Os últimos dragões
7 Capítulo VII
Cersei encontrou seu pai, Tywin, em seu escritório da Fortaleza Vermelha, ele revisava documentos e planejava estratégias para o reino, sabendo que o reino só estava de pé por mérito dele, Robert só sentava a bunda gorda naquela cadeira de metal. Cersei entrou, expressão imperturbável de Tywin contrastava com a inquietação visível no rosto da rainha.
— Pai, há rumores inquietantes circulando — Cersei começou, sua voz carregada de preocupação. — Dizem que dragões foram avistados perto das ruínas de Valíria. Esses boatos estão se espalhando rapidamente e têm gerado bastante alvoroço…e alucinações — Tywin levantou os olhos dos documentos e olhou para a filha com um olhar de desdém controlado, ele sabia dos rumores das loucuras de Robert.
— Dragões, Cersei? É provável que sejam apenas bestas perdidas, selvagens e deformadas, que vagueiam pelas ruínas – ele disse, bufando de cansaço e irritação. Robert vinha enchendo os ouvidos de quem quisesse, ou não, ouvir sobre dragões, falando de valirianos vindos do leste, assim como Aegon e suas irmãs vieram uma vez. — Não há razão para acreditar que qualquer dragão verdadeiro tenha retornado. Viserys e Daenerys, mesmo com suas pretensões, não possuem a coragem ou os meios para alcançar Valíria. Eles são meros fantasmas do passado, incapazes de desafiar o status quo — Cersei franziu a testa, tentando absorver o que seu pai falava e ponderando se havia verdade nas palavras dele ou se era apenas a maneira de Tywin em acalmar tudo. — Além disso, dragões não brotam do nada.
— Robert parece obcecado com esses rumores, e suas alucinações têm se tornado cada vez mais frequentes — girou a taça de vinho na mão com graça. — Ele anda dizendo que está sendo assombrado por uma figura valiriana, e os dragões parecem estar em sua mente a todo momento — Tywin endureceu a expressão, seus olhos se tornando frios e calculistas, e irritados.
— A mente de Robert está se deteriorando. As alucinações e a paranoia são apenas reflexos da sua insegurança…e talvez do vinho — Tywin se inclinou sobre a mesa, encarando a filha. — Ele teme o que não pode controlar, e os rumores de dragões são apenas a forma de sua mente confusa lidar com o medo do desconhecido. Não devemos dar mais crédito a essas fantasias do que o necessário. Concentre-se no que é real e tangível, e deixe as preocupações com os dragões e as visões para os tolos.
Cersei assentiu, mas a inquietação permanecia em seus olhos.
— É prudente não subestimar qualquer potencial ameaça, papai. Mesmo que não haja dragões reais, Robert parece estar à beira de uma crise. Isso pode ter implicações que vão além de sua própria mente perturbada — foi a vez de Cersei se inclinar sobre a mesa. Tywin acenou com a cabeça em reconhecimento, quase parabenizando a astúcia da filha.
— Você está certa, Cersei. Devemos permanecer vigilantes. A verdadeira ameaça pode não ser um dragão antigo, mas a instabilidade crescente dentro do reino. — Tywin olhou para seus papéis novamente. — Westeros ainda treme sob a sombra do rei louco, precisamos garantir que não haja um segundo com esse título.
Cersei, aliviada por ouvir a certeza de seu pai, se retirou para continuar suas preparações. Tywin, por sua vez, voltou aos seus documentos, a expressão ainda marcada por uma determinação implacável para manter o controle absoluto sobre o reino, indiferente às fantasias e temores que pairavam sobre a corte.
Tywin conhecia o gosto do poder e o adorava.
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Robert estava em seu quarto, a mente lutando contra a névoa do desejo e da paranoia. A prostituta, uma jovem de cabelos loiros cor de mel, estava sentada nua numa poltrona, seu corpo envolto em um modo de submissão que Robert já conhecia bem. As pernas faziam companhia ao corpo no assento, abraçada aos joelhos esperando alguma ordem do rei. O ambiente estava carregado com a presença física e emocional de Robert, suas emoções conflitantes refletidas na expressão da garota.
Ele fechou os olhos por um momento, tentando escapar das visões perturbadoras que o assombravam e tentando focar no que queria fazer, mas quando os abriu novamente, a prostituta havia desaparecido. Em seu lugar estava a garota valiriana de seus pesadelos, nua e pálida, na mesma posição que a prostituta, as veias azuladas que pareciam formar mapas de uma terra distante e antiga em sua pele quase translúcida. Ela estava sentada ali, na poltrona, seu olhar fixo e sereno, um contraste assustador com o cenário familiar e decadente do quarto de Robert.
