

“Isso não está funcionando, melhor só botar o que eu estou pensando para fora”

—Estamos ricos! Mais de oitocentas mil vendas! Estamos ricos!

Após passar por essa simulação, conclui que isso também poderia ser muita emoção, nós claramente estamos animados com isso e nos segurando, caso deixássemos toda a energia escapar, o mapa do mundo teria que ser refeito.

—Será então um disco de platina, nós deveríamos dividir os ganhos igualmente, certo?

Eles acenaram para confirmar.

—Nesse caso... Ritte.

—Se arredondarmos agora, seria um milhão e oitocentos mil euros para cada um.

Nem pensei em questionar esse valor, mal entendia o que ele significava de qualquer jeito, continuei falando, considerando que o calculo dele estava certo.

—Ok, todos concordam em o resto ficar para uso futuro da banda? Daria para fazer coisas bem maneiras, além de que me ajudaria a amenizar o ódio que a Une nutriu de mim a alguns segundos.

Outra decisão foi aceita.

Tudo foi resolvido tão rápido, mal teve graça, para não dizerem que a reunião foi inútil, trouxe à tona o que havia acontecido mais cedo:

—Bem... isso foi fácil, devíamos comemorar, mas eu queria pedir ajudar em algo antes.

Parecia uma boa chance de deixar a carta na mesa e ouvir os pensamentos deles.

—Isso... é cinza, o que é essa carta?

A Franziska a segurou e olhou em frente à luz, sem abri-la.

—Queria dizer o contrário, mas não é nossa. Um homem deixou cair e queria ajuda para achar ele e devolver isso, essa coisa vermelha me deu a impressão de ser importante.

—Estupido. Como pode dizer que não é nossa se não abriu ela?

Enquanto ainda tinha minha guarda baixa, a Une pulou para pegar a carta.

—Ainda não!

Eu pulei também para intercepta-la, melhor, ia tentar pegar a carta antes.

Mas... meu pulo foi muito fraco, passei por baixo do alvo sem conseguir roubar a carta.

A Une conseguiu fazer a pegada.

—Eu disse ainda não!

Antes que ela voasse para longe, a segurei e consegui parar o voo antes de ser tarde, o papel não estava nas mãos de ninguém mais.

—Parem.

Roi foi quem tomou o papel antes dele cair no chão.

—Vamos decidir isso civilizadamente.

Antes de isso acabar sendo decidido em um jogo de cartas, a Roi interferiu e assim...

Decidimos um meio-termo.

Une iria usar um drone para olhar a cidade inteira e nos avisaria de qualquer sinal do estranho misterioso. Se não o encontrássemos até o fim do dia, nos dando algo como 5 horas de busca, iriamos abrir a carta.

O resto de nós foi dividido em duplas.

—Ritte, por favor fica com a Roi, eu preciso resolver aquilo de mais cedo com a Franziska.

Puxei ele para um canto e comecei a sussurrar

—Pode deixar, mas fica me devendo uma.

—Valeu mesmo...

Mais tarde, depois das duplas de dividirem:

Nós dois fomos para a rua onde o estranho havia sumido, depois de contar o que ocorreu, Franziska concluiu algo próximo do que imaginei, ele morava em alguma casa daquela rua, não havia como ele descer a rua e sair do meu campo de visão de outra forma.

Nós batemos na porta de todas as casas, primeiro dos pontos lógicos, quando se revelava que nenhum homem morava na casa, ou que todos os homens não se encaixavam no perfil, para pontos que fugiam a lógica, nas duas pontas da rua, atravessamos ela inteira batendo de porta em porta e na última casa...

—Vende-se...

Não achamos nada.

Foi uma hora andando e conversando para nada.

Se não bastasse esse tempo perdido, paramos na sorveteria perto de lá também.

—Queen, você tem algum plano para esse caso?

—Ajouter... ajouter plus...

“Ela está pedindo mais sorvete...? Foi isso que eu ouvi, acho...”

Dei o que sobrava do meu sorvete para ela. Chocolate é a única coisa doce que eu gosto realmente, mas isso não entrou em questão no momento.

—Ah... obrigado pelo... chocolate...?

—Não tem problema. Nem gosto tanto de chocolate.

—Então por que você pegou esse sabor no sorvete?

“Por que eu ainda tento?!!”

—Err... você me pegou agora, mas sim, alguma ideia?

—A ideia é essa. Olha ali.

Ela apontou a colher para algo atrás de mim, algo não, isso foi rude, alguém.

Mas não entendi a quem ela se referia, tinha um velho entrando na loja, mas... era ele?

—Quem? Quem você está apontando?

—Não reconhece aquele homem? Aquele homem de cabelos e olhos pretos?

—Acho que aquilo está mais para castanho claro do que preto, os olhos dele são claros ainda, mas... por sua expressão, não foi a cores realmente que você se referiu...

—Ele vive e trabalha do lado do ostium deza* cidade, se alguém pode saber quem entrou e saiu da cidade, é ele.

—Ah... entendi.

Nós dois iriamos fazer as perguntas, nos levantamos e eu fui para o lado do velho, o acompanhando na caminhada.

De perto ele era menos velho do que parecia, menos de 60 com quase certeza.

—Ei, moço, pode nos ajudar com uma coisa?

—Pode esperar? Estou ocupado agora rapaz, muito ocupado.

A voz dele não era ríspida, mas havia certamente algo desagradável nela, dirigido a nós.

