Oscuridad
1 Prólogo
Notas iniciais
Acordei com ele em pensamento. Com a escuridão de meus olhos fechados, consegui lembrar de seu sorriso. Isaac. — I… saa…c — engasguei com seu nome. Era um sorriso doce, gentil.O quarto era bem iluminado, fazendo meus olhos estranharem o grande quantidade de luz quando eu os abri. Eu estava deitava em uma cama com um travesseiro confortável. Tudo no quarto era branco. As paredes, todas as quatro do mesmo tamanho que formavam um quarto quadrado. Em uma delas havia um enorme vidro, daqueles que não se vê nada la fora, mas os que estão lá, se quisessem poderiam ver. A roupa de cama também era branca. E a minha roupa. Era uma espécie de roupa para doentes em um hospital. Mas eu sabia que aqui não era o hospital. Sinceramente não me importava. Eu queria ele. Levei o corpo com ajuda de minhas mãos e recostei na cabeceira fria de metal da cama, e com esse moviemento brusco a porta se abriu. Eu reconhecia o rosto. Caroline.
- Ei, mas já acordou? — ela estava com as roupas que eu lembrava ser o seu normal. Calça jeans e uma camisa simples, os cabelos castanhos soltos um pouco abaixo do ombro e lisos. Não trazia nada nas mãos, o que era bom, eu não precisava de nada.
- Por.. — disse entre soluços — por favor… me diga onde ele está.
- Ellie… — os olhos de Caroline estavam caridosos, como se estivesse contando a uma criança que seu brinquedo havia quebrado. — Ellie, o Isaac se foi e… — eu me levantei e ela deu um passo para trás. — Ellie calma, a culpa não foi sua — O olhar dela agora tinha mudado, eles estavam com uma expressão de medo. — Seus olhos — sussurou — se concentra… relaxa…
Não adiantava, eu queria salva-lo, queria tira-lo de onde quer que ele estivesse. Seus olhos. Olhei para o vidro, era escuro, mas eu conseguia ver através dele, o meu reflexo. Nele, eu via muito mais do que uma menina ruiva e cansada. A alguns meses eu entraria em pânico ao ver meu rosto tão acabado, ou sem maquiagem, mas de um tempo pra cá, isso não importava mais. Nos meus olhos eu via muito mais do que dor e sofrimento. Os meus olhos, literalmete brilhavam em um tom de amarelo que doia de qualquer um olhar. Caroline saiu correndo do quarto e fechou a porta atrás dela. Os
meus olhos brilhavam com mais intensidade a cada momento que meu desejo de salva- lo aumentava. Agachei no chão, pus a mão nos olhos. Olhei para cima, para a luz. Alguém uma vez me disse que olhar para lugares claros ajuda a não chorar. Mas isso agora não adiantava. Eu estava chorando desde o começo. Meus olhos ardiam. Parecia que iam explodir. A raiva crescia no meu coração. Eu tampei meus ouvidos e gritei. Sentindo toda a energia sair de mim. Tudo, menos a dor. Eu gritei até ouvir a lampada acima de minha cabeça explodir, deixando o quarto escuro, a não ser pelas luzes que pareciam sair dos meus olhos. Em pé, senti que a eletricidade dentro de mim tinha multiplicado, e eu tinha absorvido a luz da lampada como ele me ensinou a fazer e controlar. eu tinha que provar a todos que ele ainda vivia. Que ele ainda andava suave por essa terra de anjos e demonios.
- eu prometo… — e senti toda energia sair do meu corpo de uma vez.
continua…
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