Os órfãos de Nevinny

107 Início de uma noite inesquecível


⌚️ 06:08 p.m.



— Você tem muitas roupas nesse armário. Eu acho que você deveria doar uma boa parte delas.


— Não, deixa aí. Depois eu vejo o que vou fazer — você diz revirando seu guarda-roupa.


— Escuta o que eu tô te dizendo, S/N. A maioria delas você nunca usou. Essas são roupas das que você usava na sua cidade chic de Atelis.


— Eu já disse que depois vejo isso. Eu preciso encontrar uma roupa legal pra ir ao baile. Quero uma roupa simples e bonita ao mesmo tempo e também alguma coisa que sirva pro frio. O baile é à noite, o frio tá ficando mais intenso nesses dias.


— Bom, eu vou deixar você só escolhendo sua roupa já que nada que eu sugestiono você aceita — Lívia diz.


— Tá, quando eu terminar eu te chamo.


— Me chame mesmo. Eu tô pensando em encontrar a Christine e alguns amigos pra gente ir ao cinema. Não quero ficar em casa sozinha enquanto você tá na escola dançando agarradinhx com alguém.



Você nem escuta direito o que sua irmã diz e a ignora não dando ouvidos às suas palavras. Seu foco está inteiramente em encontrar a tal roupa, pois o baile é dentro de menos de duas horas, então não pode demorar.




⌚️ Algum tempo depois à caminho do colégio...



— Você vai conseguir chegar antes do início do baile. Seus amigos já confirmaram se também vão? — Lívia pegunta olhando a movimentação da rua.


— Eu não sei acho que sim. Até onde eu vi todos falaram que vão — você diz.


— Nossa, eu te vendo assim indo pro baile me lembra da minha época de escola, eu também indo pro baile acompanhada do Ramilton, meu ex-namorado. Nós fomos no carro dos pais dele, foi uma coisa bem vintage, simples e o baile era de primavera, ainda no tempo que o ano letivo terminava quase no meio do outro ano.


— E foi legal? Eu nunca fui à um baile de escola antes, esse é meu primeiro. Então não sei como funciona.


— Foi maravilhoso. Uma das melhores noites da minha vida. Teve música, teve o nosso beijo, as "coisas de baile". Enfim, sempre tem as "coisas de baile". Então não se assuste se tiver confusão, briga ou coisa desse jeito — ela fala, sorrindo.


— Eu sei como é. Ja vi muito nos filmes, sempre tem uma coisinha. Já virou até clichê. Mas no meu primeiro baile não vai ter nada de "coisas de baile" ou confusão. Isso já teve durante o ano. O pessoal da escola é bem tranquilo.


— Se você diz... — sua irmã fala parando numa rua que fica a uma quadra da escola — Pronto, está entregue.



Ao olhar para os lados, você vê alguns jovens que estão espalhados em algumas partes vestidos em trajes de festa brincando de guerra de bolas de neve. Outros vão caminhando mais à frente, sorridentes, enquanto parecem julgar a atitude dos mesmos. Um pouco mais de distância também dá pra notar uma grande movimentação bem na porta do colégio, onde há várias luzes de várias cores. Parece uma boate de tão intenso e vívido em que as cores estão e bem convidativo pra qualquer um que passa.



— Nossa, como hoje é diferente. Na minha época não tinha essa produção toda. E isso é só do lado de fora, imagina dentro — sua irmã diz.


— É, até que tá bonito — você fala, concordando.


— Bom, tá entregue. Não sei que o que te deu hoje que não quer que eu te deixe bem na porta, mas tudo bem. Enfim, tenha um bom baile, S/N. Você sabe que se precisar de alguma coisa pode me ligar. Eu já to indo ao encontro dos meus amigos, na verdade eu marquei de buscar a todos nas suas casas e irmos juntos ao cinema.


— Ué, mas por quê? Seus amigos moram espalhados nos bairros da cidade. Isso não vai dar trabalho pra você? Vai gastar muita gasolina! Por que eles não vão todos se encontrar no cinema? Não ia ficar mais fácil?


— Ah, S/N, eu sei. Mas é que assim me ajuda a passar mais o tempo, eu fico ocupada assim.


— Entendi — você diz começando a abrir a porta do carro — Eu vou nessa. Espero que seja legal. Vamos ver se um baile de inverno é isso tudo mesmo que dizem. Você me pega às dez?


— Tem problema se for às onze? Pode ser que o filme termine depois. Não sei ao certo quanto tempo a gente vai ficar por lá — ela diz, sorridente.