A visão fez o coração de Robert disparar. A paranoia o dominou, a linha entre o sonho e a realidade se desfazendo em um borrão de medo. Ele se lançou contra a figura, suas mãos firmes agarrando o corpo da garota, os punhos cerrados socando o corpo dela antes das mãos fecharem ao redor do pescoço magro da garota, mas ainda assim a valiriana não reagia, seus olhos permaneciam serenos, distantes, como se nada a atingisse.
— Demônio valiriano! — ele vociferou, seu ataque misturado com uma fúria cega e descontrolada. O grito foi um frenesi de desespero.
A prostituta, agora confundida e aterrorizada, tentou se defender, mas os movimentos de Robert eram brutais e desordenados. Jaime, que havia ouvido os gritos e correu para o quarto, acreditando que o rei estava em perigo e rezando, secretamente, para que o assassino tivesse acabado antes da chegada dele, no entanto, o que encontrou foi uma cena caótica: Robert agarrado ao pescoço de uma prostituta nua, ele espumava de raiva e era visível. Com um grito, ele se lançou para proteger a garota, separando Robert dela com um esforço de sua força. Jaime segurou Robert, afastando-o por completo da prostituta, sua expressão uma mistura de choque e raiva.
— Robert, cesse isso! — Jaime ordenou, seus olhos penetrantes fixos no rei. — Ela não é o que, ou quem, você pensa. Está confundindo suas visões com a realidade.
Robert, ainda ofegante e tremendo, lutou para recuperar a compostura, seus olhos se voltando para a figura aterrorizada da prostituta e a frieza de Jaime. A confusão e o arrependimento começaram a se misturar com sua paranoia, criando um tumulto interno de culpa e vergonha. A visão da garota valiriana estava se dissipando, mas o dano já estava feito, a menina estava em pânico.
Jaime, com uma calma dura, ajudou a prostituta a se afastar e a se cobrir, certificando-se de que ela estivesse segura antes de se voltar para Robert.
— Você precisa encontrar uma maneira de lidar com suas visões, majestade. Não podemos permitir que suas alucinações continuem a causar sofrimento — a voz de Jaime parecia ponderada, mas não menos ofendida.
Robert, sentado na beira da cama, sentiu o peso de suas ações e a crescente realização de sua instabilidade mental. O medo dos dragões e dos demônios valirianos parecia ter se tornado um fantasma real, assombrando suas noites e agora afetando a realidade ao seu redor.
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Joffrey estava sentado em um dos salões mais luxuosos da Fortaleza Vermelha, um sorriso de desdém estampado em seu rosto enquanto se dirigia a Sansa. Ele desfrutava de sua posição de poder, ainda que sua arrogância não tivesse encontrado um equilíbrio com sua juventude e talvez nunca encontrasse. Sansa já estava perdendo a alegria e o entusiasmo de casar com o herdeiro do trono.
— Você já ouviu, Sansa? — Joffrey disse, sua voz carregada de ironia. — Os boatos sobre dragões. Dizem que foram avistados perto de Valíria. Imagina só. Dragões. Como se alguma besta velha e enfumaçada pudesse ameaçar a grandeza da casa Lannister.
Sansa, tentando se manter calma e tentando dar o mínimo de atenção para Joffrey, observou a tapeçaria decorativa que adornava uma das paredes, era pequena e quase passava despercebida. Entre as figuras que ela conhecia, estavam Aenys e Rhaella, ambos dos registros históricos que ela estudara. No entanto, havia outros dois personagens, um casal valiriano cujos rostos ela não reconhecia. Intrigada e reunindo a coragem necessária, ela se virou para Joffrey.
— Joffrey, quem são essas duas pessoas na tapeçaria, ao lado de Aenys e Rhaella? — Sansa perguntou, seu tom gentil mas curioso. Joffrey franziu a testa, seu olhar se voltando para a tapeçaria.
— Não tenho a menor ideia — ele respondeu com um tom de desdém. — Acho que deve ser algum detalhe insignificante ou uma antiga história que ninguém mais se importa, ainda mais estando na presença do rei louco. — Joffrey sorriu dando de ombros. — Certamente, nada que tenha importância real para nós agora.
Sansa observou a expressão indiferente de Joffrey, um misto de desinteresse e arrogância que ela havia aprendido a reconhecer. A tapeçaria parecia esconder um mistério não resolvido, mas sem respostas claras, Sansa sentiu que o conhecimento sobre aqueles personagens valirianos permanecia distante, assim como os enigmas que cercavam os dragões e as velhas histórias de Valíria. Ela se afastou, o sentimento de intriga misturado com a frustração de não ter respostas, enquanto Joffrey voltava a falar sobre suas próprias preocupações, cada vez mais despreocupado com os detalhes do passado.
