Oscilante Matiz

4 Terceira Matiz: O Quarto


Arrasta os móveis para um lado, tira os quadros da parede, cadeira na frente, lugar de observação. "Mudara para esta casa faz alguns meses, nunca tinha pensado em modificar alguma coisa, então decidi trocar algo em algum cômodo. Afastara alguns móveis e comprara tinta colorida, queria mudar as cores do lugar. Pegara o pincel, mergulhara na lata e me divertira jogando, espirrando tinta por todo canto, não quis colocar jornal no chão, pra quê? Não é mesmo? Respingos são enfeites automáticos.

Lembrara de uma de suas frases: "um de nós fica bêbado demais e liga umas cem vezes”, mas acho que acabaram-se as palavras tanto sóbrias quanto embriagadas, pois ultimamente nossas conversar terminam como se fosse o último adeus.

Por consequência do eco de nossas palavras dentro de mim, despertara outra vontade. Pegara outro pincel, outra tinta, usei de todas as frases que voltaram em minha mente e as refleti na parede vermelha, branco que se contrastara com a vívida cor de sangue. Nós agora estávamos em algum lugar. Assim, eu sentara num quarto de um futuro adeus!"

O vento me traz de volta, e ainda estou aqui, olhando nós de um passado. Passado congelado em minha frente, palavras pintadas e agora paradas.