— Tá bom, não tem problema. Não se importe com isso. Qualquer coisa eu vou de metrô.


— Nem pensar. Não vou deixar você com essa roupa toda bonita ir de metrô pra casa. Pode mudar de ideia.


— Até parece que pra mim isso é uma coisa absurda. Vai se divertir que eu vou tentar fazer o mesmo com os meus. Até mais tarde! — você fala fechando a porta do quarto e se preparando para atravessar a rua.


De dentro do carro você ouve sua irmã gritar "JUÍZO" e de imediato acelera o motor do carro. Enquanto isso, à medida que aos poucos vai se aproximando da escola, logo pega o celular pra mandar mensagens para os seus colegas e ver se eles já chegaram ou estão perto de chegar.



⌚️ Após algum tempo...



O ginásio está um espetáculo!

Depois de andar pelo corredor iluminado que leva até ele você não imaginava que por dentro estaria tão formidável assim. E pra sua surpresa, depois de tanto ter falado, imaginado e comentado: sim, está exatamente igual aos dos filmes.


Pra começar, logo na entrada há um arco de balões rosas, pretos, brancos e pratas. Olhando para o teto, você vê penduradas varias fitas em espiral com figuras de pequenas luas minguantes, estrelas e discos daqueles brilhantes de discoteca. Tem um desse gigante no meio do salão também, cheio de glitter e espelhado com pequenos vidros parecendo pedaços de cds. E tudo isso ambientado num cenário que não podia ser outro, a não ser a coloração neon do roxo e rosa pra dar aquele toque visual bem modesto, elegante e jovial. Aquela coloração clichê dos filmes, mas que funciona bastante visto pessoalmente.


Talvez não possa falar o mesmo sobre os figurinos dos alunos e também de alguns professores, que, pra você não fazia tanto sentido.


Bom, sabe-se que o tema da festa é anos oitenta, mas também sabe-se que a festa não trata-se de ser à fantasia e sim, um baile de inverno de encerramento de ano letivo de uma escola. Mas parece que para muitos isso não foi levado em conta. De sua parte, esperava-se ver alunos em roupas formidáveis, casuais e chics, claro, sem fugir do tema, porém não consegue fingir surpresa ao ver que muitos não seguiram a etiqueta.


De vestidos tons de rosas, verdes escuro e perolizados e ternos cor de flamingo, preto básico e também brancos a roupas de academia, looks com ombreiras e muitos daqueles coloridos com estampas de onça, cores vibrantes e diversas perucas espetadas de várias cores ao mesmo tempo. Parece que há dois grupos que estão prestes a entrar num desfile de moda e o meio do ginásio é a passarela de onde seria feita a avaliação.


Mas, apesar disso tudo, há outra coisa na qual pôde observar e certamente é a que mais chamou sua atenção devido ao ritmo e seus instrumentais legais que é a música de chegada do seu grupo. Eu digo "música de chegada do seu grupo" porque ela começou a tocar exatamente na hora que pisaram no ginásio, num timing perfeito com a anterior. Dessa forma, já se contagiando pelo ritmo você não hesita em perguntar — ou melhor, gritar — para Cris que está ao seu lado:


— Que música é essa? — você pergunta tampando os ouvidos.


— Eu também quero saber. Que música horrível! — Lavínia reclama fazendo cara de nojo.


— Essa música é bem antiga. Se chama "The Safety Dance". É uma das piores músicas dos anos oitenta. Por que eles colocaram uma das piores músicas dos anos oitenta pra tocar no nosso baile? — Cris fala também gritando.


— Não precisa nem perguntar o porquê, né? Que som horrível!


— Não é horrível, não. Eu gostei — você diz dando um sorriso.


— Sério?!


— Sim, achei bem legal. Na verdade eu achei ela muito boa.


— S/N e seu gosto por coisas estranhas — Lavínia fala revirando os olhos.


— Ela é legal mesmo. É boa de dançar. Não foi eu que falei que ela é uma das piores músicas dos anos oitenta, na verdade foi o que disseram na época, então...


— Tá, Cris. Nós já entendemos. Eu vou pegar alguma bebida. Alguém vai comigo?


— Eu vou com você, Lavínia — Rebekah fala — Aproveito e pego alguma coisa pra beber também. E também aproveito pra ver se encontro com a Micaella por aí. Ela disse que estava pra chegar e já faz um tempo que ela não me respondeu mais nada.


— Não vão demorar — você diz.