Joffrey agarrou a tapeçaria, jogando-o à lareira.
— Pronto, agora estão no lugar deles — o herdeiro riu ruidosamente.
Sansa, com pesar, viu cada uma das fibras do tecido pegar fogo.
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Ned, ao saber dos acontecimentos, encontrou Robert em seus aposentos, sua expressão carregada de preocupação e seriedade. Robert estava visivelmente abalado, ainda com o olhar perdido e agitado após o incidente com a prostituta. A taça de vinho tremia em sua mão enquanto o rei tentava focar em algo real.
— Robert — Ned começou, sua voz firme — ,precisamos conversar. Ouvi falar sobre o que aconteceu com a prostituta. Estou preocupado com você, não como mão, mas como amigo.
Robert olhou para Ned, seu rosto uma máscara de frustração e cansaço.
— Eu não posso escapar disso, Ned. Cada vez mais, sinto que estou cercado por essas visões e esses fantasmas. O que vi... o que senti, não foi apenas um delírio.
Ned deu um passo à frente, sua expressão um misto de firmeza e empatia.
— Você está ficando paranoico, Robert. Não há nenhum Targaryen vivo além de Daenerys e Viserys. Você está se perdendo em seus próprios medos. Os dragões, o que você vê, são apenas fantasmas de uma história antiga.
Robert balançou a cabeça, tentando processar as palavras de Ned, mas sem de fato acreditar se havia verdade nas palavras do amigo.
— Mas e os sonhos? A garota valiriana, o homem com a Irmã Sombria? Não posso ignorar isso. Parece tão real.
— São apenas sonhos — Ned insistiu, com a voz mais suave agora. — Ou talvez a sua mente esteja criando esses cenários como uma forma de lidar com a culpa e o medo — ele encolheu os ombros e os soltou. — Não há um exército de dragões à sua porta. Não há uma ameaça iminente de Valíria.
Robert parecia lutar com a realidade que Ned estava tentando lhe apresentar, porém tudo parecia tão confuso, tão intangível, algo delirante. Se não havia o que temer, por que ele estava sendo assombrado com isso agora, depois de tanto tempo?
— E se você estiver errado, Ned? E se houver algo mais que não vemos? O que eu faço com esses medos que parecem tão reais?
Ned colocou uma mão reconfortante no ombro de Robert.
— Você precisa enfrentar seus medos com clareza. Deixe a paranoia para trás e foque na realidade. Os Targaryen que restam estão distantes e, até onde sabemos, não têm poder para desafiar o que você construiu.
Robert suspirou profundamente, o peso das palavras de Ned começando a penetrar em sua mente. Ele sabia que sua paranóia estava afetando não apenas sua sanidade, mas também seu julgamento e temia que afetasse seu reinado.
— Vou tentar, Ned — balançou a cabeça, tentando organizar os pensamentos. — Vou tentar ver as coisas com mais clareza.
— Isso é tudo o que podemos pedir. Vamos enfrentar o que vier com a razão, não com o medo. E se houver algo a ser feito, faremos juntos — Ned deu um sorriso encorajador, algo que ancorasse o amigo à realidade.
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Robert se dirigiu ao Bosque Sagrado, buscando um momento de tranquilidade e clareza longe do tumulto da sala do trono e até de seu refúgio habitual, ultimamente nem seu adorado quarto trazia paz. As árvores antigas e o ambiente sereno ofereciam uma fuga temporária de suas preocupações e medos.
Enquanto caminhava entre as árvores, buscando respostas de perguntas que nem havia formulado ainda, Robert avistou uma figura familiar à distância. Seu coração acelerou ao reconhecer Lyanna Stark, a mulher que ele ainda amava em seus sonhos e memórias. Ela estava em pé, com um olhar sereno, como se esperasse por ele. Seu vestido era azul, quase flutuante, seus longos cabelos negros caíam ao redor de seu rosto como uma cascata de ébano líquido.
Mas então, sua visão foi interrompida por um brilho cintilante. A lâmina afiada da Irmã Sombria desceu rapidamente em direção a Lyanna. O medo e o pânico tomaram conta de Robert, e ele gritou, correndo em direção à cena, tentando chegar a tempo para impedir o golpe mortal, como se pudesse segurar uma lâmina de aço valiriano.