—O que é? Você está no lugar certo alias...? Não lembro de você trabalhar aqui.

Ele começou a me ignorar e falar com o atendente, sinto que fez questão de usar outra língua na conversa, a única palavra que peguei dela foi “chocolate”

Depois de conversar, ele saiu com uma caixa.

Nós, sem muita opção, continuamos seguindo ele.

—Senhor, o que você está carregado? Nós poderíamos fazer a entrega para você.

—Agradeço pela prontidão, mas eu mesmo preciso entregar isso.

—Pas à propos de! Digo, não é sobre ajudar, só estamos querendo saber o que é e oferecendo algum trabalho em troco.

—Ai... eu não acho que posso ajudar vocês em nada, então vão embora logo, eu não sou um policial nem nada...

—Nós não vamos ir embora até conseguirmos uma resposta, esse é o ultimato.

Ele parou de andar. Foi para nossa frente, colocando a caixa sob o braço.

—Rápido, menos de um minuto se possível.

—O que tem na caixa? Chocolate?

Perguntei primeiro.

—Sim. É um presente.

“A voz dele mudou um pouco... o que isso significa...? ”

—Para quem?

Franziska me alternou.

—Minha filha... o aniversário dela é amanhã...

—Chocolate? Não é um pouco... não! Eu não ia...

—Você está certo, não é um presente, só peguei isso para que possa ganhar mais algum tempo para pensar no que comprar amanhã.

—Ah... o que tem de especial nesse chocolate?

—Eu trabalho para a fábrica de chocolate. Poderia resumir que sou quem faz os contratos, por isso passo o dia na frente do ostium, esperando outros homens de negócio chegarem.

“Por que estamos falando com esse homem mesmo? Sinto que tinha algo com isso que ele acabou de dizer... talvez estejamos querendo um contrato por causa da banda? ”

—Então... não precisa de mais nada. Não é como se tivesse um presente melhor agora.

—O que você quer dizer?

—Foi isso que eu ganhei no meu aniversário. Um relógio de prata, parece que foi porque meu pai está a tanto tempo na polícia, algo assim.

—Onde quer chegar?

—Agora mesmo eu estou usando ele, mas olha para os números. São dígitos romanos. E não importa quantas me ensinem, nunca vou conseguir entender como esses números funcionam, esse relógio é inútil para mim.

—Então por que está com ele no seu pulso?

—Porque agora eu posso contar como ganhei ele, que me pai serviu como defensor da cidade por mais de uma década. Só por isso, você consegue entender a minha ideia?

—Hum... vou pensar sobre isso, agora você já ouviu suficiente. Estou indo.

Ele se virou e foi para encontrar sua família, esperava que agora ele tivesse entendido a essência de um presente de pai para filho.

—Jack... nós sequimos*, digo, nós seguimos ele para pedir informação, não para cumprir a boa ação do dia.

—É mesmo...

—...

—Ahhhhhhhh!!! Ele está entrando na casa!

Nós corremos e chegamos no último segundo possível, finalmente perguntamos a ele.

—Você viu algum homem de sobretudo e chapéu entrando ou saindo do ostium?

E, nós finalmente conseguimos.

Conseguimos fazer a pergunta, isso é o que mais celebrarei, mais do que termos achado o estranho misterioso, por que termos feito a pergunta merece mais celebração?

Bem...

Porque não achamos o estranho.

Procuramos o quanto foi possível, mas certamente aquela era uma jornada sem destino. Nós não o achamos.

Assim, sem opção, tivemos que voltar para o esconderijo para declarar nossa derrota.

—Hum, depois de gastar toda a bateria do meu drone, você ainda tem a coragem de voltar de mãos abanando?

—Fique feliz. Vamos abrir sua cartinha.

—Estou feliz!

“Fácil”

Ritte tinha ficado com a carta, ele era a única pessoa que poderia levar em conta passado e futuro, a personalidade de todos os membros e a situação atual da banda para saber quando a carta deveria ser aberta, meu braço direito não deve ser subestimado.

Ele se sentou, nós seguimos, por fim, ele abriu o envelope, absoluto cuidado para não deixar tão claro que nós abrimos a carta.

Eu estava do lado dele, até então minha curiosidade estava contida, mas nesses últimos segundos ela se mostrou.

Quando li...

—AHH! Como?! Im...impossível...!

Me desesperei lendo aquilo e cai da cadeira, só a primeira linha foi suficiente.

—O que está escrito?!

A Une sabia quando estava sendo teatrico e quando estava reagindo genuinamente, ela entendeu o que tínhamos encontrado.

Ritte, apesar de tudo, manteve a compostura e leu em voz alta.

—Para os integrantes do Time Knight Institute, Jack Delsteen, Ambrose Vite, Franziska Rúbria de Calevete, Mary Monteur e Margaret Roy...

—Isso é sério...? Nós não usamos nomes de palco?...

A Roi tentou lembrar, essa incerteza era infundada, nós usamos apenas nomes de palco até agora.

“Seu recente sucesso é impressionante, está é uma das várias ofertas as quais vocês iram receber nos próximos dias. Anexada a carta está 5 convites para um cruzeiro de 3 dias pelo oceano atlântico, os detalhes estão nos convites, lá queria que me encontrassem para negociarmos, tomem os convites como presentes, eles não impõem nada sobre vocês. Espero vê-los"

—CD