Ficando somente você, Cris e o casal Allison e Max, Cris segurava seu braço e bruscamente diz "Vem comigo". Aceitando sua proposta, logo começa a acompanhá-lx, porém é interrompidx por Allison que, ao notar, grita:


— Pra onde vocês estão indo?


— Eu não sei. Acho que Cris quer me levar a algum lugar — você diz.


— E vocês iam deixar a gente aqui? — Max pergunta.


— Bom, a gente não queria atrapalhar o casal. Nós vamos tirar algumas fotos. Vocês querem ir? — Cris pergunta.


— Assim é melhor — Allison fala, sorrindo.



Não muito distante vocês quatro vão para a parede onde os alunos estão fazendo a sessão de fotos. O que não esperavam era quem iriam encontrar lá logo de cara.


— Que linda! Ela está magnífica! Com certeza ela vai ganhar a coroa de rainha do baile! — Cris comenta ao olhar para Cynthia ao lado de Stefan posando para a câmera.


— Você tá do lado dela agora? — Max pergunta.


— Eu não. Só falei a verdade. Não pode?


— Se Lavínia tivesse aqui ia odiar ouvir isso. Elogios à abelha-rainha — você diz dando um sorriso.



E então vocês quatro se aproximam mais do local onde as fotos estão sendo tiradas entrando para a fila que ainda está curta para esperarem por sua vez. No meio disso, Stefan vê vocês e aponta para Cynthia de imediato indo em suas direções.


— Olha quem tá aqui: o quarteto fantástico — Cynthia dispara — E aí, pessoal? Como vocês estão? O que estão achando do baile de inverno? Não vão me dizer que tá "só legal" porque não tá. Eu e minha turma caprichamos em todos os detalhes, então eu quero ouvir mais do que isso.


— Tá tudo maravilhoso. Confesso que me surpreendi. Fiquei comparando um baile de inverno de tv com um real e o seu realmente impressionou. Tá fantástico — você diz.


— É, nós caprichamos mesmo. Sabia que iam gostar.


— Olá, S/N.


— Oi Stefan. Como está? Tô te achando meio sumido desde alguns episódios. Tá difícil de te encontrar agora pela escola. Muito ocupado? — você pergunta.


— Stefan voltou pra mesma vibe. Tá namorando de novo com a abelha-rainha da escola, então voltou a ser aquele zangão cobiçado, né Stefan? — Cris brinca.


— Sai fora, Cris! Stefan é meu e ninguém pega ele de mim — Cynthia fala.


— Ah, er... foi mal pessoal. Mas sabe o que que é, né? Final de ano chegando e as provas finais se aproximando. Eu precisava focar nos estudos pra poder me sair bem e passar de ano, né? Não que eu estava mal, mas ficar acima da média é sempre ótimo.


— Eu entendo. Nós estamos todos ansiosos pelos resultados. Ainda bem que fizeram esse baile pra relaxar a gente. Muito bem pensado — Allison comenta.


— E cadê a Lavínia? Não veio com vocês?


— Foi com a Rebekah pegar bebida — você fala.


— Que bom. Dessa vez vocês podem aproveitar bastante a bebida de boa. Não tem nada de alcoólico, então não tem nem como nenhum aluno ficar encrencado com a polícia por causa disso. Vai ser uma noite ótima — Cynthia fala dando um sorriso forçado.


— Cynthia, a gente sente muito por você não poder concorrer mais a rainha do baile. É sério, a gente sabia que era alguma coisa bem importante pra você. Com certeza você e o Stefan iam ganhar de lavada de todo mundo. Vocês estão super da ora. A gente sente muito mesmo — Cris fala.


— A gente sente? — Max pergunta.


— Eu sei. Isso não era pra ter acontecido se a amiga biruta de vocês não tivesse feito toda aquela gritaria pra me tirar da competição. Ela simplesmente acabou com o meu sonho de ser a primeira novata rainha do baile de inverno — Cynthia faz uma pausa dando um breve suspiro — Enfim... eu que precisava de uma dose de alguma coisa forte agora. Acho que foi até melhor eu ter tirado minha participação senão adeus rádio da escola.


— Lavínia é assim mesmo. Acho que você deve saber melhor do que eu — você fala olhando para Stefan.


— Bom, a gente já vai indo. Preciso me enturmar com o pessoal. Aproveitem o baile — Cynthia diz dando um sorriso forçado enquanto puxa Stefan que apenas acena com a mão e diz "Tchau, gente!".


— Tchau — vocês respondem avançando na fila.