No entanto, ao se aproximar, a cena se dissipou diante de seus olhos. Em vez de sangue e horror, Robert encontrou apenas grama, o chão intacto e tranquilo, como se nada tivesse acontecido. Lyanna não estava mais ali. A lâmina da Irmã Sombria também desaparecera, como se nunca tivesse estado presente, tampouco havia sinal do guerreiro que a usava.
A mente de Robert estava em tumulto. O que ele havia visto? Uma ilusão? Um delírio causado por sua paranoia? O Bosque Sagrado continuava pacífico, indiferente ao tumulto interior do rei.
Ele caiu de joelhos na grama, sua respiração ofegante e seu coração ainda acelerado. Robert olhou ao redor, buscando alguma explicação para o que havia experimentado, mas tudo o que encontrou foi a tranquilidade das árvores antigas e o silêncio do bosque.
Seus gritos haviam se desvanecido, e com eles, o último resquício de certeza sobre o que era real e o que era fruto de sua mente perturbada. Ele se levantou lentamente, sentindo o peso de suas visões e medos, enquanto a realidade imutável do bosque parecia se fechar ao seu redor.
A luz do fim de tarde iluminava as pedras da Fortaleza Vermelha com um tom dourado, mas o salão onde Tywin Lannister e Ned Stark se encontravam permanecia sombrio, tanto pela austeridade das paredes quanto pela gravidade do assunto discutido. Tywin, sentado à cabeceira de uma longa mesa de carvalho, ouvia atentamente as palavras do Senhor de Winterfell. Seus dedos, sempre tão firmes, tamborilavam levemente sobre a superfície da mesa enquanto seus olhos frios e calculistas fixavam-se em Ned.
— Robert está ficando paranoico — Ned admitiu, mas sem querer de fato falar sobre os problemas da coroa, porém precisava aceitar que o Lannister era importante para os sete reinos, sua voz carregada de preocupação. — Ele não dorme, não come. Vê coisas que não existem. Creio que possa jogar alguma luz, já que foi mão de Aenys…
Tywin inclinou-se para frente, a sombra de seu rosto parecendo ainda mais ameaçadora à luz fraca das tochas.
— Um rei que não consegue manter sua mente clara não é um rei, mas um risco para o reino — a voz soou com confiança pelo salão. — Já vi outros homens arruinarem o que levaram anos para construir, por muito menos — Tywin olhou ao redor, como se esperasse alguma outra presença, mas nada ocorreu. — Talvez seja hora de Robert dar um tempo do trono, assim como eu substitui Aenys, você pode fazer por Robert.
Ned sentiu o peso das palavras de Tywin. Ele conhecia Robert desde a juventude, lutaram lado a lado em batalhas, riram e sangraram juntos. No entanto, a ideia de afastá-lo do trono, ainda que temporariamente, parecia uma traição maior do que qualquer batalha enfrentada.
— Afastá-lo poderia desencadear uma guerra civil — disse ele, sua voz quase um sussurro.
— A paz é mantida pela força — retrucou Tywin, seus olhos estreitando-se. — E pela sanidade. Robert não está em posição de governar, e você sabe disso.
Ned prensou os lábios, mas balançou a cabeça, como um agradecimento silencioso por conselhos que não sabia se um dia seguiria, ele não era como Tywin e detestava pensar em fazer algo igual, assim como foi horrível buscar conselhos com ele.
Mas Tywin não teve paz após a saída de Eddard Stark, Tyrion abriu as portas. O Duende carregava sua costumeira expressão de sarcasmo e inteligência, mas havia algo mais em seus olhos desta vez. Curiosidade. Ele se aproximou do pai, a quem sempre abordava com um misto de respeito e desafio, Tyrion não tinha medo de Tywin, mas sabia o quão perigoso era o Velho Leão.
— Pai — começou ele, casualmente — , ouvi alguns nomes enquanto estava na estrada. Eamon e Saerane. Alguma ideia de quem possam ser?
Tywin manteve-se impassível, mas seu olhar endureceu, assim como sua postura. Os ombros dele ficaram tensos e o punho fechou.
— Onde ouviu esses nomes? — perguntou ele, sua voz afiada como uma faca. Tyrion deu de ombros, disfarçando com a despreocupação de quem sempre teve pouco a perder.
— Cantores. Eles têm uma tendência a contar histórias de antigos Targaryens. Nunca tinha ouvido esses nomes antes — Tywin estreitou os olhos, seu rosto tornando-se uma máscara de aço.
— Eamon e Saerane foram príncipes fugidos, irmãos de Aenys. Morreram antes de atravessar o Mar Estreito. Nada mais que isso.