Mais alunos vão começando a chegar e o ginásio vai ficando mais cheio. Os movimentos de dança já tomam conta da maioria do espaço e a energia é extremamente contagiante. A barraca de ponche azul é a que mais chama curiosos para sentirem seu sabor e a sua demanda já está pra ser renovada. Dizem que tem um leve sabor de menta. Será que já foi pensado pra ninguém passar vexame hoje?


— Quem eram aqueles que saíram agora que 'tava falando com vocês? — Lavínia chega com uma dose de ponche rosa.


— Eram o Stefan e a Cynthia. Os ex-futuros rei e rainha do baile. Isso de acordo com Cris, não foi eu quem disse — Max fala.


— Você disse que eles iam ser rei e rainha do baile? Por quê? — ela pergunta.


— Você não viu foi nada. Cris 'tava enchendo a Cynthia de elogios. Ela até falou de você.


— Amor! — Allison repreende.


— Ih, Cris! Tá se apaixonando pela Cynthia, é? — Rebekah brinca.


— O quê?! — Cris se surpreende.


— E o Stefan? Perguntou sobre mim? — Lavínia questiona.


— Perguntou se você não tinha vindo com a gente — você fala.


— Só isso? — ela pergunta.


— Só.


— E você queria mais o quê? Do jeito que ele tá com a Cynthia não deve tá nem ligando — Max fala.


— Stefan não é assim. Ele ainda sente sua falta — você assegura.


— Não sei não. Duvido muito. Mas eu não ligo. Nós vamos se divertir hoje. Vocês querem ir um pouquinho lá pra fora, pro jardim? Eu vi que tem bastante gente lá também — Lavínia sugestiona.


— Por mim tudo bem. Ainda não tem nada pra fazer por aqui mesmo a não ser beber, comer e dançar.


— Eu topo também. Ainda não vi o que tem lá fora — Allison fala.


— Ah, nada de mais. Só umas luzes coloridas piscando penduradas por todo lado e eles tiraram uma boa parte do gelo, colocaram umas mesas de madeira, bonecos de neve, enfim... — Lavínia diz.


— Mas assim você já estragou a surpresa, né? — Cris dispara.


— Bom, vocês só vão se quiserem. Eu e a Rebekah já decidimos. É melhor vocês pegarem bebidas também.


— Tá, eu vou. Vai ser legal — Allison diz.


— Vamos pegar as bebidas, S/N? — Cris lhe pergunta.


— Tá, vamos. Mas depois a gente volta — você fala.


— Quando quiser.




Após alguns minutos já tendo pego um pouco de fila para pegar as bebidas vocês chegam no jardim e ele está exatamente como Lavínia mencionara e até um pouco mais. As decorações estão por todas as partes, claro que diferente das decorações de dentro da festa, alguns alunos conversam por todos os lados, passeando, brincando e com vocês não é diferentes quando se reúnem numa mesa falando sobre um tema específico na qual Lavínia seria a precursora da discussão em questão.


— Gente, mas da onde que vocês tiraram essa ideia de se fantasiarem de Britney e Justin Timberlake? Allison, tem como explicar? Eu sei que essa ideia não foi sua.


— A Lavínia não perde tempo mesmo, né? — Cris brinca, gargalhando.


— Ué, gente, mas é verdade. Essa roupa virou fantasia pra muitas pessoas, mas o evento que foi a Britney, isso aconteceu lá pra depois de dois mil, não foi?


— É, é verdade. Eu já vi mesmo essa roupa deles vestidos de jeans. Isso já faz um tempo. Fez muito sucesso na época. Mas por que vocês escolheram esse modelo? — Rebekah pergunta.


— Ah, não sei. Só aceitei a ideia de Max e pronto, assim eu fiz. Coloquei a fantasia — Allison explica.


— A ideia foi minha. Foi eu quem quis que a gente viesse. Eu pesquisei antes e claro que já sabia que o modelo foi usado em dois mil e não nos anos oitenta. Mas sendo uma festa de um colégio, quem ia se lembrar e se importar com isso? O importante é a gente causar — Max diz.


— Justo. Acho que eu também pensaria assim — Rebekah afirma olhando para o celular — Nossa, eu tô tentando falar com a Micaella, mas nem sinal dela. Não aparece nem mais a última vez que ela ficou online pela última vez.


— Calma, Rebekah, daqui a pouco ela chega — Allison fala.


— Mas continuando aqui, que época de moda mais legal e mais esquisita também essa dos anos oitenta. Vocês viram os cabelos de alguns alunos, todos espetados, parecendo que não penteiam há séculos? Tipo, é até diferente, mas às vezes é esquisito — Lavínia diz, gargalhando.