— Tem certeza? Viu os corpos? E por que nunca se ouve falar deles? — Tyrion questionou insistente enquanto se aproximava do pai. Tywin, com a paciência gasta por anos de poder e guerra, fixou um olhar cortante em seu filho.
— Os mortos não falam, Tyrion. E é assim que deve ser. Há histórias que merecem ser enterradas.
Tyrion sabia que havia atingido um nervo, uma ferida maior e mais profunda que qualquer outra que ele conheceu, maior até que Cersei e Jaime, mas também sabia que seu pai não lhe daria mais do que isso. A atmosfera no salão parecia pesada, cheia de segredos não revelados. Tyrion, assim como Ned havia feito, balançou a cabeça aceitando o que havia ouvido, o peso da história ocultada, uma história que talvez nunca viesse à tona.
Ao deixar o salão, Tyrion ponderou sobre as palavras de seu pai. Ele havia tocado em algo, um segredo antigo, um mistério que os livros e canções não contavam. Eamon e Saerane... dois nomes perdidos, mas não esquecidos completamente e por algum motivo haviam dado um lampejo de vida tanto tempo depois. Tyrion sabia que precisava descobrir mais, pois, como sempre, a verdade em Westeros era mais perigosa do que qualquer espada.
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Os passos de Tyrion ecoavam pelos corredores úmidos e frios dos salões esquecidos da Fortaleza Vermelha. O ar ali era pesado, impregnado com o cheiro da história, da pedra e da escuridão que parecia eterna. Ele carregava uma tocha, a chama tremulando enquanto avançava mais fundo no ventre do castelo, onde poucos ousavam pisar. Os corredores pareciam intermináveis, serpenteando como um labirinto, até que finalmente, Tyrion chegou à câmara onde os crânios dos dragões repousavam, onde haviam sido jogados para o esquecimento.
A sala estava envolta em sombras, e os crânios, enormes e imponentes, pareciam observá-lo com seus vazios oculares. Ele parou diante do maior de todos, o crânio de Balerion, o Terror Negro. Mesmo em morte, o dragão parecia intimidante, totalmente compreensível porque a maioria dos lordes, os mais inteligentes, se ajoelharam diante de Aegon, O Conquistador. Seu crânio negro e maciço ainda exalava uma presença que fazia o coração acelerar e o sangue gelar.
Tyrion ergueu a tocha, iluminando os contornos do crânio. As fileiras de dentes afiados, as cavidades onde os olhos flamejantes teriam estado, tudo era ao mesmo tempo fascinante e aterrorizante. Ele estendeu a mão, quase com reverência, tocando levemente a superfície fria do osso.
Ele se lembrava de quando era apenas um menino, seus sonhos cheios de dragões, poderosos e majestosos, voando pelos céus de Westeros, montados por cavaleiros destemidos. Tyrion sempre tivera uma mente ávida por conhecimento, devorando qualquer livro que conseguisse encontrar sobre as criaturas lendárias. Ele sonhava em possuir um dragão, montar em suas costas e sentir o poder pulsar sob ele. Mas, ao expressar seu desejo, os outros riram. Eles sempre riram. "Os dragões morreram há anos, Tyrion," diziam eles com desdém, como se ele fosse tolo por sonhar. "A Era dos Dragões acabou."
E agora, parado diante do crânio de Balerion, ele se perguntava se os dragões estavam realmente mortos, ou se, de alguma forma, aquele sonho infantil poderia se tornar realidade. Ele entendia que havia mais do mundo do que aquilo gravado em papéis e guardados em bibliotecas, havia mais do que boatos de pescadores, havia magia e a magia parecia voltar a pulsar lentamente no mundo.
O que aconteceria se os dragões voltassem ao mundo? Seriam monstros indomáveis ou armas nas mãos de alguém mais astuto, mais ambicioso? Alguém como ele?
A escuridão ao redor parecia sussurrar segredos antigos, histórias de glória e terror, de reis e rainhas montados em bestas que transformavam exércitos em cinzas. Os dragões haviam conquistado Westeros um dia, nada impediria de conquistar de novo. Tyrion retirou a mão do crânio, sentindo um arrepio na espinha.
— Mesmo em morte, você ainda domina, Balerion — murmurou, quase para si mesmo.
Com um último olhar para o crânio gigante, Tyrion se virou e começou a caminhar de volta pelos corredores escuros. Mas o peso dos segredos que ele começava a desvendar, a sombra dos dragões que poderiam não estar tão mortos quanto todos acreditavam, permanecia com ele. As risadas que o ridicularizaram no passado agora pareciam distantes, como ecos de uma história que ainda não tinha terminado.
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