— Cris acho que é a única pessoa que veio fiel aos anos oitenta, pois se veste exatamente como se estivesse na época. Sempre com calça jeans, uma jaqueta preta, mesmo quando não tá na escola — você afirma.


— Espera, como sabe que eu sempre me visto assim? Andou stalkeando minhas redes sociais? — Cris pergunta.


— Bom, todas as vezes que a gente se encontrou fora da escola nos eventos que fomos você sempre se veste da mesma forma.


— Hum...


— E, também pode ser que eu tenha visto algumas fotos.


— Ahh, eu sabia — Cris fala dando um imediato sorriso batendo o cotovelo no braço de Lavínia que retribui com um sorriso.


Você olha e observa o ocorrido o que te faz estranhar um pouco a interação.


— Bom, então vamos? Fiquei curiosx agora pra ir lá fora — Max diz.



Chegando no jardim, ao encontrarem uma mesa vazia, há dois jovens que esperam por vocês vestidos de terno preto, calça, sapatos sociais e usando boinas, uma amarela e outra vinho cada um. São Heitor e Felipe.


— Quem é vivo sempre aparece — Lavínia já comenta — Isso é, com certeza obra sua né, Rebekah?


— Não é pra ficar chateada. Eu só quis juntar os meninos com a gente, tadinhos. Eles estavam meio solitários, só quis ajudar — Rebekah diz.


— Não estou aqui por sua causa, Lavínia — Heitor dispara.


— Tá, eu não quero nem saber — Lavínia diz sentando-se na mesa.


— Será que é agora que começa a dr? — Cris brinca.


— Oi, S/N. Oi, Cris — Felipe fala — Allison, Max, wow! Que isso? Por que vocês estão vestidxs tão iguais de jeans?


— É uma longa história, amigo — Allison diz.


— Já pode começando a explicar.


— Ahh, gente, já que vocês estão todos juntos e se dando bem, eu vou ali rapidinho ao banheiro e tento ver de novo se consigo falar com a Micaella. Lavínia, você vem comigo?


— Ah, não. Me desculpa, mas acho que por aqui vai ser bem mais interessante — Lavínia fala com um sorriso malicioso no rosto.


— Tá bom, gente. Eu volto num instante — Rebekah fala saindo apressadamente.



E assim mais uma vez voltam para o papo. Durante um tempo passam um período conversando, falando sobre a festa, o período de natal que se aproxima, o fim de ano, as notas dos resultados das provas finais que irão sair daqui alguns dias e o nervosismo na qual há tempos pensam nisso. E isso tudo somado à beleza do jardim que dá uma paz e um clima de nostalgia já como se fosse uma despedida já que talvez agora só iam se ver novamente depois de um intervalo de quase dois meses.


— Eu nem acredito que isso já tá quase no final. Parece que começamos agora — Cris fala.


— Vocês estão muito nostálgicos. Daqui a pouco vão me fazer chorar se continuarem falando de como a gente se conheceu e o que se passou — Allison diz.


— Espera, vocês estão falando da festa ou da escola? — você pergunta, rindo.


— Dos dois — Lavínia diz — Nossa, eu tô tão em paz. A noite tá tão linda, né? Não mais que eu, mas ela tá, sim. Cadê a Rebekah que ainda não voltou? Será que ela abandonou a gente?


— Relaxa, daqui a pouco ela volta. Mas eu tô doidx pra voltar pra festa. E vocês, não? — Cris pergunta.


— Eu também. Já ficamos um tempo aqui. Tá na hora da gente voltar senão vamos perder as coisas, as confusões e tudo mais — Max fala, animando-se.


— Será que a gente volta logo ou esperamos por ela? Tô querendo pegar bebidas — Heitor diz.


— Não, não. Espera! Olha a Rebekah vindo ali — você diz — Ela tá... chorando?


De fato é Rebekah que vem correndo aos prantos e, assim que chega ao encontro de vocês corre em direção de Allison, na qual ela imediato dá um abraço deixando-x preocupadx.


— Ei, ei, ei! O que foi? Rebekah, por que você tá chorando? — Allison pergunta.

Sem entenderem o que se passa, você e seus colegas se olham com a preocupação em saber o que está acontecendo com Rebekah. O modo como ela se debulha em lágrimas faz com que chame a atenção dos curiosos que não param de olhar a todo instante também querendo explicações pra saberem o que possam considerar ou não como uma "fofoca de festa".